segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Competições

Por Octávio Caúmo Serrano

O mal do mundo são as disputas. Para que alguém vença sempre há outro, ou muitos outros, que perdem. Isso significa que a alegria e o riso de alguém são sempre conquistados à custa da tristeza e do choro dos demais. Não somos educados para competir, mas para ganhar.

Embora as competições possam parecer um estímulo para que o homem vença e se supere cada vez mais, o ideal seria que ele lutasse contra si próprio, combatendo tenazmente os seus defeitos, principalmente no sentido de ser mais humano, mais fraterno, mais tolerante e olhasse o semelhante como alguém igual a ele mesmo, com os mesmos sentimentos, com as mesmas necessidades e com os mesmos desejos de ser feliz.

Além disso, geralmente, o vencedor tripudia sobre o perdedor, como se não lhe bastasse o fato de haver vencido. Vejam o que acontece num campo de futebol. Fora simplesmente um extravasar de alegria e até poderíamos compreender, mas estabelece-se uma rivalidade tal que chega à agressão física, muitas vezes, com graves conseqüências.

Quando levamos a competição para o campo religioso, aí fica incompreensível. A pretensão de certas igrejas de terem o monopólio da salvação é algo que não podemos aceitar em se tratando de analisar Deus, o Pai de extrema misericórdia, que julga seus filhos apenas pelos atos e não pelos rótulos religiosos de seitas criadas por homens para seus próprios interesses.

Por isso é que o Evangelho do Cristo, que nada mais é do que a orientação e explicação da Lei Maior, é alvo de tantas interpretações. Já se diz popularmente que cada um lê o Evangelho  no versículo que lhe convém, dando interpretação  conforme suas conveniências.

Fora tão simples chegar ao chamado Reino dos Céus pela simples adesão a uma doutrina, seja qual for, e o problema das dores na Terra estariam resolvidos. Todos nós nos converteríamos à tal igreja milagrosa e seríamos salvos. Ainda que fosse necessário dar o dízimo. Afinal a salvação tem seu preço. Pena que o valor da salvação não seja pago com dinheiro, mas com obras. Em favor do próximo e em favor de nós mesmos. Caridade com todos sem desprezar a auto-caridade. Quem não se ama não pode amar o próximo.

Isto tudo acontece porque somos espíritos atrasados, habitantes de um planeta de provas e expiações. Enquanto perdurar esse estado de coisas, inútil esperar pela paz na Terra. A paz só existirá quando pensarmos mais nos outros do que em nós. Utopia? Fantasia? Não. Alternativa única para conquistarmos a felicidade.

Se quisermos entender porque isso acontece é fácil. Porque esse tipo de ação nos deixa de consciência tranqüila. Enquanto magoarmos alguém, não seremos plenamente felizes; enquanto nos omitirmos diante da dor do semelhante não curaremos nossas próprias dores.

Jesus já nos ensinou esse mecanismo com tanta clareza. Entretanto, continuamos incapazes de entender. Que pena!... O prejuízo é somente nosso e a Terra continuará sendo esse vale de lágrimas!

Estes tempos de festas são um belo período para meditação e análise de nossas vidas e o que devemos mudar em nós para apressar a nossa evolução na direção da espiritualidade e assim voltar para casa em melhores condições do que aqui chegamos.

Dia-a-Dia do Jornal O Clarim de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Discussão reflexiva sobre pena de talião, lei de ação e reação e causa e efeito

Por Maria Ribeiro

Propõe-se, desta feita, organizar pensamentos e as reflexões deles decorrentes, com a finalidade de acender discussões acerca de um exame mais maduro dos conceitos: pena de talião, ação e reação e causa e efeito que, com o passar do tempo, foram se tornando objeto de polêmica (mais uma) no seio doutrinário-Espírita.

É do saber geral que a missão de Moisés era educar e disciplinar um povo bruto, bárbaro; para isto estabeleceu leis de acordo com o caráter dos homens. Recebeu o Decálogo, síntese das Leis Divinas, mas o medo e o pavor de um Deus violento e vingativo foram como um freio para conter os instintos animalizados vigentes.

No primeiro capítulo de O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec assinala:

“Esta lei (o decálogo) é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino. Todas as outras são estabelecidas por Moisés, obrigado a manter, pelo temor, um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha que combater os abusos enraizados e os preconceitos hauridos na servidão do Egito. Para dar autoridade a suas leis, ele deveu atribuir-lhes origem divina, assim como o fizeram todos os legisladores de povos primitivos; a autoridade do homem deveria se apoiar na autoridade de Deus;... as leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, pois, um caráter essencialmente transitório.”

A pena de talião era um castigo imposto a todo aquele que infringisse as normas; era aplicada imediatamente ao infrator com idêntica proporcionalidade à infração cometida. Ao que parece, havia a permissão do Alto, devido às circunstâncias. Em Êxodo 4, v.12 lê-se: “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar”, resposta de “deus” a Moisés num diálogo sobre a missão que lhe caberia no mundo.  As leis mosaicas eram transitórias devido ao fato de que, uma vez atingido o objetivo de educar minimamente o povo, não haveria necessidade de permanecer.

Mas é preciso que se penetre na essência mesma de tal pena: olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. Para isso, analise-se a questão 764 de O Livro dos Espíritos, onde eles esclarecem:
 
“Jesus disse: quem matou pela espada, perecerá pela espada. Essas palavras não são a consagração da pena de talião? A morte infligida ao homicida não é a aplicação dessa pena?  - Tomai cuidado! Tendes vos enganado sobre essa palavra, como sobre muitas outras. A pena de talião é a justiça de Deus e é ele que a aplica. Todos vós suportais, a cada instante, essa pena, porque sois punidos pelo que pecastes, nesta vida ou em uma outra. Aquele que fez sofrer seus semelhantes, estará numa posição em que sofrerá, ele mesmo, o sofrimento que causou. É o sentido das palavras de Jesus; mas vos disse também: perdoai aos vossos inimigos e vos ensinou a pedir a Deus perdoar as vossas ofensas, como vós mesmos tiverdes perdoado; quer dizer, na mesma proporção que tiverdes perdoado: compreendei-o bem.” (n.m.)
Os Espíritos Superiores disseram que a pena de talião é a justiça de Deus e é ele que a aplica. Ou seja, não parece que esta pena tenha sido apenas mais uma lei disciplinar mosaica, mas sim de caráter divino, essencialmente falando. Daí a impropriedade de se querer fazer justiça pelas próprias mãos, o que caracteriza ódio e vingança, e que está contra a Lei Divina e nega o ensino do Cristo:

“amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.” (Mt 5, 44 e 45).


No livro “O céu e o inferno” no capítulo VIII - Expiações terrestres, há um relato intitulado por Kardec como “Enterrado vivo – A pena de talião”, onde o Espírito evocado dialoga com Kardec. Eis um trecho:

“-Dissestes: cruel punição de uma feroz existência; mas a vossa reputação, até este dia, não faria supor nada semelhante. Podeis explicar-nos isso? - R...Sabei, pois, uma vez que é necessário vo-lo dizer, que numa existência anterior eu murara uma mulher, a minha! Toda viva numa pequena adega! Foi a pena de talião que devia aplicar-me. Dente por dente, olho por olho.” “- É certo que fostes enterrado vivo por engano? – R. Isso deveria ser assim, porque a morte aparente teve todas as características de uma morte real; estava quase exangue (privado de sangue). Não se deve imputar a ninguém um fato previsto desde antes do meu nascimento.” (n.m.)


O guia do médium esclarece que o próprio Espírito solicitara tal fim com o propósito de evoluir mais depressa; sua vítima o perdoara e o esperava num mundo melhor. Kardec indaga e obtém resposta de Erasto:

”- Que proveito pode tirar a humanidade de semelhantes punições? – R. Os castigos não são feitos para desenvolver a Humanidade, mas para castigar o indivíduo culpado. Com efeito, a Humanidade não tem nenhum interesse em ver os seus sofrerem. Aqui a punição foi apropriada à falta. Por que os loucos? Por que os cretinos? Por que as pessoas paralíticas? Por que os que morrem no fogo? Por que aqueles que vivem anos nas torturas de uma longa agonia, não podendo nem viver nem morrer? Ah! Crede-me, respeitai a vontade soberana e não procureis sondar a razão dos decretos providenciais; sabei-o! Deus é justo e faz bem o que faz.” 

Na questão 621 de O Livro dos Espíritos, o nobre Codificador indaga as Entidades Excelsas onde está escrita a lei de Deus, ao que estas respondem: na consciência. Uma vez que as leis Divinas estão na consciência do homem, ele mesmo é que aplica a própria pena, a própria  condenação, com a permissão da Divindade que julga útil para o crescimento e amadurecimento de cada criatura. Se num tempo as expiações são impostas, noutro pode ser uma escolha do próprio Espírito, agora consciente de sua destinação.

Em Obras póstumas Kardec volta a repetir: “... Eis porque há famílias, povos e raças sobre os quais cai a pena de talião. “ Quem matou pela espada perecerá pela espada”, disse o Cristo; estas palavras podem ser traduzidas assim: Aquele que derramou sangue verá o seu derramado, aquele que passeou a tocha do incêndio em casa de outrem, verá a tocha do incêndio passear em sua casa; aquele que despojou, será despojado; aquele que subjugou e maltratou o fraco, será fraco, subjugado e maltratado, por sua vez, quer seja um indivíduo, uma nação ou uma raça, porque os membros de uma individualidade coletiva são solidários do bem como do mal que se faz em comum.” (Perguntas e problemas. As expiações coletivas)

O fato é que a pena de talião como Lei Divina foi confirmada pelo Cristo: “quem matou pela espada, perecerá ela espada”. Jesus ensinou e exemplificou o perdão, mas não que a culpa do agressor seria atenuada por causa disso. Quando disse “a cada um segundo as suas obras”, repetia com outras palavras a mesma lei.

A lei de ação e reação é uma lei física, material, que estabelece uma reação igual e proporcional à ação. Nada impede que, por comparação, seja referida às questões morais; afinal ações e reações não precisam ser, necessariamente, materiais. A não ser que se entenda por bem ou por mal somente ações (ou reações) perfeitamente materiais, palpáveis, perceptíveis. Um pensamento mau em relação ao semelhante é uma ação má, por exemplo, e uma prece é uma ação boa, sendo as sensações agradáveis que se sentem após uma prece, reações igualmente boas. O ato de perdoar, que não é palpável, é uma ação no bem.

Pena de talião vista nas circunstâncias da época de Moisés e esta lei de Newton, comparativamente, são muito semelhantes. Levadas para as questões morais-espirituais, não perdem a semelhança, se forem consideradas sob o aspecto essencial, as entrelinhas. O recado é: “faça aos homens o que desejaríeis que os homens vos fizessem.”

Causa e efeito não é, propriamente falando, uma lei, mas uma decorrência da lei de liberdade, (tratada no capítulo X da terceira parte de O Livro dos Espíritos); aliás, a causa é que decorre do livre arbítrio, pois o efeito está sob o controle das Leis Universais. 

É preciso que se ressalte que o livre arbítrio oferece ao homem total responsabilidade sobre seus atos,  portanto, a causa, a raiz, a origem dos males se encontra no homem, que tem a liberdade de escolher não fazê-los, mas os efeitos estão sob a guarda, ou melhor, sob o domínio da lei Divina; ou seja, a causa depende do homem e o efeito, que é dependente da causa, será aplicado segundo a vontade de Deus. (n.m.)

As Letras Espíritas oferecem todo o ensino da Verdade que os homens hoje têm condições de compreender. Preconceitos, idéias e opiniões particulares só complicam o que Allan Kardec simplificou. Entende-se que por se tratar de coisas tão transcendentes, para muitos de nós, alguns temas ainda se façam obscuros, mas deve-se a todo custo evitar que interpretações equivocadas se disseminem em nome da Doutrina Espírita. Neste caso específico, muito se publicou a respeito, tentando-se estipular uma separação tão grande sobre estes três conceitos, quando, essencialmente, falam sobre a mesma coisa. A pena de talião, da forma que era feita, sim, é reprovável; mas entendido que foi que a ocasião evolutiva o exigia, não há razão para que seja rechaçada e desconsiderada como se representasse algo remoto para um povo específico; agora vê-se que trata-se de uma lei, em sua essência, toda Divina.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Espírita na sociedade

Por Maria Ribeiro

“Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” (O Livro dos Espíritos, 766) Esta é a primeira questão do capítulo VII da terceira parte intitulado LEI DE SOCIEDADE, onde os Espíritos Codificadores afirmam ser a vida social uma lei natural.

Todas as sociedades são organizadas por leis e normas estabelecidas pelos homens ou seus representantes. O que se espera, é que os homens se adequem às leis, e estas se aperfeiçoem à medida que os próprios homens também se melhorem.

Estas leis nem sempre estão de acordo com uma verdadeira justiça; nem sempre atendem ou agradam a todos, e, em muitos casos, isto acontece pela falta de vontade política agregada à indiferença de toda uma sociedade, que por medo ou ignorância, não reage contra os abusos que se sucedem.

É comum nos estudos ou palestras ouvirem-se de alguns confrades colocações desfavoráveis acerca das questões políticas, como se o assunto fosse antidoutrinário.

Os homens hoje não deveriam se comportar como simples instrumentos alienados e marginalizados na sociedade em que vivem e os Espíritas deveriam discutir mais sobre política, afinal é um Espírito encarnado e integrante da mesma engrenagem político-social.

O Espiritismo não sugere o distanciamento das questões do mundo, mas a proximidade com estas para a promoção do aperfeiçoamento em conjunto. Esta evasão só reforça o quanto o atraso moral-espiritual ainda prevalece. Os adeptos do Espiritismo precisam tirar as vendas dos olhos para enxergarem que as soluções dos problemas sociais virão da sociedade unida num propósito. Mas como saber este propósito se ninguém se une para discuti-lo?  No item XIII da introdução de O Livro dos Espíritos, Kardec anunciou: “Portanto, não nos enganemos: o estudo do Espiritismo é imenso, toca em todas as questões da metafísica e da ordem social, e é todo um mundo que se abre diante de nós”.

Jesus, em inúmeras passagens narradas nos Evangelhos, fez questão de deixar bem claro que conhecia muito bem os valores reinantes na sociedade de sua época, aos quais repudiava. Como exemplos, a passagem da expulsão dos mercadores do templo (Mt 21, 12 e seg.) e todo o sermão do cenáculo (Mt 23). A postura de um Jesus ingênuo e passivo não coaduna com a sua condição missionária de tão elevada envergadura.

Ao se exercer o papel de eleitor, delega-se a alguns o poder de representação sócio-política, mas a maioria não percebe que se coloca como apenas um instrumento de fazer politiqueiros, corruptos e enganadores do povo. Muitos Espíritas sequer teriam coragem de se referir a esta classe com tais palavras, por acharem que ofendem a “nossos irmãos equivocados”. Com certeza, são nossos irmãos e também equivocados. Porém isso não faz deles menos responsáveis pela ambição desmedida em nome da qual permitem que milhares de outros irmãos morram de inanição, não tenham assistência médica e moradia decente. Isto é só para falar do básico, pois enquanto se gastam milhões de reais com viagens para o exterior, ou mesmo com o vai e vem dentro do próprio território brasileiro, há pessoas que não têm sequer o dinheiro para pagar um cinema. Ninguém, nem os Espíritas, precisam se fazer de cegos, mudos e surdos para que se demonstre uma superioridade moral ainda não atingida. Aliás, o ato de fingir, em si mesmo, é sinal de inferioridade.

Não se pode permitir que os homens eleitos estejam acima de normas éticas, mas ninguém toma conhecimento do que fazem, muito menos obriga-os a cumprirem seus deveres de homens públicos, que gerenciam os recursos financeiros devendo prestar contas à sociedade, fazendo cumprir que os direitos sejam iguais.

A questão 932 de O Livro dos Espíritos esclarece: “- Por que, no mundo, os maus, tão freqüentemente, sobrepujam os bons em influência?” – Pela fraqueza dos bons; os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, dominarão”. Os Espíritos não afirmam que os habitantes do mundo são bons, pois em várias outras colocações deixaram bem claro a real situação moral-intelectual destes. Certamente fazem uma comparação dos que dominam sem escrúpulos e dos dominados que não apresentam nenhuma reação para que se reverta o quadro de abusos que culmina nas misérias físicas e morais. Pois muito bem: os Espíritos afirmam que pode ocorrer uma mudança significativa quando as pessoas pararem de baixar a cerviz diante das situações em que são colocadas, e, pacificamente, reivindicar seus direitos. No capítulo terceiro de A Gênese, item 8, o mestre lionês definiu assim o mal: “O mal é a ausência do bem, como o frio é a falta de calor. ..o mal provém unicamente do homem.”

Num movimento espírita como o que se tem, onde se prega que o mal não merece comentário, não se formam adeptos conscientes de seu papel social, sequer moral, uma vez que não se aprende a reconhecer, ajuizar e julgar o que é o mal.

O comportamento servil e submisso não caracteriza sinal de elevação ou sequer de disciplina e também não representa elemento promovedor de paz ou o que quer que seja. Atente-se a estas palavras do Mestre Jesus: “A seara é grande, e poucos os seareiros. Vou orar e pedir ao pai da seara que mande mais seareiros para a sua seara”. Ou seja, muitos irmãos acreditam que a seara está só na Casa Espírita. O universo é a grande seara; cada orbe é uma seara e seus habitantes estão incumbidos de fazê-lo avançar. O mesmo se dá com as sociedades - a nossa sociedade carece de seareiros, de trabalhadores que visem o bem comum. Jesus se refere a transformadores, a pessoas promotoras de mudanças. Como é que se pode pensar num mundo melhor se as pessoas não conseguem sequer registrar uma queixa contra uma propaganda enganosa; ou cobrar pontualidade dos ônibus coletivos?

Ser Espírita implica, necessariamente, compreender que os mecanismos das leis Divinas estão presentes para que a vontade do Pai seja feita. Queira-se ou não, isto acontece independente da aceitação humana, ou mesmo, do conhecimento humano. Ao compreender tais mecanismos, o homem se situa como sujeito, não mais como objeto, e passa a perceber que a ele cabe determinada quota de obrigações individuais, que ele pode julgar inexpressivas, mas que, no coletivo, representarão grandes feitos. A vida social impõe ao homem dinamismo, atividades; não pode se tornar um ser passivo diante de um mundo onde ainda há pessoas que morrem de fome, onde ainda existem analfabetos, onde cresce o número de viciados em drogas, quadro, aliás, considerado pandêmico pela Organização Mundial de Saúde. A Doutrina Espírita é o chamamento do Cristo a convocar a humanidade ainda uma vez para a remoção do egoísmo, individual e coletivo. Permanecer alheio às maldades que existem só piora as coisas.

Não se pode ficar aguardando por um mundo de regeneração, acreditando que as tarefas assumidas nas Casas Espíritas, ou trabalhos voluntários que se assumem nas diversas instituições de caridade sejam suficientes para que esta regeneração aconteça. Crença bastante pueril! Ouçam-se as palavras dos dignos Codificadores dos dois planos, na questão 1018 de O Livro dos Espíritos: “O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Então farão nela reinar o amor e a justiça que são a fonte do bem e da felicidade...Todos vós, homens de fé e de boa vontade, trabalhai, portanto, com zelo e coragem na grande obra da regeneração, porque colhereis centuplicado o grão que houverdes semeado. Infelizes aqueles que fecham os olhos à luz, porque se preparam para longos séculos de trevas e decepções...”

Com estas palavras, ficam os adeptos convidados a estudar as Letras Espíritas e delas retirar a lição que falta para uma efetiva ação no bem – o legítimo bem é o bem comum.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Passagem

Por Allan Kardec

A confiança na vida futura não exclui as apreensões da  passagem desta para a outra vida. Muitas pessoas não temem a morte por si mesma; o que temem é o momento da transição. Sofre-se ou não se sofre na travessia? Aí está o que as inquieta; e a coisa vale tanto mais apenas porque ninguém dela pode escapar. Pode-se dispensar de uma viagem terrestre; mas aqui, ricos como pobres devem transpor o limiar e, se for doloroso, nem a classe nem a fortuna podem abrandar-lhe a amargura.

Ao ver a calma de certos mortos, e as terríveis convulsões da  agonia de alguns outros, já se pode julgar que as sensações não são sempre as mesmas; mas quem pode nos informar a esse respeito? Quem nos descreverá o fenômeno fisiológico da separação da alma e do corpo? Quem nos dirá das impressões desse instante supremo? Sobre esse ponto a ciência e a religião são mudas.

E por que isso? Porque falta, a uma e a outra, o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria; uma se detém no limiar da vida espiritual, a outra no da vida material. O Espiritismo é o traço de união entre as duas; só ele pode dizer como se opera a transição, seja pelas noções mais positivas que dá quanto à natureza da alma, seja pelo relato daqueles que deixaram a vida. O conhecimento do laço fluídico que une a alma e o corpo é a chave desse fenômeno, como de muitos outros.

A matéria inerte é insensível: isso é um fato positivo; só a alma experimenta as sensações do prazer e da dor. Durante a vida, toda desagregação da matéria repercute na alma, que dela recebe uma impressão mais ou menos dolorosa. É a alma quem sofre e não o corpo; este não é senão o instrumento da dor: a alma é o paciente. Depois da morte, estando o corpo separado da alma, pode ser impunemente mutilado, porque não sente nada; a alma, estando dele isolada, não recebe nenhum dano da desorganização deste último; ela tem as suas sensações próprias cuja fonte não está na matéria tangível. O perispírito é o envoltório fluídico da alma, da qual não está separado nem antes, nem depois da morte, e com a qual não faz, por assim dizer, senão um, porque um não se pode conceber sem o outro.

Durante a vida, o fluido perispiritual penetra o corpo, em todas as suas  partes, e serve de veículo às sensações físicas da alma; é também por esse intermédio que a alma atua sobre o corpo e dirige-lhe os movimentos.  A extinção da vida orgânica provoca a separação da alma e do corpo, pela ruptura do laço fluídico que os une; mas essa separação jamais é brusca; o fluido perispiritual se separa pouco a pouco de todos os órgãos, de sorte que a separação não é completa e absoluta senão quando não reste mais um único átomo do perispírito unido a uma molécula do corpo. A sensação dolorosa, que a alma sente nesse momento, está em razão da soma dos pontos de contato que existem entre o corpo e o perispírito, e da maior ou menor dificuldade e lentidão que apresente a separação. Não é preciso, pois, dissimular-se que, segundo as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa. São estas diferentes circunstâncias que iremos examinar.

Coloquemos primeiro, como princípio, os quatro casos seguintes, que podem ser consideradas as situações extremas, entre as quais há uma multidão de nuanças:

1º Se no momento da extinção da vida orgânica o desligamento do perispírito estivesse completamente operado, a alma não sentiria absolutamente nada;
2º se, nesse momento, a coesão dos dois elementos está com toda sua força, produz-se uma espécie de dilaceramento que reage dolorosamente sobre a alma;
3º se a coesão é fraca, a separação é fácil e se opera sem abalo;
4º se, depois da cessação completa da vida orgânica, existem ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderá sentir os efeitos da decomposição do corpo, até que o laço esteja inteiramente rompido.

Disso resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força de aderência que une o corpo e o perispírito; que tudo o que pode ajudar na diminuição dessa força e na rapidez do desligamento torna a passagem menos penosa; enfim, que se o desligamento se opera sem nenhuma dificuldade, a alma não sente nenhuma sensação desagradável.

Na passagem da vida corpórea para a vida espiritual, produz-se, ainda, um outro fenômeno de importância capital: o da perturbação. Nesse momento, a alma sente um entorpecimento que paralisa, momentaneamente, as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as sensações; está, por assim dizer, cataleptizada, de sorte que quase nunca testemunha consciente o último suspiro. Dizemos quase nunca porque há um caso em que pode dele ter consciência, assim como o veremos daqui a pouco. A perturbação pode, pois, ser considerada como estado normal no instante da morte; a sua duração é indeterminada; varia de algumas horas a alguns anos. À medida que ela se dissipa, a alma está na situação do homem que sai de um sono profundo; as idéias estão confusas, vagas e incertas; vê-se como através de um nevoeiro; pouco a pouco a visão se ilumina, a memória retorna e ela se reconhece. Mas esse despertar é bem diferente, segundo os indivíduos; nuns é calmo e proporciona uma sensação deliciosa; noutros, é cheio de terror e ansiedade, e produz o efeito de um horrível pesadelo.

O momento do último suspiro não é, pois, o mais penoso, porque, o mais comumente, a alma não tem consciência de si mesma; mas antes, ela sofre pela desagregação da matéria durante as convulsões da agonia, e depois, pelas angústias da perturbação. Apressemo-nos em dizer que esse estado não é geral. A intensidade e a duração do sofrimento, como dissemos, estão em razão da afinidade que existe entre o corpo e o perispírito; quanto mais essa afinidade é grande, mais os esforços do Espírito, para se libertar de seus laços, são longos e penosos; mas há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desligamento se opera por si mesmo e naturalmente. O Espírito se separa do corpo como um fruto maduro se destaca de seu caule; é o caso das mortes calmas e de sonhos pacíficos.

O estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desligamento. A afinidade entre o corpo e o perispírito está em razão do apego do Espírito à matéria; está em seu máximo no homem cujas preocupações todas se concentram na vida e nos gozos materiais; ela é quase nula naquele cuja alma depurada está identificada por antecipação com a vida espiritual. Uma vez que a lentidão e a dificuldade da separação estão em razão do grau de depuração e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa. Isto posto, ao mesmo tempo como teoria e como resultado da observação, resta-nos examinar a influência do gênero de morte sobre as sensações da alma no último momento.

Na morte natural, a que resulta da extinção das forças vitais ou da doença, o desligamento se opera gradualmente; no homem cuja alma está desmaterializada, e cujos pensamentos se separaram das coisas terrestres, o desligamento é quase completo antes da morte real; o corpo vive ainda a vida orgânica, e a alma já entrou na vida espiritual, e não se prende mais ao corpo senão por um laço tão fraco que se rompe, sem dificuldade, ao último batimento do coração. Nessa situação, o Espírito já pode ter recobrado a sua lucidez, e ser testemunha consciente da extinção da vida de seu corpo, do qual está feliz por ter-se livrado; para ele, a perturbação é quase nula; não é senão um momento de sono pacífico, do qual sai com inefável impressão de felicidade e de esperança. No homem material e sensual, aquele que viveu mais para o corpo do que para o Espírito, para quem a vida espiritual nada é, nem mesmo uma realidade em seu pensamento, tudo contribuiu para apertar mais os laços que o ligam à matéria; nada veio relaxá-los durante a vida. À aproximação da morte, o desligamento se opera também, gradualmente, mas com esforços contínuos. As convulsões da agonia são o indício da luta que o Espírito sustenta, que por vezes quer romper os laços que o resistem, e de outras vezes se aferra ao seu corpo do qual uma força irresistível o arranca violentamente, parte por parte.

O Espírito se prende tanto mais à vida corporal quanto nada vê além dela; sente que lhe escapa e quer retê-la; em lugar de se abandonar ao movimento que o arrasta, resiste com todas as suas forças; pode assim prolongar a luta durante dias, semanas e meses inteiros. Sem dúvida, nesse momento, o Espírito não tem toda a sua lucidez; a perturbação começou muito tempo antes da morte, mas com isso não sofre menos, e o vago em que se encontra, a incerteza do que lhe advirá, se juntam às suas angústias. A morte chega e tudo não está acabado; a perturbação continua; sente que vive, mas não sabe se é vida material ou vida espiritual; ele luta ainda até que os últimos laços do perispírito estejam rompidos. A morte pôs um termo à doença efetiva, mas não lhe deteve as conseqüências; tanto que existam pontos de contato entre o corpo e o perispírito, deles o Espírito sente os golpes e sofre-os.

Bem diferente é a posição do Espírito desmaterializado, mesmo nas mais cruéis doenças. Os laços fluídicos que o unem ao corpo, sendo tão fracos, se rompem sem nenhum abalo; depois, a sua confiança no futuro, que já entrevê pelo pensamento, algumas vezes mesmo em realidade, fá-lo encarar a morte como uma libertação, e seus males como uma prova; daí, para ele, uma calma moral e uma resignação que abrandam o sofrimento. Depois da morte, estando esses laços agora mesmo rompidos, nenhuma reação dolorosa se opera nele; sente-se, em seu despertar, livre, disposto, aliviado de um grande peso, e todo alegre por não mais sofrer.

Na morte violenta, as condições não são exatamente as mesmas. Nenhuma desagregação parcial pôde trazer uma separação preliminar entre o corpo e o perispírito; a vida orgânica, em toda a sua força, é subitamente detida; o desligamento do perispírito não começa, pois, senão depois da morte, e, nesse caso como em outros, não pode se operar instantanemente. O Espírito, apanhado de improviso, está como atordoado; mas, sentindo que pensa, se crê ainda vivo, e essa ilusão dura até que tenha se conscientizado de sua posição. Esse estado intermediário entre a vida corporal e a vida espiritual é um dos mais interessantes a se estudar, porque apresenta o singular espetáculo de um Espírito que toma o seu corpo fluídico por seu corpo material, e que experimenta todas as sensações da vida orgânica. Oferece uma variedade infinita de nuanças segundo o caráter, os conhecimentos e o grau de adiantamento moral do Espírito. É de curta duração para aqueles cuja alma está depurada, porque neles havia um desligamento antecipado, do qual a morte, mesmo a mais súbita, não fez mais que apressar o cumprimento; em outros, pode se prolongar durante anos. Esse estado é muito freqüente, mesmo nos casos de morte comum, e não tem, para alguns, nada de penoso segundo as qualidades do Espírito; mas, para outros, é uma situação terrível. É no suicídio, sobretudo, que essa situação é mais penosa. O corpo preso ao perispírito por todas as suas fibras, todas as convulsões do corpo repercutem na alma, que delas experimenta atrozes sofrimentos.

O estado do Espírito no momento da morte pode se resumir assim: O Espírito sofre tanto mais quanto o desligamento do corpo seja mais lento; a prontidão do desligamento está em razão do grau de adiantamento do Espírito; para o Espírito desmaterializado, cuja consciência é pura, a morte é um sono de alguns instantes, isenta de todo sofrimento, e cujo despertar é cheio de suavidade.

Para trabalhar pela sua depuração, reprimir as más tendências, vencer as paixões, é preciso ver-lhes as vantagens no futuro; para se identificar com a vida futura, dirigir-lhe as suas aspirações e preferi-la à vida terrestre, é preciso não só nela crer, mas compreendê-la; é preciso se representá-la sob um aspecto satisfatório para a razão, em completo acordo com a lógica, o bom senso e a idéia que se faz da grandeza, da bondade e da justiça de Deus. De todas as doutrinas filosóficas, o Espiritismo é a que exerce, sob esse aspecto, a mais poderosa influência pela fé inabalável que ele dá.

O espírita sério não se limita a crer; ele crê porque compreende, e compreende porque se dirige ao seu julgamento; a vida futura é uma realidade que se desenrola sem cessar aos seus olhos; ele a vê e a toca, por assim dizer, em todos os instantes; a dúvida não pode entrar em sua alma. A vida corporal, tão limitada, se apaga para ele diante da vida espiritual, que é a verdadeira vida; daí o pouco caso que faz dos incidentes do caminho e sua resignação nas vicissitudes, das quais compreende a causa e a utilidade. Sua alma se eleva pelas relações diretas que mantém com o mundo invisível; os laços fluídicos que o ligam à matéria se enfraquecem e, assim, se opera um primeiro desligamento parcial que facilita a passagem desta vida para a outra. A perturbação, inseparável da transição, é de curta duração, porque logo o limiar transposto, ele se reconhece; nada lhe é estranho; tem consciência de sua situação.

O Espiritismo, seguramente, não é indispensável a esse resultado; também não tem a pretensão de só ele assegurar a salvação da alma, mas a facilita pelos conhecimentos que proporciona, os sentimentos que inspira e as disposições nas quais coloca o Espírito, a quem faz compreender a necessidade de se melhorar. Dá, além disso, a cada um, os meios de facilitar o desligamento de outros Espíritos no momento em que deixam o seu envoltório terrestre, e de abreviar a duração da perturbação pela prece e pela evocação. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se uma desagregação mais pronta do fluido perispiritual; por uma evocação conduzida com sabedoria e prudência, e com palavras benevolentes e de encorajamento, tira-se o Espírito do entorpecimento em que se encontra, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo; se é sofredor, excita-o ao arrependimento, que somente pode abreviar-lhe os sofrimentos.

Fonte: O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo - Capítulo I - Segunda Parte.

El Cielo

Por Mercedes Cruz

¿Te gustarla ir al Cielo?

¿Te imaginas como es el Cielo?

¿Donde piensas que esta?

Los espíritus son creados simples e ignorantes, pero con la actitud de adquirirlo todo y progresar, en virtud de su libre albedrío. Mediante el progreso, adquieren nuevos conocimientos y nuevas facultades, nuevas percepciones y por consiguiente, nuevos gozos desconocidos a los espíritus inferiores; ellos ven, sienten , oyen, y comprenden  lo que los espíritus atrasados no pueden ni ver , ni sentir , ni comprender y ni oír.

La felicidad  está en razón del progreso alcanzado; de tal forma que, de dos Espíritus, uno puede  no ser tan feliz como el otro, únicamente porque no es tan avanzado intelectualmente  y moralmente, sin que por ello tengan que estar cada uno, en un lugar distinto.

Aun estando ambos juntos, uno puede estar  en tinieblas, mientras el otro resplandeciente. La felicidad de los Espíritus  siendo inherente a las cualidades que poseen, la toman en todas las partes donde  la encuentran, en la superficie de la Tierra, en medio de los encarnados o en el espacio.

El progreso del espíritu, es fruto de su propio trabajo. Ellos según la prisa que se den avanzan más o menos rápidamente. Y el progreso del hombre ha de ser moralmente  y espiritualmente  y en muy raros casos avanzan a la par.  La felicidad suprema es atributo de los espíritus perfectos, puros.

La encarnación es necesaria para alcanzar el doble progreso, con la actividad que está obligado a desarrollar en el trabajo el espíritu progresa intelectualmente; y por la necesidad que los hombres tienen uno de los otros avanzan moralmente.  La vida social es la piedra de las buenas  y de las malas cualidades. El hombre de bien, con todas sus virtudes, o el ignorante con sus defectos tiene por móvil, por objetivo y por estimulo las relaciones del hombre con sus semejantes. El hombre que viviese solo, no habría vicios ni virtudes: si, por el aislamiento, se preserva del mal, anula el bien.

Una existencia corporal es un tiempo muy corto para que el hombre lo aprenda todo de todo, para que pueda adquirir todo el bien que le falta, y para que pueda despojarse de lo que hay de malo en el. Dios que es soberanamente justo y bueno, concede al espíritu  del hombre tantas existencias como sean necesarias para alcanzar su perfección.

Cada existencia es, un paso adelante  en el camino del progreso. La encarnación es inherente a la inferioridad de los Espíritus, los que traspasaron el limite y  progresan en el mundo espiritual, o en mundos superiores que en nada se asemeja a la vida terrestre, no necesitan reencarnar, cuando lo hacen es voluntariamente, con el objetivo de ayudar a los encarnados y aceptan las vicisitudes y los sufrimientos por devoción.

Entre una y otra encarnación,  en ese intervalo y por un tiempo más o menos largo, el espíritu entra en el mundo espiritual, donde es feliz o infeliz, según el bien o el mal que haya hecho.

El estado espiritual es el estado normal del espíritu, puesto que ese deberá ser su estado definitivo, el cuerpo espiritual no muere, y el  estado corporal  es transitorio y pasajero. Es en el espacio y en espíritu que se prepara para nuevas experiencias tomando resoluciones  para practicarlas cuando esté de nuevo en la Tierra. También  allí  donde recoge los frutos de su progreso realizados gracias a la reencarnación.

El espíritu también progresa en la erraticidad; allí adquiere conocimientos  especiales  que no podría adquirir en la tierra; sus ideas se modifican. Tanto el estado espiritual, como el corporal  son para el espíritu una fuente de dos progresos solidarios  uno con el otro; por eso pasa alternativamente por esos dos modos de existencias.

La reencarnación puede ocurrir en la Tierra o en otros mundos. Unos son más avanzados que otros, recordemos que hay muchas moradas en la casa del Padre, la Tierra es uno de los menos avanzados, y solo  pueden habitar esos mundos mejores espíritus que han llegado a un grado de adelanto superior, siendo más perfectos.

Ya vivir en esos mundos es una recompensa para el espíritu, pues la calidad de vida,  es mejor, y están preservados de los males  y de las vicisitudes que ocurren en la Tierra. El cuerpo del espíritu allí es más fluídico menos grosero, no están sujetos a las dolencias, ni a las enfermedades, ni a las mismas necesidades. En ellos no hay malos Espíritus están excluidos, los hombres viven en paz, ocupados en su evolución por el trabajo de su inteligencia. Allí reina la verdadera fraternidad, porque no hay egoísmo; verdadera igualdad,  porque no hay orgullo; la verdadera libertad, porque no hay desorden que reprimir, ni ambiciosos procurando oprimir al débil. Esos mundos comparados con la Tierra son verdaderos paraísos.

A la medida que progresa el espíritu alcanza la felicidad, pero antes de alcanzar el punto culminante de la perfección, goza de una felicidad relativa a su progreso. Como los niños, siente la alegría de la primera edad, después las de la juventud  y finalmente, las más solidad de la edad madura.

La felicidad de los Espíritus  bienaventurados no consiste en la ociosidad contemplativa, que seria  una fastidiosa inutilidad. La vida espiritual, al contrario, y en todos los grados, una constante actividad, pero una actividad exenta de fatigas. La suprema felicidad  consiste  en el goce de todos  los esplendores de la creación, que nadie sabría describir, que la más fecunda imaginación no podría concebir; en el conocimiento y penetración de todas las cosas; en la ausencia de toda pena física y moral; en una satisfacción intima, una serenidad del alma que nada altera; en el amor puro que une a todos los seres, como resultado de la ausencia de toda ofensa por el contacto de los malos  y por encima de todo, en la visión de Dios y en la comprensión de sus misterios revelados a los más dignos.

Los espíritus Puros son los Mesías  o mensajeros de Dios  para la transmisión  y ejecución de sus voluntades; cumplen las grandes misiones  presiden la  formación de los mundos y a la armonía en general del Universo, responsabilidad gloriosa a la cual no se llega sino por la perfección. Los de orden más elevado  son los únicos iniciados en los secretos de Dios, inspirándose de su pensamiento, del cual son los representantes directos.

Las tribulaciones de los Espíritus son proporcionales a su adelantamiento, a las luces que poseen, a sus capacidades, a su experiencia y al grado de confianza que inspiran al soberano Maestro. Allí nada de privilegios, nada de favores que no sea el precio del merito; todo es medido  al peso de la estricta justicia.

Las misiones importantes son encomendadas solo a aquellos que Dios sabe que estad capacitados para cumplirlas. Bajo la mirada de Dios  los mas dignos componen  el consejo supremo, a los jefes superiores es atribuida la dirección de los torbellinos planetarios; a  otros es conferida las de los mundos especiales; vienen enseguida en el orden de adelantamiento y subordinación jerárquica, las tribulaciones más restringidas de aquellos que están encargados en la marcha de los pueblos, en la protección de las familias y de los individuos, , en el impulso de cada rama del progreso, en las diversas operaciones de la Naturaleza, hasta en los más ínfimos detalles de la creación.

En todo ese vasto y armonioso conjunto, hay ocupaciones para todas las, todas alas aptitudes, todas las buenas voluntades; ocupaciones aceptadas con alegría, solicitadas con ardor, porque son un medio de adelantamiento para los espíritus que aspiran a elevarse.

Cada encarnado tiene su misión es deberes que cumplir, para el bien con sus semejantes, desde el padre de familia a quien le incumbe  el cuidado de hacer progresar a sus hijos, hasta el hombre de genio que lanza en la sociedad nuevos elementos de progreso. En esas misiones secundarias  que normalmente se encuentran flaquezas, prevaricaciones, renuncias, pero no perjudican  sino al individuo y no al conjunto.

Todas las inteligencias  concurren a la obra general, en cualquier grado al que hayan llegado, y cada uno a la medida de sus fuerzas; unas en estado de encarnación otras en estado de Espíritu. Por todas partes hay actividad, desde la base hasta lo alto de la escala, todas instruyéndose, ayudándose entre si, prestándose un apoyo mutuo, extendiéndose la mano para alcanzar el grado supremo.

La felicidad radica en las propias cualidades del individuo y no al estado material del medio donde se encuentra. Los espíritus felices no tienen un lugar circunscrito en el Universo. En cualquier lugar que se encuentren, los Espíritus Puros pueden contemplar la majestad Divina  porque Dios está en todas partes.

La  felicidad no es personal, si se poseyese solo en si mismo, si no se la pudiese compartir  con los demás,  seria egoísta y triste, por eso, esta en la comunión de pensamientos que une a los seres simpáticos. Los espíritu felices, atraídos unos a otros por semejanza de ideas, de gustos, de sentimientos,  forman amplios  grupos o familias homogenicas, en el seno de las cuales  cada individualidad irradia sus propias cualidades y se penetra de los efluvios serenos y benéficos que emanan del conjunto, cuyos miembros se dispersan para ocuparse de sus misiones, o se reúnen  en un punto  cualquiera del espacio para dar a conocer  el resultado  de sus trabajos, o se juntan alrededor de un espíritu, de un orden más elevado para recibir sus conejos y sus instrucciones.

Aunque los espíritus estén por todas partes, los mundos son sedes donde ellos se reúnen, con preferencia en razón de la analogía que existen entre ellos  y aquellos que los habitan. Alrededor de los  mundos  avanzados fluyen los Espíritus superiores; alrededor de los mundos atrasados pululan los espíritus inferiores. La Tierra es uno de estos últimos. Cada globo, tiene, pues, de alguna forma, su propia población en espíritus  encarnados y desencarnados, que se alimenta, en su mayor parte por la encarnación y desencarnación de los mismos espíritus. Esa población es más estable en los mundos inferiores, donde los espíritus son más apegados a la materia, y más fluctuante  en los mundos superiores. De los mundos superiores, focos de luz y prosperidad, los espíritus pasan  hacia mundos inferiores, para sembrar allí los gérmenes del progreso, y llevar el consuelo y la esperanza, erguir ánimos abatidos por las pruebas de la vida y a veces se encarnan allí para cumplir su misión con mayor eficacia.

Llegamos a la conclusión que el cielo está por todas partes, nada lo cerca ni le sirve de limites; los mundos felices son las últimas estaciones de nuestro largo viaje que nos llevan a el; las virtudes franquean el camino; los vicios nos cierran el acceso.

¿Verdad que el Espiritismo engrandece las ideas y ensancha el pensamiento? La razón y la revelación de los espíritus y su concordancia  con el progreso y la ciencia abren una visión sensata sobre el cielo.

Dios no nos dijo al principio toda la verdad, porque no teníamos ojos para ver, ni oídos para escuchar, al igual que a los niños no se les enseña las cosas de los mayores porque no las entenderían, Dios al principio no podía hacerse comprender con toda la verdad, por nuestra ignorancia, a medida que hemos ido despertando ha ido descubriendo lo que por nuestro estado podemos comprender y si nos afanamos en progresar más y más mucho más nos será dado por añadidura.

Pues como el alumno que aprueba el curso, si no le dan el material del siguiente para estudiarlo, no podrid pasarlo, ascender en sus estudios, así necesitamos nosotros poco a poco escalar la cima cuyo fin es llegar a Dios y a la perfección, a ser espíritu puro.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Fascinação Segundo o Espiritismo

Por Maria das Graças Cabral

Para fazer uma abordagem sobre o tema “Fascinação” segundo os preceitos Espíritas, precisa-se primeiramente considerar que os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e ações, pois segundo preceituam os Espíritos Superiores “a influência é maior do que supomos, porque muito freqüentemente são eles que nos dirigem“. (questão 459, LE) Inferindo-se que é pela afinidade de pensamentos que se dá a influência efetiva dos Espíritos na vida dos encarnados, pois os mesmos são portadores dos mesmos vícios e virtudes que tinham quando portavam a veste carnal.
 
Isto posto, no que concerne à comunicabilidade entre estes e aqueles, me aproprio dos ensinamentos do Codificador, quando estabelece que: “Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. (...) Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.” (LM., Cap. XIV, 159)
 
Ao tratar da mediunidade, é fato que a Doutrina Espírita lança um olhar diferenciado e de elevada importância sobre a mesma, por entendê-la como instrumento de educação, esclarecimento, auxílio e progresso, para os Espíritos encarnados e desencarnados.
 
Daí, exigir-se dos médiuns Espíritas, o estudo profundo e efetivo de O Livro dos Médiuns, em razão das orientações, métodos e esclarecimentos trazidos pela voz dos Espíritos Superiores, sob a égide de O Espírito da Verdade.

Entende-se portanto temerário, que o médium espírita descarte o estudo de O Livro dos Médiuns para dedicar-se à obras alienígenas, muito comumente portadoras de informações equivocadas à respeito da mediunidade, por serem oriundas de outras filosofias religiosas que vêm o trabalho mediúnico com objetivo diverso daquele preconizado pela Doutrina Espírita.

No que concerne aos percalços da prática mediúnica, um dos maiores escolhos para aqueles que vivenciam a mediunidade é a obsessão. Segundo O Livro dos Médiuns “a palavra obsessão é um termo genérico pelo qual se designa um conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.” (LM., Cap. XXIII, 238)

Na realidade, como preceitua a obra em comento, o processo obsessivo simples pode se dar sempre que houver a interferência de um Espírito voltado ao mal a se intrometer contra a vontade do médium nas comunicações recebidas. Podendo inclusive, o médium ser enganado sem estar obsedado, pois o que caracteriza a obsessão simples é a tenacidade do Espírito do qual não se consegue desembaraçar.

Já a fascinação, objeto deste estudo, segundo O Livro dos Médiuns, tem conseqüências mais graves por se tratar de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium, chegando a “paralisar” a sua capacidade de discernir e julgar as comunicações.

Importante observar que o médium fascinado não se considera enganado, pois o Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-lhe de ver e compreender que a mensagem muitas vezes se contrapõe aos ensinamentos da Codificação, que é o paradigma para a avaliação de qualquer mensagem mediúnica.

Muito comumente os mistificadores fascinam os médiuns, utilizando-se de vocabulário prolixo, para trazerem falsas “revelações”, acobertadas pelo manto de mensagens evangélicas, assinadas por nomes respeitáveis, objetivando não levantar suspeitas quanto à sua moralidade e elevação.
 
Asseveram os Espíritos Superiores que na fascinação “para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras de caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança.” (LM., Cap. XXIII, 239)

À título de exemplo transcrevo a seguinte mensagem publicada por Kardec, em O Livro dos Médiuns, objetivando apreciar a avaliação do Codificador:

“A criação perpétua e incessante dos mundos é para Deus como uma espécie de gozo perpétuo, porque ele vê continuamente seus raios se tornarem cada dia mais luminosos em felicidade. Eis porque centenas ou milhões não são mais nem menos para ele. É um pai, cuja felicidade se forma da felicidade coletiva de seus filhos. A cada segundo da criação ele vê uma nova felicidade vir se fundir na felicidade geral. Não há parada nem suspensão (?) nesse movimento perpétuo, nessa grande felicidade incessante que fecunda a terra e o céu. Não conhecemos no mundo mais do que uma pequena fração, e tendes irmãos que vivem em latitudes que o homem ainda não conseguiu atingir. Que significam esses calores terríveis e esses frios mortais que paralisam os esforços dos mais audaciosos? Acreditais simplesmente haver chegado aos limites do vosso mundo, quando não mais podeis avançar com os vossos precários recursos? Podeis então medir com precisão o vosso planeta? Não acrediteis nisso. Há no vosso planeta mais regiões desconhecidas do que conhecidas. Mas como é inútil propagar ainda mais as vossas más instituições, todas as vossas leis imperfeitas, ações e modos de vida, há um limite que vos detém aqui ou ali e que vos deterá até que possais transportar as boas sementes que o vosso livre-arbítrio produzir. Oh, não, vós não conheceis o mundo que chamais Terra. Vereis na vossa existência um grande começo de provas desta comunicação. Eis que a hora vai soar, em que haverá uma outra descoberta além da última que foi feita; vereis que vai se alargar o círculo da vossa Terra conhecida, e quando toda a imprensa cantar essa Hosana em todas as línguas, vós pobres crianças que amais a Deus e procurais o seu caminho, o sabereis antes mesmo que aqueles que darão o seu nome á nova terra.” VICENTE DE PAULO. (LM., Comunicações Apócrifas, XXIX) (grifei)

Oportuno que aprendamos com o comportamento de Kardec, quando com muita propriedade se posiciona afirmando que a mensagem apresenta incorreções, pleonasmos e vícios de linguagem, (até porque Kardec era um grande gramático) embora argumente que tais imperfeições poderiam advir da insuficiência do médium.

Entretanto, no que concerne às “revelações” à respeito do planeta, assevera Kardec que “isso é para um Espírito que se diz superior, dar prova de profunda ignorância, posto que não há dúvida que se podem descobrir regiões desconhecidas além das regiões geladas, mas dizer que Deus as ocultou aos homens a fim de que eles não levassem as suas más instituições, é ter demasiada confiança na cegueira daqueles que recebem semelhantes absurdos.” (LM., Comunicações Apócrifas, XXIX)
   
Observa-se que o Codificador não se deixava impressionar por nomes famosos nem por palavras rebuscadas, pois buscava o “cerne” da mensagem, e aí identificava a fraude, e prontamente a rechaçava.

Voltando à questão do médium objeto da fascinação, nos dizem os Espíritos Superiores que “graças à essa ilusão o Espirito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas, como sendo as únicas expressões da verdade“. (LM., cap. XXIII, 239) (grifei)

No que concerne às doutrinas absurdas e teorias falsas, faz-se por oportuno analisarmos a seguinte mensagem mediúnica, obedecendo o critério kardeciano, e tendo como paradigma as Obras da Codificação, por trazerem os ensinamentos dos grandes Mestres da Espiritualidade. A mensagem narra a chegada de Espíritos oriundos de um lugar denominado “umbral” (criação do Espírito comunicante) à “colônia espiritual” (também criação do Espírito comunicante), senão vejamos:

“(...) Identifiquei a caravana que avançava em nossa direção, sob a claridade branda do céu. De repente, ouvi o ladrar de cães, a grande distância. - Que é isso? - interroguei assombrado. - Os cães - disse Narcisa - são auxiliares preciosos nas regiões obscuras do Umbral, onde não estacionam somente os homens desencarnados mas também verdadeiros monstros, que não cabe agora descrever. (...) Fixei atentamente o grupo estranho que se aproximava devagarzinho. Seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e barulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros, produzindo ruídos singulares. (...)” ANDRÉ LUIZ (Nosso Lar, 2003 p. 217)  (grifei)
   
Para a devida análise buscar-se-á confrontá-la com os ensinamentos propostos em O Livros dos Espíritos, Capítulo XI, item II,  quando asseveram os Mestres Espirituais nas questões de número 598 e 600 que: I - A alma dos animais conserva sua individualidade depois da morte, mas não a consciência de si mesma. A vida inteligente permanece em estado latente; II - A alma do animal sobrevivendo ao corpo fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito. O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso e utilizados quase que imediatamente; não dispõe de tempo para se pôr em relação com outras criaturas. (grifei)
   
Reforçando o entendimento proposto pelos Espíritos Superiores em O Livro dos Espíritos, buscar-se-á subsídios em O Livro dos Médiuns, Cap. XXV, item 283, sub item 36,  quando trata da questão da “Evocação dos Animais“, e Kardec indaga da possibilidade de evocar-se o Espírito de um animal. Resposta: - “O princípio inteligente que animava o animal fica em estado latente após a morte. Os Espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos, não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos“. (grifei)
 
Portanto, a narrativa do Espírito autor da mensagem em comento, é falsa e seria obviamente rechaçada por Kardec por desvirtuar preceitos Espíritas, gerando por conseguinte conflitos no entendimento da Doutrina.

Aliás, ao tratar do exame feito às milhares de comunicações mediúnicas que lhe eram enviadas com pedidos de publicação na Revista Espírita, comenta o Codificador que “em grande número encontramo-las notoriamente más, no fundo e na forma, evidente produto de Espíritos ignorantes, obsessores ou mistificadores e que juram pelos nomes mais ou menos pomposos com que se revestem. Publicá-las teria sido dar armas à crítica. (...) Só a fascinação poderia levá-los a ser tomados a sério e impedir se visse o lado ridículo. (...)” (RE, maio de 1863, p. 217) (grifei)

No que concerne à publicação de mensagens de Espíritos, Allan Kardec assevera que (...) “Quanto mais alto o nome, maior o cuidado. Ora, é mais fácil tomar um nome que justificá-lo; eis por que, ao lado de alguns bons pensamentos, encontram-se muitas vezes, idéias excêntricas e traços inequívocos da mais profunda ignorância. É nessas modalidades de trabalhos mediúnicos que temos notado mais sinais de obsessão, dos quais um dos mais freqüentes é a injunção do Espírito de os mandar imprimir; e alguns pensam erradamente que tal recomendação é suficiente para encontrar um editor atencioso que se encarregue da tarefa. (...) Toda precaução é pouca para evitar as publicações lamentáveis. Em tais casos, mais vale pecar por excesso de prudência, no interesse da causa.” (RE, maio de 1863, p. 220)  (grifei)

Não obstante, transcrevo as palavras de J. Herculano Pires, em Nota do Tradutor, de O Livro dos Médiuns, quando nos alerta dizendo que “a fascinação é mais comum do que se pensa. No meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a Doutrina e reformularem seus princípios”. (LM. Cap. XXIII, p. 217)    

Para finalizar o estudo, oportuno ressaltar os ensinamentos dos Espíritos Superiores quando nos alertam para o fato de não existir médium perfeito, por não haver perfeição sobre a Terra. Asseveram os Mestres, que até mesmo os bons médiuns, que são raros, jamais seriam tão perfeitos, para estarem imunes às mistificações por terem todos um lado fraco, pelo qual podem ser atacados. (LM., Cap. XX, 9)

Portanto, estejamos atentos ao analisarmos as mensagens provindas do plano espiritual catalogadas como ‘espíritas“. Precisamos nos ater ao estudo da Codificação Espírita para que identificando as fraudes possamos rechaçá-las.

El tiempo sigue en frente

Por Octávio Caumo Serrano

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¿Sería el tiempo qué pasa o nosotros qué pasamos por el tiempo? Allá se va el primer año de la segunda década del tercer milenio. Y todo continúa como antes. En medio al Apocalipsis, nosotros, los actores de esta triste novela del final de los tiempos, insistimos en continuar viviendo.

¿Hay alternativa? No, no hay. Tenemos de vivir porque nuestra vida no pertenece a nosotros, sino al Padre que nos creó. Si intentamos abandonar el barco en medio a la tormenta, tendremos problemas futuros aun peores de que los actuales. Si queremos nos matar, no conseguiremos porque somos inmortales. ¿Qué hacer, entonces?

Solo nos queda una opción: seguir enfrente, aprovechando la oportunidad y comprender que los males del mundo son producidos por los hombres. Dios nos creó para la dicha y se no la encontramos es porque a buscamos de manera y en lugar equivocados. Ya dice el poeta santista Vicente de Carvalho, en un de sus sonetos, “Viejo Tema”, que “esa dicha que suponemos, árbol milagroso que soñamos, toda enjaezada de dorados frutos, existe, sí: pero no la alcanzamos, porque está siempre solo donde a ponemos y nunca a ponemos donde nosotros estamos”.

Falta al hombre descubrir que la dicha solo puede ser lograda cuando producida en el interior del corazón es en los laberintos de la conciencia. Inútil buscarla del lado foráneo, en las cosas del mundo porque ellas pueden nos traer alegría efímera, pero nunca la dicha. El placer que nos dan el coche nuevo, el diploma de doctor, la casa en la playa o el viaje al exterior, son pequeños cuando comparados a la dicha que el Plan Divino tiene a nosotros. ¡Ya dijo Jesus “vosotras sois dioses”, pero nosotros no entendemos lo que Él afirmó o no lo creemos por ser aún niños espirituales!

Queremos la paz en el mundo y mientras ella no viene también no conseguimos tener nuestra propia. Condicionamos nuestra paz interior a la paz colectiva y en la ausencia de ella olvidamos que podemos tener nuestra, independiente de la paz del mundo.

Vivimos presos a la aflicción, miedosos y asustados. Sentimonos víctimas de la corrupción, de la polución, del tráfico, de la inseguridad y del abandono delante las enfermedades. Esto impide que tengamos serenidad, paciencia y esperanza, lo que demuestra nuestra poca fe. Tenemos la conmoción que el barco está a la deriva en medio a la tempestad y que el timonel perdió el control. Sin embargo quien dirige el barco es Dios y Él nunca deja el timón.

La Doctrina de los Espíritus nos dice que somos espíritus inmortales en prueba y expiación en un planeta inferior que está, como nosotros, progresando también. Será brevemente un mundo de regeneración, habitado por espíritus un poco mejores de lo que los actuales. Y la selección ya está se procesando.

Todos nosotros podemos nos calificar a vivir en el nuevo mundo desde que construyamos nuestra propia historia de vida. Ella se hace por las obras que ejecutamos y también por la aceptación de la vida que tenemos actualmente. Sabedores de que nuestra historia no comenzó en la Tierra, en esta encarnación, entenderemos qué muchos misterios envuelven nuestra caminata espiritual. Si estamos viviendo más una experiencia concedida por la misericordia divina, tratemos de aprovechar la oportunidad para ser mejor de lo que ya somos. Por eso debemos agradecer a Dios por los tests porque es superando barreras que crecemos como espíritus.

Muchas otras cosas nos sacan la paz: la enfermedad, el pariente difícil, la dificultad financiera, el amigo desagradecido. Observen que todo esto son defectos del mundo que es habitado por espíritus en aprendizaje. Unos más otros menos, somos todos alumnos de una escuela primaria en se tratando de graduación espiritual. Por eso no conseguimos administrar nuestra mente que generalmente se liga a las cosas inferiores. Un mínimo de contrariedad provoca total desequilibrio, haciéndonos errar contra los otros y en contra de nosotros mismos. Habitualmente decimos que uno nos hizo perder la paciencia. ¿Pero cómo podemos perder lo que no tenemos? El verdadero paciente jamás pierde la paciencia. Somos, a lo más, controlados que nos esforzamos para ser elegantes, educados, camuflados bajo un barniz de superioridad que en ver dad no muestra lo que somos.

Para tener paz es preciso que la construyamos individualmente. Para tanto es necesario vencer nuestras inferioridades, en una lucha titánica de nosotros contra nosotros propios. El mayor enemigo del hombre mora adentro de él. Nadie puede le hacer mal sino él mismo. Los desastres del mundo son experiencias necesarias y solamente encarándolos con fe y serenidad podremos vencerlos.

El Espiritismo nos enseña que es preferible ser víctima a ser reo. Cuando somos víctimas el error es del otro y es él que tendrá de responder de lo que hizo. Cuando somos nosotros el verdugo, el error es nuestro y nosotros es que tenemos que prestar cuentas. ¿No es preferible ser víctima ahora sin tener de cargar para la espiritualidad una conciencia manchada qué podrá costarnos siglos de obscuridad y pruebas?

El tiempo en la Tierra es muy breve cuando comparado al tiempo de la espiritualidad. Si allá siglos son segundos, imaginemos lo que representan noventa o cien años de encarnación en el cuerpo físico.

Vamos a construir nuestra propia paz, esperando que podamos ser ejemplos de fe para los que nos rodean. Entre las definiciones de paz en el diccionario Aurélio, hay una que dice: “paz es la ausencia de conflictos íntimos; tranquilidad de alma; sosiego”. Solo cuando las partes son buenas es que el todo será bueno. No se puede esperar un planeta feliz si sus habitantes son personas desdichadas. Ya dice el cancionero Nando Cordel que “la paz del mundo comienza en mí; ¡si yo tengo amor con certeza yo soy feliz!”

RIE-Revista Internacional de Espiritismo - Dezembro 2011
Traduccion Octavio Caumo Serrano

sábado, 3 de dezembro de 2011

O tempo segue em frente

Por Octávio Caúmo Serrano

Seria o tempo que passa ou nós que passamos pelo tempo? Lá se vai o primeiro ano da segunda década do terceiro milênio. E tudo continua como antes. Em meio ao Apocalipse, nós, os atores desta triste novela do final dos tempos, insistimos em continuar vivendo.

Há alternativa? Não, não há. Temos de viver porque a nossa vida não pertence a nós, mas ao Pai que nos criou. Se tentarmos abandonar o barco no meio da tormenta, teremos problemas futuros piores do que os atuais. Se quisermos nos matar, não conseguiremos porque somos imortais. Que fazer, então?

Só nos resta uma opção: seguir em frente, aproveitando a oportunidade e compreender que os males do mundo são produzidos pelos homens. Deus nos criou para a felicidade e se não a encontramos é porque a buscamos de maneira e em lugar errados. Já diz o poeta santista Vicente de Carvalho, em um de seus sonetos, “Velho Tema”, que “essa felicidade que supomos, árvore milagrosa que sonhamos, toda arreada de dourados pomos, existe, sim: mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”.

Falta ao homem descobrir que a felicidade só pode ser obtida quando produzida no interior do coração é nos labirintos da consciência. Inútil buscá-la do lado de fora, nas coisas do mundo porque elas podem nos trazer alegria efêmera, mas nunca a felicidade. O prazer que nos dão o carro novo, o diploma de doutor, a casa na praia ou a viagem ao exterior, são pequenos quando comparados à felicidade que o Plano Divino tem para nós. Já disse Jesus “vós sois deuses”, mas nós não entendemos o que Ele afirmou ou não acreditamos por sermos ainda crianças espirituais!

Queremos a paz no mundo e enquanto ela não vem também não conseguimos ter a nossa própria. Condicionamos nossa paz interior à paz coletiva e na ausência dela esquecemos que podemos ter a nossa, independente da paz do mundo.

Vivemos presos à aflição, medrosos e assustados. Sentimo-nos vítimas da corrupção, da poluição, do tráfico, da insegurança e do abandono diante das enfermidades. Isto impede que tenhamos serenidade, paciência e esperança, o que demonstra nossa pouca fé. Temos a impressão que o barco está à deriva em meio à procela e que o timoneiro perdeu o controle. Todavia quem dirige o barco é Deus e Ele nunca deixa o leme.

A Doutrina dos Espíritos diz-nos que somos espíritos imortais em provação e expiação num planeta inferior que está, como nós, progredindo também. Será brevemente um mundo de regeneração, habitado por espíritos um pouco melhores do que os atuais. E a seleção já está se processando.

Todos nós podemos nos qualificar a viver no novo mundo desde que construamos nossa própria história de vida. Ela se faz pelas obras que executamos e também pela aceitação da vida que temos atualmente. Sabedores de que nossa história não começou na Terra, nesta encarnação, entenderemos que muitos mistérios envolvem nossa caminhada espiritual. Se estamos vivendo mais uma experiência concedida pela misericórdia divina, tratemos de aproveitar a oportunidade para ser melhor do que já somos. Por isso devemos agradecer a Deus pelos testes porque é superando barreiras que crescemos como espíritos.

Muitas outras coisas tiram a nossa paz: a enfermidade, o parente difícil, a dificuldade financeira, o amigo ingrato. Observem que tudo isto são defeitos do mundo que é habitado por espíritos em aprendizado. Uns mais outros menos, somos todos alunos de uma escola primária em se tratando de graduação espiritual. Por isso não conseguimos administrar nossa mente que geralmente se liga às coisas inferiores. Um mínimo de contrariedade provoca total desequilíbrio, fazendo-nos errar contra os outros e contra nós mesmos. Habitualmente dizemos que alguém nos fez perder a paciência. Mas como podemos perder o que não temos? O verdadeiro paciente jamais perde a paciência. Somos, no máximo, controlados que nos esforçamos para ser polidos, educados, camuflados sob um verniz de superioridade que na verdade não mostra o qu e somos.

Para ter paz é preciso que a construamos individualmente. Para tanto é preciso vencer nossas inferioridades, numa luta titânica de nós contra nós próprios. O maior inimigo do homem mora dentro dele. Ninguém pode lhe fazer mal a não ser ele mesmo. Os desastres do mundo são experiências necessárias e somente encarando-os com fé e serenidade poderemos vencê-los.

O Espiritismo nos ensina que é preferível ser vítima a ser réu. Quando somos vítimas o erro é do outro e é ele que terá de responder pelo que fez. Quando somos nós o carrasco, o erro é nosso e nós é que teremos que prestar contas. Não é preferível ser vítima agora sem ter de carregar para a espiritualidade uma consciência manchada que poderá custar-nos séculos de escuridão e provações?

O tempo na Terra é um átimo quando comparado ao tempo da espiritualidade. Se lá séculos são segundos, imaginemos o que representam noventa ou cem anos de encarnação no corpo físico.

Vamos construir a nossa própria paz, esperando que possamos ser exemplos de fé para os que nos rodeiam. Entre as definições de paz no dicionário Aurélio, há uma que diz: “paz é a ausência de conflitos íntimos; tranquilidade de alma; sossego”. Só quando as partes forem boas é que o todo será bom. Não se pode esperar um planeta feliz se seus habitantes são pessoas desventuradas. Já diz o cancioneiro Nando Cordel que “a paz do mundo começa em mim; se eu tenho amor com certeza eu sou feliz!”

RIE - Revista Internacional de Espiritismo - Dezembro de 2011

A Bíblia e a fundamentação espírita

Por Ricardo Malta

O leigo geralmente questiona por qual motivo nós, espíritas, utilizamos determinados textos Bíblicos e, algumas vezes, rejeitamos outros. A primeira vista parece incoerência, mas isso não passa da aplicação do princípio da fé raciocinada. Paulo de Tarso, o apóstolo dos Gentios, certa vez afirmou: "Examinai tudo e retendes o que for bom".  Parece-nos que, mesmo naquele tempo, a fé raciocinada já encontrava suporte. Para o espírita não basta crer, é necessário saber. “A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.” (ESE, Cap.19, Item 7)

“Aprendei a discernir,” – exorta Leon Denis – “a separar as coisas imaginárias das reais. Abstende-vos de combater a Ciência e renegar a razão, porque a razão é Deus dentro de nós, e o seu santuário é a nossa consciência.” (Cristianismo e Espiritismo)

O grande problema é que as pessoas enxergam a Bíblia como um todo unitário. Não conseguem diferenciar o que é de origem humana e, portanto, mutável, daquilo que é origem divina e imutável. “A palavra Bíblia vem do grego (biblia=plural de biblion ou biblios= livro), portanto é um conjunto de livros”, escritos por diversos autores, muitos deles desconhecidos. Ressaltamos, por exemplo, que a Bíblia Protestante contém 66 livros, a Católica possui 73 e a Hebraica apenas 24. Onde estaria, neste caso, a tão proclamada “palavra de Deus” (expressão de origem judaica)?

Nem iremos adentrar na questão das adulterações, mas destacamos e indicamos o estudo da obra “Analisando as traduções Bíblicas” de autoria do Dr. Severino Celestino. As revelações são surpreendentes. “É um trabalho original, de fôlego, com muita força analítica”, diz o prefaciador.

Reconhecemos nos textos Bíblicos a existência de ensinamentos sublimes que, provavelmente, têm suas origens inspiradoras nas esferas mais elevadas da espiritualidade, por outro lado, há também aberrações e barbaridades que nos fazem pensar na inferioridade moral e espiritual dos seus autores e co-autores (Espíritos malévolos). Vejamos, por exemplo, o quadro de atrocidades e bobagens Bíblicas que nos traz Richard Simmoneti:

“Os filhos devem pagar pelos pecados dos pais (Êxodo, 20:5); Quem trabalhar no sábado será morto (Êxodo, 35:2); Animais e aves serão sacrificados, sangue espargido sobre altares, atendendo a variados objetivos (Levítico, caps. 1 a7); Quando morrer um homem sem deixar descendentes, seu irmão deve casar-se com a viúva (Deuteronômio, 25:5); Os filhos desobedientes e rebeldes, que não ouçam os pais e se comprometam em vícios, serão apedrejados até a morte (Deuteronômio 21: 18-21); È proibido comer carne de porco, lebre ou coelho (Levítico, 11: 5-7); O homossexualismo será punido com morte (Levítico, 20:13); A zoofilia sexual será punida com morte (Levítico, 20:15-16); Deficientes físicos estão proibidos de aproximar-se do altar do culto, para não profaná-lo com seu defeito (Levítico, 21: 17-23); O hanseniano deve ser segregado da vida social, vivendo no isolamento (Levítico, Cap. 13); Os adúlteros serão apedrejados até a morte (Deuteronômio, 22:22); A blasfêmia contra Deus será punida com o apedrejamento, até a morte (Levítico, 24: 16-16).”
Afirmar que tudo isso é a “palavra de Deus” seria, no mínimo, uma ofensa para com a divindade. Portanto, não consideramos a Bíblia por esse foco dogmático, mas encontraremos nela, assim como em inúmeros outros livros ditos "sagrados", uma série de fatos e postulados espíritas. Ora, sendo a moral divina universal e os fatos espíritas (reencarnação e fenomenologia mediúnica) fenômenos naturais, nada mais lógico do que encontrarmos o registro desses ensinamentos e eventos em todos as épocas da humanidade, em diversos livros “sagrados”, entre os filósofos da antiguidade, nas mais diversas culturas e tradições.

A fundamentação espírita encontra suas raízes no que há de mais lógico, racional, pautada no bom senso e, principalmente, na universalidade do ensino dos Espíritos. Não precisaríamos buscar o apoio Bíblico para confirmar aquilo que é um fato, mas como dizer que Saul não se comunicou com o Espírito Samuel (I Samuel 28:7 a 17) e que Jesus não conversou com os Espíritos Elias e Moises (Mateus 17:3)? Como defender que João Batista não era a reencarnação de Elias (Mateus 11:14; 17: 10-13)? Enfim, como negar tantos fatos espíritas que saltam aos olhos em diversas passagens Bíblicas (indicamos a leitura do artigo “A Bíblia: um Livro de origem mediúnica” de autoria de Francisco Amado)? Não foram os espíritas que inventaram tudo isso. Está tudo lá na Bíblia, basta ter olhos para ver. O fanático religioso não consegue entender isso, “porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.” (Mateus 13:13)

Assim, fazemos coro às palavras de José Reis Chaves: “respeitamos a Bíblia, mas com moderação, com uma visão racional dela, pois ela é tal como uma rosa que tem pétalas e perfume, mas tem também espinhos, obviamente humanos, e não divinos.” (Revista Espiritismo e Ciência, nº 64)