quarta-feira, 16 de abril de 2014

Apometria e Espiritismo

Por Carmem Paiva de Barros

A apometria, considerada por seus praticantes como "um revolucionário método desobsessivo", foi criada pelo conceituado pesquisador e médico espírita carioca José Lacerda, na década dos anos 50, na cidade de Porto Alegre (RS).

O movimento em favor da apometria passou pela região Centro-Oeste do Brasil, desaguando em Goiás e no Distrito Federal, com a perspectiva de realizar tratamentos espirituais muito mais eficazes que a conhecida desobsessão, indicada pelo espírito André Luiz.

A novidade conquistou a simpatia de conhecidos e respeitáveis médiuns e médicos espíritas.

A CONCAFRAS, movimento religioso de exaltação a poetisa potiguar Auta de Souza, se incumbiu de levar para outros Estados a apometria, sempre com a proposta de "revolucionar a metodologia de tratamento desobsessivo nos Centros Espíritas".

A exemplo do que ocorreu em tantos outros Estados brasileitos, a apometria encontrou compo fértil na Paraíba. Alguns Centros Espíritas facilmente assimilaram as práticas do novo método desobsessivo, apontado como "eficiente" no tratamento de espíritos intransigentes aos ensinamentos morais de Jesus.

Segundo opinião do médium e tribuno baiano Divaldo Pereira Franco (ver jornal DESPERTADOR, edição de julho/agosto de 2008, de São Paulo), "(...) as práticas da apometria estão em total desacordo com as recomendações de O Livro dos Espíritos e ainda tem a pretensão de ser apresentada como um passo avançado do movimento espírita, no qual Allan Kardec estaria ultrapassado".

Na Paraíba, a apometria ficou conhecida como "a desobsessão do passa-passa".

Certa feita, assisti uma reunião onde pude observar a forma grosseira, desrespeitosa e anticristã de como eram tratados os espíritos (aos milhares, na ótica dos médiuns videntes presentes).

A "manada" de espíritos recebia tratamento de "choque", com ameaça de serem levados ao magma (substância ainda ebulição) da Terra, sem nenhum resquício de misericórdia da parte dos doutrinadores e do coordenador do trabalho.

Em determinado trecho do seu comentário sobre a absurda prática, Divaldo Franco diz textualmente que "aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro não conhecem as bases kardequianas; e se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture para não confundir".

O médium baiano tem razão.

A Doutrina Espírita centraliza-se no amor, na compaixão, na misericórdia, na indulgência e no respeito incondicional à condição moral em que se encontram os espíritos rebeldes, que passaram pela vida terrena sem qualquer preocupação com o processo reeducativo que a reencarnação lhes determinava.

Aqueles médiuns e trabalhadores que subestimam os métodos convencionais da desobsessão feita com Jesus no coração, precisam estudar as obras kardequianas para o seu próprio benefício e proteção espiritual.

A apometria é um método pseudocientífico. Não faz parte da proposta espírita e cristã da "amar ao próximo como a si mesmo"

>>> Artigo publicado no jornal TRIBUNA ESPÍRITA, edição de março/abril de 2013,
de João Pessoa, PB.

Retirado do blog Kardec Ponto Com: http://kardecpontocom.blogspot.com.br/p/carlos-meus-artigo.html

2 comentários:

  1. Estranho ouvir um deturpador como Divaldo Franco defender o Kardecismo desta maneira. Duas caras.

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