domingo, 30 de setembro de 2012

Reflexões Kardecistas Sobre o Pecado

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Por Jaci Régis

Analisando o comportamento humano deste fim de século, uma onda de perplexidade e medo domina a sociedade. Comparações são inevitáveis. Seria verdadeiro dizer que antigamente era melhor? Que as pessoas eram mais fraternas, mais caridosas, mais cheias de fé, as virtudes capitais do cristianismo? Enfim, houve retrocesso? Parece válido fazer uma digressão histórico-filosófica para entender o processo de mudança que se acelerou tanto neste século 20. Afinal, não há efeito sem causa. 


No início da Idade Média, a Igreja, afirmando obedecer determinações divinas e apoiada no poder temporal, estabeleceu como paradigma para a felicidade pessoal e social, a figura do homem virtuoso e temente a Deus. Por mais de dez séculos sua força foi muito grande e estabeleceu uma consciência individual e coletiva acerca do que era certo e errado. Qualquer desvio, intenção ou impulso contrário ao que foi estabelecido como certo, era pecado. O pecado e o diabo foram armas poderosas, supersticiosas, que também se incorporaram à mente social.

Era preciso mostrar-se virtuoso, sob pena do expurgo social, condenação da Igreja, com punições que incluíam a morte física. Então, as pessoas se organizaram de modo a, pelo menos, aparentar essas virtudes ou recorrer às absolvições. A maioria se acomodava, reprimia impulsos e desejos, considerando, em si mesma, repulsiva a simples ideia de pensar ou ser levada a pensar neles.

A estrutura social foi montada em rígida hierarquização de castas, que foi dito ser natural, estabelecido pela divindade. Por isso, a maioria curvou-se a ela, aceitou seu destino. O convívio familiar refletia o estrato social, de maneira que o pai era o senhor e os filhos, sob certa forma, os servos.

A virtude foi imposta como um fardo pesado, porque se ignorou a realidade pessoal e como mero anteparo aos impulsos, ao desejo. Vencer os impulsos, reprimir o desejo era a meta. A recompensa viria no céu. Ceder aos impulsos e ao desejo era caminho para o inferno. Tudo isso criou um simulacro de virtude, adotado pela sociedade, enquanto no interior de cada pessoa persistia o nebuloso sentido de que a virtude era uma cruz pesada. Frequentemente, contrária à natureza. Isso esclarece porque, cessada a força coercitiva pela falência da autoridade externa, o impulso interior e o desejo do prazer ressurgem muito fortes 

A LIBERAÇÃO TOTAL

A sociedade medieval foi sendo substituída ao longo do tempo. Ventos de liberação, a princípio tímidos, derrubaram as máscaras, desvelando a face da real condição humana. Um após outro, os tabus foram sendo quebrados. As regras morais abandonadas ou questionadas, sem que se colocassem opções válidas.

Os últimos obstáculos foram finalmente derrubados neste século 20, onde duas grandes guerras mundiais mostraram a face do horror, enquanto as populações cresceram, povos se ergueram em busca de identidade, sociedades superaram o jugo colonialista.

A queda do poder regulador das religiões, que impuseram o formato da moral social, deixou milhões sem um guia respeitável e seguro. A segurança que, mal ou bem, agasalhava as almas mais frágeis — e quem não o é — foi-se.   E agora?  Some-se o avanço da ciência, materialista por definição, às ideologias políticas também sem qualquer ligação com a espiritualidade, com o fracasso da religião. O que sobra? Mesmo assim, seria verdadeiro afirmar que, com 6 bilhões de habitantes, nosso planeta azul tem uma população moralmente inferior à da Idade Média ou anteriormente à ela?

Por fim, o grito de liberdade das mulheres no Ocidente (no Oriente virá logo), com a comunicação eletrônica, pelo rádio, televisão, internet, cinema e meios gráficos cada vez mais atrativos tornaram nosso mundo muito diferente, ágil, dinâmico, caótico e problemático. Como se diz, houve a liberação total. Aleatória e emocional, a liberação parece desconhecer limites e joga os incautos num espaço indefinido. O egoísmo, o culto do “eu” surgem como caminho de realização, não sem causar confusões no ser.

Desvalorizada, pressionada, condenada, a criatura humana ansiou recuperar o ar de liberdade, a que, afinal, não estava propriamente acostumada. Como seria de esperar, os mais afoitos ou desequilibrados, vão aos extremos, na vã ansiedade de preencher o vazio com comportamentos exóticos, provocativos e niilistas. O corpo, antigamente desprezado, ocultado, agora é motivo de exploração inédita. Valorizado, adorado, desnudo, é sede de emoções sexuais que entram pelo visual e aquecem a mente, embrulhando mais do que se supõe o precário equilíbrio das almas humanas.

OS SETE PECADOS CAPITAIS

Tanto a Igreja Católica como a Reforma Protestante sempre se utilizaram do pecado e do diabo como formas de coerção e medo. Os sete pecados capitais, que teriam sido propostos por Santo Agostinho, eram apontados como caminhos sem volta para o abismo e a perdição.

A reação moderna foi, justamente, louvar o pecado. Como afirma Roberto Carlos na sua música, “tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”. O pecado virou atrativo, gostoso, inevitável. O egoísmo perdeu o disfarce e o que importa é a satisfação do ego. Desvalorizada, pressionada, condenada, a criatura humana ansiou respirar o ar da liberdade.

O corpo, considerado caminho da perdição, lugar dos instintos, antes escondido, velado, foi desnudado, mostrado, endeusado. A sexualidade, ancestralmente reprimida, condenada, virou objeto de consumo. Viva o prazer!  O prazer é o natural. Mas, que prazer? Eis a questão a ser resolvida nos próximos anos...

Por ora, a filosofia mudou. Não se procura o ser, o ser do ser. Não se debruça sobre a natureza do homem, transcendendo o percurso berço-túmulo. A ciência e o materialismo redefiniram o ser humano: não mais o ser com corpo e alma, mas o ser de corpo sem alma. A educação, as diretrizes vivenciais passaram a se basear exclusivamente no aqui e agora, sem transcendência espiritual.

Diariamente, a mídia lança no ar, nos jornais, nas televisões, propagandas e afirmações mentirosas, com o intuito não disfarçado de obter vantagens e mostrar que os mentirosos são espertos, vencedores. Fragrantes diários de mentira estão nos artigos de consumo, com qualidade, peso e preço mentirosos, embalados em caixas e plásticos coloridos, para não citar a natural qualidade geralmente encontradas em políticos, mestres na utilização pessoal da mentira.

Todo o esquema econômico ataca as pessoas, explorando os sete pecados capitais, estabelecidos pela religião. A industrialização infernalizou a vida social. O ser humano foi reduzido à condição de consumidor. A propaganda estimula o consumo, através da exploração dos sete pecados capitais.

Nenhum apelo às virtudes, na forma como sempre as considerou. O Amor foi engolfado pelo sensual, o sexo pelo sexo, sancionando a luxúria. Beber e comer deixam de ser atitudes naturais para se transformarem em formas de realização pessoal, com destaque para as bebidas que mudariam segundo a propaganda, até os pensamentos, exaltando a gula.

A cobiça é colocada como forma de energia pessoal, seja de objetos, de pessoas e situações, na busca de status. Invejar já não é pecado, mas uma forma ativa de gerar promoções pessoais, vencer competições e deixar o outro para trás. A avareza é sustentada como um ato lícito, sendo incensados e admirados os que acumulam milhões, sem considerar a licitude de suas riquezas, apresentados como vitoriosos, mesmo que paguem salários baixos ou desprezando a miséria em torno.

A preguiça ganha notoriedade. Não trabalhar e viver sem esforço é visto como o paraíso. Milhões sonham com favores ou sorte ou aguardam ansiosos a aposentadoria precoce para nada fazer ou são estimulados ao lazer pelo lazer. Playboys e mulheres arrojadas vivendo à toa são mostrados como modelo a ser seguido.

A ira tem seu elogio nas reivindicações nos motins, nas formas agressivas adotadas por pessoas e grupos. Depois da ira de Deus, apregoada por messias e missionários, temos a ira popular, nacionalista ou coletiva, tolerada e estimulada por interesses vários. Falar em vaidade no momento atual é pleonasmo. Tudo gira em torno da beleza mesmo artificial, postiça ou eventual. A modéstia e a simplicidade foram arquivadas como objetos sem uso desejável.

Evidentemente que as modificações no cenário econômico e mesmo, limitadamente, o apelo ao consumo tem um lado positivo, pois o bem-estar é direito de todos. Mas também desafiando o equilíbrio dos mais centrados, estimulado o desequilíbrio latente dos dúbios e abrindo as portas aos descentrados.

A exaltação do ser consumidor confere-lhe o poder. O poder de compra ressalta o valor da pessoa, que dispondo de recursos monetários, usufrui das vantagens do mundo moderno, um inferno de prazeres, oportunidades de gozo e lazer. É como se a humanidade se livrasse de um manto pesado e escuro. Aparentemente tudo pode ser feito, alcançado e é lícito.

Mas, o outro lado da moeda continua existindo, chamando à reflexão e impondo caminhos não desejados. Os agentes desse processo de infernalização social não estão imunes aos ataques de suas próprias necessidades interiores. E, sobretudo, não poderão se esquivar da morte. Enquanto não vem a doença, os males e os problemas psicológicos, todos se julgam acima do bem e do mal.

A REAÇÃO

Enquanto os elementos mais desagregadores da sociedade, através da mídia, principalmente, usufruem, irresponsáveis, o sucesso de suas incursões, produzindo filmes, programas de televisão, editando revistas e jornais, motivando e estimulando comportamento insensatos, atos ilícitos e até criminosos. Enquanto isso a juventude parece muito desarvorada, aderindo a formas destrutivas de vivência, parte dela entregue às drogas, ao álcool e cigarro, sem bandeiras visíveis, uma parte mais responsável pergunta-se: como enfrentar e resolver ou, pelo menos, encaminhar uma maneira de conduzir a vida de maneira menos perigosa e mais produtiva. Alguns chegam a temer o futuro. Mas a história mostra que haverá sempre uma saída, nem sempre a mais satisfatória, mas que, por um determinado tempo, apazigua o ambiente litigioso. Qual será, porém, a solução?

Não podemos profetizar como as soluções se encaminharão. Indicamos “soluções” porque serão plurais. Resultarão da convergência de fatores que se erguerão diante dos conflitos, das descobertas da ciência e das necessidades insuperáveis das pessoas.

■ A Volta da Religião

Uma das formas para enfrentar o desequilíbrio seria a volta do apelo religioso. Além das igrejas tradicionais, outras mais agressivas entram em cena, prometendo o paraíso aos seus adeptos. Entretanto, não oferecem um rumo de libertação. Ao contrário, tentam, de alguma forma, mais sofisticadas e modernas, reviver a repressão, o pecado e o diabo, retendo as mentes no patamar da negação e do medo. Os que se sentem perdidos ou cronicamente inseguros, voltam-se para elas, querendo o apoio dos poderes divinos que as igrejas afirmam representar. A evangelização, afirma-se, é a salvação.
  • Os católicos evangelizam.
  • Os protestantes evangelizam.
  • Os espíritas cristãos evangelizam.

Todos explicam e indicam os evangelhos e vêm em Jesus Cristo, a fonte de toda a verdade, o doador da vida. Evangelizar seria, enfim, o remédio para todos os males. Entretanto, essa evangelização incorre nos mesmos erros antigos. Via de regra, cria crentes, dá uma crença. O crente ouve as preleções e alguns se movem no sentido da caridade, mas a maioria parece acreditar que sua adesão à evangelização representa uma espécie de seguro de vida contra os problemas.

Os protestantes pentecostais são estimulados a acreditar que a crença em Jesus Cristo lhes dará saúde, prosperidade e segurança. Os espíritas cristãos, por sua vez, podem crer que sua adesão à evangelização garantirá a proteção dos bons Espíritos. Os católicos se agasalham sob o manto dos santos, esperando milagres, graças e segurança.

O grande movimento de evangelização parece desenvolver-se dentro de uma visão circular e egoística, criando uma legião de adeptos determinados a se salvar ou obter algum resultado palpável. Pelo menos, não produz imediata influência sobre a população.

■ Apelo à Ética

Também os ateus e materialistas tentam reagir ao estado das coisas, apelando para os valores éticos. Fale-se em ética, mas num sentido estritamente legalista, jurídico, constitucional. O compromisso ético pode ser formal, embora útil, aprisionado aos fatores eventuais da vida terrena, segundo a visão materialista.

■ Solução Política

No quadro caótico — falamos especificamente da realidade brasileira — muitos acreditam que a solução será, antes de tudo, política, isto é, pela melhoria da distribuição da renda, ao acesso amplo e ilimitado à educação, com a criação de empregos, dando condições dignas de habitação, saúde e saneamento à população carente ou marginalizada. 

Na verdade, numa sociedade que exalta o consumo, quem não tem o poder de consumir se sente e é, por isso, excluído. E ninguém aceita ser excluído definitivamente, gerando as tensões e explosões sociais, necessárias para mover a inércia das elites.

Todavia, já tivemos experiências em que se supunha que uma igualdade de classes, uma economia planejada, centralizada e estatal, com eliminação do lucro, seria a solução. E não foi, ainda que tenha obtido algum resultado, à custa do cerceamento da liberdade, perseguição, mutilações e chacinas. Um preço muito alto, para muito pouco. Parece que só na democracia é possível alcançar os resultados desejados, mesmo que, aparentemente, demore mais. Progresso sem liberdade é quimera, é falso.

A ESPIRITUALIZAÇÃO

Entretanto, a solução real só virá com a espiritualização das relações humanas. Parece, à primeira vista, que é uma solução ingênua. Como espiritualizar se as religiões, que se encarregaram da parte espiritual da humanidade, são impotentes ou mantém-se em patamares superados? Apesar disso, somente a visão da natureza espiritual do ser humano dará uma luz no escuro caminho da sociedade contemporânea.

Sem que a visão espiritual da natureza humana prevaleça, as soluções serão precárias e incompletas. Essa visão espiritual, correspondendo à espiritualização da vida, não será produto de religião alguma, mas do amadurecimento e das pesquisas. Na verdade, será o ponto decisivo e moldará o pensamento humano de maneira a transformar a relação entre as pessoa.

A espiritualização é mais do que crer; é dar um sentido humanista, livre e aberto à vida, em que a natureza espiritual da pessoa se sobressairá como agente de mutações profundas. Será baseada na imortalidade e na reencarnação, como elementos decisivos no processo de renovação da sociedade, sempre que representarem uma visão ampla, liberta do processo vivencial e não apenas instrumentos limitados de punição ou expiação moral.

Espiritualizar é transcender o horizonte materialista, sem desprezar a existência ou maldizer a relação humana. Ao contrário, é, sob certa forma, aprimorar o humano, projetando-se para um compromisso dinâmico com a vida.

Nesse sentido, pode-se admitir até o que Allan Kardec preconizava no início da criação do Espiritismo. A espiritualização, dando um novo sentido à existência da pessoa e da vida terrena, não significará, por não ser uma crença, a unanimidade ou a homogeneização psicológica e formas de ver a partir desse núcleo central. Por isso, poderá admitir várias formas de crenças, como visões particulares, conforme as necessidades de pessoas e grupos, que se acomodam ao nível evolutivo de cada um.

Fonte: Abertura - jornal de cultura espírita, março de 2000. Licespe – Santos-SP.

In: Blog Um Olhar Espírita - http://umolharespirita1.blogspot.com.br/2012/09/reflexoes-kardecistas-sobre-o-pecado.html?spref=fb

Jaci Regis (1932-2010), psicólogo, jornalista, economista e escritor espírita, foi o fundador e presidente do Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS), idealizador do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (SBPE), fundador e editor do jornal de cultura espírita “Abertura” e autor dos livros “Amor, Casamento & Família”, “Comportamento Espírita”, “Uma Nova Visão do Homem e do Mundo”, “A Delicada Questão do Sexo e do Amor”, “Novo Pensar - Deus, Homem e Mundo”, dentre outros.

[ESE] - Aliança da Ciência com a Religião

Por Allan Kardec

A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se umas forem à negação das outras, umas estarão necessariamente erradas e as outras certas, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade, que se acredita existir entre essas duas ordens de idéias, provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.

São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo devem receber o seu complemento; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes dos ensinos deve ser levantado, em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirvam uma de apoio para a outra. Então a Religião, não mais desmentida pela Ciência, adquira uma potência indestrutível, porque estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor a lógica irresistível dos fatos.

A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido.

Mas nisto, como em tudo, há os que ficam retardados, até que sejam arrastados pelo movimento geral, que os esmagará, se quiserem resistir em vez de se entregarem. É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob a ação dos Espíritos. Depois de elaborada durante mais de dezoito séculos, ela chega ao momento de eclosão, e marcará uma nova era da humanidade. São fáceis de prever as suas conseqüências: ela deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de Deus.

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo - tradução de José Herculano Pires

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

[ESE] - A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família


Santo Agostinho, 1862

A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e revolta sempre os corações virtuosos. Mas a dos filhos para com os pais tem um sentido ainda mais odioso. É desse ponto de vista que a vamos encarar mais especialmente, para analisar-lhe as causas e os efeitos. Nisto, como em tudo, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.

Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai no espaço aperfeiçoar-se ou estacionar, até que deseje esclarecer-se. Alguns, portanto, levam consigo ódios violentos e desejos de vingança. A alguns deles, porém, mais adiantados, é permitido entrever algo da verdade: reconhecem os funestos efeitos de suas paixões, e tomam então boas resoluções; compreendem que, para se dirigirem a Deus, só existe uma senha – caridade. Mas não há caridade sem esquecimento das ofensas e das injúrias, não há caridade com ódio no coração e sem perdão.

É então que, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para os que detestaram na Terra. À vista deles, porém, sua animosidade desperta. Revoltam-se à idéia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem a si mesmos, mas sobretudo a de amar aqueles que lhes destruíram talvez a fortuna, a honra, a família. Não obstante, o coração desses infortunados está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que ele detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir sobre a Terra os destinos desse corpo que vem de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá da maior ou menor persistência das suas boas resoluções. O contacto incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte. Assim, segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato exterior parece justificar. Nada, com efeito, nessa existência, poderia  provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é necessário voltar os olhos ao passado.

Oh!, espíritas! Compreendei neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendei que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que vos está confiada e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe derdes, auxiliarão o seu aperfeiçoamento e a sua felicidade futura. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?” Se permaneceu atrasada por vossa culpa, vosso castigo será o de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então vós mesmos, carregados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis uma nova encarnação, para vós e para ela, na qual a cercareis de mais atentos cuidados, e ela, cheia de reconhecimento, vos envolverá no seu amor.

Não recuseis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou. Uma intuição imperfeita do passado se revela, e dela podeis deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou expiar. Mães! Abraçai, pois, a criança que vos causa aborrecimentos, e dizei para vós mesmas: “Uma de nós duas foi culpada”. Merecei as divinas alegrias que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, ah! Muitas dentre vós, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, provenientes das existências anteriores, entretém e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por uma culposa fraqueza. E, mais tarde, o vosso coração ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, desde esta vida, o começo da vossa expiação.

A tarefa não é tão difícil como podereis pensar. Não exige o saber do mundo: o ignorante e o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, ao revelar a causa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É necessário aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm sua origem no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam os germens desses vícios e dedicai-vos a combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Fazei como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixardes que o egoísmo e o orgulho se desenvolvam, não vos espanteis de ser pagos mais tarde pela ingratidão. Quando os pais tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, se não conseguem êxito, não tem do que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhe será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver cap. XIII, nº 19)

Deus não faz as provas superiores às forças daquele que as pede; só permite as que podem ser cumpridas; se isto não se verifica, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que em lugar de resistir aos maus arrastamentos, neles se comprazem: é para eles que estão reservados o choro e o ranger de dentes, em suas existências posteriores. Admirai, entretanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chega um dia em que o culpado está cansado de sofrer, o seu orgulho foi por fim dominado, e é então que Deus abre os braços paternais para o filho pródigo, que se lança aos seus pés. As grandes provas, — escutai bem, — são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então quando, saído do turbilhão do mundo terreno, entrardes no mundo dos Espíritos, sereis ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da refrega.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria das privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, esmagadas pela ingratidão dos seus. Oh!, é essa uma pungente angústia! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, com a certeza de que, se há longas dilacerações, não há desesperos eternos, porque Deus não pode querer que a sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é necessário não reter o olhar na Terra e não ver apenas uma existência; é necessário elevar-se, pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revela aos vossos olhos, e esperais com paciência, porque explicou a vós mesmos o que vos parecia monstruosidade da Terra. Os ferimentos que recebestes vos parecem simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido: não mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se quebrarem com a reencarnação.

Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa. Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aparece a médium Emilie Collignon


Por Nazareno Tourinho

O escrito de Emilie Collignon que aparece pela primeira vez na Revista Espírita (maio de 1862), editada por Allan Kardec, é a resposta dada por ela a um sacerdote preocupado com a fidelidade de sua mãe doente “aos dogmas invariáveis da religião católica”.

Em tal resposta pretende Emilie Collignon assumir publicamente a condição de espírita, porém deixa transparecer ainda um forte apego à Igreja Romana, concluindo sua profissão de fé com este parágrafo:
“Agradeço, pois, ao Senhor, cuja bondade e poder incontestáveis permitem aos anjos e aos santos agora se tornarem visíveis, para salvarem os homens da dúvida e da negação, o que tinha sido permitido ao demônio fazer para os perder desde a criação do mundo. Tudo é possível a Deus – mesmo os milagres. Hoje eu reconheço com felicidade e confiança.”
Com uma crença espírita tão mal estruturada filosoficamente, a médium de Roustaing, para completar, possuía um temperamento “cristão” pouco recomendável à uma pessoa destinada a servir de intérprete das altas esferas espirituais, com vistas ao surgimento no mundo de uma nova Revelação. É o que documenta o segundo dos seus escritos, estampado na Revista Espírita em junho de 1862. Trata-se de uma carta de E. Collignon dirigida a Allan Kardec, na qual ela critica a comunicação do Espírito Gérard de Codemberg, inserida no penúltimo número da Revista.

Em determinado trecho E. Collignon revela o ânimo contestatório que viria a ter anos depois suas mensagens mediúnicas de Os Quatro Evangelhos, em relação ao pensamento kardequiano. Escreve ela:
“Esse Gérard de Codemberg será um bom espírito? Se é ele, eu o duvido.”
E arremata encaminhando ao codificador do Espiritismo a “comunicação de um espírito que se supõe ter tomado o lugar de Gérard de Codemberg”. Isto depois de ter consultado o seu guia.

Kardec responde discordando de tal opinião, e tendo como apócrifa a comunicação que ela lhe enviou.

Já se vê por aí que tipo de personalidade era Emilie Collignon, e que tipo de protetores do Além estavam orientando a sua produção mediúnica.

Note-se que, tendo começado a psicografar Os Quatro Evangelhos em dezembro de 1861, a essa altura, junho de 1862, já navegava a pleno vapor nas águas turvas da “Revelação da Revelação”, com a qual encantou Roustaing e outros peixes miúdos, capazes de morder minhocas doutrinárias no anzol do misticismo.

Fonte:

TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Reflexiones Acerca de la Publicación de las Comunicaciones Mediúmnicas


Por Anderson Santiago

Kardec relata en  Obras Póstumas  que uno de los primeros resultados de sus observaciones  fue percibir que los Espíritus  no poseían  ni soberana sabiduría,  ni soberana ciencia, como   rezaba en la cultura popular.  Ellos  no eran nada  más que las almas  de los hombres  que vivieron aquí.  Es por esto  que afirma que “esta verdad,  reconocida desde el principio,  le preservo del peligro de creer en la infalibilidad de ellos y lo libro de formular  teorías prematuras sobre los dictados  de  uno o de algunos. “ [1]

Fue esta la postura adoptada por el codificador  durante  los quince años en que estuvo envuelto  con los asuntos espiritas. Una postura sensata, madura y que merece ser copiada en los días de hoy. ¿Y en cuantos centros espiritas podemos observar tal postura en los días actuales? ¡Muy pocos! ¿En tiempo de las vacas gordas, como las actuales, donde las obras espiritas (y hasta las que se hacen pasar  por espiritas…)  ganan espacio   en la prensa  y en el mercado de la editorial, cuantos editores van a perder el tiempo en analizar criteriosamente una obra, sea un romance, sea  una obra de contenido doctrinario de  forma tan minuciosa que pueda descubrir   si el punto no está  correcto?   Una vez más,  pocos muy pocos. La mayoría no se preocupan por estos criterios, ya que el tipo de papel utilizado en la impresión de la obra de arte que se imprimirá en la portada, el autor de "prestigio" para firmar el prefacio [normalmente un médium,  ya que un mero  encarnado que se disponga a estudiar y comentar el Espiritismo normalmente  no es tan respetado como el “mensajero de los espíritus”] y la posibilidad  del libro alcanzar muchas ediciones es lo más importante. No importa si el contenido del libro sea absurdo dudoso, la polémica también trae lucros, piensan ellos. Y en esto,  la calidad también se ve.

Con todo, cuando existe un trabajo criteriosa, muchos equívocos pueden ser evitados  y muchas informaciones errada dejan de ser publicadas.   Y mire que no son pocas las obras que podrían ser atribuida a Espíritus seudosabios. Y esto es hasta interesante de ver. Existen obras que todo el mundo sabe que discordan  con los principios más básicos del Espiritismo, entre tanto,  ellas son publicadas sin una referencia siquiera,  ni una nota corrigiendo tal o cual opinión.  Y es justamente esto lo que Kardec comenta cuando afirma que
[…]  No habrá ningún inconveniente  esas especies de comunicaciones, si las hacen acompañar de comentarios, sea para refutar errores, sea para recordar  que son la expresión de una opinión individual, de la cual no se asume responsabilidad; podrían  incluso tener  un lado  instructivo, mostrando las aberraciones de ideas  a las que pueden entregarse algunos espíritus. Más,  publicarlas  pura y simplemente es presentarlas como   expresión de verdad y garantizar la autenticidad de las asignaturas que el buen sentido no puede admitir; es  el inconveniente” [2]
¿Más, quien osa hoy corregir los luminares que psicografia teorías mucho más allá de nuestra comprensión? ¿Quién osa criticar (en el verdadero sentido etimológico de la palabra que es  “evaluar cualitativamente algo o a alguien?)  Estas obras corren el riesgo de morir  en el ostracismo en la ignorancia, en el  olvido.  Felizmente aun existen aquellos que no desean apenas divulgar el Espiritismo y vivirlo en su aspecto moral (a un mismo superficialmente), más, por encima de todo, existen  aquellos que desean pensarlo. Que desean continuar razonado. Es a estos que debemos  obras como Piedra y la   cizaña,  Investigación sobre  la Mediúmnidad y Diversidad de los Carismas.

Hasta porque, es el propio Codificador el que nos incita a denunciar sin duda  las  obras sospechosas, por el bien de la doctrina.  Y esto por el simple hecho  de que si los espíritus poseen,  más allá de él libre albedrio,  las opiniones   sobre los hombres y las cosas  de  este  y del otro mundo,   se comprende que existan textos  que deben ser evitados no solo por conveniencia, más  por prudencia pura y simple. Esta  cuestión  lleva a Kardec a afirmar que en el interés de la Doctrina conviene hacer una selección muy severa, eliminando todo cuanto pueda producir una mala impresión.

Por otro lado, existen alguna obras que aun mismo siendo instructivas,  relatan situaciones y ambientes del  mundo espiritual de forma analógica, comparativa y que si  no fueran debidamente analizadas  y comentadas  pueden ser tomadas como realidad. Es esto  lo que lleva a  José Herculano  Pires a afirmar  que las “obras mediúmnicas psicografiados,  que describen  con exceso minucias de la vida  en el plano espiritual deben ser encaradas con reserva por los espiritas estudiosos” [3] entretanto,  más allá   de estas precauciones, otras deben ser observadas,  principalmente aquella que dice respecto a la participación de los médiums en la elección de  las comunicaciones  o mismo en la publicación de las mismas.
“Mientras el médium imperfecto se enorgullece  por los nombres ilustres,  frecuentemente las más de las veces apócrifos,  que llevan las comunicaciones   que el recibe,  y se considera  interprete privilegiado de las fuerzas  celestes,  el buen médium no se cree jamás  bastante digno de tal valor, teniendo siempre una sana desconfianza de la calidad de aquello que recibe  no  confiando en su propio juicio;  no siendo sino un instrumento pasivo, el comprende que, si lo que recibe es bueno,  no puede hacer de eso un merito personal, ni tampoco puede ser responsable si es malo,  y que sería ridículo creer en la identidad absoluta de los Espíritus que se manifiestan por el; deja la cuestión para ser juzgada por terceros desinteresados, sin que su amor propio  sufra con el juzgamiento desfavorable como la del actor que no es capaz de resistir la censura  infligida de la cual es el interprete.  Su carácter distintivo  es la simplicidad  y la modestia; es feliz con la facultad que posee, pero no para envanecerse de ella, más si  porque le ofrece  un medio de ser útil, lo que hace voluntariamente cuando le surge ocasión, sin jamás   entristecerse si no es colocado en primer plano”. [4]
Estas reflexiones me remiten, inevitablemente, a la asustadora cantidad de médiums dueños de editoras, que fundan centros y graficas para publicar sus libros cuando ellos no son aceptados  con buenos ojos por sus compañeros de  ideal.  Más  no son solos ellos, ¿Cuántos aquí guardarían por más de veinte años una psicografia, y los insistentes convites de los Espíritu autores (del tamaño de un libro)  por no hallar  que ella debería ser publicada en aquel momento? Muchos médiums  mal terminan  de psicografiar  y ya procuran a alguien de nombre para prefacio  de la obra que ni finalizada está, como comento cierta vez  el médium Divaldo Franco. Infelizmente son pocos los que asumen  una postura idéntica   a la Yvonne Pereira  en el famoso caso del Espíritu Beletrista (Ver la obra Desvasando lo Invisible  para mayor información)

Y es por esto que hoy vemos a tanta gente que apenas admira el Espiritismo, tantas cabezas “pensantes”  que se acostumbran a vivir apenas  como las lagartijas, moviendo la cabeza para todo lo que los Espíritus dicen atestando su ignorancia  en todo lo que dice al respecto  el Espiritismo.  ¡Es  ahí donde se dice  que el está fascinado!  Conozco el caso de una señora que jura ser la encarnación  de varios espíritus famosos por ella psicografia  un médium famoso,  ya desencarnado, más que demuestra calaras señales de una asustadora fascinación. ¿Imaginad si ella spicografiara libros? No es de extrañar  que Kardec se  preocupaba con relación a la publicación de  comunicaciones espiritas, de una forma general.  No por acaso, también insistimos en revisar las advertencias  hechas por Herculano Pires sobre la importancia de una seria y solida formación doctrinaria para las futuras generaciones espiritas. Y para finalizar estas reflexiones, como dijo cierta vez el Codificador:
“En materia de publicidad, por tanto, toda circunspección es poca  y no se calcularía con bastante cuidado el efecto que tal vez produjese  sobre el lector. En resumen, es un grave error creerse  obligado a publicar todo cuanto dictan los Espíritus,  porque,  si los hay buenos y esclarecidos, también los hay malos e ignorantes. Importa si hacer una selección muy rigurosa  de sus comunicaciones y suprimir  todo cuanto sea, inútil, insignificante, falso o susceptible de producir mala impresión. Es preciso sembrar, sin duda, más sembrar  la buena simiente en el tiempo oportuno”. [5]
Traducido al español por: M. C. R .

Para a versão em português, clique aqui.

Referencias:

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 14ª Ed. SP, LAKE, 2007, p. 217.
[2] _______. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p. 123.
[3] PIRES, J. Herculano. Mediunidade.
[4] _______. O que é o Espiritismo. IDE, item 87, pag. 114
[5] KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p.

Fonte: Blog Análises Espíritas - http://analisesespiritas.blogspot.com.br/2012/07/reflexoes-acerca-da-publicacao-de.html

sábado, 8 de setembro de 2012

Reflexões acerca da publicação de comunicações mediúnicas


Por Anderson Santiago

Kardec relata em Obras Póstumas que um dos primeiros resultados das suas observações foi perceber que os Espíritos não possuíam nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência, como rezava a cultura popular. Eles não eram nada mais que as almas dos homens que aqui viveram. É por isto que afirma que “esta verdade, reconhecida desde o princípio, preservou-me do perigo de acreditar na infalibilidade deles e livrou-me de formular teorias prematuras sobre os ditados de um ou de alguns” [1].

Foi esta a postura adotada pelo codificador durante todos os quinze anos em que esteve envolvido com os assuntos espíritas. Uma postura sensata, madura e que merece ser copiada nos dias de hoje. E em quantos centros espíritas podemos observar tal postura sendo repetida hoje? Muito poucos! Em tempos de vacas gordas, como os atuais, onde as obras espíritas (e até as que se fazem passar por espíritas...) ganham espaço na mídia e no mercado editorial, quantos editores vão perder tempo em analisar criteriosamente uma obra, seja um romance, seja uma obra de conteúdo doutrinário de forma tão minuciosa que possa descobrir se o ponto no i está correto? Mais uma vez, poucos, muito poucos. A maioria não liga para estes critérios, pois o tipo do papel utilizado na impressão, a arte que será impressa na capa, o autor “de prestígio” que assinará o prefácio [normalmente um médium, já que um mero encarnado que se dispõe a estudar e comentar o Espiritismo normalmente não é tão respeitado como o ‘mensageiro dos espíritos’] e a possibilidade do livro alcançar vultosas tiragens é o mais importante. Não importa se o conteúdo do livro for absurdamente duvidoso, a polêmica também traz lucros, pensam eles. E nisto, a qualidade também se vai.

Contudo, quando existe um trabalho criterioso, muitos equívocos podem ser evitados e muitas informações erradas deixam de ser publicadas. E olhe que não são poucas as obras que poderiam ser atribuídas a Espíritos pseudossábios. E isto é até interessante de se ver. Existem obras que todo mundo sabe que conflitam com os princípios mais básicos do Espiritismo, entretanto, elas são publicadas sem uma referência sequer, nem uma nota corrigindo tal ou qual opinião. E é justamente isto o que Kardec comenta quando afirma que
“[...] Não haveria nenhum inconveniente em publicar essas espécies de comunicações, se as fizessem acompanhar de comentários, seja para refutar os erros, seja para lembrar que são a expressão de uma opinião individual, da qual não se assume a responsabilidade; poderiam mesmo ter um lado instrutivo, mostrando a que aberrações de ideias podem entregar-se certos Espíritos. Mas, publicá-las pura e simplesmente é apresentá-las como expressão da verdade e garantir a autenticidade das assinaturas, que o bom senso não pode admitir; eis o inconveniente” [2].
Mas, quem ousa hoje corrigir os luminares que psicografam teorias muito além da nossa compreensão? Quem ousa criticar (no verdadeiro sentido etimológico da palavra que é ‘avaliar qualitativamente algo ou alguém’) estas obras corre o grande risco de morrer no ostracismo, na ignorância, no esquecimento. Felizmente ainda existem aqueles que não desejam apenas divulgar o Espiritismo e vivê-lo em seu aspecto moral (mesmo que superficialmente), mas, acima de tudo, existem aqueles que querem pensá-lo. Que desejam continuar raciocinando. É a estes que devemos obras como A Pedra e o Joio, Pesquisa sobre a Mediunidade e Diversidade dos Carismas.

Até porque, é o próprio Codificador que nos incita a denunciar sem hesitação as obras suspeitas, pelo bem da doutrina. E isto pelo simples fato de que se os espíritos possuem, além do livre-arbítrio, opiniões sobre os homens e as coisas deste e do outro mundo, compreende-se que existam textos que devam ser evitados não só por conveniência, mas por prudência pura e simples. Esta questão leva Kardec a afirmar que no interesse da Doutrina convém fazer uma seleção muito severa, eliminando tudo quanto possa produzir uma má impressão.
            
Por outro lado, existem algumas obras que mesmo sendo instrutivas, relatam situações e ambientes do mundo espiritual de forma analógica, comparativa e que se não forem devidamente analisadas e comentadas podem ser tomadas como realidade. É isto o que leva José Herculano Pires a afirmar que as “obras mediúnicas, psicografadas, que descrevem com excesso de minúcias a vida no plano espiritual devem ser encaradas com reserva pelos espíritas estudiosos” [3].  Entretanto, além destas precauções, outras devem ser observadas, principalmente aquela que diz respeito à participação dos médiuns na escolha das comunicações ou mesmo na publicação das mesmas.
“Enquanto o médium imperfeito se orgulha dos nomes ilustres, o mais frequentemente apócrifos, que levam as comunicações que ele recebe, e se considera intérprete privilegiado das forças celestes, o bom médium não se crê jamais bastante digno de tal valor, tendo sempre uma salutar desconfiança da qualidade daquilo que recebe não se confiando ao seu próprio julgamento; não sendo senão um instrumento passivo, ele compreende que, se é bom, não pode disso fazer um mérito pessoal, não mais do que pode ser responsável se é mau, e que seria ridículo acreditar na identidade absoluta dos Espíritos que se manifestam por ele; deixa a questão ser julgada por terceiros desinteressados, sem que o seu amor-próprio tenha mais a sofrer com um julgamento desfavorável do que o ator que não é passível da censura infligida à peça da qual é intérprete. Seu caráter distintivo é a simplicidade e a modéstia; é feliz com a faculdade que possui, não para dela se envaidecer, mas porque lhe oferece um meio de ser útil, o que faz voluntariamente quando lhe surge a ocasião, sem jamais melindrar-se se não é colocado em primeiro plano”. [4]
Estas reflexões me remetem, inevitavelmente, à assustadora quantidade de médiuns donos de editoras, que fundam centros e gráficas para publicar seus livros quando eles não são aceitos com bons olhos pelos seus companheiros de ideal.  Mas não só a eles. Quantos aqui guardariam por mais de vinte anos uma psicografia, e os insistentes convites dos Espíritos autores (do tamanho de um livro) por não achar que ela deveria ser publicada naquele momento? Muitos médiuns mal terminam de psicografar e já procuram alguém de nome para prefaciar a obra que nem finalizada está, como comentou certa vez o médium Divaldo Franco. Infelizmente são poucos os que assumem uma postura idêntica a da Yvonne Pereira no famoso caso do Espírito Beletrista (Ver a obra Devassando o Invisível para maiores informações).

E é por isto que hoje vemos tanta gente que apenas admira o Espiritismo, tantas cabeças ‘pensantes’ que se acostumaram a viver apenas como as lagartixas, balançando a cabeça pra tudo o que os Espíritos dizem atestando a sua ignorância em tudo o que diz respeito ao Espiritismo. E ai de quem ousar dizer que ele está fascinado! Conheço o caso de uma senhora que jura ser a encarnação de vários espíritos famosos pela psicografia de um médium também famoso, já desencarnado, mas que demonstra claros sinais de uma assustadora fascinação. Imagina se ela psicografasse livros?

Não é à toa que Kardec se preocupava com relação à publicação de comunicações mediúnicas, de uma forma geral. Não por acaso, também, que insistimos em repisar as advertências feitas por Herculano Pires sobre a importância de uma séria e sólida formação doutrinária para as futuras gerações espíritas. E para finalizar estas reflexões, como disse certa vez o Codificador:
“Em matéria de publicidade, portanto, toda circunspeção é pouca e não se calcularia com bastante cuidado o efeito que talvez produzisse sobre o leitor. Em resumo, é um grave erro crer-se obrigado a publicar tudo quanto ditam os Espíritos, porque, se os há bons e esclarecidos, também os há maus e ignorantes. Importa fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e suprimir tudo quanto for inútil, insignificante, falso ou susceptível de produzir má impressão. É preciso semear, sem dúvida, mas semear a boa semente e em tempo oportuno”. [5]
Referências:

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 14ª Ed. SP, LAKE, 2007, p. 217.
[2] _______. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p. 123.
[3] PIRES, J. Herculano. Mediunidade.
[4] _______. O que é o Espiritismo. IDE, item 87, pag. 114
[5] KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p.

Fonte: Blog Análises Espíritas - http://analisesespiritas.blogspot.com.br/2012/07/reflexoes-acerca-da-publicacao-de.html

Controle Universal Hoje?

Por Sérgio Aleixo
 
Os reivindicadores de uma novíssima aplicação deste método esquecem que Kardec disse que o controle universal do ensino dos espíritos serviu para estabelecer os princípios mesmos do Espiritismo, e não se aplicava a “interesses secundários”.
 
Uma só garantia séria existe para o ensino dos espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares. Vê-se bem que não se trata aqui das comunicações referentes a interesses secundários, mas do que respeita aos princípios mesmos da Doutrina. Prova a experiência que, quando um princípio novo tem de ser enunciado, isso se dá espontaneamente em diversos pontos ao mesmo tempo e de modo idêntico, senão quanto à forma, quanto ao fundo.[1]
 
No século 19 foi assim. Poderia sê-lo hoje? Não sei. O problema para uma nova aplicação desse controle seria a “espontaneidade”. Com a Doutrina já amplamente difundida no mundo e a comunicação instantânea entre os habitantes do planeta, essa “espontaneidade” seria confiável? Haveria nos médiuns atuais a mesma isenção de ânimo anterior ao assentamento dos princípios da Doutrina por Kardec? Tem-se visto os próprios médiuns psicografando e defendendo o que eles mesmos pensam sobre os assuntos tratados nos livros que recebem dos Espíritos... E será coincidência que muitos deles conflitem frontalmente a Obra de Kardec, enquanto outros a contrariem ao mesmo tempo em que a aclamem? E mesmo supondo que novos princípios fossem transmitidos por um virtual novo controle, estes poderiam contradizer o controle kardeciano? Tão prevenido e perspicaz foi Kardec que, de revés, respondeu negativamente a isso, na introdução de A Gênese. Se não, vejamos:
 
Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada, ao demais, pelo critério da lógica, é que constitui a força da Doutrina Espírita e lhe assegura a perpetuidade. Para que ela mudasse, fora mister que a universalidade dos Espíritos mudasse de opinião e viesse um dia dizer o contrário do que dissera. (Grifo meu.)
 
Ainda que novos princípios fossem ditados sob a eventual aferição de um novíssimo controle, não poderiam esses princípios contraditar os kardecianos, sob pena de admitir-se que os espíritos superiores necessitassem agora contradizer-se. Assim sendo, o padrão de aferição espírita das comunicações mediúnicas será sempre a Obra de Kardec. Eventuais novos princípios não contrariariam os anteriormente fixados. Kardec deve ser estudado e a sua filosofia, a espírita, acompanhada em seu minucioso desenvolvimento, ao longo de todos os seus trabalhos. Só isso pode garantir a qualidade daquilo que hoje escrevem os escritores do aquém e do além sob o epíteto de Espiritismo. Caso queiram, a exemplo de Emmanuel, divulgar filosofia espiritualista,[2] é que não têm compromisso com a Doutrina Espírita em si; se ainda assim afirmem tê-lo, mentem, porque não é legítimo um Espiritismo a contrariar os princípios kardecianos.[3]
 
O controle universal do ensino espírita serviu para estabelecer os princípios mesmos do Espiritismo. Os instrumentos para dar ao Espiritismo qualquer eventual novo contorno que se lhe faça necessário (e ainda assim, mais na linguagem que no conteúdo) são a pesquisa científica e a análise filosófica, sempre aliadas, nessa tarefa específica, aos princípios estabelecidos por Kardec. Ao que tudo indica, os espíritos não têm nada exatamente novo a dizer que já não tenham dito à época de Kardec, com a diferença de que agora a responsabilidade de filtrar esses informes há sido nossa e temos preterido Kardec mais que vilmente.
 
Dizem que André Luiz inovou, mas os espíritos já vinham relatando essas “ilusões” de uma vida praticamente física no além desde sempre, e Kardec enquadrou tudo isso devidamente, conforme os princípios do Espiritismo. Infelizmente, esses princípios por ele assentados não são usados para qualquer aferição, com a desculpa de que vêm aí “coisas novas”. Mas novas em quê, mais precisamente? Acaso os princípios fixados pela universalidade do controle kardeciano poderiam ser desmentidos hoje? Como disse Kardec, seria necessário que a universalidade dos espíritos mudasse de opinião e viesse agora dizer o contrário do que dissera. Onde a verdade?
 
Por exemplo: sabe-se que os espíritos não têm órgãos, nem podem satisfazer necessidades típicas do corpo terreno; que uma coisa é a ilusão em que muitos deles podem estar e, outra, bem diversa, é a realidade de sua verdadeira situação. Mas veio André Luiz e subverteu isso, desmentindo princípios estabelecidos pela universalidade do controle kardeciano. Que fizeram os espíritas em sua grande maioria? Encorajaram a mistificação com uma credulidade excessiva, por conta da quase santidade de Chico Xavier, e tentam hoje misturar água e óleo, dizendo que André Luiz completa Kardec.
 
Outros, mais ousados, e não raro fascinados, dizem que André Luiz o supera e mesmo o substitui, sendo que já existem até os que superam o próprio André Luiz. Sim, porque, afinal, mais não fazem estes novos cronistas que ir aonde André Luiz, tacitamente, os havia autorizado a irem. Se existem pássaros no além, porque não colocariam ovos em seus ninhos? Se os espíritos de homens e mulheres casam e coabitam no além, por que não teriam filhos? Não é de admirar o que publicam Bacceli e congêneres; mera consequência do secular federalismo febiano e do mito rustenista que nele surgiu e se alimentou: a infalibilidade mediúnica de Chico Xavier. 
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[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, II. Grifos meus.
[2] Emmanuel. Explicando. F.E.B., 15.ª ed., p. 15.
[3] Cf. Cap. 20: Kardec Versus Emmanuel em 12 Passos, http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2011/06/kardec-versus-emmanuel-em-12-passos.html.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Evidências científicas atuais sobre a existência da vida após a morte


Mado Martínez e Elaine Vieira[1]

Já faz muitos anos que os seres humanos se perguntam se há algo além da vida. Muitas culturas, religiões e doutrinas têm sido baseadas na crença de que os mortos vão viver em outros mundos, vão ao paraíso ou reencarnam... Mas o que aconteceria se ciência nos desse evidências de que há vida depois da morte? Nas ultimas décadas, vários cientistas e médicos pesquisadores de várias universidades do mundo estão revolucionando o paradigma do século XXI mostrando evidências de que a consciência de fato sobrevive à morte física.

Mediunidade no laboratório

No instituto Windbridge no Arizona, EUA, a Dra. Julie Beischel está conduzindo uma pesquisa importante para demonstrar que há vida após a morte. Basicamente, utiliza três métodos para estudar o fenômeno da mediunidade: proof-focused: são testes para verificar se os médiuns estão dando a informação correta; process-foused: estuda a experiência dos médiuns durante as comunicações espirituais;applied-research: examina como a informação dos médiuns pode beneficiar a sociedade em geral.

Os resultados da Dra. Beischel confirmam a hipótese de que o espírito sobrevive à morte. Entramos em contato com a Dra. Julie Beischel para perguntar sobre o método científico que aplica em suas pesquisas. Ela disse que utiliza controles muito estritos para pesquisar o fenômeno de mediunidade através de um programa científico que contém uma quantidade grande de dados'No instituto Windbridge, estamos interessados principalmente no estudo da mediunidade. Utilizamos o método científico e controles estritos para pesquisar estes fenômenos e o programa de pesquisa da mediunidade abrange uma quantidade enorme de dados. Através de nosso método quintuplo-cego[2] com médiuns certificados pelo instituto Windbridge, podemos demonstrar que as informações dos médiuns sobre familiares já mortos são exatas, e além do mais, os médiuns não têm nenhum conhecimento prévio sobre a família ou o desencarnado'. Além disso, Beischel disse: 'Este paradigma de pesquisa é ideal porque o fenômeno da mediunidade é facilmente replicável e podemos trazer o fenômeno da mediunidade ao laboratório.' A Pesquisa da Dra. Beischel certamente demostra que o fenômeno da mediunidade é de fato autentico. 

No Brasil, a mediunidade de Chico Xavier foi estudada pelo Dr. Paulo Rossi em 1991. Chico Xavier ficou conhecido pelo seu trabalho gratuito, onde publicou mais de 400 livros através de mais de 600 autores espirituais, e também escrevia cartas de pessoas já falecidas. O estudo do Dr. Paulo Rossi confirmou que 93, 3% das pessoas que visitavam Chico Xavier não o conheciam; 62,2% das mensagens mostraram mais de seis fatos reais cada; e 71,1% continham informações detalhadas sobre pessoas falecidas, que foram posteriormente confirmadas como verdadeiras por seus familiares. Rossi conclui que a informação revelada por Chico Xavier de fato provém de espíritos de pessoas mortas e não é o resultado de qualquer classe de fraude.

Em 2004, Alexander Moreira de Almeida concluiu sua tese de doutorado pela USP, na área de experiências mediúnicas. Almeida estudou 115 médiuns espíritas que seguem a doutrina codificada por Allan Kardec, com o objetivo de construir seu perfil sociodemográfico e para comprovar sua saúde mental. Os pesquisadores concluíram que a maioria dos médiuns desenvolveu sua mediunidade durante a infância e mostraram altos índices socioeducativos. Além disso, os resultados mostraram um nível muito baixo de desordens psiquiátricas.Esse estudo mostra que os médiuns que com freqüência são taxados de “loucos” são na verdade pessoas sem quaisquer problemas psicológicos e apresentam um nível muito alto de escolaridade.

O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, da USP de São Paulo, usa técnicas de difração de raios X, tomografia computadorizada e ressonância magnética para explicar a relação entre a glândula pineal e a mediunidade. Dr. Sérgio demonstrou que médiuns de incorporação possuem mais cristais de apatia na glândula pineal, e que durante o momento da comunicação espiritual os médiuns possuem alta atividade cerebral e aumento de fluxo sanguíneo na região da glândula pineal. A hipótese do Dr. Oliveira é que a glândula pineal é o órgão sensorial da mediunidade.

Pesquisas sobre experiências de quase-morte

No King’s College de Londres está acontecendo uma revolução no mundo da tanatologia, o estudo científico sobre a morte. O pesquisador e médico, Peter Fenwick, está fazendo experimentos detalhados sobre um fenômeno que acontece entre as 24 e 48 horas antes e depois da morte e também no momento da morte. As experiências de quase-morte se referem ao conjunto de visões ou sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente. Essas sensações incluem: experiência fora do corpo; levitação; medo extremo; serenidade total, segurança, calor e a presença de uma luz. Esses fenômenos são normalmente informados após uma pessoa ter sido considerada clinicamente morta e que depois volta à vida. Dr. Fenwick estuda as visões de pessoas que estão internadas e que falam com parentes já mortos. Também pesquisa coincidências de desencarnados que contactaram alguém somente para dizer que ela/ele havia morrido. “Esses acontecimentos ocorrem com muita frequência e em grande porcentagem dos casos e afirma que a consciência é diferente do cérebro”, conclui Dr. Fenwick.

O Dr. Kenneth Ring, da Universidade de Connecticut e Sharon Cooper, da Universidade de Nova York, fizeram um estudo de dois anos sobre as experiências de quase-morte em deficientes visuais, com resultados espantosos. Os resultados foram publicados no livro Mindsight (1999), o qual comprovou que 31 pessoas cegas que passaram pela experiência de quase-morte descreveram a experiência de terem podido ver pela primeira vez em suas vidas, dando detalhes de procedimentos médicos na mesa cirúrgica. 

O médico oncologista Jeffrey Long, que dirige a fundação de pesquisa sobre experiência de quase-morte (http://www.nderf.org), tem recolhido mais de 2.500 estudos de casos em todo o mundo de pessoas que tiveram esse tipo de experiência. Por usar o método científico em sua pesquisa, decidimos contatar Dr. Long para descobrir mais sobre seu trabalho. Em nossa entrevista por e-mail com ele, declarou: “Minha área profissional está baseada em pesquisas sobre experiências de quase-morte. Em minha opinião, as experiências de quase-morte proporcionam uma das maiores evidências científicas da vida após a morte.” Em seu livro Evidence of the Afterlife (Evidencias da vida após a morte), Dr. Long faz um resumo das linhas de evidência que apontam a veracidade das experiências quase-morte: os pacientes clinicamente mortos experienciam: 1) consciência clara; 2) experiências reais fora do corpo; 3) sentidos aguçados; 4) consciência durante a anestesia; 5) lembranças claras, reencontros com familiares falecidos. Além disso, Dr. Long confirma que as experiências de quase-morte em crianças são as mesmas que em adultos, que experiências de quase-morte ocorrem no mundo todo, e que as pessoas que passam por experiências de quase-morte geralmente promovem uma mudança de vida significativa.

Pesquisas em Terapia de Regressão de Vidas Passadas e Reencarnação 


As pesquisas em regressão de vidas passadas constam de práticas baseadas em evidências. Os resultados provêm de questionários que são preenchidos antes e depois da terapia com um número grande de participantes com um tipo específico de problema e inclui um grupo de controle para demonstrar sua efetividade (o duplo método científico cego). Entre 1985 e 1992, Hazel Denning, fundador da Associação Internacional para Pesquisa de Regressão e Terapias (http://www.iarrt.org), estudou os resultados de oito terapeutas de regressão com aproximadamente 1.000 pacientes. Os resultados foram medidos imediatamente após a terapia, com seguimentos de seis meses, um ano, dois anos e cinco anos após a terapia. Dos 450 pacientes que poderiam ser localizados após cinco anos, 24% informaram que seus sintomas tinham desaparecido completamente, 23% confirmaram uma grande melhora, 17% confirmaram uma melhora, e 36% não obtiveram nenhuma melhora. Em geral, isto faz um saldo positivo de 64%. 


O psicoterapeuta Dr. Brian Weiss do Centro Mount Sinai em Miami, EUA, que se declarava pessoa cética, mudou de opinião e decidiu pesquisar o fenômeno da reencarnação e espiritualidade ao constatar que uma de suas pacientes, após recordar sua vida passada, podia dar detalhes impressionantes sobre seu filho já morto. Ele também constatou que durante a sessão de hipnose, seus pacientes diziam ver professores (espíritos). Dr. Weiss teve a oportunidade de conversar com tais professores que lhe deram informações detalhadas sobre assuntos que a paciente desconhecia. Depois de muita investigação, Dr. Weiss escreveu vários livros, entre eles: Many Lives, Many Masters (Muitas vidas, muitos mestres), Messages from the Masters (Mensagens dos mestres), Only love is real, (Somente o amor é real) entre outros, onde explica a realidade da reencarnação e do mundo espiritual desde a perspectiva psiquiátrica. 

Dr. Ian Stevenson, falecido em 2007, era um dos pesquisadores mais conhecidos na área da reencarnação na Universidade da Virginia. Ele não utilizava o método de hipnose para verificar se uma pessoa teve uma lembrança de uma vida anterior; ao contrário, ele estudou milhares de casos em crianças nos EUA, Inglaterra, Tailândia, Birmania, Turquia, Líbano, Canadá, Índia, etc. Primeiro, ele verificava toda a informação sobre a vida anterior da criança. Depois, identificava o desencarnado que a criança dizia ter sido na vida anterior. Mais tarde, confirmava os fatos da vida passada do desencarnado que coincidiam com as lembranças das crianças. Ele também comparava marcas no corpo e defeitos de nascimento das crianças com feridas e cicatrizes que os desencarnados possuíam quando vivos, tudo isso confirmados por registros médicos. O Dr. Jim Tucker, diretor médico da Clínica Psiquiátrica Child and Family, da Universidade da Virginia, é o atual sucessor do Dr. Stevenson. Nós entramos em contato com Dr. Tucker para saber um pouco mais sobre as provas da vida após a morte. Ele respondeu: "As provas mais importantes da vida após a morte, além das experiências quase-morte, são as pesquisas com médiuns, relatórios detalhadamente estudados de aparições e lembranças de vidas passadas em crianças. Ian Stevenson passou 40 anos estudando tais casos, onde a maioria deles vinha de culturas com uma crença em reencarnação. Eu agora estudo os casos ocidentais, e os resultados são praticamente os mesmos”.  

A ciência da vida após a morte

A Ciência do pós morte foi investigada do ponto de vista judicial pelo advogado australiano e escritor Victor Zammit. Ele afirma que todas as provas que ele reuniu sobre a vida após a morte são bastante fortes para serem aceitas em qualquer tribunal (http://www.victorzammit.com). Em seu livro: A Lawyer Presents the Case for the Afterlife (2006, 4a ed.), Zammit mostrou 23 áreas diferentes que demonstra a existência de vida após a morte. Ele colocou como desafio para os cientistas, onde ele pagaria U$ 1.000.000 para que alguém provasse que não há vida após a morte! 


Atualmente, há numerosos estudos sendo conduzidos na área de espiritualidade e vida após a morte, onde os cientistas estão utilizando tecnologias de ponta e métodos científicos. A pesquisa pioneira de Raymond Moody e Elisabeth Kübler-Ross tem contribuído ao desenvolvimento desta área. Podemos citar vários outros exemplos como: Erlendur Haraldsson da Universidade de Islândia, Morris Netherton terapeuta de vida passada, o psicólogo Peter Ramster, o psicoterapeuta Andy Tomlinson, o cardiólogo Pim Van Lommel, e muitos outros. Embora vários pesquisadores estejam encontrando evidências impressionantes que sugerem que há vida após a morte, ou pelo menos a sobrevivência da consciência, eles ainda não sabem bem como explicar como tudo funciona... É, às vezes a ciência funciona desta maneira; um exemplo clássico são os astrônomos e os astrofísicos que podem identificar uma relação entre os ciclos de atividade do Sol e o clima na Terra, assumindo que esta relação existe apesar de não saberem como funciona. Como o Professor Sami Solanki, do Instituto Max Planck do Departamento de Pesquisa do Sistema Solar na Alemanha, declarou (http://tinyurl.com/77taz9c): “A correlação entre os ciclos solares e o clima terrestre não tem sido demonstrada.” Então, por que estudam esta correlação se ainda não sabem que isto realmente existe? A resposta é simples: é porque eles têm observado evidências que sugerem que isso pode ser desta maneira… Pois bem, parece que estamos em uma situação muito similar com os estudos sobre a vida após a morte. Os pesquisadores têm observado evidências que sugerem que a consciência sobrevive à morte física, mas ainda não conseguem entender bem como isso funciona. Se nos dois casos a ciência ainda não foi capaz de demonstrá-los, então nós ainda não podemos rechaçar a possibilidade de uma possível existência da vida após a morte! 
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Obs.: O artigo original consta de 10 páginas e foi publicado na revista Año Cero na Espanha (tema de capa de revista no mês de dezembro de 2011) e na revista Nexus na Australia (Abril de 2012).




Revista Internacional de Espiritismo (RIE), ano LXXXVII - Nº 06.

Agradecemos ao colaborador Ricardo Malta pelo envio do artigo. (O Blog dos Espíritas).



[1] Mado Martínez é filóloga que atualmente está estudando e trabalhando no campo antropológico na Universidade Nacional de Educação de Distância (UNED), Espanha. É autora de oito livros e muitos artigos para revistas em todo o mundo. Elaine Vieira é fisiologista e pesquisadora PhD na área de doenças metabólicas em Barcelona, Espanha. 

[2] Quintuplo-cego: protocolo científico realizado para evitar resultados tendenciosos, onde nem o examinado (objeto de estudo) nem o examinador (pesquisador) sabem as variáveis do estudo, no caso do quintuplo-cego são usados 5 pessoas diferentes para ajudar na análise dos dados sem que nenhuma delas saiba do que se trata o estudo.