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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Estude a Doutrina Espírita online

Por O Blog dos Espíritas

Convidamos aos interessados a participarem do estudo online que se iniciará amanhã, 02 de Maio de 2014, às 22 horas, do livro O que é o Espiritismo? de Allan Kardec, na sala virtual "Espiritismo com Kardec" do programa Paltalk.

O Paltalk, para quem não o conhece, é um programa online para ser usado na internet em formato de bate-papo no qual o usuário tem recursos de áudio, vídeo e texto, tudo ao mesmo tempo. Suas salas de estudo são semelhantes às do antigo mIRC, o que deve facilitar seu uso para quem usou a extinta plataforma. Mais informações sobre o Paltalk estão neste link.

Após criar um apelido (nickname) no Paltalk, entre na pasta South America, e depois na pasta Brazil. Na relação de salas que aparecerá, dê um duplo clique na sala "Espiritismo com Kardec", no dia e horário anteriormente mencionados.

A sala "Espiritismo com Kardec" visa estudar as obras de Allan Kardec e outros autores espíritas, a exemplo de Herculano Pires, Nazareno Tourinho, Gélio Lacerda e Léon Denis. Os encontros são realizados semanalmente, às sextas-feiras, às 22 horas.

Mais informações acerca da proposta da sala "Espiritismo com Kardec" na figura abaixo:


Bons estudos!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Questionando o discipulado de Léon Denis

Por Maria Ribeiro

Léon Denis foi um escritor francês que publicou obras nas quais desejou difundir as ideias espíritas, recebendo inclusive o título de discípulo de Allan Kardec.

No entanto, ao se realizar uma releitura de seus trabalhos, percebe-se sem grande dificuldade o quanto Denis testemunhou mal a Doutrina Espírita, pois em suas assertivas, sempre carregadas de um tom poético, às vezes excessivamente viril, observam-se réplicas um tanto quanto escandalosas de orientações doutrinárias; características, aliás, que lhe emprestam as falsas aparências de um grande preceptor sobre o assunto. E mais: Denis imbutiu junto às suas cópias doutrinárias teorias que perecem ao crivo espírita. Pode ele ser considerado o primeiro adepto espírita que saiu a difundir teorias falsas, fazendo escola, pois grande parte destas teorias são também repetidas por alguns Espíritos que vieram se aportar no Brasil. Copia a Codificação desavergonhadamente; criou bordões; é repetitivo e contraditor das próprias obras; quando não é completamente equivocado, deixa margem a dúvidas terríveis; semeou teorias que deram crias, comprometendo o entendimento de várias gerações.

Inicialmente, entretanto, recorra-se à definição de alguns termos para melhorar o entendimento.

Discípulo - origem latina e quer dizer aluno, seguidor. É o que recebe uma instrução, que segue as ideias ou imita exemplos de outra pessoa.

Apóstolo - origem grega de  APOSTOLOS, significa mensageiro, pessoa enviada à frente. É a pessoa dedicada a propagar e defender uma ideia ou uma doutrina.

Muitas vezes os sentidos destes vocábulos são tomados um pelo outro, visto que, aquele que imita o exemplo de alguém está, de certa forma, a propagá-lo.

Pois Denis recebeu o título de propagador e imitador de Allan Kardec, seja pela Federação Espírita Brasileira, que o chama discípulo, seja por um dos seus biógrafos Gaston Luce que o identifica por apóstolo*; e, para que não permaneçam dúvidas e se saiba se o oferecimento do título fora justo, atentem-se para alguns dos terríveis erros que ele difundiu e que geraram raízes profundas no movimento espírita brasileiro:

Em O problema do ser, do destino e da dor, Denis inicia com os termos em latim - crescit eundo, que significa - aumenta e não se pôde entender o propósito deste emblema.

Abaixo dela as incrições: 

"OS TESTEMUNHOS - OS FATOS - AS LEIS

Estudos experimentais sobre os aspectos ignorados do ser humano - As personalidades duplas - A consciência profunda - A renovação da memória - As vidas anteriores e sucessivas, etc."

Chama a atenção os termos usados por ele, como personalidades duplas, mas porque aspectos ignorados do ser humano?  Já cinquenta anos antes surgira O Livro dos Espíritos como base insubstituível para os interessados nas problemáticas questões humanas. 

A obra de Denis pretende não só confirmar a Codificação, mas acrescentar-lhe elementos extravagantes e até mesmo ultrapassados, visto que muitos, questionados por Kardec, não obtiveram a chancela dos Espíritos.

A introdução é digna de um tratado de um assunto grave e, em meio a repetições conforme já citado, ele deixa escapar uma ideia nova, testada apenas por ele mesmo em sua excentricidade. De suposto complementador do Espiritismo, Denis se torna um destruidor em potencial dos fundamentos espíritas.

No primeiro capítulo ele faz uma breve reflexão sobre a evolução do pensamento e mais adiante, creu necessário realizar refutações às objeções levantadas pelos contraditores da Doutrina, esquecido de toda a primeira parte de O Livro dos Médiuns, da Introdução e das Conclusões em O Livro dos Espíritos, além do opúsculo O que é o Espiritismo.

 *
Veja-se o que ele afirma acerca do trabalho de Kardec à frente do Espiritismo:

"...Este livro (O Livro dos Espíritos) é o resultado de um trabalho imenso de classificação, coordenação e eliminação, que teve por base milhões de comunicações, de mensagens, provenientes de origens diversas, desconhecidas umas das outras, mensagens obtidas em todos os pontos do mundo e que o eminente compilador reuniu depois de se ter certificado da sua autenticidade. Tendo o cuidado de por de parte as opiniões isoladas, os testemunhos suspeitos, conservou somente os pontos em que as afirmações eram concordes.

Falta muito para que fique terminado esse trabalho, que, desde a morte do grande iniciador, não sofreu interrupção. Já possuímos uma síntese poderosa, cujas linhas principais Kardec traçou e que os herdeiros do seu pensamento se esforçam por desenvolver com o concurso do invisível. cada um traz  o seu grão de areia para o edifício comum, para esse edifício cujos fundamentos a experimentação científica torna de dia para dia mais sólidos, mas cujo remate elevar-se-á cada vez mais alto.

Há trinta anos que, sem interrupção, eu mesmo, posso dizê-lo, tenho recebido ensinamentos de guias espirituais, que não tem cessado de me dispensar sua assistência e conselhos. As suas revelações tomaram caráter particularmente didático no decurso de sessões, que se sucederam no espaço de oito anos e das quais muitas vezes falei numa obra precedente.

No livro de Allan Kardec, o ensino dos Espíritos é acompanhado, para cada pergunta, de considerações, comentários, esclarecimentos, que fazem sobressair com mais nitidez a beleza dos princípios e a harmonia do conjunto. Aí é que se mostram as qualidades do autor.

Esmerou-se ele, primeiro que tudo, em dar sentido claro e preciso às expressões que habitualmente emprega no seu raciocínio filosófico; depois, em definir bem os termos que podiam ser interpretados em sentidos diferentes. Ele sabia que a confusão que reina na maioria dos sistemas provém da falta de clareza das expressões usadas pelos seus autores.

Outra regra, não menos essencial em toda a exposição metódica, e que Allan Kardec escrupulosamente observou, é a que consiste em circunscrever as idéias e apresentá-las em condições que as tornem bem compreensíveis para qualquer leitor. Enfim, depois de ter desenvolvido essas idéias numa ordem e concatenamento que as ligavam entre si, soube deduzir conclusões, que constituem já, na ordem racional e na medida das concepções humanas, uma realidade, uma certeza. Por isso nos propomos a adotar aqui os termos, as vistas, os métodos de que se serviu Allan Kardec, como sendo os mais seguros, reservando-nos o acrescentar ao nosso trabalho todos os desenvolvimentos que resultaram das investigações e experiências feitas nos cinqüenta anos decorridos desde o aparecimento das suas obras".

Nesta transcrição percebem-se 3 pontos básicos: primeiro, o seu reconhecimento ao grande papel de Allan Kardec para o Espiritismo; segundo, demonstração de admiração pela pessoa do Codificador; terceiro, a comparação que deixa nas entrelinhas sobre os resultados das próprias investigações; esta, culminando na sua queda é confirmada pelas suas falas que demonstrar-se-ão a seguir.

Mais à frente ele afirma:  

"Allan Kardec pôs-nos sempre de sobreaviso contra o dogmatismo e o espírito de seita; recomenda-nos sem cessar, nas suas obras, que não deixemos cristalizar o Espiritismo e evitemos os métodos nefastos que arruinaram o espírito religioso do nosso país."  

Estas palavras poderão fazer que o leitor atribua credibilidade antecipada ao conteúdo da obra. O objetivo aqui não é desmoralizá-lo, nem como homem nem como escritor, mas fazer que se percebam que não há homem que tenha interpretado melhor os ensinos dos Espíritos e ainda reproduzi-los tal como feito pelo professor Rivail. Isto é sinal de que aquele que pretenda fazê-lo deva estudar e examinar pormenorizadamente sem preconceitos cada coisa, cada detalhe.

Mas isto não impede que se cometam erros, uma vez que somente os Espíritos superiores deles estão livres. Para os imperfeitos restam as tentativas mais ou menos acertadas; daí sempre a necessidade de esforços no exercício do auto conhecimento, pois assim tomar-se-á contato com as próprias limitações. O mesmo compreendendo nos outros: sem julgá-los totalmente sábios, aprende-se a observar-lhes os equívocos.

A certeza de que havia compreendido o Espiritismo em toda a sua abrangência fez que Denis caminhasse sozinho, apenas com uma confiança cega nos que lhe se apresentaram como seus guias. 

"Durante oito anos recebemos, em Tours, comunicações dessa ordem, comunicações que tocavam todos os grandes problemas, todas as questões importantes de filosofia e moral. Formavam muitos volumes manunscritos. O resumo deste trabalho, demasiadamente extenso, de texto copiosos demais para se publicado na íntegra, quisera-o eu apresentar aqui. Jerônimo de Praga, o meu amigo, o meu guia do presente e do passado, o Espírito magnânimo que dirigiu os primeiros voos da minha inteligência infantil em idades remotas, é seu autor... Foi-me dado soerguer alguns dos véus que encobriam a sua verdadeira personalidade. Devo, porém, guardar segredo, porque a fina flor dos Espíritos se distingue precisamente pela particularidade de se esconder sob designações emprestadas e querer ficar ignorada... Quis com estes pormenores demonstrar uma coisa: que esta obra não é exatamente minha, que é, antes, o reflexo de um pensamento mais elevado que procuro interpretar. Está de acordo em todos os pontos essenciais com as vistas expressas pelos instrutores de Allan Kardec; todavia, pontos que eles deixaram obscuros, nela começam a ser discutidos... Em certos casos, acrescentei-lhes as minhas impressões pessoais e os meus comentários, porque, no Espiritismo nunca é demais dizê-lo, não há dogmas e cada um dos seus princípios pode e deve ser discutido... Considerei como um dever conseguir que destes ensinamentos tirassem proveito os meus irmãos da Terra..." 
  
De forma evidente Denis admite a ideia de reformular ou atualizar Kardec: 

"Está de acordo em todos os pontos essenciais com as vistas expressas pelos instrutores de Allan Kardec; todavia, pontos que eles deixaram obscuros, nela começam a ser discutidos."

Também em O porque da vida o que chama-se síndrome do missionário está presente: 

"É a vós, irmãos e irmãs na Humanidade, a vós todos a quem o fardo da vida curvou, a quem as lutas árduas, as angústias, as provações tem acabrunhado, que dedico estas páginas. É em vossa intenção, aflitos, deserdados deste mundo, que as escrevi. Humilde campeão da verdade e do progresso, pus nelas o fruto de minhas vigílias, reflexões e esperanças, tudo o que me consola e sustém nesta jornada. Oxalá acheis nelas alguns ensinos úteis, um pouco de luz para esclarecer o vosso caminho. Possa esta modesta obra ser para o vosso espírito contristado o que é a sombra para o trabalhador queimado do sol, o que é, no deserto árido, a fonte límpida e fresca oferecendo-se ao viajor sequioso!" 

Não se observa o menor sinal de modéstia, ao contrário: é fácil imaginar o que representa no deserto, uma fonte límpida e fresca. É a imagem que ele passa da obra - uma super heroína capaz de aliviar a sede de saber de quem o queira...

Mas a qual verdade ele se remete? À verdade espírita ou à verdade dos seus guias?

Estas falas empoladas, até mesmo soberbas, se encontram em suas outras obras. Ainda em O porque da vida, por exemplo, ele assim se expressa: 

"...o homem tem necessidade de saber; precisa do esclareciemnto, da esperança que consola, da certeza que guia e sustém. Também tem os meios de conhecer, a possibilidade de ver a verdade desprender-se das trevas e inundá-lo com sua luz benéfica. Para isso, deve afastar-se dos sistemas preconcebidos, perscrutar-se a si próprio, escutar essa voz interior que fala a todos e qeu os sofismas não podem deturpar: a voz da razão, a voz da consciência. Assim fiz eu. Muito tempo refleti; meditei sobre os problemas da vida e da morte; com perseverança sondei esses abismos profundos. Dirigi à Eterna Sabedoria uma ardente invocação e Ela me atendeu, como atende a todo espírito animado do amor do bem. Provas evidentes, fatos de observação direta vieram confirmar as deduções do meu pensamento, oferecer às minhas convicções base sólida, inabalável." 
 *
No capítulo X da obra O problema do ser, do destino e da dor, ele diz: 

"As existências interrompidas prematuramente por causas de acidentes chegaram ao seu termo previsto. São, em geral, complementares de existências anteriores, truncadas por causa de abusos e excessos."
  
Ele determina o gênero de morte - por acidente - deixando transparecer que mortes por outra causa, doença por exemplo, não se aplicariam à questão. A colocação seguinte, mal definida, sugere a interpretação de que de outra forma as existências não seriam complementares. 

"A alma, dissemos, vem de Deus; é, em nós, o princípio da inteligênica e da vida. Essência misteriosa, escapa à análise, como tudo quanto dimana do Absoluto. Criada por amor, criada para amar, tão mesquinha que pode ser encerrada numa forma acanhada e frágil, tão grande que, com um impulso do seu pensamento, abrange o Infinito, a alma é uma partícula da essência divina projetada no mundo material..."

No parecer acima Léon Denis demonstra sua crença panteísta sem nenhum constrangimento, que não representaria nenhum agravo, desde que não falasse em nome do Espiritismo.

No capítulo XI encontra-se esta passagem onde ele pretende situar a sede da vida, da inteligência:

"... O ser humano, dissemos, pertence desde esta vida a dois mundos. Pelo corpo físico está ligado ao mundo visível; pelo corpo fluídico ao invisível. O sono é a separação temporária dos dois invólucros; a morte é a separação definitiva. A alma, nos dois casos, separa-se do corpo físico e, com ela, a vida concentra-se no corpo fluídico..."   

Desta forma, é no perispírito que se encontram os atributos da alma, ou do Espírito, e não mais nele mesmo, em sua Mente. Denis não considerou os ensinos dos instrutores de Kardec, conforme garante, que atribuem ao perispírito as propriedades que garantam todas as manifestações do Ser inteligente, mas daí a ser ele o concentrador da vida ainda mais após a morte...

É, entretanto, no capítulo XIII que Denis comete erros capitais ao discorrer sobre sexo e almas gêmeas:

"Quanto á escolha do sexo, é também a alma que, de antemão, resolve. Pode até variá-lo de uma encarnação para outra por um ato da sua vontade criadora, modificando as condições orgânicas do perispírito. Certos pensadores admitem que a alternação dos sexos seja necessária para adquirir virtudes mais especiais, dizem eles, a cada uma das metades do gênero humano; por exemplo, no homem, à vontade, a firmeza, a coragem; na mulher, a ternura, a paciência, a pureza. Cremos, de acordo com os nossos Guias, que a mudança de sexo, sempre possível para o Espírito, é, em princípio, inútil e perigosa. Os Espíritos elevados reprovam-na. É fácil reconhecer, à primeira vista, em volta de nós, as pessoas que numa existência precedente adotaram sexo diferente; são sempre, sob algum ponto de vista, anormais. As viragos, de caráter e gostos varonis, algumas das quais apresentam ainda vestígio dos atributos do outro sexo, por exemplo, barba no mento, são, evidentemente, homens reencarnados. Elas nada têm de estético e sedutor; sucede o mesmo com os homens efeminados, que têm todos os característicos das filhas de Eva e acham-se como que transviados na vida. Quando um Espírito se afez a um sexo, é mau para ele sair do que se tornou a sua natureza...A mudança de sexo poderia ser considerada como um ato imposto pela lei de justiça e reparação num único caso, o qual se dá quando maus-tratos ou graves danos, infligidos a pessoas de um sexo, atraem para este mesmo sexo os Espíritos responsáveis, para assim sofrerem, por sua vez, os efeitos das causas a que deram origem; mas, a pena de talião não rege, como mais adiante veremos, de maneira absoluta, o mundo das almas; existem mil formas de se fazer a reparação e de se eliminarem as causas do mal. A cadeia onipotente das causas e dos efeitos desenrola-se em mil anéis diversos."

 Mas a justificativa que ele dá é acintosa:

"Objetar-nos-ão talvez que seria iníquo coagir metade dosEspíritos a evoluírem num sexo mais fraco ebastas vezes oprimido, humilhado, sacrificado por uma organização social ainda bárbara. Podemos responder que esse estado de coisas tende a desaparecer, de dia para dia, para dar lugar a maior soma de eqüidade. É pelo aperfeiçoamento moral e social e pela sólida educação da mulher que a humanidade se há de levantar."

A explicação espírita: 

 202. Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?

 — Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.

Comentário de Kardec: Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.

Aliás, que será chama ele de sólida educação da mulher? Certamente ele já pressentia algum avanço feminino surgir e resolveu iniciar uma campanha para conter o perigo feminista. Sabe-se que em 1848 as lavadeiras profissionais parisienses instituíram associações e fundaram cooperativas. Isto repercute na Suiça com Margarethe Faas-Hardegger, sindicalista e primeira secretária na Federação Suiça dos Sindicatos no início do século XX. Aliás, as mulheres já vinham escrevendo história, desde os séculos passados, com sua forte atuação nas insurreições parisienses; tinham a fama de agitadoras. Única explicação cabível para justificar a preocupação de Denis com a mulher fora de casa. 

"Muitas almas, criadas aos pares, são destinadas a evoluírem juntas, unidas para sempre na alegria como na dor. Deram-lhes o nome de almas irmãs; o seu número é mais considerável do que geralmente se crê; realizam a forma mais completa, mais perfeita da vida e do sentimento e dão às outras almas o exemplo de um amor fiel, inalterável, profundo; podem ser reconhecidas por esse característico. Que seria de sua afeição, de suas relações, de seu destino, se a mudança de sexo fosse uma necessidade, uma lei? Entendemos antes que, pelo próprio fato da ascensão geral, os caracteres nobres e as altas virtudes multiplicar-se-ão nos dois sexos ao mesmo tempo; finalmente, nenhuma qualidade ficará sendo apanágio de um só dos sexos, mas atributo dos dois."

Encontram-se inúmeros sites espiritualistas que tentam fazer uma distinção entre almas-gêmeas e almas-irmãs. É possível que em algum contexto caiba a diferença, certamente, para nós, em sentido figurado, evidentemente, pois que conhecemos e abraçamos a definição dos Espíritos Superiores que por meio da arte Kardequiana nos faz distinguir os Espíritos afins e ponto. Mas, neste caso não há contexto onde, sejam almas-gêmeas ou almas-irmãs, sua prédica se encaixe. A primeira frase não deixa dúvida e é suficiente para, sozinha, contradizer o esclarecimento anotado por Kardec e divulgado na Obra Magna:

       298. As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua  metade, à qual algum dia se unirá fatalmente? 
       — Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta felicidade completa.
         299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?
      —A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, quando  separado estaria incompleto.

      300. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos quando reunidos ficarão assim pela eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos?

      — Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo dos que já atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a  mesma simpatia pêlos que deixou.

      301. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa  simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?

      — A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos; se um. devesse completar o outro, perderia a sua individualidade.

Ainda neste mesmo capítulo é possível encontrar a origem da teoria segundo a qual, no momento da encarnação, o perispírito se miniaturiza a fim de se "encaixar" na dupla de células reprodutoras, deduzo:

"...Sutil por sua natureza, vai ele servir de laço entre o Espírito e a matéria. A alma está presa ao gérmen por 'este mediador plástico', que vai retrair-se, condensar-se cada vez mais, através das fases progressivas da gestação, e formar o corpo físico." 

Ele que disse "é indispensável submeter as produções mediúnicas a rigoroso exame e conduzir as investigações com espírito analítico sempre vigilante", quedou na mesma armadilha que tentou prevenir os outros.

No capítulo XIV lê-se esta afirmação: 

"Quanto mais material e grosseiro é o Espírito, tanto mais influência tem sobre ele a lei da gravidade."

Pelo restante do trecho percebe-se que aí o autor faz uma analogia entre os Espíritos grosseiros que necessitam de reencarnar e a gravidade, lei que atrai os corpos para o centro da Terra, pois que põe em situação oposta os Espíritos puros cuja situação dispensa a encarnação. Mas, uma lei que rege a matéria não tem qualquer controle sobre o mundo espiritual, nem sobre nada que lhe diga respeito. 

Aliás, este ensinamento, assim como muitos outros das obras de Denis, está em flagrante oposição aos ministrados pelos Espíritos a Kardec.

No capítulo XV uma fala é obscura, confusa:  

"A lei da hereditariedade vem muitas vezes obstar até certo ponto, a essas manifestações da individualidade, porque é com os elementos que a hereditariedade lhe fornece que o Espírito põe a seu jeito o seu invólucro." 

Por mais que no decorrer desta abordagem ele tenha se contradito, nada explica como é que o perispírito de alguém será formado a partir de elementos da hereditariedade...

O ensino espírita atesta que os elementos constitutivos do invólucro ou perispírito é haurido do fluido cósmico universal, sempre de acordo com as disposições íntimas do Ser inteligente.  

Em No Invisível, Denis faz o seguinte alerta:  

"...Não procureis na mediunidade um objeto de mera curiosidade ou de simples diversão; considerai-a antes de tudo um dom do céu, uma coisa sagrada..."  (cap. V)

Ora, porque dom do céu? E, coisa sagrada? No capítulo 14 de O Livro dos Médiuns, Kardec deixa muito claro o que é mediunidade, e diz que é faculdade inerente ao homem. "Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar."

Léon Denis também demonstra ser um dos que não compreenderam a classificação espírita contida em O Livro dos Espíritos, que, nada tendo de absoluta conforme palavras dos próprios Espíritos, oferecem uma ideia nítida da distinção entre eles, ao menos sob os aspectos gerais. Do contrário, não teria afirmado o seguinte:

"A descida ao nosso mundo terrestre é um ato de abnegação e um motivo de sofrimento para um Espírito elevado. Nunca seriam demasiados nossa admiração e reconhecimento à generosidade dessas almas, que não recuam diante do contato dos fluidos grosseiros, à semelhança dessas nobres damas  delicadas, sensitivas que, ao impulso da caridade, penetram em lugares repugnantes para levar socorros e consolações... Tanto que um desses grandes Espíritos baixa em nosso nível e se demora em nossas obscuras regiões, logo o invade uma impressão de tristeza; ele sente como que uma depressão, uma diminuição de seus poderes e percepções. Só por um constante exercício da vontade, com o auxílio das forças magnéticas hauridas do Espaço é que se habitua ao nosso mundo e nele cumpre as missões de que é encarregado." (cap. V)

A compreensão dos Espíritos elevados escapa às inteligências, pois até eles mesmos que descreveram estas sensações no grupo do estudioso, parecem desconhecer que os fluidos grosseiros não exercem nem podem exercer influência perniciosa a outros já mais depurados. Mesmo porque, em se tratando de Espíritos elevados, pressupõe-se uma ascendência moral, o que também sugere um certo domínio das situações, um certo equilíbrio mesmo sobre as circunstâncias adversas. Daí, como conceber que um Espírito nesta condição se deixe influenciar por fluidos grosseiros a ponto de ter diminuídos seus poderes e percepções? 

Numa tentativa de ensinar como realizar uma reunião mediúnica, ele acrescenta uns procedimentos muito curiosos. Por exemplo: 

"A luz geralmente exerce uma ação dissolvente sobre os fluidos." (Cap. IX)
  
Vejamos: a luz é também um fluido. Em Física, luz é uma energia radiante, ou seja, aquela que se propaga em forma de ondas eletromagnéticas. O espectro da luz ou luz visível varia do ultravioleta ao infravermelho, as conhecidas cores do arco-íris. As ondas de menores frequências, como as de rádio e de microondas, por exemplo, e as de grandes frequências, como os raios X e os Gama, constituem o que se chama luz invisível, somente comprovada por seus efeitos, seja na área médica através de exames diagnósticos e terapias, seja nas catástrofes nucleares.

Esta herança atravessou os oceanos e se alojou nos centros espíritas brasileiros, mas não há uma justificativa razoável para se apagarem as luzes nas sessões mediúnicas, nas salas do Passe, etc. Este procedimento carece de observações e estudos.  

Denis aconselha que se coloquem homens e mulheres alternadamente ao redor da mesa mediúnica (cap X). Sem explicar a razão, ele prossegue tecendo seu manual. 
Denis, sendo maçon reforçou sua cultura machista, tanto que, nos útimos parágrafos do capítulo VII, assim ele conclui o seu pretenso enaltecimento ao gênero feminino:

"Pelo Espiritismo se subtrai a mulher ao vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Sua alma se ilumina de clarão mais puro; seu coração se torna o foco irradiador de terno sentimentos e nobilíssimas paixões. Ela reassume no lar a encantadora missão que lhe pertence, feita de dedicação e piedade, seu importante e divino papel de mãe, de irmã e educadora, sua nobre e doce missão persuasiva. Sessa desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da humanidade se aliam e equilibram no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência."

"Cessa desde então, a luta entre os sexos", porque com suas palavras macias ele supôs convencer a mulher a continuar submissa à cultura em voga. Que grande divulgador a Doutrina dos Espíritos encontrou! Apesar  de o trecho da questão 822 de O Livro dos Espíritos "que o homem se ocupe de fora e a mulher do lar", possa aparentemente remeter à ideia de que o trabalho da mulher está restrito ao lar, contrariaria a lei do progresso. 

Aliás, nos parágrafos precedentes, percebe-se a mulher ideal de Denis: tão frágil mas também tão cheia de responsabilidades a ponto dele afirmar: 

"...o moderno espiritualismo... restitui a mulher seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando-lhe a sublime função que lhe cabe na educação e no adiantamento da humanidade."

Suas aspirações para a mulher feneceram muito antes de suas pretensões de preletor do Espiritismo, pois cuidaram elas mesmas de escolher outra função, outra missão a não ser a da senda doméstica, por acreditar que seria impossível contribuir com o adiantamento da humanidade apenas parindo e cosendo.  

Denis escreveu boas coisas, mas talvez seja exagero tê-lo na conta de grande escritor, pois muito pouco de si mesmo ele produziu, ficando boa parte dos seus escritos apenas reproduções dos ditos da Codificação. Deve ser lido com extrema cautela e sérias restrições.  

Fonte: Crítica Espírita - http://criticaespirita.blogspot.com/2013/12/questionando-o-discipulado-de-leon-denis.html

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A alma existe. Importância dos Fenômenos Espíritas.


Por Sérgio Aleixo

Disse um físico brasileiro radicado no exterior: “Eu adoraria ter alma e, quando meu corpo pifasse, poder renascer em outro corpo. Histórias de espiritismo, de vida após a morte e as várias versões das religiões para isso são mecanismos que criamos para lidar com nosso problema mais fundamental, que é a mortalidade. Vários amigos espíritas dizem que a maneira científica de pensar o mundo é apenas uma. Existem outras. Usar a ciência para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo”. E concluiu: “Hoje, a gente sabe que não tem alma e que o cérebro é um organismo extremamente complexo”.

Mas com fundamento em que se poderia dizer que hoje a gente “sabe” não ter alma? Com base nesta ciência que sequer provou seu materialismo? O físico declarou, porém, que usá-la para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo. Então, as coisas não são exatamente deste modo para ele, porque está, sim, usando a ciência, ou o que aprendeu com ela, ou, pelo menos, a posição de que desfruta perante a mesma, para negar a existência da alma. Tudo não iria além da complexidade cerebral, de mecanismos que criamos para lidar com a mortalidade.

Todos têm direito à opinião. Entretanto, não é propriamente a ciência que nega a alma, mas a ciência oficializada por certa classe de cientistas. Outros, ao contrário, lhe afirmam a existência. Não se podem ignorar as pesquisas de Rhine, desde 1930, na Universidade de Duke. Evidenciaram definitivamente que o cérebro não explica a mente e que esta não é física, embora possa agir no mundo físico por vias não físicas (psigama e psikapa). Mesmo a supervivência da mente após a morte (psiteta) foi sustentada em Cambridge, Oxford e Londres, por Carington, Price e Soal e, na própria Duke, pelo casal Rhine e por Pratt. Idade de ouro da Parapsicologia!

Antes disso, contudo, baseando-se nas pesquisas etnológicas e antropológicas de Lang e Long, Bozzano, em seu livro Povos Primitivos e Manifestações Supranormais, estabeleceu a interessante tese de que a crença na sobrevivência à morte não teria surgido de esforços do pensamento abstrato, de pura indução, mas da mescla de fatos da experiência vital com fenômenos supranormais. À medida que ordenava estes fatos: imagens refletidas em espelhos d’água, sombras, ecos, a razão preenchia suas categorias prévias com os resultados de concomitantes experiências com aqueles fenômenos, muitos deles objetivos, sensoriais.

Na International Psychic Gazette de maio de 1930, Bozzano declarou: “[...] os fenômenos supranormais constituem um complexo admirável de provas anímicas e espiríticas, todas convergentes para um centro a favor da demonstração rigorosamente científica da existência e sobrevivência do espírito humano”.

Cerca de sessenta anos antes, o descobridor do tálio, do radiômetro e do tubo de raios catódicos, Sir Crookes, inferiu a existência da matéria radiante durante suas investigações da mediunidade da Srta. Florence Cook. Isto se deu, sim, graças às suas pesquisas com as materializações (fotografadas) do espírito Katie King ao longo de mais de três anos. Como disse oportunamente Denis, em O Além e a Sobrevivência do Ser: “Foi, pois, de um fato espírita que se originou uma série completa de descobertas, uma revolução no domínio da física e da química”. Sobre suas pesquisas, Crookes assegurou, já em 1917, na International Psychic Gazette: “É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.

Demais homens de ciência atingiram essa mesma convicção após a realização de minuciosos experimentos. Assim aconteceu ao naturalista Wallace, êmulo de Darwin, que publicou O Aspecto Científico do Sobrenatural; ao criminalista Lombroso, que escreveu Hipnotismo e Mediunidade; e ao astrônomo Zöllner, que editou Provas Científicas da Sobrevivência.

Também o descobridor do agente da raiva e do pênfigo agudo, discípulo de Pasteur e diretor do Instituto Bacteriológico de Nova Iorque, Dr. Gibier, no seu Análise das Coisas, foi categórico: “Podemos ter provas materiais da existência da alma”. E informou com desassombro: “Somente depois que observei o fenômeno de escrita direta pelo menos quinhentas vezes, foi que me decidi a publicar as minhas pesquisas”. Ao IV Congresso Internacional de Psicologia (Paris, 1900), Gibier dirigiu um precioso memorial contendo o relato de anos de suas pesquisas experimentais, de título As Materializações de Fantasmas, a penetrabilidade da matéria e outros fenômenos psíquicos.

No final do séc. 20, o Dr. Sabom, prof. de Cardiologia, relacionou 116 casos de estranhas experiências vividas por pacientes entre 1976 e 1981, no livro de rigorosa metodologia científica Recollection of death. Os insólitos fenômenos transcorreram, segundo ele, numa clara dissociação entre cérebro e espírito, sugerindo indubitavelmente a existência e sobrevivência da alma. São da mesma conclusão as casuísticas de Moody Jr., Kenneth Ring, George Ritchia, Elizabeth Kübler-Ross, Melvin Morse, etc.

Trata-se das “near death experiences”, ou experiências de morte aproximada, ou de quase morte. Após anestesia geral, coma e até morte clínica, muitos afirmam ter visto a si mesmos fora do corpo físico, dão conta dos procedimentos adotados na sala em que estavam e mesmo de fatos acontecidos longe dessas dependências. Não poucos conversaram com defuntos acerca de fatos do presente, do passado e do futuro. Os espíritos superiores, no entanto, já haviam instruído Allan Kardec neste assunto, dizendo-lhe no item 422-a do livro que lhes traz o nome: “(...) esse estado especial dos órgãos prova que no homem há alguma coisa mais do que o corpo, pois que, então, o corpo já não funciona e, no entanto, o espírito se mostra ativo”.

O mestre da psicologia analítica, Jung, afirmou certa feita numa entrevista à BBC de Londres: “Eu não acredito que a mente humana morra, porque está provado que a mente humana não conhece passado, nem presente nem futuro; contudo, se ela pode prever acontecimentos futuros, está acima do tempo, se está acima do tempo, não pode ficar trancafiada num corpo”. E disse também: “A plenitude da vida exige algo mais que um ser; necessita de um espírito, isto é, de um complexo independente e superior, único capaz de chamar à vida todas as possibilidades psíquicas que a consciência — ego — não poderá alcançar por si”.

Isto é o que resulta demonstrado pelas regressões de memória a vidas anteriores. Casuísticas minuciosamente documentadas como as de Banerjee, Stevenson, Drouot, Weiss, e outros, não podem ser ignoradas. Weiss foi contundente em A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas, de 1996: “Não se trata de mera sugestão. De um modo geral não são pessoas crédulas ou sugestionáveis. Elas recordam — nomes, datas, geografia, detalhes. E depois que recordam ficam curadas. Talvez até mais importante que a cura de sintomas físicos e emocionais específicos seja o conhecimento de que não morremos junto com nossos corpos. Somos imortais. Sobrevivemos à morte física”. Drouot afirmou em Reencarnação e Imortalidade, de 1989: “Para mim, a exploração de vidas anteriores não é somente psicológica; ela é também, e sobretudo, espiritual”.

Contudo, nos Congressos Espíritas de 1889 e 1900 é que primeiramente se falou em regressões de memória a vidas anteriores ocorridas a espíritos reencarnados. Isto se deu mediante os trabalhos apresentados por Colavida, do Grupo de Estudos Psíquicos de Barcelona, e Marata, da União Espírita de Catalunha, como relatam Denis e Delanne, em O Problema do Ser, cap. XIV, e A Reencarnação, cap. VII.

Falei em regressões ocorridas a espíritos reencarnados porque, sobre tais regressões verificadas em um espírito desencarnado, Dr. Cailleux, existem dois artigos no Jornal de Estudos Psicológicos de Allan Kardec, a famosa Revista Espírita. (Cf. junho e julho de 1866.)

Os espíritos superiores, ao demais, afirmaram àquele que lhes codificou a sublime doutrina que viria o tempo em que disporíamos de meios “mais diretos e mais acessíveis” aos nossos “sentidos” nas comunicações com o além-túmulo, como se lê no n. 934 de O Livro dos Espíritos. E eis aí a Transcomunicação Instrumental. Contatos estabelecidos de maneira desafiadora se traduzem em numerosos acervos de som e imagem que não podem ser facilmente refutados, sobretudo pelas teses subliminares, pois eletrônicos não têm inconsciente.

Tudo isso só nos dá uma pequena medida do pioneirismo de Allan Kardec ao estabelecer em A Gênese, XIII, n. 9, de 1868: “Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou espírito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela a sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. São esses efeitos que constituem objeto especial das pesquisas e do estudo do Espiritismo, a fim de chegar-se a um conhecimento tão completo quanto possível, assim da natureza e dos atributos da alma, como das leis que regem o princípio espiritual”.

Portanto, qualquer adepto de cultura doutrinária espírita mediana identifica desde logo que declarações como a inicialmente ressaltada vêm de pessoas que quase tudo ignoram acerca dos fatos espíritas, sejam estes anímicos (do espírito durante a encarnação), sejam mediúnicos (do espírito no estado de erraticidade). Ante uma tão vasta documentação existente dentro e fora das universidades, os mais sensatos hesitam, mas nunca, nunca resolvem pela negação.

De mais a mais, os amigos espíritas do físico não o informaram bem do próprio Espiritismo. A doutrina não poderia propor jamais uma maneira de pensar o mundo alheia à ciência, porque o Espiritismo se estabeleceu a partir do avanço engendrado pelo progresso da própria ciência, a despeito de ser apenas a ciência de um dado estado de consciência.

Segundo Kardec em A Gênese, I, n. 16: “Assim como a ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do principio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da natureza, a reagir incessantemente sobre o principio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a ciência se completam reciprocamente; a ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a ciência, faltariam apoio e comprovação”.

Eu mesmo disse em O Que É Espiritismo, 1.2: “Uma avaliação correta do posicionamento de Allan Kardec indica seu rompimento com o reducionismo de um modelo materialista mecanicista de ciência, jamais com a finalidade da ciência em si, que é o conhecimento exato da realidade. O codificador, aliás, nunca deixou de insistir na cientificidade do Espiritismo. Kardec fixou a base científica da doutrina espírita como dimensão primeira da aliança da ciência e da religião, pulverizando a dicotomia entre razão e fé”.

Deste modo, a doutrina dos espíritos incorpora a si tudo quanto resulte demonstrado pela ciência e é também nos termos da ciência que a doutrina pensa o mundo; todavia, por uma necessidade lógica e também empírica, lhes adiciona o princípio espiritual, cuja existência, no dizer preciso de Kardec, o Espiritismo foi o primeiro a demonstrar por provas inconcussas, estudando-o, analisando-o e tornando-lhe evidente a ação.

Kardec constatou pessoalmente vários fenômenos, tais como: a tiptologia, ou linguagem de batidas das mesas girantes; a psicografia indireta, na qual o lápis era, por indicação dos espíritos, adaptado a uma cesta ou a outro objeto; a psicografia direta ou manual, em que o médium já retinha em suas próprias mãos o lápis, etc. Em casa da família Baudin, o codificador do Espiritismo chegou a formular perguntas às inteligências desencarnadas em vários idiomas desconhecidos das jovens médiuns; algumas vezes, ele até o fazia sem palavras, mentalmente, e ainda assim as respostas nasciam poliglotas, profundas e lógicas por debaixo da cesta, sobre os bordos da qual as meninas impunham suas mãozinhas adolescentes. Assim foi colhida boa parte dos ensinos de O Livro dos Espíritos, obra-base da doutrina espírita.

Quanto à psicografia direta ou manual, Kardec se reporta muito instigantemente à mudança radical das caligrafias de acordo com os espíritos comunicantes, que conservavam a mesma escrita quando voltavam a se manifestar. E mais! Assegurou o mestre com requinte de detalhe (O Livro dos Espíritos, Introdução, XII): “Tem-se verificado inúmeras vezes, sobretudo se se trata de pessoas mortas recentemente, que a escrita denota flagrante semelhança com a dessa pessoa em vida. Assinaturas se hão obtido de exatidão perfeita”.

Este tipo de fenômeno, aliás, pôde ser constatado aqui no Brasil. Francisco Cândido Xavier, em 22/07/1978, psicografou carta ditada pela Senhora Ilda Mascaro Saullo, italiana falecida em Roma a 20/12/1977. Como ressaltou o codificador, tratava-se de pessoa morta recentemente. Neste caso, porém, havia um complicador: a mensagem veio no idioma da defunta, o italiano, ignorado pelo médium. Pois bem! Titular de Identificação Datiloscópica e Grafotécnica do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, o Prof. Carlos Augusto Perandréa lançou A Psicografia à Luz da Grafoscopia, no qual atesta: “A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém, conforme demonstração fotográfica, em número e em qualidade, consideráveis e irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada”.

Também no livro A Vida Triunfa, de Paulo Rossi Severino e Equipe da Associação Médico-Espírita de São Paulo, os interessados poderão encontrar vasto material de pesquisa acerca de 45 cartas-mensagem recebidas por Chico Xavier, as quais em tudo se mostram da autoria dos mortos comunicantes, seja pela forma, seja pelo conteúdo, inegavelmente mediúnicos.

Como disse Denis, em No Invisível: “Quando se possui alguma experiência dos fenômenos psíquicos fica-se pasmado ante a penúria de raciocínio dos críticos científicos do Espiritismo. Escolhem eles sempre, na multidão dos fatos, alguns casos que se aproximem de suas teorias e silenciam cuidadosamente de todos os inúmeros que as contradizem. Será esse procedimento realmente digno de verdadeiros sábios?”.

E físico por físico, termino citando novamente Drouot, Ph.D. em Física Teórica pela Universidade de Columbia, que afirmou no seu livro Nós Somos Todos Imortais, de 1986: “A física de hoje coloca o problema das relações entre nossa matéria e nosso espírito. E a única verdadeira física será a que conseguir um dia integrar o homem total em sua representação coerente do mundo”.

Fonte: Blog Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2012/11/a-alma-existe-importancia-dos-fenomenos.html?spref=fb

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Reflexiones Acerca de la Publicación de las Comunicaciones Mediúmnicas


Por Anderson Santiago

Kardec relata en  Obras Póstumas  que uno de los primeros resultados de sus observaciones  fue percibir que los Espíritus  no poseían  ni soberana sabiduría,  ni soberana ciencia, como   rezaba en la cultura popular.  Ellos  no eran nada  más que las almas  de los hombres  que vivieron aquí.  Es por esto  que afirma que “esta verdad,  reconocida desde el principio,  le preservo del peligro de creer en la infalibilidad de ellos y lo libro de formular  teorías prematuras sobre los dictados  de  uno o de algunos. “ [1]

Fue esta la postura adoptada por el codificador  durante  los quince años en que estuvo envuelto  con los asuntos espiritas. Una postura sensata, madura y que merece ser copiada en los días de hoy. ¿Y en cuantos centros espiritas podemos observar tal postura en los días actuales? ¡Muy pocos! ¿En tiempo de las vacas gordas, como las actuales, donde las obras espiritas (y hasta las que se hacen pasar  por espiritas…)  ganan espacio   en la prensa  y en el mercado de la editorial, cuantos editores van a perder el tiempo en analizar criteriosamente una obra, sea un romance, sea  una obra de contenido doctrinario de  forma tan minuciosa que pueda descubrir   si el punto no está  correcto?   Una vez más,  pocos muy pocos. La mayoría no se preocupan por estos criterios, ya que el tipo de papel utilizado en la impresión de la obra de arte que se imprimirá en la portada, el autor de "prestigio" para firmar el prefacio [normalmente un médium,  ya que un mero  encarnado que se disponga a estudiar y comentar el Espiritismo normalmente  no es tan respetado como el “mensajero de los espíritus”] y la posibilidad  del libro alcanzar muchas ediciones es lo más importante. No importa si el contenido del libro sea absurdo dudoso, la polémica también trae lucros, piensan ellos. Y en esto,  la calidad también se ve.

Con todo, cuando existe un trabajo criteriosa, muchos equívocos pueden ser evitados  y muchas informaciones errada dejan de ser publicadas.   Y mire que no son pocas las obras que podrían ser atribuida a Espíritus seudosabios. Y esto es hasta interesante de ver. Existen obras que todo el mundo sabe que discordan  con los principios más básicos del Espiritismo, entre tanto,  ellas son publicadas sin una referencia siquiera,  ni una nota corrigiendo tal o cual opinión.  Y es justamente esto lo que Kardec comenta cuando afirma que
[…]  No habrá ningún inconveniente  esas especies de comunicaciones, si las hacen acompañar de comentarios, sea para refutar errores, sea para recordar  que son la expresión de una opinión individual, de la cual no se asume responsabilidad; podrían  incluso tener  un lado  instructivo, mostrando las aberraciones de ideas  a las que pueden entregarse algunos espíritus. Más,  publicarlas  pura y simplemente es presentarlas como   expresión de verdad y garantizar la autenticidad de las asignaturas que el buen sentido no puede admitir; es  el inconveniente” [2]
¿Más, quien osa hoy corregir los luminares que psicografia teorías mucho más allá de nuestra comprensión? ¿Quién osa criticar (en el verdadero sentido etimológico de la palabra que es  “evaluar cualitativamente algo o a alguien?)  Estas obras corren el riesgo de morir  en el ostracismo en la ignorancia, en el  olvido.  Felizmente aun existen aquellos que no desean apenas divulgar el Espiritismo y vivirlo en su aspecto moral (a un mismo superficialmente), más, por encima de todo, existen  aquellos que desean pensarlo. Que desean continuar razonado. Es a estos que debemos  obras como Piedra y la   cizaña,  Investigación sobre  la Mediúmnidad y Diversidad de los Carismas.

Hasta porque, es el propio Codificador el que nos incita a denunciar sin duda  las  obras sospechosas, por el bien de la doctrina.  Y esto por el simple hecho  de que si los espíritus poseen,  más allá de él libre albedrio,  las opiniones   sobre los hombres y las cosas  de  este  y del otro mundo,   se comprende que existan textos  que deben ser evitados no solo por conveniencia, más  por prudencia pura y simple. Esta  cuestión  lleva a Kardec a afirmar que en el interés de la Doctrina conviene hacer una selección muy severa, eliminando todo cuanto pueda producir una mala impresión.

Por otro lado, existen alguna obras que aun mismo siendo instructivas,  relatan situaciones y ambientes del  mundo espiritual de forma analógica, comparativa y que si  no fueran debidamente analizadas  y comentadas  pueden ser tomadas como realidad. Es esto  lo que lleva a  José Herculano  Pires a afirmar  que las “obras mediúmnicas psicografiados,  que describen  con exceso minucias de la vida  en el plano espiritual deben ser encaradas con reserva por los espiritas estudiosos” [3] entretanto,  más allá   de estas precauciones, otras deben ser observadas,  principalmente aquella que dice respecto a la participación de los médiums en la elección de  las comunicaciones  o mismo en la publicación de las mismas.
“Mientras el médium imperfecto se enorgullece  por los nombres ilustres,  frecuentemente las más de las veces apócrifos,  que llevan las comunicaciones   que el recibe,  y se considera  interprete privilegiado de las fuerzas  celestes,  el buen médium no se cree jamás  bastante digno de tal valor, teniendo siempre una sana desconfianza de la calidad de aquello que recibe  no  confiando en su propio juicio;  no siendo sino un instrumento pasivo, el comprende que, si lo que recibe es bueno,  no puede hacer de eso un merito personal, ni tampoco puede ser responsable si es malo,  y que sería ridículo creer en la identidad absoluta de los Espíritus que se manifiestan por el; deja la cuestión para ser juzgada por terceros desinteresados, sin que su amor propio  sufra con el juzgamiento desfavorable como la del actor que no es capaz de resistir la censura  infligida de la cual es el interprete.  Su carácter distintivo  es la simplicidad  y la modestia; es feliz con la facultad que posee, pero no para envanecerse de ella, más si  porque le ofrece  un medio de ser útil, lo que hace voluntariamente cuando le surge ocasión, sin jamás   entristecerse si no es colocado en primer plano”. [4]
Estas reflexiones me remiten, inevitablemente, a la asustadora cantidad de médiums dueños de editoras, que fundan centros y graficas para publicar sus libros cuando ellos no son aceptados  con buenos ojos por sus compañeros de  ideal.  Más  no son solos ellos, ¿Cuántos aquí guardarían por más de veinte años una psicografia, y los insistentes convites de los Espíritu autores (del tamaño de un libro)  por no hallar  que ella debería ser publicada en aquel momento? Muchos médiums  mal terminan  de psicografiar  y ya procuran a alguien de nombre para prefacio  de la obra que ni finalizada está, como comento cierta vez  el médium Divaldo Franco. Infelizmente son pocos los que asumen  una postura idéntica   a la Yvonne Pereira  en el famoso caso del Espíritu Beletrista (Ver la obra Desvasando lo Invisible  para mayor información)

Y es por esto que hoy vemos a tanta gente que apenas admira el Espiritismo, tantas cabezas “pensantes”  que se acostumbran a vivir apenas  como las lagartijas, moviendo la cabeza para todo lo que los Espíritus dicen atestando su ignorancia  en todo lo que dice al respecto  el Espiritismo.  ¡Es  ahí donde se dice  que el está fascinado!  Conozco el caso de una señora que jura ser la encarnación  de varios espíritus famosos por ella psicografia  un médium famoso,  ya desencarnado, más que demuestra calaras señales de una asustadora fascinación. ¿Imaginad si ella spicografiara libros? No es de extrañar  que Kardec se  preocupaba con relación a la publicación de  comunicaciones espiritas, de una forma general.  No por acaso, también insistimos en revisar las advertencias  hechas por Herculano Pires sobre la importancia de una seria y solida formación doctrinaria para las futuras generaciones espiritas. Y para finalizar estas reflexiones, como dijo cierta vez el Codificador:
“En materia de publicidad, por tanto, toda circunspección es poca  y no se calcularía con bastante cuidado el efecto que tal vez produjese  sobre el lector. En resumen, es un grave error creerse  obligado a publicar todo cuanto dictan los Espíritus,  porque,  si los hay buenos y esclarecidos, también los hay malos e ignorantes. Importa si hacer una selección muy rigurosa  de sus comunicaciones y suprimir  todo cuanto sea, inútil, insignificante, falso o susceptible de producir mala impresión. Es preciso sembrar, sin duda, más sembrar  la buena simiente en el tiempo oportuno”. [5]
Traducido al español por: M. C. R .

Para a versão em português, clique aqui.

Referencias:

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 14ª Ed. SP, LAKE, 2007, p. 217.
[2] _______. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p. 123.
[3] PIRES, J. Herculano. Mediunidade.
[4] _______. O que é o Espiritismo. IDE, item 87, pag. 114
[5] KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p.

Fonte: Blog Análises Espíritas - http://analisesespiritas.blogspot.com.br/2012/07/reflexoes-acerca-da-publicacao-de.html

sábado, 8 de setembro de 2012

Reflexões acerca da publicação de comunicações mediúnicas


Por Anderson Santiago

Kardec relata em Obras Póstumas que um dos primeiros resultados das suas observações foi perceber que os Espíritos não possuíam nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência, como rezava a cultura popular. Eles não eram nada mais que as almas dos homens que aqui viveram. É por isto que afirma que “esta verdade, reconhecida desde o princípio, preservou-me do perigo de acreditar na infalibilidade deles e livrou-me de formular teorias prematuras sobre os ditados de um ou de alguns” [1].

Foi esta a postura adotada pelo codificador durante todos os quinze anos em que esteve envolvido com os assuntos espíritas. Uma postura sensata, madura e que merece ser copiada nos dias de hoje. E em quantos centros espíritas podemos observar tal postura sendo repetida hoje? Muito poucos! Em tempos de vacas gordas, como os atuais, onde as obras espíritas (e até as que se fazem passar por espíritas...) ganham espaço na mídia e no mercado editorial, quantos editores vão perder tempo em analisar criteriosamente uma obra, seja um romance, seja uma obra de conteúdo doutrinário de forma tão minuciosa que possa descobrir se o ponto no i está correto? Mais uma vez, poucos, muito poucos. A maioria não liga para estes critérios, pois o tipo do papel utilizado na impressão, a arte que será impressa na capa, o autor “de prestígio” que assinará o prefácio [normalmente um médium, já que um mero encarnado que se dispõe a estudar e comentar o Espiritismo normalmente não é tão respeitado como o ‘mensageiro dos espíritos’] e a possibilidade do livro alcançar vultosas tiragens é o mais importante. Não importa se o conteúdo do livro for absurdamente duvidoso, a polêmica também traz lucros, pensam eles. E nisto, a qualidade também se vai.

Contudo, quando existe um trabalho criterioso, muitos equívocos podem ser evitados e muitas informações erradas deixam de ser publicadas. E olhe que não são poucas as obras que poderiam ser atribuídas a Espíritos pseudossábios. E isto é até interessante de se ver. Existem obras que todo mundo sabe que conflitam com os princípios mais básicos do Espiritismo, entretanto, elas são publicadas sem uma referência sequer, nem uma nota corrigindo tal ou qual opinião. E é justamente isto o que Kardec comenta quando afirma que
“[...] Não haveria nenhum inconveniente em publicar essas espécies de comunicações, se as fizessem acompanhar de comentários, seja para refutar os erros, seja para lembrar que são a expressão de uma opinião individual, da qual não se assume a responsabilidade; poderiam mesmo ter um lado instrutivo, mostrando a que aberrações de ideias podem entregar-se certos Espíritos. Mas, publicá-las pura e simplesmente é apresentá-las como expressão da verdade e garantir a autenticidade das assinaturas, que o bom senso não pode admitir; eis o inconveniente” [2].
Mas, quem ousa hoje corrigir os luminares que psicografam teorias muito além da nossa compreensão? Quem ousa criticar (no verdadeiro sentido etimológico da palavra que é ‘avaliar qualitativamente algo ou alguém’) estas obras corre o grande risco de morrer no ostracismo, na ignorância, no esquecimento. Felizmente ainda existem aqueles que não desejam apenas divulgar o Espiritismo e vivê-lo em seu aspecto moral (mesmo que superficialmente), mas, acima de tudo, existem aqueles que querem pensá-lo. Que desejam continuar raciocinando. É a estes que devemos obras como A Pedra e o Joio, Pesquisa sobre a Mediunidade e Diversidade dos Carismas.

Até porque, é o próprio Codificador que nos incita a denunciar sem hesitação as obras suspeitas, pelo bem da doutrina. E isto pelo simples fato de que se os espíritos possuem, além do livre-arbítrio, opiniões sobre os homens e as coisas deste e do outro mundo, compreende-se que existam textos que devam ser evitados não só por conveniência, mas por prudência pura e simples. Esta questão leva Kardec a afirmar que no interesse da Doutrina convém fazer uma seleção muito severa, eliminando tudo quanto possa produzir uma má impressão.
            
Por outro lado, existem algumas obras que mesmo sendo instrutivas, relatam situações e ambientes do mundo espiritual de forma analógica, comparativa e que se não forem devidamente analisadas e comentadas podem ser tomadas como realidade. É isto o que leva José Herculano Pires a afirmar que as “obras mediúnicas, psicografadas, que descrevem com excesso de minúcias a vida no plano espiritual devem ser encaradas com reserva pelos espíritas estudiosos” [3].  Entretanto, além destas precauções, outras devem ser observadas, principalmente aquela que diz respeito à participação dos médiuns na escolha das comunicações ou mesmo na publicação das mesmas.
“Enquanto o médium imperfeito se orgulha dos nomes ilustres, o mais frequentemente apócrifos, que levam as comunicações que ele recebe, e se considera intérprete privilegiado das forças celestes, o bom médium não se crê jamais bastante digno de tal valor, tendo sempre uma salutar desconfiança da qualidade daquilo que recebe não se confiando ao seu próprio julgamento; não sendo senão um instrumento passivo, ele compreende que, se é bom, não pode disso fazer um mérito pessoal, não mais do que pode ser responsável se é mau, e que seria ridículo acreditar na identidade absoluta dos Espíritos que se manifestam por ele; deixa a questão ser julgada por terceiros desinteressados, sem que o seu amor-próprio tenha mais a sofrer com um julgamento desfavorável do que o ator que não é passível da censura infligida à peça da qual é intérprete. Seu caráter distintivo é a simplicidade e a modéstia; é feliz com a faculdade que possui, não para dela se envaidecer, mas porque lhe oferece um meio de ser útil, o que faz voluntariamente quando lhe surge a ocasião, sem jamais melindrar-se se não é colocado em primeiro plano”. [4]
Estas reflexões me remetem, inevitavelmente, à assustadora quantidade de médiuns donos de editoras, que fundam centros e gráficas para publicar seus livros quando eles não são aceitos com bons olhos pelos seus companheiros de ideal.  Mas não só a eles. Quantos aqui guardariam por mais de vinte anos uma psicografia, e os insistentes convites dos Espíritos autores (do tamanho de um livro) por não achar que ela deveria ser publicada naquele momento? Muitos médiuns mal terminam de psicografar e já procuram alguém de nome para prefaciar a obra que nem finalizada está, como comentou certa vez o médium Divaldo Franco. Infelizmente são poucos os que assumem uma postura idêntica a da Yvonne Pereira no famoso caso do Espírito Beletrista (Ver a obra Devassando o Invisível para maiores informações).

E é por isto que hoje vemos tanta gente que apenas admira o Espiritismo, tantas cabeças ‘pensantes’ que se acostumaram a viver apenas como as lagartixas, balançando a cabeça pra tudo o que os Espíritos dizem atestando a sua ignorância em tudo o que diz respeito ao Espiritismo. E ai de quem ousar dizer que ele está fascinado! Conheço o caso de uma senhora que jura ser a encarnação de vários espíritos famosos pela psicografia de um médium também famoso, já desencarnado, mas que demonstra claros sinais de uma assustadora fascinação. Imagina se ela psicografasse livros?

Não é à toa que Kardec se preocupava com relação à publicação de comunicações mediúnicas, de uma forma geral. Não por acaso, também, que insistimos em repisar as advertências feitas por Herculano Pires sobre a importância de uma séria e sólida formação doutrinária para as futuras gerações espíritas. E para finalizar estas reflexões, como disse certa vez o Codificador:
“Em matéria de publicidade, portanto, toda circunspeção é pouca e não se calcularia com bastante cuidado o efeito que talvez produzisse sobre o leitor. Em resumo, é um grave erro crer-se obrigado a publicar tudo quanto ditam os Espíritos, porque, se os há bons e esclarecidos, também os há maus e ignorantes. Importa fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e suprimir tudo quanto for inútil, insignificante, falso ou susceptível de produzir má impressão. É preciso semear, sem dúvida, mas semear a boa semente e em tempo oportuno”. [5]
Referências:

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 14ª Ed. SP, LAKE, 2007, p. 217.
[2] _______. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p. 123.
[3] PIRES, J. Herculano. Mediunidade.
[4] _______. O que é o Espiritismo. IDE, item 87, pag. 114
[5] KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. 1ª Ed. RJ, FEB, 2005, p.

Fonte: Blog Análises Espíritas - http://analisesespiritas.blogspot.com.br/2012/07/reflexoes-acerca-da-publicacao-de.html