quarta-feira, 12 de maio de 2010

Não pedi para nascer

Por Valentim Lorenzetti

Num gesto de rebeldia contra os pais, é muito comum o jovem desabafar: "eu não pedi para nascer; eles que me puseram no mundo, que me agüentem assim como eu sou".

Vamos analisar este ponto de vista, isto é, a cômoda posição passiva que leva o indivíduo a isentar-se da própria responsabilidade atribuindo seus fracassos e insucessos sempre a outras pessoas. "Eu não pedi para nascer" é o mesmo que dizer: "não tenho culpa de agir errado, meus pais é que quiseram que eu nascesse". É um gesto de desleixo, pouco condizente muitas vezes com a atitude exterior daqueles que o adotam; geralmente, homens que procuram aparentar masculinidade ou mulheres que se dizem adeptas da liberdade total. Liberdade total para os desmandos; dependência total quanto às responsabilidades.

Pela lei da reencarnação, também não é certo dizermos que não pedimos para nascer. Que não pedimos para reencarnar. Dizem-nos, os Espíritos que no Plano Espiritual existem verdadeiras filas de espíritos esperando oportunidade de reencarnar, oportunidade de progredir. Progresso esse só possível ao Espírito lutando em novo corpo carnal. Ora, quem fica na fila é porque quer, porque acha que deve chegar ao seu objetivo. Logo, quem está na fila da reencarnação quer reencarnar, tem consciência de seu desejo e sabe, em termos gerais quais são as provas e expiações a que terá de se submeter visando à autopurificação.

Todos pedem para nascer. Mesmo aqueles Espíritos inconscientes devido a seu estado de ignorância, fazem apelos inconscientementes para reencarnar. Apelos estes que são atendidos pelos Espíritos Superiores que trabalham pela felicidade de todos. É falsa a afirmação de que não pedimos para nascer, para reencarnar. É uma fuga das responsabilidades assumidas.

Acreditemos ou não na reencarnação, todos estamos a ela sujeitos. Uma só existência corporal é insuficiente para o Espírito galgar do primeiro ao último degrau da evolução. Aliás, qual será o último degrau da evolução, considerando-se o infinito que é o Universo? Logo, quando terminará a longa escalada evolutiva do Espírito? É uma pergunta ainda difícil de ser respondida; difícil, justamente porque estamos bastante distantes dos graus mais adiantados na escala evolutiva. Não chegamos a compreender a Eterna Perfeição, por isso ela nos parece impossível. Mas, no íntimo de nosso ser, algo nos impulsiona a procurá-la; esse algo somos nós mesmos, o Espírito imortal que somos - filhos de Deus, que, no fundo de nosso ser aspiramos retornar ao Pai. Esse retorno se fará lenta ou rapidamente, dependendo de nosso esforço, de nossa vontade de nos identificarmos com a vontade do Criador, que é, principalmente, aquela que nos concita a amar todas as demais criaturas.

Dizer que não pedimos para nascer não é um gesto que nos identifica com a vontade do Criador. Ele sabe que pedimos para reencarnar, ou melhor, que sentimos uma enorme necessidade de reencarnar. Do contrário, ficaremos estacionados na ignorância. A reencarnação é uma necessidade da qual ninguém escapa. E para reencarnar é preciso encontrarmos pai e mãe que estejam dispostos a nos doar novo corpo: a nos dar uma nova morada para nosso Espírito. Enfim, pai e mãe que concordem em nos fornecer novo instrumento de trabalho para o nosso progresso espiritual. É claro que na maioria das vezes os pais estão comprometidos - por débitos ou amizades do passado - com os Espíritos que concordam em receber como filhos. A responsabilidade de progresso é mútua, mas não exclui - em hipótese alguma - a responsabilidade dos filhos.

Na sua revolta devida muitas vezes à sua acomodação ou à não-conformação às Leis de Deus, o homem se volta contra os pais, dizendo-os responsáveis pela sua própria existência. É que, não podendo atingir a Deus, ele fere aqueles que identifica com o Criador: seus próprios pais. No entanto, deve o homem saber que pai e mãe são meios por ele mesmo utilizados para voltar à arena da luta na Terra, visando o seu próprio progresso.

Astronomia e Espiritismo

15:14 Posted by Fabiano Vidal , , , No comments
Por Celso Martins

Um dos ramos científicos, quer dizer, uma das ciências que mais tem crescido desde os anos 50 para cá, fazendo audaciosas pesquisas, ampliando muito o acervo de seus conhecimentos é exatamente a Astronomia. Basta que se diga que dela se derivam, ou com ela se relacionam, a Astrofísica, a Astroquímica, a Exobiologia (estudo da possibilidade de vida fora da Terra), a Ufologia ou seja, o estudo científico dos discos voadores ou objetos voadores não identificados, os OVNIs...

Norte-americanos e russos têm lançado foguetes, satélites, sondas, até mesmo ônibus espaciais, a fim de conhecerem mais a fundo o que existe no Universo, ou, pelo menos, em nosso Sistema Solar, em nossa galáxia, a Via-Láctea. o caro leitor sabe disto porque tudo isto é notícia freqüente nos programas de rádio, de tevê e nas páginas de revistas e jornais.

James Jeans, um dos maiores astrônomos do nosso século, por exemplo, no livro The Universe Around Us (o Universo em volta de nós), chegou a afirmar textualmente:

"O número de sistemas planetários em todo o Espaço deve ser inimaginavelmente grande.

Bilhões deles podem constituir réplicas quase exalas de nosso sistema Solar e milhões de planetas constituir outras réplicas quase exatas da Terra." De igual maneira, o astrônomo russo Liapunov revela em Viagens Interplanetárias que os astrônomos vêm observando o movimento de 240 estrelas mais próximas de nós e sabem que aproximadamente umas 60 delas têm satélites.

Ora, podemos então raciocinar da seguinte maneira: A nossa galáxia tem mais de 100 bilhões de estrelas. Considerando-se a proporção sugerida pelo sábio soviético, cerca de 25 bilhões de estrelas da _Via-Láctea seriam razoavelmente centro de outros tantos sistemas planetários e, em dezenas de milhões, já podemos admitir a existência de supercivilizações.

Já no século passado, os Espíritos Superiores diziam a Kardec:

"... não vejais nesses planetas desconhecidos apenas os três reinos que se estendem ao vosso redor. Pensai, ao contrário, que assim como nenhum rosto de homem se assemelha a outro rosto em todo o gênero humano, também uma portentosa diversidade inimaginável se acha espalhada pelas moradas eternas, que vagam no seio dos espaços." o exobiologista Carl Sagan diz: "os extraterrestres podem ou não ser animais ou seres humanos, mas ao mesmo tempo podem possuir inteligência como nós, moral, capacidade artística, etc." E completa: "Ser de outro mundo pode significar sentir e pensar como nós, mas não necessariamente assemelhar-se".

Quer dizer, Sagan repete o que os Mensageiros anunciaram há mais de um século. E aí é que está: onde fica quem diga que Kardec esteja superado? Vamos, porém, prosseguir mais um pouco.

Depois de afirmar a existência de uma civilização semelhante à da Terra a 40 milhões de anos-luz, no centro da Via-Láctea, o astrofísico soviético Nicolaj Kardashev ensina:

"As civilizações cósmicas seriam de três tipos: aquelas que se encontram no mesmo grau de adiantamento da Terra e que ele classificaria de tipo I. Aquelas outras de tipo II, capazes de enviar sinais a milhões de anos-luz de distância e que sabem utilizar a energia solar de seu sistema. Aquelas outras ainda de tipo II, capazes de extrair energias enormes das estrelas em formação e de outras fontes radiantes de infinitas potências e que se concentram especialmente nos núcleos das galáxias em espiral._ Neste terceiro tipo estariam criaturas capazes de realizar viagens no espaço interestelar."

O professor Ziegel é um dos poucos cientistas soviéticos que não rejeitam, por sua parte, a hipótese dos UFOS ou os OVNIS nos céus da Terra. outra citação digna de menção é de A. W. Haslett que, no livro "Mistérios da Ciência", conjectura: "Existem outros mundos provavelmente propícios ao desenvolvimento da vida. Mas não temos elementos seguros para afirmar que eles sejam habitados. Talvez sejamos nós os únicos espécimes do gênero. Entretanto, também não será impossível que sejamos encarados, pelos habitantes de algum planeta mais adiantado, como criaturas lamentavelmente inferiores".

Então, como dizia. eu lá no começo deste comentário despretensioso, a Astronomia vem avançando, vem fazendo pesquisas, e novas luzes, novos conhecimentos, novas concepções são lançadas sobre a origem e sobre a evolução das estrelas e das galáxias. Pois muito bem!

Desde o início da Codificação, em 18 de abril de 1857, que Kardec defende abertamente a pluralidade dos mundos habitados. Evidentemente não podemos bisonhamente pensar em vida então em termos exclusivamente terrestres. É bem possível outra ou no plural, são bem possíveis outras modalidades de vida. Mas de qualquer maneira, serão outras tantas oportunidades do Espírito poder crescer para a Perfeição, marchar para o seu Criador.

Fitando, deste modo, um céu estrelado, olhando no firmamento do Brasil o Cruzeiro do Sul, analisemos como é grandiosa a Criação Divinal Vem-nos de imediato à mente aquela frase de Jesus: _ Há muitas moradas na casa do meu Pai.

Ora, em o Evangelho Segundo o Espiritismo já aprendemos que por casa do Pai, Jesus queda dizer o Universo e por moradas as diferentes categorias de planos onde o Espírito necessariamente estagia, ganha experiência e progride, como sempre dizia o professor Leopoldo Machado, para a frente e para o alto!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

E assim falava Kardec... A Existência de Deus.

20:20 Posted by Fabiano Vidal , , No comments
Por Flávio Alves Barbosa.

“É princípio elementar que se julgue uma causa por seus efeitos, mesmo quando não se vê a causa”. (Allan Kardec)

Há um conjunto de perguntas fundamentais que norteiam a manifestação humana, pois as suas prováveis respostas sempre são imprescindíveis para a razão de tudo àquilo que o engenho humano cumpre e realiza. Estas questões são sintetizadas nas seguintes indagações: “O que somos”; “de onde viemos”; e “para onde vamos”. Aliás, é na busca de boas soluções para estes assuntos que surge o mito, a religião, a filosofia e a ciência, que, sobre perspectivas distintas, tentam respondê-las de acordo com os seus próprios paradigmas.

Se por todas as partes se reconhece o engenho e a presença do homem através de suas respectivas ações e obras, a existência de Deus, do mesmo modo, se assinala por tudo aquilo que é e se manifesta no universo no qual vivemos a nossa curta e célere existência, sobretudo daquelas ações que não se realizaram pela obra de nossa própria intervenção clarividente, mas pela disposição soberana de uma potência inicial que tudo regula e prover — mesmo que não sejamos capazes de percebê-la materialmente, aliás.

Neste sentido, tudo aquilo que na natureza se expressa e não é o produto da ação humana é, certamente, o resultado da ação constante e sábia do Criador que opera, silenciosamente, as suas obras, sobretudo pela regulação instintiva que a natureza cumpre no concerto geral de todas as coisas que presenciamos no mundo no qual vivemos, por exemplo. Até porque Deus é uma verdade axiomática, que, aliás, se afirma por seus próprios atos ou ações que se evidenciam, materialmente, todos os dias no mundo que nos circunda. Logo, a sua existência não é apenas o resultado de uma revelação transcendental, contudo o produto de uma obra tangível que pode ser vista por qualquer pessoa sensata e de bom senso — inclusive sem tanto esforço e sem a menor necessidade de uma ligação espiritual com forças extraterrenas que lhe exponha algo significativo.

Sobretudo nos dias de hoje, ainda existem pessoas que acham que Deus é uma dessas balelas criadas pelos mais expertos principalmente para manipular, de acordo com os seus próprios interesses e caprichos, outros sujeitos a realizarem aquilo que elas necessitam para a satisfação das suas próprias necessidades e expectativas. Evidentemente isto é um fato que acontece com certa freqüência em diversas localidades — aliás, quem é que nunca presenciou uma destas ridículas ações em certos templos religiosos, no qual um líder explora a fé alheia com o sentido de adquirir para si uma quantidade maior de capital que lhe possibilite os seus próprios fins? Mesmo assim, achar que Deus não existe porque a religião é explorada como uma arma ideológica é rumor de igual medida e intensidade, pois um princípio elementar de qualquer raciocínio capaz de transpor a barreira da ignorância é conjecturar que de uma obra arguciosa há uma ação perspicaz que se manifesta no seu cumprimento, ou seja, que de uma causa inteligente se realiza, por seus efeitos, uma obra clarividente, mesmo que a origem não seja percebida de forma tangível e material.

O homem ocidental é um ser maculado pela ação interesseira e mesquinha de certos seguimentos religiosos que secularmente exploraram e ainda oprimem uma quantidade considerável de pessoas — que, infelizmente, se auto-aprisionaram na própria ignorância atávica que, por seu turno, os inviabiliza a transpor a barreira do supersticioso e do sobrenatural. Só que a situação é ainda pior, pois, mesmo que não se note ou que não se queira perceber, o Deus que predomina na pregação e na mente de muitos seguidores é Aquele que só realiza as coisas que o fiel pretende ter para satisfazer as suas próprias necessidades e expectativas; ou simplesmente o capital, isto é, o dinheiro que o homem mediano faz de tudo para tê-lo ao seu dispor — inclusive agir de uma maneira egoísta e mesquinha visando apenas o próprio bem, muitas vezes em detrimento do bem estar coletivo. Contudo, o homem de razão, ou seja, qualquer pessoa sensata, justa e com bom senso, sabe — muitas vezes até instintivamente! — que Deus não é um servo que se encontra ao dispor de nossos próprios caprichos e interesses, porém uma causa soberana e primária que tudo regula pela conservação do equilíbrio geral de tudo, principalmente daquilo que é e existe no universo, mesmo que a sua presença não se note a não ser por suas respectivas obras.

Uma boa maneira de se evidenciar a existência ontológica1 de Deus é, evidentemente, pelo seguinte raciocínio:

Qual é a nossa origem? Para a ciência moderna, o homem é o fruto direto de uma evolução biológica que culminou neste ser que raciocina e conjectura. Aliás, este processo teve o seu princípio por um ser unicelular que, no decorrer silencioso e inevitável dos milênios, foi ampliando, gradativamente, a sua respectiva complexidade biológica até que, um belo dia, eis que surge o homem como o fruto final de uma extensa batalha pela vida — que, no entanto, ainda não se finalizou, aliás, como bem sabemos.

Agora, de onde surgiu a vida? Como já sabemos o ser unicelular não surgiu do nada e isto é algo que a ciência também explica, pois, hoje, se conjectura que através de inúmeras reações físico-químicas a matéria inanimada ganha uma força estranha no contexto geral de tudo, ou seja, surge um aglomerado de certas substâncias (geralmente arquitetados pelo “quarteto fantástico da química orgânica”, isto é, o carbono, o hidrogênio, o nitrogênio2 e o oxigênio) que se manifesta de uma nova maneira — inclusive bem peculiar a tudo aquilo que já existiu em outros tempos, que é, justamente, aquela coisa que concebemos como o primeiro ser animado, que, por sinal, é nosso o primeiro antepassado.

Tudo bem, que dizer que a vida surgiu de um conjunto de forças e de elementos naturais que se aglomeraram pelo acaso em determinado momento histórico e que, conseqüentemente, pela ação do nada eis que nos originou, não obstante, sem razão alguma de ser.

Mas, a matéria de onde surgiu? Para esta pergunta, evidentemente, que a ciência também tem uma boa resposta, pois ela considera que a matéria tem a sua origem de um evento cataclísmico que ocorreu de forma aleatória entre 10 ou 20 bilhões de anos, ou seja, que ela se originou de uma imensa explosão cósmica — que, aliás, é a fonte e a origem de tudo! — que, no decorrer de sua ação descontrolada, liberou uma quantidade assombrosa de energia que é a fonte material (e tangível) de tudo aquilo que existe no universo, inclusive das forças cósmicas como o eletromagnetismo, a eletricidade, a gravidade e até da própria vida.

Beleza, que dizer que tudo surgiu de uma imensa e colossal explosão, na qual, no seio de sua efervescência inata, foram forjadas todas as forças e elementos naturais que, no decorrer de bilhões e bilhões de anos, culmina, milagrosamente, na vida; e que, portanto, no perpassar de mais uns milhões de anos, se finaliza no homem e em sua singular e interessantíssima natureza — inclusive até os nossos vícios e virtudes são filhas diretas desta singular série acidental de fatos que, em uma região que nem sabemos onde fica, do nada acontece!

O mais engraçado nisto tudo é que há quem afirme que o gatilho desta série colossal de eventos foi uma provável maturação energética que por qualquer insignificância inicia um rápido e poderoso estouro, no qual tudo aquilo que é e existe no universo (aliás, até o próprio espaço e o tempo!) se origina em seguida, sobretudo pela sua manifestação descontrolada que tudo fez do nada e sem razão alguma de ser.

Facilmente percebemos — sobretudo diante de tudo aquilo que expomos anteriormente — que a ciência do homem moderno é um instrumento sem espírito, ou seja, é um mecanismo explicativo3 no qual as suas ações não podem ser esclarecidas pela manifestação de uma força intangível, como é o caso de Deus, que nas explicações religiosas é (e sempre será!) um elemento imprescindível para tudo aquilo que se concebe no mundo no qual vivemos.

A ciência, portanto, exclui de si qualquer senso de espiritualidade de suas explicações; e a religião, por seu turno, não aceita tudo que a ciência apresenta. Sendo assim, esta luta interminável entre estes dois mecanismos explicativos, que o homem tem ao seu dispor, se finaliza, conseqüentemente, em um ambiente pragmático no qual o ser humano, de maneira geral, prefere seguir uma visão ou outra, desde que corresponda, em muitos casos, à satisfação tacanha de seus próprios interesses mesquinhos e egoístas.

Na prática, qualquer sujeito sensato sabe, instintivamente, que tanto a ciência como a religião são corretas na construção de suas próprias explicações. Aliás, a filosofia tem um papel de destaque nesta junção de perspectivas distintas, pois os seus mecanismos não são nem científicos ou religiosos, contudo existenciais e ontológicos. De qualquer maneira, negar a existência de Deus é uma balela sem precedentes, pois por mais que a ciência descubra ou elabore algo novo, ela sempre esbarra em um ser intangível e transcendental que é a origem de tudo. No caso dela é engraçado este acontecimento, porque podemos desvendar, facilmente, que o Deus da ciência é o acaso, que sobre esta perspectiva, explica e prover tudo que há no universo — mesmo que isto não seja uma coisa tão racional. Negá-lo, portanto, é uma armadilha teórica que o bom senso jamais adotará, pois este proceder é, evidentemente, uma ação insensata e leviana.

Portanto, se a ciência queria ser uma nova perspectiva para a descoberta das respostas eternas que o homem busca — sobretudo uma alternativa capaz de transpor o prodígio e o sobrenatural do mito e da religião — ela termina por ser, não obstante, uma ferramenta que tropeça em seus próprios argumentos, pois a ciência, mesmo que não queira, tem um Deus: O acaso que, silenciosamente, tudo explica e prover.

Sendo assim, a ciência sem Deus é quase uma futilidade — que, aliás, é praticamente insuperável4, inclusive em diversas situações do dia-a-dia. Até porque, por mais que se queira negar, todo efeito inteligente tem — em contrapartida — uma causa perspicaz e clarividente que arquitetou e idealiza, previamente, a sua respectiva existência e manifestação. Portanto, todo argumento científico que é incapaz de compreender este fato auto-explicável também é inábil em transpor, adequadamente, os umbrais da ignorância em direção da sabedoria. Principalmente porque se a religião se fundamenta na crença intuitiva de algo ou alguma coisa, a ciência, por seu turno, deve agir no sentido de construir os argumentos sensatos que abonem as suas descobertas, desde que seja capaz de garantir ao homem uma perspectiva esclarecedora que propenda para a paz e a harmonia de tudo e de todos.

Da mesma maneira se a religião, em si, for incapaz— sobretudo na prática efetiva daquilo que realmente é importante! — de exceder os seus próprios ritos e dogmas, falhará no seu papel de oferecer ao homem uma perspectiva mais sensata no contexto geral de tudo, principalmente na criação, na manutenção e na conservação de um clima amplamente favorável a vivência da paz e da concórdia entre todos os seres, pois toda ética religiosa deve visar uma moral apta ao exercício da justiça e do bom senso.

Deus realmente existe e isto é um fato axiomático, ou seja, é algo que se explica por si mesmo. Aliás, o bom senso sempre termina por confirmar tudo isto, inclusive sem tanto esforço e com uma clareza sempre inconteste. Deus não é, todavia, simplesmente uma manifestação antropomórfica de uma força transcendental e metafísica que tudo prover de acordo com os caprichos humanos, ou seja, O criador é uma inteligência primária e soberana que manifesta a sua existência por suas ações reguladoras — que, por sinal, sempre visam à manutenção da harmonia entre todos os seres que se explanam no universo.

Afinal, Deus não é um capricho da religião ou simplesmente um acaso que a ciência nega de qualquer modo, mas a razão inteligente de tudo aquilo que no universo existe e se manifesta — inclusive o homem tem Nele a sua origem, pois sem Ele, por Ele e com Ele nada se explica de uma maneira justa e sensata.

Além disso, cabe ao homem viver em harmonia com o seu Criador, pois esta potência primitiva é uma força inata que visa à concórdia de todos os seres que Dele e por Ele foram feitos e emanados através de sua ação soberana e sábia.

NOTA

1 Se a Ontologia é parte da filosofia que trata do ser enquanto ser, isto é, como algo que se manifesta e que por si só se explica, logo provar que algo existe pela perspectiva ontológica é, simplesmente, oferecer os elementos que destacam a sua revelação como tal — inclusive em tudo aquilo em que a sua ação se expressa por algo que lhe caracteriza, que, no caso de Deus é uma previdência absoluta no contexto geral de tudo aquilo que é e existe no universo no qual o homem vive, por exemplo. Esta foi, aliás, a estratégia adotada por Allan Kardec na Gênese e, certamente, em toda a codificação, pois ele partiu do seguinte axioma na construção das obras fundamentais que norteiam o Espiritismo: “É princípio elementar que se julgue uma causa por seus efeitos, mesmo quando não se vê a causa”.

2 Que na codificação Espírita é chamado de azoto.

3 O que é um mecanismo? É, simplesmente, um artefato que o engenho humano usa para satisfazer uma necessidade ou uma expectativa que lhe atrapalha, sobretudo no alcance de seus próprios fins, isto é, apenas uma ferramenta que fazemos uso com certos fins em mente. Logo, um mecanismo explicativo é apenas um instrumento arquitetado pela razão humana para responder as suas eternas dúvidas: “O que somos”; “de onde viemos”; e “para onde vamos”.

4 A ciência não chega a ser uma futilidade porque ela sempre oferece ao homem melhores maneiras para a manutenção de sua própria sobrevivência, sobretudo na criação de muitas coisas que, hoje em dia, são até indispensáveis ao nosso próprio existir, como é o caso das vacinas, por exemplo.

REFERÊNCIA

BRYSON, Bill. Breve História de Quase Tudo. Lisboa: Quetzal Editores, 2005. 4ª edição.

Kardec, Allan. A gênese: Os milagres e as predições segundo e o espiristimo. Araras: Instituto de Difusão Espírita, 2005. 42º edição. Págs. 47-49.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Codificação Espírita

Por Núbor Facure*

Leon Hippolite Denizard Rivail (1804-1869) tomou conhecimento dos fenômenos mediúnicos através das sessões das “mesas girantes” que se realizavam com fins de recreação em Paris. Após observação atenta dos fatos, Kardec percebeu a seriedade dos fenômenos, notando que estas manifestações dependiam da presença de determinadas pessoas que foram posteriormente denominadas de médiuns.

Pela inteligência observada em cada resposta que obtinha, Kardec percebeu que esses médiuns traziam ao mundo uma informação nova que abrangia em termos gerais todo campo do conhecimento e que se fazia necessário identificar toda a extensão a as origens desta Doutrina.

Utilizando-se de médiuns, Kardec elaborou um estudo sistematizado e profundo que acabou revelando princípios de base científica, filosófica e religiosa pelas suas conseqüências morais.

Kardec injustamente ficou à margem dos textos acadêmicos. Qualquer revisão, no entanto, que se faça sem preconceito, pode revelar a consistência e o conteúdo científico do pensamento espírita contido em O Livro dos Espíritos publicado em 1857. Além de inúmeros ensinamentos inovadores, essa doutrina reúne uma teoria consistentemente estruturada dentro dos paradigmas científicos cujas hipóteses vêm sendo confirmadas através dos tempos.

Kardec fala de uma substância única que compõe todo universo a qual foi chamada pelos espíritos de fluido cósmico universal.

- Discorre sobre a princípio vital que vivifica a matéria orgânica.
- Ensina que a vida física é presidida pela vida espiritual.
- Que o homem é um ser dotado de corpo físico, perispírito e Alma.
- Que esta Alma é imortal e progride indefinidamente, evoluindo através de encarnações sucessivas.

Dois anos antes de Darwin divulgar seus princípios sobre a evolução biológica, Kardec afirmava ser a evolução espiritual o destino de todos seres vivos.

Um fluido cósmico preenche todo universo e, sofrendo modificações, forma o corpo espiritual que sustenta o corpo físico através da energia que emana do espírito encarnado.

O fluido magnético ressurge com conceito mais consistente e enriquecido pela experimentação mediúnica.

Kardec traz informações sobre a emancipação a Alma, explicando o significado do sono e dos sonhos bem antes das teorias de Freud, interpretando-os sem simbologia, sem crenças ou sortilégios.

Na doutrinação dirigida aos Espíritos obsessores, Kardec se antecipa às técnicas da psicanálise, propondo, na doutrinação do obsessor, uma psicoterapia objetiva centrada nas causas remotas e primárias dos conflitos que desencadearam os processos obsessivos.

Ao acrescentar a participação de entidades espirituais perturbadoras e revelar os desajustes ocorridos em vidas anteriores, a Doutrina Espírita dá aos distúrbios mentais uma nova visão onde a relação de causa e efeito é muito mais convincente.

A complexidade da mente e, como conseqüência, a imensidão das experiências retidas no inconsciente, são ampliadas na visão Kardecista. Nas idas e vindas de vidas sucessivas, o Espírito mantém a individualidade, ao passo que a personalidade se multiplica em experiências. O Espírito transita tanto como homem ou mulher, rico e pobre, senhor ou escravo, réu ou vítima, todas as grandezas e mazelas da jornada humana que não se restringe ao breve percurso entre o berço e o túmulo.

Os Elementos Gerais do Universo

A teoria da existência de uma “substância única” na formação de todo o universo é aceita e reforçada em todo texto da codificação feita por Allan Kardec, tendo os Espíritos lhe comunicado, ainda, que a matéria existe em estados ainda não conhecidos pelo homem. Podemos notar que isto parece estar de acordo com a física de hoje quando ensaia seus primeiros contatos com a anti-matéria e com “outras dimensões” que os físicos estão chamando de Universos Paralelos.

Os Espíritos ensinam que o Universo é todo derivado de uma substância primitiva, etérea pelos nossos padrões de medida, que chamaram de fluido cósmico universal. Segundo eles, “essa matéria existe em estado tão etéreo e sutil que nenhuma impressão nos causa aos sentidos e que os corpos que consideramos simples como, por exemplo, o oxigênio ou o hidrogênio não são mais que transformações do elemento primitivo que compõe toda a matéria.”

Enquanto entre nós qualquer substância material tem a ponderabilidade como um atributo essencial, o “fluido primitivo é imponderável e imperceptível aos nossos sentidos, mas nem por isto deixa de ser o princípio elementar da nossa matéria mais densa”.

*Texto extraído do Livro “A Ciência da Alma – De Mesmer a Kardec”, de Núbor Facure, renomado Neurologista, fundador do Instituto do Cérebro em Campinas.

Fonte: Dupla Vista


Sai a edição de Maio de Pensador

23:02 Posted by Fabiano Vidal , , No comments
Por Fabiano Vidal

A Gazeta eletrônica Pensador, da Agência de Notícias Espíritas da Paraíba (ANESPB), entra neste mês de maio em uma nova linha editorial implantada pelo seu fundador, jornalista Carlos Barros, apresentando um formato visual mais atraente, facilitando a leitura.

De acordo com Carlos Barros, as mudanças inseridas estão repercutindo positivamente entre os leitores.

Um dos destaques desta edição é o artigo de J. J. Torres, de Brasília, DF, "Por Uma Imprensa Mais Inteligente e Tolerante".

Faça seu download aqui.

domingo, 2 de maio de 2010

"O Blog dos Espíritas" alcança a marca de 20.000 visitas

Por Fabiano Vidal

Hoje, 02 de maio de 2010, alcançamos uma marca que muito nos engrandece. "O Blog dos Espíritas" alcança a marca de 20.000 visitantes, desde que implantamos o contador em 30 de outubro de 2009 (e não desde o lançamento do blog em 22 de junho do ano passado).

Para um blog, essa é uma marca e tanto. Durante o tempo em que estamos veiculando a Doutrina Espírita na Internet, fizemos grandes amigos como o Carlos Barros e esposa, ambos da ANESPB (Agência de Notícias Espíritas da Paraíba), Flávio Alves (Papyrus), Erasto Magno (O Franco Paladino) e tantos outros que mantém contato conosco através de e-mail.

Que "O Blog dos Espíritas" possa crescer sempre, não só em visitantes, mas em amigos e na correta divulgação da Doutrina Espírita.

Muito obrigado a todos. Estaremos sempre aguardando suas críticas e sugestões para melhorarmos cada vez mais este blog.

Eurípedes Barsanulfo - O Precursor da Pedagogia Espírita

Por Érika Silveira

Descrever, em poucas linhas, o papel desempenhado pelo médium Eurípedes Barsanulfo dentro da doutrina espírita não é uma tarefa simples, uma vez que, em seus 38 anos de vida terrena, realizou obras que muitos talvez não conseguiriam nem com o dobro de tempo. A trajetória de vida deste espírito missionário começou na pequena cidade de Sacramento (MG) em 01 de maio de 1880, data em que se comemora o Dia do Trabalho, nada mais justo para uma pessoa que ajudou ao próximo incansavelmente e inseriu um novo modelo de pedagogia no Brasil.

A vocação para o ensino se manifestou precocemente, ensinando seus próprios irmãos e colegas de escola. Participou da fundação do Liceu Sacramentano, um instituto de ensino primário e secundário, em 1902, bem como do jornal Gazeta de Sacramento, onde escreveu colunas semanais sobre política, direito público e métodos educacionais, entre outros temas, durante dois anos. Apesar de não possuir diploma de curso superior, Barsanulfo dominava diversos assuntos, como filosofia, direito e medicina. Aliás, cursar a faculdade e se formar médico era seu grande sonho, mas por causa dos problemas de saúde de sua mãe, preferiu permanecer ao seu lado em casa.

A RELAÇÃO COM O ESPIRITISMO

Eurípedes Barsanulfo sentiu uma certa resistência para aceitar de imediato o Espiritismo, em virtude da forte formação católica recebida de seus pais, Hermógenes Ernesto de Araújo e Jerônima Pereira de Almeida. Porém o primeiro contato com a doutrina foi através de seu tio, Sinhô Mariano, que fundou e dirigiu o Centro Espírita Fé e Amor, um dos mais antigos e conhecidos do povoado.

Em certa ocasião, o tio entregou para Barsanulfo um exemplar da obra de Leon Denis, rapidamente lido por ele. Impressionado, resolveu ir ate o centro e, lá chegando, encontrou o humilde médium de nome Aristides sentado à mesa. Colocando à prova a comunicação de espíritos com os encarnados, pediu, em pensamento, esclarecimentos a respeito do Sermão do Monte por meio do médium, já que não tinha sido totalmente instruído pelo padre da igreja que freqüentava. Barsanulfo prontamente recebeu uma detalhada explicação sobre o tema pedido e, a partir de então, converteu-se ao Espiritismo.

Em 27 de janeiro de 1905, fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade em sua residência, local em que já realizava o chamado “Culto Cristão” (a leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo a partir das 9h) desde o ano anterior. Foi ali que Eurípedes Barsanulfo promoveu encontros memoráveis e sua mediunidade sonambúlica e de efeitos físicos se manifestou claramente.

Porém, sua grande vocação era a educação, pois sabia que, através dela, poderia incutir os valores morais que julgava ser de extrema valia na consciência e nos corações das crianças. Assim, em 02 de abril de 1907, Barsanulfo inaugurou o Colégio Allan Kardec, primeiro colégio espírita do Brasil, que foi administrado por ele até seu desencarne. Nele, educou um grande número de pobres e órfãos, mas, principalmente, implantou uma nova metodologia educacional, oferecendo instrução intelectual e moral. Todas as quartas-feiras, ministrava aulas a respeito da doutrina espírita, incompreendida e desdenhada por muitos pais de alunos. Inclusive, alguns deles chegaram a retirar seus filhos da escola na época.

FENÔMENOS FÍSICOS E DE CURA

Outro ponto que marcou a vida de Eurípedes Barsanulfo foi o seu grande potencial mediúnico, desenvolvendo diversos tipos de mediunidade, como a de cura, audição, vidência, psicografia, intuição e bicorporeidade, ou seja, a faculdade de desdobramento, quando um médium surge em um determinado local enquanto seu corpo permanece em outro. Fatos do gênero aconteceram diversas vezes, como na ocasião em que entrou em transe e chegou a descrever detalhadamente, para seus alunos, o local, o horário e os participantes de uma reunião que havia acabado de assistir na cidade de Versalhes, na França, local em que foi assinado um histórico tratado.

A constante produção de fenômenos mediúnicos atraiu uma multidão para a pequena cidade de Sacramento, na qual Barsanulfo promoveu diversas curas sem jamais cobrar por isso, recuperando doentes desenganados pela medicina com o auxílio constante da equipe espiritual comandada pelo dr. Bezerra de Menezes. Inclusive, por orientação do chamado “médico dos pobres”, criou a Farmácia Espírita Esperança e Caridade, que funcionava ao lado de seu quarto. Impregnada por um suave perfume de jasmim, a farmácia servia de base para as atuações do dr. Bezerra por meio da mediunidade de Eurípedes, atendendo os necessitados com orientações, receitas médicas e cirurgias espirituais.

CORAGEM E AMOR PELA DOUTRINA

Entretanto, como não poderia deixar de acontecer, tendo em vista a época e o porte da cidade de Sacramento, Eurípedes Barsanulfo sofreu muitas perseguições e acusações, passando firme por momentos bastante difíceis. Um desses casos ocorreu em 1913, quando um padre de Campinas, Feliciano Lague, atendeu o chamado de religiosos da cidade mineira e tentou anular a influência do médium, bem como o prestígio do Colégio Allan Kardec. Depois de algumas investidas, Barsanulfo propôs um debate público com o padre. “No dia marcado, a praça da matriz estava repleta de sacramentanos e espíritas das cidades vizinhas, desejosos de assistir ao confronto que prometia ser memorável. E foi. Todos os argumentos do padre Iague objetivavam desmoralizar Eurípedes e o Espiritismo. Caíram por terra, um a um, graças ao raciocínio lógico, tranqüilo, consistente e pleno das palavras de Jesus por parte de Eurípedes. Ele foi vitorioso e precisou conter os entusiasmados espíritas, que desejavam carregá-lo em triunfo”, descreve Lauret Godoy em seu livro Maravilhosos Encontros com Eurípedes Barsanulfo. O fato só serviu para reforçar ainda mais a posição da doutrina espírita e o trabalho educacional promovido pelo médium.

Eurípedes Barsanulfo passou muitos e muitos anos se dedicando ao próximo e ao bem comum, tarefa que só se encerrou com seu desencarne, ocorrido em 01 de novembro de 1918, vítima de uma epidemia de gripe que assolou o Brasil naquele ano. Mesmo depois de 85 anos de sua partida para o plano espiritual, ele é lembrado com imenso carinho por todo o movimento espírita, sobretudo na cidade de Sacramento, local que, ainda hoje, recebe constantes visitas de caravanas formadas por pessoas que desejam ver de perto a obra de amor deixada por ele e continuada por sua sobrinha, Heigorina da Cunha. Entre os pontos mais visitados por elas, estão a gruta na qual ele realizou boa parte das curas, o busto que foi feito em sua homenagem, o Colégio Allan Kardec, entre outros. Não se pode deixar também de citar a referência feita pelos visitantes de que a cidade mineira possui uma atmosfera bastante especial, o que não poderia ser diferente, tendo em vista a grandeza espiritual desse missionário que se tornou o precursor da pedagogia espírita no Brasil.

PALAVRAS DE UMA EDUCADORA ESPÍRITA SOBRE EURÍPEDES BARSANULFO

A educadora Dora Incontri descobriu sua vocação para a pedagogia quando ainda cursava jornalismo na Fundação Cásper Líbero, época em que lançou seu primeiro livr. Educação na Nova Era, ponto de partida para sua carreira. A partir de então, passou a se dedicar integralmente ao tema, escrevendo para diversos jornais, fazendo mestrado, doutorado e pós-doutorado em educação.

Nascida em berço espírita, Dora Incontri afirma ter recebido uma grande influencia para a pedagogia tanta da família como o prof. J. Herculano Pires, amigo de seus pais durante muitos anos. Outro grande modelo que inspirou a educadora foi Eurípedes Barsanulfo, tanto que o escolheu para ser um dos focos de sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Nesta entrevista, ela fala um pouco mais sobre essa escolha, a personalidade de Barsanulfo e a idéia de uma escola espírita.

Por que a escolha de Eurípedes Barsanulfo para ser um dos focos de sua tese de doutorado?

Dora Incontri – Porque, com a criação do Colégio Allan Kardec, ele inseriu um novo modelo de educação. Em minha tese, analisei as heranças de Sócrates e Platão, passando por educadores como Comenius e Pestalozzi até chegar em Kardec, mostrando, depois, como a pedagogia espírita foi se desenvolvendo no Brasil através de seu primeiro grande educador espírita, que foi Eurípedes Barsanulfo. Considero-o realmente o fundador da pedagogia espírita no país, o primeiro a fazer uma escola espírita revolucionária, que nada tinha a ver com o sistema tradicional da época. Ele implantou uma metodologia sem notas, castigos ou recompensas, era uma educação ativa, com a participação dos alunos, algo totalmente diferenciado.

Quais foram suas fontes de pesquisa?

Dora Incontri – Além da literatura existente, entrevistei Thomaz Novelino, falecido em 2000, aos 99 anos de idade. Ele foi aluno de Eurípedes, conviveu com ele e fundou o Educandário Pestalozzi, na cidade de Franca (SP), inspirado em seu trabalho.

Como ele descreveu a personalidade de Eurípedes?

Dora Incontri – De acordo com seu testemunho e de outras pessoas com quem conversei em Sacramento, Eurípedes era uma pessoa muito séria, bondosa, amorosa, serena, uma criatura bastante equilibrada. Enquanto outras escolas utilizavam castigos como forma de punição dos alunos, ele nem sequer alterava a voz. Atualmente, não há, dentro ou fora do movimento espírita, qualquer proposta de escola que se assemelhe com a que ele fez, com originalidade, liberdade, amor e participação dos alunos.

Há um projeto para criar uma escola nesses moldes?

Dora Incontri – Meu projeto de vida é fazer mais do que uma escola, é construir uma colônia educacional. Por enquanto, está no papel, mas tudo foi planejado. Primeiro, queria defender uma tese para solidificar a idéia da pedagogia espírita na universidade e, depois, criar uma massa crítica que se ligasse com a proposta, pois uma das grandes dificuldades em todas as experiências, inclusive na de Eurípedes, é a falta de pessoas que as entendam. Falar em escola espírita não significa um lugar de doutrinação, mas que tem uma visão diferente da educação, baseada em três princípios: a pedagogia do amor, da liberdade e da ação.

TESE DE MESTRADO

Formado em pedagogia, Alessandro César Bighito escolheu Eurípedes Barsanulfo, para ser tema principal de sua tese de mestrado na Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ele, o motivo foi a originalidade e a brilhante proposta de educação dentro do Espiritismo sugeridas pelo médium. Nesta entrevista, Bighito fala mais sobre esse trabalho de pesquisa.

Quais foram os principais pontos abordados?

Alessandro César Bighito - Na história da educação brasileira, temos uma forte influência católica, principalmente em Minas Gerais, e o interessante na proposta de Eurípedes foi ter aberto uma escola completamente oposta aos padrões da época, abolindo castigos, fortalecendo a relação de amizade entre professores e alunos e desenvolvendo um processo de educação ativa. Também ao contrário das escolas extremamente elitistas, o Colégio Allan Kardec era gratuito, formado por classes mistas, tudo muito original para aquele tempo.

Quais foram suas fontes para realizar essa pesquisa?

Alessandro César Bighito - Os dados históricos da primeira república, época na qual Eurípedes está contextualizado, eu pesquisei em documentos, fotos e jornais, além de uma entrevista realizada pela Dora Incontri com Thomaz Novelino e alguns depoimentos de outros alunos, inclusive com um que está atualmente com 110 anos de idade e mora em Uberlândia (MG). Tive acesso também às atas do período em que Eurípedes foi vereador em Sacramento.

Quando visitou Sacramento, o que você sentiu em relação a Eurípedes Barsanulfo?

Alessandro César Bighito - Embora tenha desencarnado há muito tempo, sua presença ainda é muito viva no local. Por sua bondade e afeto, ele fez uma ação muito poderosa no lugar. Agora, o referencial pedagógico implantado por Eurípedes não existe mais no atual Colégio Allan Kardec, perdeu-se com a nova direção. Porém, entendo que a presença de um espírito evoluído como Eurípedes Barsanulfo deixou sementes pedagógicas que germinarão algum dia.

Notas: (Extraído da revista Cristã de Espiritismo 20, páginas 36-39) Fonte: Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Anespb cancela folhetim eletrônico "Falaí"

14:06 Posted by Fabiano Vidal , , , No comments
Por Fabiano Vidal

O folhetim eletrônico "Falaí", uma iniciativa da Anespb (Agência de Notícias Espíritas da Paraíba) foi recentemente cancelado por seu editor, criador e diagramador, jornalista Carlos Barros.

A justificativa é que o fato ocorreu por causa da mudança da linha editorial solicitada pelos leitores e amigos do blog da Anespb.

Carlos pede desculpas pela decisão e afirma que tanto o blog como o folhetim "Pensador" continuam firmes e fortes na divulgação do pensamento espírita.

Diante do ocorrido, "O Blog dos Espíritas" retirou o link para download de "Falaí" de nosso menu.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Apometria: Ingênua técnica de desdobramento, com desdobramentos perigosos

Por Iso Jorge Teixeira

Nesta tela, exemplo de rigor estilístico conquistado pelo pintor, o caráter de suspensão espacial é favorecido pela exótica e sugestiva fantasia.

O Editor do site A Jornada encaminhou-nos indagação da Sra. L. do dia 30/03/02, diz ela: "Gostaria que a minha dúvida fosse encaminhada a algum dos médicos que tem Coluna neste site para esclarecimentos sobre:

- HIV sob a vista espiritual; tratamento de pessoas portadoras numa Casa Espírita Apométrica; procedimentos, etc.

- QUIMIOTERAPIA - como age nos corpos sutis, até que ponto usá-la ?

Obrigada e meu fraternal abraço a todos

L. " .

Em princípio, as perguntas da Sra. L. estão prejudicadas por distorções terminológicas; assim, ela fala em "Casa Espírita Apométrica" e "corpos sutis". As Casas Espíritas não usam ou não deveriam usar a apometria; não há nenhuma relação entre Apometria e Espiritismo. Parece que a Sra. L. é ramatisista e ramatisismo não é Espiritismo e quem diz isso não somos nós somente: J. HERCULANO PIRES era dessa essa opinião e CARLOS B. IMBASSAHY também é; aí estão nomes de peso do Espiritismo brasileiro. Quanto aos "corpos sutis", não são admitidos pelo Espiritismo, este só admite um "corpo" sutil, o perispírito...

HIV sob a vista espiritual. O HIV (Human Immuno-deficiency Virus) é um retro-vírus produtor de uma síndrome extremamente grave - a AIDS (Acquired Immuno-deficiency Syndrome) -, em que o indivíduo fica exposto a uma série de infecções oportunistas em função de uma deficiência das suas defesas orgânicas portanto, é uma doença orgânica, não há dúvida nenhuma.

Do ponto de vista espiritual, acreditamos que a SIDA (ou AIDS) é resultante do mau uso do livre-arbítrio durante a encarnação ou em encarnação pretérita. É o que costumam denominar lei de causa-e-efeito, que preferimos chamar lei de reajuste em ação. Esta lei atua, automaticamente, em conseqüência de atos de encarnação atual em que se prioriza a sensualidade em detrimento das virtudes espirituais, como por exemplo: na homossexualidade, heterossexualidade promíscua, uso e abuso de drogas ilícitas injetáveis, enfim, atos irresponsáveis; mas também em conseqüência de atos reprováveis em encarnações pretéritas - nestes casos, a contaminação dar-se-á através de transfusões sangüíneas, principalmente. A propósito destes casos, muitas vezes argumenta-se que uma pessoa de boa índole, com doença sangüínea que necessita de constantes transfusões, deveria ser poupada de tão grave enfermidade e exclamam: por que DEUS permite que ela seja contaminada pelo vírus HIV?! Este questionamento é daquele que só admite a encarnação única e assim, seria até injustiça de DEUS! Mas se considerarmos as encarnações pretéritas e futuras, então, veremos a Justiça e Providência de DEUS atuando em toda a sua plenitude.

Enfim, a SIDA é o "remédio" amargo atuando, não como castigo, mas como reajuste para o reequilíbrio espiritual da pessoa, ou seja, a cada um segundo as suas obras, cumprindo-se assim a finalidade da encarnação (cf. resp. à questão 167 de O Livro dos Espíritos).

Apometria. Como já dissemos, a Apometria não faz parte da Doutrina Espírita. O termo apometria é derivado do grego Apó- preposição significando além de e fora de e Metron- relativo à medida. Segundo aqueles que a aplicam, representaria o clássico desdobramento entre o corpo físico e os "corpos" espirituais do ser humano. Não seria propriamente uma técnica mediúnica e sim uma "técnica de separação desses componentes".

Diz-se que "um médico da turma de 50", "espírita", JOSÉ LACERDA DE AZEVEDO teria iniciado o método no Brasil; no entanto, não sabemos em que Faculdade teria se formado o tal "médico da turma de 50". Posteriormente, em 1965, o porto-riquenho LUIS RODRIGUES teria aplicado a técnica com outro nome. JOSÉ LACERDA teria tentado a metodologia em sua esposa, Dona Yolanda, que seria médium.

Diz-se, também, que teria sido identificado um tal "grande complexo hospitalar na dimensão espiritual denominado Hospital Amor e Caridade". Bem, o internauta que leu nosso artigo neste site sobre a erraticidade já conhece a nossa opinião sobre os chamados "hospitais" da erraticidade, isto é, são fantasias espirituais sem a menor base científica nem doutrinária para validá-los como verdadeiros.

Ora, a apometria é então uma técnica totalmente estranha à Doutrina Espírita, pois segundo esta não existem "corpos espirituais", a Doutrina faz referência apenas ao perispírito. Logo se observa, ao estudarmos o assunto, que se trata de uma técnica que absorve conceitos da Teosofia e do hinduísmo e não é por acaso que a Sra. L. é uma entusiasta desse método, pois adota os princípios do ramatisismo. Apesar de respeitar o seu ponto de vista, repudiamos com veemência a catalogação dessa técnica de desdobramento como espírita, até porque em Espiritismo não há técnicas.

Dizem aqueles que praticam a Apometria que ela "apresenta resultado eficaz em todos (o grifo é nosso) os pacientes, mesmo nos oligofrênicos" (cf. página da Internet intitulada 'Algumas notas sobre Apometria'). Assim, essa técnica seria aplicável para tratamento, inclusive, de deficientes mentais. Ora, em Medicina não existe nenhum tratamento em que se obtém eficácia em todos os casos e até hoje não há cura para os deficientes mentais; logo, a afirmação de cura desses pacientes é, no mínimo, leviana.

O método, em resumo, consistiria em se aplicar "pulsos magnéticos concentrados e progressivos" no "corpo astral" do paciente e, "por sugestão" comandar-se-ia seu afastamento. Desdobrar-se-iam o médium e o doente para contato com "entidades médicas do astral" !! Está visto que não há a menor cientificidade no método: é um amontoado de termos, sem a menor possibilidade de controle científico e com o falso pressuposto de que os Espíritos estariam à disposição dos médiuns em dias e horas marcados. Enfim, parece-nos um verdadeiro Ôba, Ôba espiritual...

Só para se ter uma idéia: na propaganda de um livro que trata especificamente do assunto, diz o autor que tratou de 16.000 casos nos últimos 10 anos, ou seja, uma média de 1.600 casos por ano... Como conseguir-se o desdobramento de um paciente, do médium e doutrinar os Espíritos num hospital espiritual em tão pouco tempo de trabalho?! Num "estalar de dedos" ?...

Desculpe-me, a Sra. L., mas não recomendamos esse método para ninguém; além disso, ele pouco difere da Projeciologia, tão divulgada pelo Dr. WALDO VIEIRA, que abandonou o Espiritismo para dedicar-se a ministrar Cursos sobre isso...

Finalizando este tópico, diremos que o conhecimento da técnica da Apometria demonstra que a imaginação humana não tem limites, principalmente quando se quer auferir dividendos com a credulidade das pessoas, pois dentro deste barco encontram-se alguns médicos, psicólogos, etc., inescrupulosos; a julgar-se pela propaganda já referida. Não citamos nomes das pessoas porque não queremos personalizar e, embora não conheçamos a Sra. L. - que parece ser de boa-índole - dar-lhe-emos este conselho: saia dessa canoa, ela não está furada não, ela nunca teve fundo!...

Enfim, há um adágio atribuído a ALBERT EINSTEIN que, infelizmente, temos repetido em nossos artigos: "HÁ DUAS COISA INFINITAS: O UNIVERSO E A TOLICE DOS HOMENS".

Quimioterapia . A Sra. L. pergunta como age a quimioterapia nos corpos sutis e até que ponto usá-la? Aqui, novamente a pergunta está prejudicada pela expressão "corpos sutis". Como vimos, a Doutrina só admite um "corpo" sutil - o perispírito; que aliás, é pouco conhecido na sua estrutura íntima. Logo, falar-se em "corpos" sutis é usar uma linguagem, de antemão, obscura, do Ocultismo.

A Sra. L. confere uma tal importância aos "corpos sutis" que chega a duvidar da ação benéfica da quimioterapia ao questionar: "até que ponto usá-la?". Ora, a quimioterapia é extremamente importante para as pessoas que apresentam vários tipos de lesões malignas (câncer), apesar dos seus inúmeros efeitos colaterais, sérios, ela tem prolongado a vida de muitas pessoas, que passam a viver com razoável qualidade de vida (há inúmeros exemplos disso no meio artístico, como é público e notório).

Quanto à ação dos quimioterápicos sobre os "corpos sutis", ou melhor, sobre o perispírito, qualquer coisa que se afirmar será uma temeridade, posto que até hoje não se conhece completamente o mecanismo de ação de muitos quimioterápicos sobre o corpo físico, imagine-se, então, sobre o perispírito!!

Se os ramatisistas, vegetarianos roxos, vêem com horror a alimentação carnívora, principalmente a questão do sangue derramado dos animais, além das supostas "substâncias tóxicas" para os "corpos sutis" - confundindo-se digestão com putrefação - o que diriam da ação dos quimioterápicos sobre os corpos sutis?? Verdadeiros horrores! Digam o que disserem, pois todos têm o direito de dizer o que pensam, mas nada provaram...

Contudo, não acreditamos que uma substância grosseira como um quimioterápico possa ter ação sobre os "corpos sutis", mesmo dinamizado em fórmulas homeopáticas. A propósito, disse KARDEC:

"Os medicamentos homeopáticos, por sua natureza etérea, têm uma ação de certa forma molecular; sem contradita podem, mais que outros, agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e lhes modificar a constituição íntima." (ALLAN KARDEC. Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos. 1867, EDICEL, SP, p. 71). Enfim, ele mostra que os medicamentos homeopáticos poderiam inibir ou excitar a expressão de um sentimento, mas o sentimento não deixaria de subsistir; então, seria um mero paliativo. A seguir, diz KARDEC:

"Não se pode agir sobre o ser espiritual senão por meio espiritual!"
(op. cit., p. 71).

Será que teria passado pelo pensamento de alguém, recomendar aos doentes em tratamento quimioterápico, que o suspendam pelos efeitos colaterais e os submetam a um "tratamento" apométrico?!... Acreditamos que não, pois isto seria uma conduta de aprendiz de feiticeiro, mesmo com todo o aparato do suposto Hospital Espiritual "Amor e Caridade"; aliás, Amor e Caridade têm sido palavras fáceis de pronunciar e difíceis de se encontrar, como diria o sambista; e o "samba" da apometria é o "samba do crioulo doido" como diria STANISLAU PONTE PRETA.

Enfim, procuramos analisar uma técnica, muito ingênua, exótica, com inúmeras fantasias e ações pseudocientíficas, incomprováveis, cujas conseqüências são imprevisíveis; pois além de iludir a boa-fé de pessoas simples, abre campo para a atuação dos inescrupulosos, encarnados e desencarnados.

Iso Jorge Teixeira é Psiquiatra e Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Fonte: Portal do Espírito

A morte divide as fases da nossa Vida

Por Martins Peralva

"Necessário vos é nascer de novo" (Jesus a Nicodemos)

Entre inúmeros benefícios que decorrem do estudo e da assimilação da Doutrina Espírita, podemos indicar, sem dificuldade, aquele que orienta o homem acerca do milenário problema da Morte.

Inegavelmente, sem qualquer partidarismo, somos levados a compreender que só o Espiritismo estuda o velho problema, com riqueza de pormenores, uma vez que sobre tal assunto muito pouco, ou que nada, disseram as demais religiões, que se limitaram, simplesmente, a admitir e anunciar a existência do Mundo Espiritual.

Sem as consoladores luzes da nossa amada Doutrina, marcharia o homem para o túmulo - diremos melhor; para a Pátria da Verdade - sem idéia segura do que lhe acontecerá após o choque biológico do desenlace.

Nenhuma noção da morte.

Nenhum conhecimento das leis admiráveis que rege a vida no plano espiritual.

Nenhuma informação sobre o que sucede a ama durante e depois da desencarnação.

Em suma, verdadeiro cego, ante o mundo grandioso que o aguarda; um indígena, atônito, perplexo nos pórticos de estranha, quão maravilhosa civilização.

Essa ignorância, praticamente total, a respeito de tão importante problema, é a triste herança de velhas e novas religiões mestras no ocultar e fantasiar a realidade da vida além das fronteiras terrenas.

Religiões que procederam e procedem à maneira dos cronistas sociais modernas: depois eu conto¼

O Espiritismo é profundamente, intensamente realista, tanto nesse como em todos os assuntos de interesse da alma eterna.

Identificando a criatura, sem subterfúgio de qualquer espécie, com os seus postulados, fazendo-a absorver a parcela de verdade que ela suporta, torna-se tranqüila ante a perspectiva da desencarnação.

Não cremos, nem anunciamos um Céu grandioso, adquirível à custa de promessas, espórtulas, louvaninhas ou petitórios, nem um inferno tenebroso, eterno, de onde jamais sairemos.

O nosso conceito a respeito da morte e de suas conseqüências, se alicerça no Evangelho: "A cada um será dado de acordo com as suas obras".

Seria, naturalmente, leviandade afirmarmos que o Espiritismo já revelou, em toda a sua extensão e plenitude, a vida no plano extrafísico.

Expressando, todavia, a misericórdia divina, vem erguendo gradualmente, em doses nem sempre homeopáticas, a cortina que separa o mundo físico do mundo espiritual, consentindo estendamos o olhar curioso, indagativo, sobre o belo panorama da vida além da carne.

O espírita convicto não teme a morte, nem para si nem para os outros, mas procurar cumprir, da melhor maneira possível, apesar de suas imperfeições, imperfeições que não desconhece, os deveres que lhe cabem na erra, aguardando, assim, confiante, a qualquer tempo, hora e lugar, o momento da Grande Passagem.

Não a considera pavorosa, lúgubre, terrificante, tampouco a define por suave e milagrosa porta de redenção e felicidade.

O Espiritismo ensina, com apoio no Cristianismo, que não há das vidas, mas sim duas fases, que se prolongam, de uma só vida.

Se a Doutrina preleciona: "nascer, morre, renascer ainda, progredir continuamente" Jesus notifica a Nicodemos: "necessário vos é nascer de novo".

A uma daquelas fases, dá-se o nome de Etapa Corporal. Vai do berço ao túmulo. À outra, dá-se o nome de Etapa Espiritual. Vai do túmulo ao berço.

A nossa alma é como o Sol, que se esconde no horizonte, ao pôr de um dia, para, no alvorecer de novo dia, retornar pelo mesmo caminho.

A vida, em si mesma, é sublime cadeia de experiências que se repetem, séculos e mais séculos, até que obtenhamos a perfeição.

Maravilhosa cadeia, cujos elos se entrelaçam, se entrosam, se harmonizam, justapostos...

Pensando atuando dentro da conceituação, estranha para muitos, por enquanto, porém muito lógica e racional para nós, sabe o espírita, em tese, o que a Morte, como fenômeno simplesmente transitivo, lhe reservará.

Sabe que o sistema de vida adotado aqui na Terra, o seu comportamento ético, terá justa e equânime correspondência no mundo espiritual que é indefectivamente, um prolongamento do terráqueo.

Boas sementes, bons frutos produzem.

Más sementes, amargos frutos produzem.

Seremos, aqui e em qualquer parte, o resultado de nós mesmos, de nossos atos, pensamentos e palavras, sem embargo da generosas intercessões de amigos que se nos anteciparam na Grande Viagem.

Proporcionando alegria e amparo, alimento e instrução, aqui na Terra, aos nossos semelhantes, a Lei nos assegurará, no Plano Espiritual, instrução e alimento, amparo e alegria.

Tais noções, hauridas no Espiritismo, tornam o homem mais responsável e mais cuidadoso, mais esclarecido e mais consciente, compelindo-o a passos mais seguros, dentro da Vida - em suas duas faces - para que a Vida lhe sorria, agora e sempre.

Evidentemente, sem subestimar, nem sobreestimar a morte, o espírita caminha, luta, sofre, trabalha e evolui conscientemente, na direção do Infinito Bem, felicidade, os renas cimentos, sucessivos a que se referiu Jesus, no diálogo com Nicodemos.

Afaste os maus espíritos!

Por Orson Peter Carrara

Muita gente tem medo só de pensar nos espíritos. Que dizer então quando se tratarem de maus espíritos? E, levados por uma suposta e antecipada proteção, utilizam-se de inúteis e variados meios que, dizem, protege contra a influência deles. Com esse propósito de se defenderem ou afastarem supostas presenças de maus espíritos que lhes prejudiquem a vida ou os negócios, utilizam-se de processos vulgares que a nada levam.

Essas práticas recebem o nome de oferendas, exorcismos, etc. e são absolutamente inúteis, desgastantes, improdutivas e desnecessárias.

Antes de mais nada, é preciso que se repita que os espíritos são os seres humanos antes e após a existência na Terra. Portanto, também somos espíritos. E, após a morte do corpo, habitaremos o mundo dos espíritos, com nossas virtudes, defeitos e conquistas morais e intelectuais.

Podemos afirmar como princípio geral que os maus espíritos aparecem ou se intrometem onde alguma coisa os atrai. E o que os atrai? É simples. Em primeiro lugar, as imperfeições morais; em segundo lugar a demasiada confiança com que são acolhidas as suas palavras ou sugestões, ainda que intuitivas.

As imperfeições morais são a inveja, a maledicência, a ganância, o egoísmo, o ciúme, a inveja, a intolerância, a irritação, a impaciência e outros males. Portanto para que eles não sejam atraídos, basta substituir aqueles sentimentos pela paz, pela concórdia, pelo entendimento, pela paciência, pela calma, pelo amor ao próximo...

Todos aqueles que cultivarem virtudes e procurarem se corrigir das próprias imperfeições morais estão construindo legítima defesa contra o ataque ou intromissão de espíritos enganadores, inconvenientes ou causadores de perturbações.

E no caso de você participar de intercâmbio mediúnico (que não é exclusivo do Espiritismo), a ponderação e a reserva com que analise e aceite as comunicações é outro instrumento de defesa contra os maus espíritos. Isso significa submeter todas as comunicações e supostas orientações advindas dos espíritos, através dos médiuns, aos critérios da lógica, do bom senso e do bem comum.

Agindo assim, pronto, estão afastados os maus espíritos, que perdem o acesso.

Não há mistérios. Onde o amor brote espontâneo, onde a fraternidade está presente, onde o esforço pelo bem comparece, os maus espíritos perdem acesso e meios de se intrometerem. Onde, porém, a tônica é o desrespeito, a desconfiança, a malícia, aí estão eles, em abundância.

Portanto, tudo depende de cada um mesmo. Ninguém é prejudicado senão porque se permitiu ser prejudicado pela própria conduta. Quem está e se esforça no bem, já, por si mesmo, está se protegendo. Simples!

Portanto, faça de seu lar um lugar protegido: afaste os maus espíritos.

Como? Com o esforço da conduta digna e reta! A começar no ambiente familiar. Isto atrairá os bons espíritos.

domingo, 18 de abril de 2010

[DOWNLOAD] - O Livro dos Espíritos em MP3

Por Fabiano Vidal

Hoje, 18 de Abril de 2010, fazem 153 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos pelo pedagogo francês Hipolyte Leon Denizard Rivail, que ficaria imortalizado pelo pseudônimo Allan Kardec.

Em comemoração a essa data especial para os Espíritas, "O Blog dos Espíritas" (cujo nome foi inspirado neste livro imortal) disponibiliza para seus amigos e visitantes O Livro dos Espíritos em mp3.

Para fazer o download, basta clicar na figura abaixo.

Versão em MP3