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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Movimento e Pesquisas Espíritas

Por Carlos Antônio de Barros

Muita gente em nosso meio acredita que a Doutrina Espírita esteja pronta e acabada. Assim pensa os espíritas religiosos. Logo, não tem porquê nem para quê acrescentar algo mais em nome da Ciência.

A palavra "inacabada", contudo, soa como herética aos ouvidos dos espíritas religiosos que acham não ter mais o que estudar e pesquisar, em face do "complemento definitivo" feito com os livros psicografados por Chico Xavier sob a orientação do seu orientador espiritual, Emmanuel.

Os espíritas que simpatizam com o aspecto científico da Doutrina não se conformam com a ideia de segui-la no formato "igrejificado", respingada de dogmas e atavismos teológicos que a deixa obscurecida pela fé cega.

Esta pendenga doutrinária, infelizmente, acabou dividindo o movimento em grupos que, soberbamente, classificam Allan Kardec como "superado" e que decidiram pesquisar a Bíblia para explicar o Espiritismo, com o propósito de trazer "novas luzes" para O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Os espíritas filosóficos - aqueles que se autodenominal de "livres pensadores", correm por fora de todo esse imbróglio preservando-se de atritos e contendas inúteis.

Alguns desses filósofos, evidentemente, admiram a sede conhecimentos dos espíritas científicos e pretendem dividir com estes as pesquisas que o Espiritismo "inacabado" tanto reclama.

Grupos, núcleos e associações espíritas estão se mobilizando em todo o País, implementando projetos para formar novos pesquisadores imbuídos do espírito perspicaz e investigativo de Kardec. Não se sabe ao certo se os projetos vão tomar a dimensão desejada e encontrar respostas em meio a tantas questões que permeiam o complexo campo da Ciência Espírita.

O saudoso e respeitado pesquisador paulista, José Herculano Pires (1914-1979), refere-se à Epistemologia Espírita - Estudo Crítico do Conhecimento Científico à Luz do Espiritismo, como indispensável à sua compreensão.

Segundo Herculano Pires, Kardec examina a posição epistemológica do Espiritismo na "Introdução do Estudo da Doutrina", que abre O Livro dos Espíritos. Resta saber, portanto, quem se interessou e leu essa relevante introdução.

Um texto que a maioria dos espíritas acha chato porque não traz nenhuma revelação dos mais sombrios umbrais ou alguma curiosidade sobre a colônia Nosso lar.

Lembrando: a posição epistemológica do Espiritismo não pode ser modificada a bel prazer dos espíritas entusiasmados com o seu pseudo-saber.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Estude a Doutrina Espírita online

Por O Blog dos Espíritas

Convidamos aos interessados a participarem do estudo online que se iniciará amanhã, 02 de Maio de 2014, às 22 horas, do livro O que é o Espiritismo? de Allan Kardec, na sala virtual "Espiritismo com Kardec" do programa Paltalk.

O Paltalk, para quem não o conhece, é um programa online para ser usado na internet em formato de bate-papo no qual o usuário tem recursos de áudio, vídeo e texto, tudo ao mesmo tempo. Suas salas de estudo são semelhantes às do antigo mIRC, o que deve facilitar seu uso para quem usou a extinta plataforma. Mais informações sobre o Paltalk estão neste link.

Após criar um apelido (nickname) no Paltalk, entre na pasta South America, e depois na pasta Brazil. Na relação de salas que aparecerá, dê um duplo clique na sala "Espiritismo com Kardec", no dia e horário anteriormente mencionados.

A sala "Espiritismo com Kardec" visa estudar as obras de Allan Kardec e outros autores espíritas, a exemplo de Herculano Pires, Nazareno Tourinho, Gélio Lacerda e Léon Denis. Os encontros são realizados semanalmente, às sextas-feiras, às 22 horas.

Mais informações acerca da proposta da sala "Espiritismo com Kardec" na figura abaixo:


Bons estudos!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os adversários

Por Ricardo Malta

Não é novidade que o Espiritismo possui os seus adversários. Embora desafetos declarados, o materialismo e a religião sempre estiveram unidos contra essa Doutrina. Para tanto, não medem esforços. Todo argumento é válido, mesmo que seja falso. É comum a ressurreição de temas já debatidos, esclarecidos e ultrapassados, porém, às vezes, com uma roupagem nova.

Em verdade, os críticos nos deixam confusos, pois não sabemos onde termina a má-fé e em que momento começa a ignorância quanto ao assunto.

É óbvio que o Espiritismo pode ser criticado, por pessoas de boa-fé, mas é de “lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem nenhum valor” (Kardec, Allan. O que é o Espiritismo, 1987).

Não raro, confundem a opinião pessoal de um Espírito, seja qual for, com os nobres princípios doutrinários. É nítido que desconhecem o método do controle universal do ensino dos Espíritos, que encontra suas bases delineadas na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

É conhecido e notório, entre os verdadeiros estudantes da matéria, que a “única garantia séria do Ensino dos Espíritos está na concordância que exista entre as revelações que eles façam espontaneamente, por meio de grande número de médiuns estranhos uns aos outros, e em diversos lugares” (Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 2010).

Por consequência lógica, fácil perceber que “todo princípio que não recebeu a consagração do controle da generalidade, não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina, mas uma simples opinião isolada, da qual o Espiritismo não pode assumir a responsabilidade” (Kardec, Allan. A Gênese, 2007).

Nesse ínterim, podemos observar, por exemplo, que, se há teorias errôneas escritas na obra A Gênese, contraditas pela ciência atual, os críticos esqueceram-se de ler a introdução do volume, onde Allan Kardec afirma que algumas informações ali contidas eram a título hipotético e que deveriam ser consideradas meras opiniões pessoais, a fim de não pesar a sua responsabilidade sobre a Doutrina.

Os mais simples pesquisadores e estudantes sabem que os Espíritos são apenas as almas dos homens desenfaixados do envoltório carnal. Eles não sabem tudo a respeito de qualquer assunto. É possível obter os mais significativos ensinamentos filosóficos e científicos, bem como dissertações triviais e tolas. Tudo depende do grau evolutivo do Espírito comunicante.

Eis, portanto, a importância de passar todas as comunicações mediúnicas pelo crivo da razão e do método do controle da universalidade do ensino dos Espíritos.

É assim, por exemplo, que não há o desmentido do princípio da reencarnação, pelo contrário, inúmeras pesquisas científicas ratificam essa lei natural. O mesmo ocorre com a fenomenologia mediúnica, pesquisada, inclusive, por respeitados cientistas e institutos internacionais. Será que os críticos estão atualizados nesse sentido? Por via das dúvidas, sugiro a leitura do seguinte artigo: Evidências científicas atuais sobre a existência da vida após a morte. [1]

Comumente afirmam que Kardec pode ter sido vítima de embustes ou mesmo errado em suas observações. De fato, se as pesquisas ficassem adstritas à apenas uma única pessoa, no caso, Kardec, nada nos levaria a admitir a veracidade da fenomenologia mediúnica, por exemplo. Todavia, os contraditores deveriam saber que, após o Codificador do Espiritismo, inúmeros estudos vierem à baila. Afinal, será que ignoram as laboriosas e judiciosas experiências levadas a efeito por homens como Gustave Geley, William Crookes, R. Wallace, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Frederic Zöllner, De Rochas, Hermínio C. Miranda, etc. Enfim, compulsaram os anais científicos do Espiritismo,  in totum? Difícil acreditar que exista um crítico que chegou nesse nível de profundidade.

Pedem provas, estas não faltam. Não querem estudar, desejam que o espírita resuma mais de um século e meio de pesquisas num diálogo informal. Para tal desiderato, seria necessário um curso preliminar da matéria, no mínimo. Não é exagero de nossa parte. Como falar de comunicação mediúnica com alguém que desconhece a existência, características e funções do perispírito?

Por outro lado, a convicção não surge apenas com a exibição de um punhado de fenômenos. É imperioso o estudo contínuo, assíduo e sério. Após laboriosas pesquisas, teóricas e práticas, que devem durar alguns anos, o pesquisador terá condições de confrontar dados, experiências, opiniões, e, por fim, tirar suas próprias conclusões. É lamentável que esse caminho não seja percorrido pelos pseudo-críticos. 

O que é possível constatar, na realidade, é que a esmagadora maioria dos adversários do Espiritismo o desconhece. Também não há o sincero desejo de compreendê-lo em sua essência. Nenhuma prova, por mais robusta que seja, irá fazer um incrédulo obstinado aceitar a veracidade dos fenômenos. Aliás, “muitas vezes, a insistência em querer convencê-lo o leva a crer em sua importância pessoal, o que constitui razão para que ele se obstine ainda mais” (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, 2009).

E o que dizer dos fanáticos religiosos? Impossível dialogar com um fundamentalista. Os maiores absurdos são aceitos cegamente, isto é, sem exame racional. Para eles, basta estar escrito no “livro sagrado” de sua religião. Têm medo de estudar o Espiritismo. São repetitivos em seus argumentos ultrapassados. Comumente recitam trechos bíblicos fora de contexto, adulterados ou mal interpretados. Ignoram os estudos espíritas e são mal orientados por lideres religiosos. São cegos guiando outros cegos (Mateus 15:14).

Por fim, conclui-se, por lógica elementar, que “o espiritualismo simplório e o materialismo atrevido são os dois polos da estupidez humana” (Pires, J. Herculano. Agonia das Religiões, 2009).
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Fonte: http://estudofilosoficoespirita.blogspot.com.br/

sábado, 17 de agosto de 2013

A hora é mesmo extrema!

Por Sergio Aleixo

Mais equívocos em traduções dos textos de Kardec, e agora, salvo exceções indicadas, todos em edições L.A.K.E. ou F.E.E.S.P., por J. Herculano Pires...[1]

1 - N. 189 de O Livro dos Espíritos. Onde se lê: “Em sua origem, os Espíritos não têm mais do que uma existência instintiva, possuindo apenas a consciência de si mesmos e de seus atos”, leia-se, na verdade: “Em sua origem, os Espíritos não têm mais do que uma existência instintiva, mal possuindo consciência de si mesmos e de seus atos”. No francês: “A leur origine, les Esprits n'ont qu'une existence instinctive et ont à peine conscience d'eux-mêmes et de leurs actes”. Uma coisa é “mal possuir consciência de si”, outra, “possuir apenas a consciência de si”.

2 - N. 673 de O Livro dos Espíritos. Onde se lê: “Já vos disse, por isso mesmo, que Deus desaprova as cerimônias que fazeis para as vossas preces, pois há muito dinheiro que poderia ser empregado mais utilmente”, leia-se, na verdade: “Não quero dizer com isto que Deus desaprove as cerimônias que praticais para a ele orardes, mas muito dinheiro se gasta aí que poderia ser mais utilmente empregado”. No francês: “Je ne dis pas pour cela que Dieu désapprouve les cérémonies que vous faites pour le prier, mais il y a beaucoup d'argent qui pourrait être employé plus utilement qu'il ne l'est”. Uma coisa é Deus condenar as cerimônias, outra, que não as condene.

3 - N. 11 do cap. XXVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Onde se lê: “Além do nosso anjo guardião, que é sempre um Espírito superior a nós, temos os Espíritos protetores”, leia-se, na verdade: “Além do nosso anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos os Espíritos protetores”. No original: “Outre notre ange gardien, qui est toujours un Esprit supérieur, nous avons des Esprits protecteurs”. Esta inserção: “a nós”, só se verifica a partir da 59.ª edição da L.A.K.E., de 2003, ausente nas anteriores e, por exemplo, na 14.ª da F.E.E.S.P., de 1998, o que isenta, evidentemente, Herculano Pires. Uma coisa é “um Espírito superior”, outra, “um Espírito superior a nós”, sobretudo num contexto especialíssimo, em que Kardec define os tipos e elevações dos espíritos que se nos ligam, adiante esclarecendo de modo a não restar dúvida: “Deus nos deu um guia principal e superior em nosso anjo guardião, e guias secundários nos nossos Espíritos protetores e familiares”. No original: “Dieu nous a donné un guide principal et supérieur dans notre ange gardien, et des guides secondaires dans nos Esprits protecteurs et familiers”. Portanto, todo anjo guardião é espírito protetor, todavia nem todo espírito protetor é anjo guardião, precisamente porque este, como assegura o mestre, é sempre um Espírito superior.

4 - N. 23 do cap. IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Onde se lê: “4.º) a conservação da individualidade, com o progresso infinito, segundo a doutrina espírita”, leia-se, na verdade: “4.º a individualidade com progressão indefinida (ou indefinita), segundo a doutrina espírita”. No original: “4.º l'individualité avec progression indéfinie, selon la doctrine spirite”; portanto, progression indéfinie, não infinie. Uma coisa é que o progresso da alma seja indefinito, outra, que o seja infinito. Kardec, aliás, postula que a ascensão da alma ao bem absoluto deve ter um limite, porque jamais chegaria à felicidade perfeita se estivesse a subir incessantemente. (Cf. Revista Espírita. Set/1862. Poesias Espíritas. Peregrinações da Alma. Observação.) Nada obstante, Evandro N. Bezerra, para a F.E.B., preferiu traduzir os dizeres do mestre: “progrès successif et indéfini de l'âme”, por “progresso contínuo e infinito da alma”. Melhor, a opção de Julio A. Filho, para a EDICEL: “progresso sucessivo e indefinido da alma”; a corroborá-la está a escolha de Salvador Gentile, para o I.D.E. (Cf. Revista Espírita. Nov/1863. Pluralidade das Existências e dos Mundos Habitados. Pelo Dr. Gelpke.)

5 - N. 7 do cap. XXI de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Onde se lê: “Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira mais ostensiva pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação”, leia-se, na verdade: “Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou falante”. No francês: “Avant que les rapports médianimiques fussent connus, ils exerçaient leur action d'une manière moins ostensible, par l'inspiration, la médiumnité inconsciente, auditive ou parlante”. Na 58.ª edição, de 2002, “mais ostensiva” dá lugar ao correto: “menos ostensiva”; sem qualquer aviso, porém, da editora L.A.K.E., o que retira credibilidade da publicação, pois, com a morte de Herculano Pires em 1979, sua obra forçosamente se petrifica, e não se pode, sem aviso, nela mexer a bel-prazer, para bem ou para mal. Permanece, contudo, a opção equívoca do mestre paulista por mediunidade “de incorporação”. Kardec escreveu mediunidade “falante”. Pode um espírito agir sobre as cordas vocais do médium sem necessariamente haver “incorporação” desse espírito no corpo do médium. Esta palavra, aliás, não é do Espiritismo. Kardec acabou admitindo a pertinência do termo “possessão” em A Gênese, XIV, 47-48 e, antes disso, na Revista Espírita de dezembro de 1863: “Dissemos que não havia possessos no sentido vulgar do termo, mas subjugados. Queremos reconsiderar esta asserção, posta de maneira um tanto absoluta, já que agora nos é demonstrado que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, embora parcial, de um espírito encarnado por um espírito errante”. (Um Caso de Possessão. Senhorita Júlia. F.E.B., p. 499.)

[A lista permanecerá em aberto.]
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[1] Afora os nove casos elencados no cap. 9 do meu livro O Primado de Kardec. Oito deles de âmbito febiano, um, relativo ao I.D.E. http://oprimadodekardec.blogspot.com.br/2011/02/capitulo-9-tradutor-traidor.html.

Fonte:
Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2013_07_20_archive.html

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Roustainguistas, Chiquista, Andreluizismo, Secular, Religioso, Kardecista, Ramatis, Libre Pensador etc...

Por Maria das Graças Cabral

Al iniciar el estudio De  El Libro de los Espíritus, nos deparamos en su introducción,  con el gran cuidado de Allan Kardec, para con las palabras  a ser empleadas en el cuerpo doctrinario espirita. En un primer momento, podríamos entender que tal diligencia, se debiese al hecho de ser el Codificador por formación académica, un pedagogo. Lingüista insigne, que hablaba alemán, inglés, italiano, español  y holandés. Escribió gramáticas, aritméticas, estudios pedagógicos superiores; tradujo obras inglesas y alemanas.  O sea, en la condición de poliglota y profundo conocedor de la alengua francesa, su idioma patriarcal, sabia de las palabras para que un discurso fuese claro, y alcanzase su objetivo.

No obstante, podríamos  también considerar, que en la condición de organizador de toda una gama de conocimientos, advenidos de Espíritus de alta evolución para la estructuración de una obra, que según J. Herculano pires, sería “el código de una nueva fase de la evolución humana”, buscase “cuidar”  de las palabras que debía emplear en esa sistematización, para evitar que el uso inadecuado de las mismas, fuese a “desvirtuar” los preceptos doctrinarios.

Y así, el Codificador inicia la Introducción de El Libro de los Espíritus diciendo que: - Para las cosas nuevas necesitamos de palabras nuevas, pues así, lo exige la claridad de lenguaje, para evitar la confusión inherente a los múltiples sentidos de los propios vocablos. “Se observa claramente, que el maestro  trata la doctrina como algo innovador, consciente de la grandeza de sus revelaciones. Sabía que los asuntos abordados, envolvían  grandes cuestionamientos de la humanidad, que hasta entonces nunca habían sido tratados tan objetivamente. No quería por tanto, que palabras con sentidos ya definidos, distorsionan los preceptos fundamentales de la nueva doctrina.

Enseguida, el Maestro Lionés se reporta a las palabras espiritual, espiritualista, espiritualismo, demostrando que las mismas ya tenían un significado bien definido – entendiéndose por espiritualismo-  toda filosofía religiosa  que predica la existencia de un ser o realidad distinto de la materia.   Entendía Kardec , que no aplicando a la Doctrina Espirita tales palabras, se evitaría la multiplicación de las ya numerosas causas de ambigüedad y de doble sentido, (anfibología), que acabarían por generar graves conflictos de entendimiento.

De ahí, el codificador  establece que “en lugar de las palabras espiritual y espiritualismo” – para designar la Doctrina de los Espíritus – la palabra adecuada sería espirita o espiritismo. Y concluye afirmando que “Los adeptos del Espiritismo, serán los espiritas, o si lo quisieren espiritistas. “Según Kardec, el Libro de los Espíritus tiene como especialidad la Doctrina Espirita, y como generalidad el Espiritualismo, de ahí, la referida obra trae abajo del título,  las palabras Filosofía Espiritualista.

Sucede, que el cuidado de Kardec, fue totalmente negligenciado por los espiritas. Es un hecho que se identificase en la abundancia de obras publicadas, en los discursos y en el habla de la gran mayoría de los espiritistas, no solo palabras, más también teorías y filosofías, totalmente  extrañas al cuerpo doctrinario espirita, y que alteran frontalmente sus preceptos.

Más allá, desde la muerte de Kardec, el Espiritismo viene sufriendo crueles distorsiones. Vale recordar que la propia Revista Espirita, con su muerte, cayó en las manos de Pierre Gaetan Leymarie, que por su excesivo espíritu de tolerancia, desvirtuó la finalidad de la misma, abriendo sus páginas a la propaganda de filosofías espiritualistas, inclusive a la de Roustaing, que diverge frontalmente del Espiritismo.

No obstante, oportuno resaltar, los desdoblamientos sufridos  por la palabra “espirita” designada por Kardec a los adeptos de la Doctrina de los Espíritus. el referido vocablo, vendría a ser acompañado de ciertos adjetivos, visando hacer una distinción ideológica en el propio medio espirita.   En los idos de 1880, cuando Brasil despertaba para el estudio de la nueva doctrina, recién llega al país, ya comenzaban a surgir las divergencias de pensamientos con relación a los aspectos filosófico, científico y religioso de la misma. Ante la discordancia, pasaron los espiritas de la época a ser identificados, dependiendo de la línea del pensamiento, por espiritas científicos, espiritas místicos, o espiritas kardecistas.

Con el pasar del tiempo, algunos adjetivos se consustanciaron, como es el caso del “espirita cristiano”, que es la denominación dada al adepto del espiritismo Cristiano, lanzado por el abogado de Bordeaux y opositor de Kardec, Jean Baptiste Roustaing, en la obra Los Cuatro Evangelios, editado por la FEB.

Hodiernamente, la variedad de adjetivos aumento grandemente dentro del movimiento espirita, puesto que, se tiene espirita, roustanguista, chiquista, andreluicista, laico religioso, kardecista, ramatista, librepensador, etc. se puede aseverar que hoy, el movimiento espirita está formado  por numerosas corrientes espiritualistas, conocidas como Espiritismo.

No obstante, en la búsqueda de una identidad filosófica y/o religiosa, y en razón de la “anfibología” creada para la palabra “espirita”, aquel que se considera adepto a la Doctrina de los espíritus, positivada en la Obras Fundamentales que forman el pentateuco, y codificadas por el maestro Allan Kardec, se identifica como “espirita Kardecista”, o simplemente “kardecista”, distinguiéndose de las demás corrientes de pensamiento espiritualista, y de los seguidores de cultos afro-brasileños, los cuales también se auto-denominan espiritas.

Algunos compañeros, juzgan que “espiritista kardecista” sería una redundancia, pues todo espiritismo debería ser Kardecista. Es un hecho que sería una redundancia, si no estuviésemos ante tantas corrientes espiritualistas que adoptaron la denominación de espirita.

Vale resaltar que hay innumerables espiritas, que no son kardecista. Algunos nunca leyeron ninguna obra codificada por Allan Kardec. Serian considerados creyentes.   No obstante, la Doctrina Espirita es una doctrina anti dogmatica, racional  y evolucionista, que predica la fe raciocinada, y exige de sus adeptos el estudio constante y profundo de sus principios libertadores, positivados en las obras fundamentales, que son: El Libro de los Espíritus, El Libro de los Mediums, El Evangelio Según el Espiritismo, El Cielo y el Infierno, La Génesis, el pequeño  libro introductorio al estudio de la doctrina Qué es el Espiritismo y Obras Póstumas, que según J. Herculano Pires, representa el testamento doctrinario de Allan Kardec.

Ante lo Expuesto, es un hecho que los cuidados del Codificador para que la Doctrina de los Espíritus no se perdiese en las palabras, no impidió que tal cosa ocurriese.

Hodiernamente, aquellos que estudian la codificación con dedicación y de una forma atenta, constatan con profundo pesar, la adulteración de los preceptos doctrinarios, presentes en las traducciones y en las nuevas ediciones de las obras fundamentales de la Doctrina espirita: en la “importación” de filosofías extrañas a los preceptos  espiritas en la vasta producción literaria publicada y divulgada; en los discursos, falas y textos. En fin, la anfibología se hace presente en el discurso espirita a pesar de todo el cuidado de Kardec en evitar que el Espiritismo viniese a enredarse en sus redes, generando los actuales conflictos de entendimiento.

Además de eso, es un hecho que el des virtuamiento de la Doctrina  de los espíritus, ya va mucho  más allá de las palabras y de las fronteras, puesto que Brasil, es el mayor exportador de obras de divulgadores espiritas.

En verdad, cada día, me admiro más y más con lo que leo, oigo y presencio, por parte de los espiritas, independientemente de la clase social o del grado de escolaridad. Como también, me espanto con los rumbos tortuosos tomados por el movimiento espirita brasileño.

No obstante, no podemos abandonar la lucha. Algunos compañeros ya me preguntaron:- ¿Qué hacer ante la dimensión del problema? Respuesta que no quiero callar: - que cada uno haga su parte. No seamos omisos, cobardes, o acomodados, pues la responsabilidad es individual. Vamos con mucho amor  y disposición, a vivir, estudiar y divulgar con fidelidad la Doctrina Espirita, positivada  con brillantez en las obras fundamentales, por el genio del insigne codificador Allan Kardec. Las consecuencias vendrán naturalmente con el tiempo. ¡Al final somos Espíritus eternos!

Tradução de Mercedes Cruz 

Fonte: http://espiritoverdade.com.br/?p=220

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Roustenguista, chiquista, andreluizista, laico, religioso, kardecista, ramatista, livre-pensador etc…

Por Maria das Graças Cabral

Ao iniciarmos o estudo de O Livro dos Espíritos, nos deparamos em sua introdução, com o grande cuidado de Allan Kardec, para com as palavras a serem empregadas no corpo doutrinário espírita. Num primeiro momento, poderíamos entender que tal diligência, se devesse ao fato de ser o Codificador por formação acadêmica, um pedagogo, lingüista insigne, que falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês. Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs. Ou seja, na condição de poliglota e profundo conhecedor da língua francesa, seu idioma pátrio, sabia da importância das palavras para que um discurso fosse claro, e alcançasse seu objetivo.

Não obstante, poderíamos também considerar, que na condição de organizador de toda uma gama de conhecimentos, advindos de Espíritos de alta evolução para a estruturação de uma obra, que segundo J. Herculano Pires, seria “o código de uma nova fase da evolução humana”, buscasse ‘cuidar’ das palavras a serem empregadas nessa sistematização, de forma a evitar que o uso inadequado das mesmas, viesse a “desvirtuar” os preceitos doutrinários.

E assim, o Codificador inicia a Introdução de O Livro dos Espíritos dizendo que: – “Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim, o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos.” Observa-se claramente, que o mestre trata a doutrina como algo inovador, ciente da grandeza de suas revelações. Sabia que os assuntos abordados, envolviam grandes questionamentos da humanidade, que até então nunca haviam sido tratados tão objetivamente. Não queria portanto, que palavras com sentidos já definidos, distorcessem os preceitos fundamentais da nova doutrina.

Em seguida, o Mestre Lionês reporta-se às palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo, demonstrando que as mesmas já tinham uma significação bem definida – entendendo-se por espiritualismo – toda filosofia religiosa que prega a existência de um ser ou realidade distinto da matéria. Entendia Kardec, que não aplicando à Doutrina Espírita tais palavras, evitar-se-ia a multiplicação das já numerosas causas de ambigüidade e de duplo sentido, (anfibologia), que acabariam por gerar graves conflitos de entendimento.

Daí, o codificador estabelece que “em lugar das palavras espiritual e espiritualismo” – para designar a Doutrina dos Espíritos – a palavra adequada seria espírita ou espiritismo. E conclui afirmando, que “Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou se o quiserem, espiritistas.” Segundo Kardec, O Livro dos Espíritos tem como especialidade a Doutrina Espírita, e como generalidade o Espiritualismo, daí, a referida obra traz abaixo do título, as palavras Filosofia Espiritualista.

Ocorre, que o cuidado de Kardec, foi totalmente negligenciado pelos espíritas. É fato que identifica-se na abundância de obras publicadas, nos discursos e na fala da grande maioria dos espiritistas, não só palavras, mas teorias e filosofias, totalmente estranhas ao corpo doutrinário espírita, e que alteram frontalmente os seus preceitos.

Aliás, desde a morte de Kardec, o Espiritismo vem sofrendo cruéis distorções. Vale lembrar que a própria Revista Espírita, com a sua morte, caiu nas mãos de Pierre Gaëtan Leymarie, que por seu excessivo espírito de tolerância, desvirtuou a finalidade da mesma, abrindo suas páginas à propaganda de filosofias espiritualistas, inclusive à de Roustaing, que diverge frontalmente do Espiritismo.

Não obstante, faz-se por oportuno ressaltar, os desdobramentos sofridos pela palavra “espírita“, designada por Kardec aos adeptos da Doutrina dos Espíritos. O referido vocábulo, viria a ser acompanhado de certos adjetivos, visando fazer uma distinção ideológica no próprio meio espírita. Nos idos de 1860, quando o Brasil despertava para o estudo da nova doutrina, recém chegada ao país, já começavam a surgir divergências de pensamento com relação aos aspectos filosófico, científico e religioso da mesma. Diante da discordância, passaram os espíritas da época a serem identificados, dependendo da linha de pensamento, por espíritas científicos, espíritas místicos, ou espíritas kardecistas.

Com o passar do tempo, algumas adjetivações se consubstanciaram, como é o caso do “espírita cristão”, que é a denominação dada ao adepto do Espiritismo Cristão, lançado pelo advogado de Bodeaux e opositor de Kardec, Jean Baptiste Roustaing, na obra Os Quatro Evangelhos, editado pela FEB.

Hodiernamente, a variedade de adjetivos aumentou grandemente dentro do movimento espírita, posto que, se tem espírita, roustenguista, chiquista, andreluizista, laico, religioso, kardecista, ramatista, livre-pensador, etc. Pode-se asseverar que hoje, o movimento espírita é formado por numerosas correntes espiritualistas, conhecidas como Espiritismo.

Não obstante, na busca por uma identidade filosófica e/ou religiosa, e em razão da ‘anfibologia’ criada para a palavra ‘espírita’, aquele que se considera adepto da Doutrina dos Espíritos, positivada nas Obras Fundamentais que formam o Pentateuco, e codificadas pelo mestre Allan Kardec, identifica-se como “espírita kardecista“, ou simplesmente “kardecista“, distinguindo-se das demais correntes de pensamento espiritualista, e dos seguidores de cultos afro-brasileiros, os quais também se auto-denominam espíritas.

Alguns companheiros, julgam que “espírita kardecista” seria uma redundância, pois todo Espiritismo deveria ser kardecista. É fato que seria uma redundância, se não estivéssemos diante de tantas correntes espiritualistas que adotaram a denominação de espírita.

Vale ressaltar, que há inúmeros espíritas que não são kardecistas. Alguns nunca leram nenhuma obra codificada por Allan Kardec. Seriam considerados crentes. Não obstante, a Doutrina Espírita é uma doutrina anti-dogmática, racional e evolucionista, que prega a fé raciocinada, e exige de seus adeptos o estudo constante e aprofundado de seus princípios libertadores, positivados nas obras fundamentais, quais sejam: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, o pequeno livro introdutório ao estudo da doutrina O que é o Espiritismo e Obras Póstumas, que segundo J. Herculano Pires, representa o testamento doutrinário de Allan Kardec.

Diante do exposto, é fato que os cuidados do Codificador para que a Doutrina dos Espíritos não se ‘perdesse nas palavras’, não impediu que tal fato ocorresse.

Hodiernamente, aqueles que estudam a codificação com dedicação e de forma atenta, constatam com profundo pesar, a adulteração dos preceitos doutrinários, presentes nas traduções e nas novas edições das obras fundamentais da Doutrina Espírita; na ‘importação’ de filosofias estranhas aos preceitos espíritas presentes na vasta produção literária publicada e divulgada; nos discursos, falas e textos. Enfim, a anfibologia se faz presente no discurso espírita, apesar de todo o cuidado de Kardec em evitar que o Espiritismo viesse a se enredar em suas malhas, gerando os atuais conflitos de entendimento.

Aliás, é fato que o desvirtuamento da Doutrina dos Espíritos, já vai muito além das palavras e das fronteiras, posto que o Brasil, é o maior exportador de obras e de divulgadores espíritas.

Na verdade, a cada dia, me admiro mais e mais com o que leio, ouço e presencio, por parte de espíritas, independentemente de classe social ou do grau de escolaridade. Como também, me espanto com os rumos tortuosos tomados pelo movimento espírita brasileiro.

Não obstante, não podemos abandonar a luta. Alguns companheiros já me perguntaram: – Fazer o que, diante da dimensão do problema? Resposta que não quer calar: – Cada um faça a sua parte. Não sejamos omissos, covardes, ou acomodados, pois a responsabilidade é individual. Vamos com muito amor e disposição, viver, estudar e divulgar com fidelidade a Doutrina Espírita, positivada com brilhantismo nas obras fundamentais, pelo gênio do insigne codificador Allan Kardec. As conseqüências virão naturalmente com o tempo. Afinal, somos Espíritos eternos!

Fonte: http://espiritoverdade.com.br/?p=220

domingo, 2 de junho de 2013

O que é lícito pedir ao Espiritismo

Por Amílcar Del Chiaro Filho

Há pessoas que procuram na religião a satisfação utilitarista. Acreditam que a religião deverá lhes dar a vitória, o sucesso, a felicidade para essa vida, e a salvação eterna para a outra. Hoje, algumas seitas religiosas pregam isso abertamente, e convidam os que querem deixar para traz a infelicidade, o fracasso, a se unirem a elas.

Algumas pessoas chegam a dizer, que resolveram mudar de religião, para serem felizes. No dia a dia dos centros espíritas temos deparados com essa situação. Muitos o procuram no desejo de obter benefícios imediatos, como: curas, enriquecimento, conquistas amorosas, anular um desafeto, e outras coisas mais.

Contudo, a finalidade do Espiritismo não é o de arranjar a vida das pessoas. Os espíritos superiores, embora nos amem e nos auxiliem, não são serviçais à nossa disposição para os pequenos interesses humanos.

Quando as pessoas insistem nesses pedidos, e não percebem o extraordinário novo campo de visão que se lhe abre à frente, acabam por perder a proteção dos bons espíritos, e os maus, os ignorantes tomam conta da situação, pois estão sempre prontos a atender a todos os pedidos, mesmo os injustos. Esses espíritos podem satisfazer certos pedidos, porém cobram muito caro a satisfação concedida.

Quando Jesus de Nazaré ofereceu a Água Viva do Evangelho para a mulher samaritana, afirmando que quem bebesse da água que ele oferecia nunca mais teria sede, a mulher pediu para que o Rabi Galileu lhe desse da tal água, porque assim ela não precisaria buscá-la diariamente. Ela não compreendeu que o Mestre não a isentava do trabalho, das lutas evolutivas, do aperfeiçoamento, mas alargava os seus horizontes espirituais.

O que devemos procurar no Espiritismo? Devemos procurar a elevada compreensão do processo que é a vida. O Espiritismo oferece essa compreensão. Ele é, no dizer de Herculano Pires, a plataforma para as novas conquistas da humanidade.

É proibido, então, à mãe que chora a perda de seu filhinho, buscar notícias que a console? É proibido ao homem que vê a esposa doente, em risco de vida, pedir a cura ou a esperança? Aquele que não consegue um emprego e precisa sustentar a família não pode pedir aos espíritos que o ajude a se empregar? O homem de negócios que está atormentado pelos fracassos sucessivos, não pode ir buscar orientação junto a uma casa espírita? Nada disso é proibido, e é natural que o centro espírita preste esse socorro e vários outros, mas é preciso que ensine a libertação, ou seja, o conhecimento espírita. É preciso que compreendam que os espíritos não fazem pelo homem, aquilo que ao homem compete fazer.

É comum ao ser humano, o desejo de se ver liberto das dores, angústias e dificuldades. É comum procurarem meios mais ou menos mágicos para resolver seus problemas. No Espiritismo não poderia ser diferente. Quase sempre, aqueles que se decepcionam com a Doutrina Espírita e a abandonam, são os que querem soluções mágicas. Não existem soluções sem esforços, luta, trabalho.

Não raro a dor, o problema aparentemente insolúvel, é o chamamento para uma nova postura, um novo caminho, um novo ideal. O fato de sermos espíritas ou médiuns, não nos dá privilégios, e sim responsabilidades. Não feche os olhos para a luz. Não peça o que o Espiritismo não lhe pode dar, e não se decepcionará com ele.

Fonte: http://portalespirito.com/amilcar/o-que-eh-licito.htm

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Síntese Kardequiana


Allan Kardec

Por Maurice Herbert Jones

Segundo o filósofo e pacifista britânico Bertrand Russel, a Filosofia é algo que se situa entre a Teologia e a Ciência. Todo o conhecimento definido pertence à Ciência e todo dogma, pertence à Teologia. Mas, entre a Teologia e a Ciência existe um território de ninguém, onde as nossas reflexões, as nossas idéias, os nossos mais simples pensamentos, transitam sem dificuldades, sem formalismos – esta terra de ninguém é uma terra de todos: é o chão da Filosofia.

O mundo, indaga ele, está dividido em espírito e matéria?  Se assim é, o que é o espírito e o que é a matéria? Quem está sujeito a quem? Será o espírito dotado de alguma independência?  Possui o universo alguma unidade ou propósito e se possui estará ele evoluindo a caminho da sua finalidade? Será que existem mesmo leis da natureza ou só acreditamos nelas devido ao nosso amor pela ordem? Existe alguma maneira de viver que seja mais nobre ou menos nobre? Em que consistiria o modo de vida nobre e como realizá-lo?

Evidentemente não encontraremos respostas a estas questões nos laboratórios. Responder a elas é empenho da Filosofia pois, se nem  todas as nossas especulações podem ser respondidas pela Ciência, é também verdade que  as respostas confiantes dos teólogos, aceitas no passado, já não nos convencem mais,  conclui o pensador na sua “História da Filosofia Ocidental”.

Seria o Espiritismo numa resposta inteligente a estas profundas questões de ordem filosófica? Vários elementos que estruturam o pensamento espírita respondem positivamente a esta indagação e o credenciam como um modo moderno, ventilado e revolucionário de percepção do homem e do mundo, bem como precioso instrumento pedagógico para o autoconhecimento e controle racional da própria evolução. 

O grande problema da ética como estudo racional da moralidade se resume em saber se é desejável ser bom e, em caso afirmativo, como pode ser o homem persuadido a ser bom. A esta intrigante questão o Espiritismo responde com a idéia da evolução e, sobretudo, com os princípios da reencarnação e da causalidade que oferecem substrato racional riquíssimo para a adoção consciente de um modelo comportamental fundamentado na tolerância racial e social, configurando assim a ética natural, sonhada por Sócrates, capaz de construir um sistema de moralidade independente de credos teológicos.

Na visão do filósofo J.Herculano Pires, O Livro dos Espíritos, veículo privilegiado destas idéias inovadoras, mesmo não tendo sido elaborado em linguagem técnica e nem observe as minúcias da exposição filosófica, revela todo um complexo e amplo sistema de filosofia. É, portanto,  o arcabouço filosófico do Espiritismo.

Como se vê, Kardec não foi um filósofo na acepção mais usual do termo, nem exatamente um cientista. Foi, isto sim, e acima de tudo, um extraordinário pedagogo, qualificação essencial para a compreensão e propagação do Espiritismo até os dias atuais.

A precoce percepção de que somente a educação e o amor poderiam encaminhar solução para os problemas sociais e morais do seu tempo fez de Kardec herdeiro natural de uma magnífica linhagem de educadores que começa, no século XVII, com Comenius, o pai da didática moderna, passa, no séc. XVIII, pelo filósofo J.J. Rousseau e seu “Emílio”, terminando  no grande e sábio mestre da educação como ato de amor, J.H. Pestalozzi.  

Como um estuário das correntes de idéias mais generosas e libertárias que irrigaram a cultura da Europa desde a renascença, Kardec chegou à maturidade equipado, moral e intelectualmente, para a grande tarefa de sua vida: a construção de uma síntese conceptual do mundo moderno, a Codificação Espírita, centrada na idéia da evolução e na realidade e primado da vida espiritual.

Esta extraordinária façanha, resultado do trabalho de homens encarnados, assessorados por homens desencarnados, tornou-se possível, no tempo e no espaço, pela feliz conjugação de fatores políticos, sociais, econômicos e culturais aliados à sensibilidade, lucidez e coragem do mestre educador Hippolyte Léon Denizard Rivail cujo bicentenário de nascimento estamos comemorando neste 3 de outubro de 2004.

Segundo muitos historiadores, o Renascimento  e a Reforma Luterana são as duas mais importantes nascentes da história moderna. Uma libertou o espírito e embelezou a vida, oferecendo ao homem o direito à felicidade aqui na terra; a outra estimulou a crença e o senso moral. As idéias contidas no bojo destes movimentos, propagadas pelas facilidades oferecidas pela descoberta de Gutenberg e dinamizadas pela revolução conceptual produzida pela descoberta da América e pela revelação de Copérnico, varreram a Europa a partir do final do Séc. XV e início do Séc. XVI, desencadeando uma  irresistível avalanche de mudanças, crises  e conflitos ideológicos num mundo cansado do repouso medieval e ansioso pela descoberta de novos mundos, novos caminhos, novas idéias.

No Século XVIII o Renascimento cede espaço para o Iluminismo que, tendo razão e liberdade como estandarte, enfrenta a superstição e a opressão, produzindo significativa redução de importância da Igreja e influindo por seus princípios na independência dos Estados Unidos e na Revolução Francesa, fatos que, entre outros, assinalam o colapso da França feudal, uma importante ampliação das liberdades civis e a transição da Idade Moderna para a Contemporânea.

Se acrescentarmos a este sintético painel o crescimento exponencial da população a partir de 1750 em função de avanços na produção agrícola, higiene e medicina e mais a revolução industrial iniciada na Inglaterra provocando intenso deslocamento das populações rurais para as cidades com todo o conjunto de conseqüências sociais, políticas e econômicas, encerraremos o século das luzes já experimentando um certo cansaço da arrogância racionalista e criando espaço para o surgimento do Romantismo que valorizando o sentimento caracteriza o século XIX, o século de Kardec.

O nascimento em 1804 e a formação intelecto-moral  do futuro Codificador do Espiritismo ocorre em plena era de Napoleão que, no mesmo ano é coroado Imperador  e promulga o Código Civil dos Franceses ou “Código de Napoleão”, de importância decisiva no direito ocidental e, conforme o próprio Imperador, sua maior obra.

Kardec era um homem da sua época, cosmopolita, sensível, arguto e naturalmente aberto às influências mais nobres que a história e a experiência lhe ofereciam. Enquanto aprimorava sua formação no Instituto de Pestalozzi em Yverdon e, depois, na vida profissional, como educador, outros acontecimentos ocorriam, com enorme significado e presença na sua futura e máxima obra.

Além dos importantes desdobramentos geopolíticos do período napoleônico, podemos identificar as revolucionárias teorias evolucionistas de Lamark e Darwin de enorme repercussão,  a Filosofia Positivista de Auguste Comte e, até, o Manifesto Comunista de Marx e Engels, produto da agitação social da nova classe operária.

Neste cenário imponente e desafiador, buscava-se afanosamente um novo modelo conceptual para o tempo novo que surgia, pois os paradigmas vigentes haviam esgotado a capacidade de oferecer segurança e identidade.  É então que, já maduro e sensível às inquietações do seu mundo e à convocação do mundo espiritual, Kardec aceita a responsabilidade de liderar o grande esforço para construção de uma nova visão de homem e de mundo, humanista e dinâmica, na qual razão e sentimento pudessem, harmonicamente, buscar a verdade.

E assim, como uma flor tardia da primavera iluminista, nascida no solo adubado pelo romantismo de Rousseau e Pestalozzi, surgiu o Espiritismo que, com seu “humanismo espiritocêntrico”, busca superar, dialeticamente, o conflito entre o pensamento medieval centrado em Deus e o humanismo organocêntrico da renascença e iluminismo. A cosmovisão inovadora e sintética oferecida por Kardec ao mundo nascia, robusta e perturbadora, desafiando os paradigmas senis e anunciando, no dizer do físico inglês Oliver Lodge, “uma nova revolução copérnica”.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

El Destino de Los Animales Y La Cuestión de "Perro Intercesor"


Por Artur Felipe Azevedo

El Espiritismo es una doctrina espiritualista de un carácter filosófico y, al mismo tiempo, una ciencia experimental,  según la definición de Allan Kardec. El objeto especial  del Espiritismo es el conocimiento  de las leyes del principio espiritual, siguiéndose de ahí que el conocimiento acerca de los principios de la materia, estudiados  por las ciencias ordinarias, le sirve de  complemento, una vez que el conocimiento  de uno no puede estar completo  sin el conocimiento del otro. De este modo, el Espiritismo y la Ciencia se complementan recíprocamente.

Contrariamente a eso, ciertos simpatizantes de la Doctrina Espirita prefieren renegar de los conocimientos científicos y derivan para la  tentativa de anexar al conocimiento y practicas espiritas conceptos oriundos del Espiritualismo genérico, con lo  que intentan ·enriquecer” el cuerpo doctrinario espirita. De esta forma, pasan a diseminar,  junto a los núcleos espiritas, ideas y conceptos que entran en conflicto con claridad y directamente con los más básicos y elementales principios espiritas, ocasionando así, grandes confusiones entre los simpatizantes de la Doctrina, conduciendo el Movimiento, de manera, subrepticia, a la perdida de unidad y, consecuentemente, provocando desinteligencias entre los adeptos, lo que facilita la formación  y fortalecimiento  de .reductos seitistas. Actúan, por tanto, bajo la apariencia de virus peligrosos, como ya tratamos en el artículo, “Los caballos de Troya  del Espiritismo”.

Una de esas cuestiones elementales a la que nos referimos más arriba es aquella que trata del animal irracional y su destino después de la muerte, así como el grado de evolución al cual pertenecen. Tal asunto es tratado de manera clara en la obra basilar de la Doctrina Espirita, “El Libro de los Espíritus”. En la cuestión 592 hasta la 610, los Espíritus superiores responden a las más variadas preguntas formuladas por el codificador Allan Kardec, donde llegamos a las siguientes conclusiones, que a continuación enumeramos:

1. Los animales poseen instinto, que es una forma rudimentaria de inteligencia, y no son detentores de libre albedrio.

2. Los animales no pueden analizar sus errores y aciertos. Siendo así, no pueden sufrir penas y goces por no tener conciencia de sus actos practicados en el mundo físico. No hay en ellos sentido moral, ya que la inteligencia no se encuentra suficientemente desarrollada para tal;

3. El alma de los animales, después de la muerte del cuerpo, es devuelta rápidamente al mundo físico sea en un planeta u en otro  para que continúen su evolución hasta llegar al estado hominal, donde de ahí en adelante poseer libre albedrio y sufrirán las penas y goces del mundo espiritual.

En “El Libro de los Mediums”, cap. XXV, 283, ítems 36 y 37, también podemos tomar informaciones sobre la cuestión:

4. El principio inteligente que anima al animal queda en estado latente después de la muerte, siendo que espíritus encargados de ese trabajo inmediatamente lo utilizan para animar a otros seres. No les sobra  tiempo disponible para ponerse en relación con otras criaturas. Siendo así, no hay espíritus errantes de animales, más si solamente espíritus humanos.

5. Consecuentemente, no hay animales habitando el mundo espiritual, y no es posible obtener comunicaciones de animales por vía mediúmnica o por cualquier otros medios.

Es eso, pues, resumidamente, lo que enseña el Espiritismo sobre el destino del alma de los animales, así como sus posibilidades  y nivel de adelantamiento.

No en tanto, vuelta y media nos deparamos con declaraciones en evidente contraposición a lo expuesto antes siendo hechas en centros espiritas o presentes en obras que dicen inspirarse en el Espiritismo. Surgen, obviamente, de la mera opinión personal de sus autores, más que son consideradas, por cierto número de desavisados, como enseñanza espirita. Eso ocurre más comúnmente en los núcleos de orientación ramatisista, que se auto titulan “universalistas”, donde se pretende, en todo instante,  “reformar” el Espiritismo a título de “modernidad” y “vanguardismo”. Sin embargo, infelizmente, lo que encontramos en esos reductos es un autentico sincretismo, donde todo se mezcla, sin cualquier criterio de medición de la Verdad. Opiniones individuales se mezclan  con conceptos del orientalismo, cuyas doctrinas jamás formaron un cuerpo uniforme, sumadas a comunicaciones atribuidas a espíritus, que son luego creídas como autenticas y repositorios  de verdades cristalinas, a titulo de contribución al cuerpo doctrinario espirita. Se olvidan, con todo, que el criterio espirita de aceptación de los mensajes oriundos del mundo espiritual debe ser  el de la concordancia universal teniendo como base la propia revelación espirita, toda ella consubstanciada en las obras de la Codificación.

Un ejemplo practico de esa triste realidad ha sido los mensajes atribuidos a un dios griego (¡) pretendidamente recibidos por el “médium universalista” el campesino Roger Bottini, que también dice psicografiar a Ramatis. Ya realizamos un abordaje critico de este caso y asunto en el articulo “Médium “universalista” dice recibir mensajes de el dios griego”- lo cual sugerimos la lectura para mejor comprensión de lo que escribimos -, siendo que, recientemente, nos causo enorme perplejidad el comentario hecho por el Sr. Bottini sobre un supuesto “perro intercesor” llamado Fiel. Según el médium anterior, sus lectores estarían libres para orar al perro y “pedirle auxilio para sus  “animales domésticos” que estén enfermos  o hayan desencarnado. Según el Sr. Bottini, “Fiel es un perro del reino astral muy especial” y “vive junto a  Hermes”, el dios de la mitología griega, y “atenderá a los pedidos hechos a el con mucho amor y cariño”. (…)

Desde este momento, apelamos al lector que analice minuciosamente la declaración mencionada anteriormente  y compare con lo que es enseñado por la Doctrina Espirita. Recordamos que el autor hace palestras en centros espiritas y se dice “espirita universalista” – una manera encontrada de no tener que divulgar fielmente  los principios espiritas y mezclarlos  con todo lo que se le viene a la cabeza. El resultado de eso es que, dentro en breve, ciertamente, tendremos personas que se dicen “espiritas” declarando abiertamente por ahí que oran a un perro, que amorosamente atiende a sus pedidos. La impresión causada, con certeza, será la peor posible, pasando el Espiritismo objetivo de burlas y el descrédito de los que tienen una mínima capacidad de razonamiento y pensamiento crítico.

Según las instrucciones de los Espíritus a Allan Kardec, principalmente las contenidas en la Introducción de “El Evangelio Según el Espiritismo” y en “El Libro de los Mediums”, se hace necesario estar alerta a esos focos de grosería mistificada y aplicar una postura crítica que consiste en separar lo verdadero de lo falso. Es nuestro deber someter al crisol de la razón y de la lógica todas las comunicaciones, sobre todo aquellas que poseen un carácter exótico y exclusivista, generalmente advenidas de individuos vanidosos  que se auto titulan detentores de alguna misión especial o conocimientos inaccesible a la mayoría, que presentan como verdades absolutas. La mayoría de las veces, son víctimas de espíritus mistificadores o seudosabios, que se ornan con nombres pomposos para ganar así mejor la confianza. El mal que tales entidades intentan causar es enorme, porque visan la desfiguración del mensaje espirita, exponiéndolo al ridículo y a la vergüenza  delante de la opinión publica, debilitando, así, los magnos objetivos de esclarecimiento y liberación de la ignorancia propuestos por la Doctrina Espirita. A fin de atenuar la mala impresión que causan, pueden esas entidades espirituales hasta incluso estimular a sus medianeros a erguir alguna obra de caridad o a desenvolver alguna actividad de asistencia social, intentando, así, formar una nube de humo en torno al médium y conseguir la admiración de los incautos que les siguen  los esdrújulos ideales. Tales ideales, actualmente, están generalmente ligados a los conceptos de salvación planetaria, colectiva y/ o individual, donde se insertan “revelaciones” y previsiones sobre futuras hecatombes apocalípticas,  inculcando  que sus seguidores serán salvos en función de sus creencias, oraciones o acciones determinadas por el (s) líder (es) seitistas (s). Todo, obviamente, sugiriendo mucho amor, fraternidad y caridad en frases de hecho, que, en verdad, encubren buenas dosis de presunción, y estimulo al miedo y al misticismo.

El Espiritismo bien estudiado y comprendido es seguramente el mejor antídoto contra tales ilusiones y artimañas, más como cada vez más se ha priorizado la lectura de obras romanceadas  y las de abordaje superficial y simplista de pretendido carácter espirita, dejándose a un lado el estudio serio y metódico de las obras kardecianas, ha crecido el número de adeptos que poco o nada saben sobre la Doctrina, tornándose, así, presas fáciles de los especuladores encarnados y desencarnados.

Ya declaraba Kardec en 1858, en el “Libro de los Mediums”: 

Los Espíritus son las almas de los hombres, y como los hombres no son perfectos, hay también Espíritus imperfectos, cuyo carácter se refleja en las comunicaciones. Es incontestable que hay Espíritus malos, astutos, profundamente hipócritas, contra los cuales debemos prevenirnos.

Herculano Pires, en vista de esos preciosos esclarecimientos, comento, teniendo en mente lo que viene ocurriendo en el movimiento espirita brasileño:

“La maldad de los Espíritus mistificadores ultrapasa algunas veces todo lo que se pueda imaginar. El arte con que asestan sus bacterias y traman  los medios de persuadir sería digna de atención, caso se limitasen  a juegos inocentes. Más las mistificaciones pueden tener consecuencias desagradables para los que no se prevengan. Somos muy felices por poder haber abierto los ojos a tiempo de muchas personas que nos pidieron consejos librándolas de situaciones ridículas  y comprometedoras.

(…) Deben también considerar desde luego sospechosas las predicciones con épocas marcadas y todas las indicaciones precisas referentes a intereses materiales.

Todo cuidado con las providencias prescritas o aconsejadas por los Espíritus, cuando los fines no fueran claramente razonables.

Jamás dejarse ofuscar por los nombres usados por los Espíritus para dar validad a sus palabras.

Desconfiar de las teorias y sistemas científicos osados. En fin, desconfiar de todo lo que se aparte del objetivo moral de las manifestaciones. Podríamos escribir un libro de los más curiosos con las  historias de todas las mistificaciones que han llegado a nuestro conocimiento.

La falta de observación de esas instrucciones han permitido la divulgación y aceptación de numerosas teorías pseudo-científicas en nuestro país y en todo el mundo, que  contribuyen para el descredito del Espiritismo. La vanidad personal de médiums, de estudiosos de la doctrina y hasta aun mismo de intelectuales de valor innegable, estos siempre dispuestos a criticar y a superar a Kardec, ha llevado a esas personas al ridículo, inutilizándolas para el verdadero trabajo de divulgación y orientación. Esas instrucciones deben ser leídas y meditadas por los que desean realmente servir a la causa espirita.”

Siendo así, apreciado lector, si deseamos estar aptos para seguir la causa espirita, tomemos en consideración tales instrucciones, precaviéndonos, así, de los  cebos que dan el aire de gracia en nuestro medio.   Solamente el estudio atento de las obras Kardecianas, sumadas al desenvolvimiento del sentido crítico alentado en la más severa lógica, puede inmunizarnos de esos virus inoculados por los enemigos secretos del Espiritismo y del bien general. Amar al prójimo no es solamente aliviar sus dolores, más si prevenirlas, y eso comienza por liberarlo de todo lo que conduzca al error y a la ilusión, que, consecuentemente, le llevará al sufrimiento. En la ignorancia reposa el origen de todo mal.  

Fonte: Blog Ramatis, sabio o Pseudosabio? - http://espiritismoxramatisismo.blogspot.com.br/2013/01/o-destino-dos-animais-e-questao-do-cao.html

Traducido al español por Merchita 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O destino dos animais e a questão do "cão intercessor"


Por Artur Felipe Azevedo

O Espiritismo é uma doutrina espiritualista de caráter filosófico e, ao mesmo tempo, uma ciência experimental, segundo a definição de Allan Kardec. O objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual, seguindo-se daí que o conhecimento acerca dos princípios da matéria, estudados pelas ciências ordinárias, lhe serve de complemento, uma vez que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. Deste modo, Espiritismo e Ciência se completam reciprocamente. 

Contrariamente a isso, certos simpatizantes da Doutrina Espírita preferem renegar os conhecimentos científicos e descambam para a tentativa de anexar ao conhecimento e práticas espíritas conceitos oriundos do Espiritualismo genérico, com o que intentam “enriquecer” o corpo doutrinário espírita. Desta forma, passam a disseminar, junto aos núcleos espíritas, ideias e conceitos que conflitam clara e diretamente com os mais básicos e elementares princípios espíritas, ocasionando, assim, grandes confusões entre os simpatizantes da Doutrina, conduzindo o Movimento, de maneira sub-reptícia, à perda de unidade e, consequentemente, provocando desinteligências entre os adeptos, o que facilita a formação e fortalecimento de redutos seitistas. Atuam, portanto, à feição de vírus perigosos, como já tratamos no artigo “Os Cavalos de Troia do Espiritismo”.

Uma dessas questões elementares a que nos referimos acima é aquela que trata do animal irracional e sua destinação após a morte, assim como o grau de evolução ao qual pertencem. Tal assunto é tratado de maneira clara na obra basilar da Doutrina Espírita, “O Livro dos Espíritos”. Da questão 592 até a de número 610, os Espíritos Superiores respondem às mais variadas perguntas formuladas pelo codificador Allan Kardec, onde chegamos às seguintes conclusões, que abaixo enumeramos:

1. Os animais possuem instinto, que é uma forma rudimentar de inteligência, e não são detentores de livre-arbítrio;

2. Os animais não podem analisar seus erros e acertos. Assim sendo, não podem sofrer penas nem gozos por não terem consciência de seus atos praticados no mundo físico. Não há neles senso moral, já que a inteligência não se encontra suficientemente desenvolvida para tal;

3. A alma dos animais, após a morte do corpo, é devolvida rapidamente ao mundo físico, seja em um planeta ou outro para que continuem sua evolução até chegarem ao estado hominal, donde daí para frente possuirão livre-arbítrio e sofrerão as penas e gozos do mundo espiritual. 

Em “O Livro dos Médiuns”, cap. XXV, 283, itens 36 e 37, também podemos colher mais informações sobre a questão:

4. O princípio inteligente que anima o animal fica em estado latente após a morte, sendo que espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres. Não lhes sobra tempo disponível para se por em relação com outras criaturas. Sendo assim, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos. 

5. Consequentemente, não há animais habitando o mundo espiritual, e nem é possível obter comunicações de animais por via mediúnica ou por quaisquer outros meios. 

É isso, pois, resumidamente, o que ensina o Espiritismo sobre o destino da alma dos animais, assim como suas possibilidades e nível de adiantamento.

No entanto, volta e meia nos deparamos com declarações em evidente contraposição ao exposto acima sendo feitas em centros espíritas ou presentes em obras que dizem inspirar-se no Espiritismo. Decorrem, obviamente, de mera opinião pessoal de seus autores, mas que são consideradas, por certo número de desavisados, como autêntico ensinamento espírita. Isso ocorre mais comumente nos núcleos de orientação ramatisista, que se auto-intitulam “universalistas”, onde se pretende, a todo instante, “reformar” o Espiritismo a título de “modernidade” e “vanguardismo”. Porém, infelizmente, o que encontramos nesses redutos é um autêntico sincretismo, onde tudo se mistura, sem qualquer critério de aferição da Verdade. Opiniões individuais se mesclam a conceitos do orientalismo, cujas doutrinas jamais formaram um corpo uniforme, somadas a comunicações atribuídas a espíritos, que são logo cridas como autênticas e repositórios de verdades cristalinas, a título de contribuição ao corpo doutrinário espírita. Esquecem-se, contudo, que o critério espírita de aceitação das mensagens oriundas do mundo espiritual deve ser o da concordância universal, tendo como base a própria revelação espírita, toda ela consubstanciada nas obras da Codificação. 

Um exemplo prático dessa triste realidade tem sido as mensagens atribuídas a um deus grego (!) pretensamente recebidas pelo “médium universalista” gaúcho Roger Bottini, que também diz psicografar Ramatis. Já realizamos uma abordagem crítica deste caso e assunto no artigo “Médium ‘universalista’ diz receber mensagens de deus grego”- o qual sugerimos a leitura para melhor entendimento do que agora escrevemos - , sendo que, recentemente, causou-nos enorme perplexidade o comentário feito pelo Sr. Bottini sobre um suposto “cão intercessor” chamado Fiel. Segundo o médium supracitado, seus leitores estariam livres para orar ao cão e “pedir auxílio para seus ‘pets’ que estejam doentes ou tenham desencarnado.” Segundo o sr. Bottini, “Fiel é um cão do reino astral muito especial” e “vive junto a Hermes”, o deus da mitologia grega, e “atenderá aos pedidos feitos a ele com muito amor e carinho”(...) 

Desta feita, apelamos ao leitor que analise minimamente a declaração acima e compare com o que é ensinado pela Doutrina Espírita. Lembramos que o autor faz palestras em centros espíritas e se diz “espírita universalista” – uma maneira encontrada de não ter que divulgar fielmente os princípios espíritas e misturá-los a tudo que lhe venha na cabeça. O resultado disso é que, dentro em breve, certamente, teremos pessoas que se dizem “espíritas” declarando abertamente por aí que oram a um cão, que amorosamente atende aos seus pedidos. A impressão causada, com certeza, será a pior possível, passando o Espiritismo a alvo de chacota e desprestígio por parte daqueles com mínima capacidade de raciocínio e senso crítico.

Segundo as instruções dos Espíritos a Allan Kardec, principalmente as contidas na Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e em “O Livro dos Médiuns”, faz-se necessário estarmos alerta a esses focos de grosseira mistificação e aplicarmos uma postura crítica que consiste em separar o verdadeiro do falso. É nosso dever submeter ao cadinho da razão e da lógica todas as comunicações, sobretudo aquelas que possuem um caráter exótico e exclusivista, geralmente advindas de indivíduos vaidosos que se auto-intitulam detentores de alguma missão especial ou conhecimento inacessível a maioria, que apresentam como verdades absolutas. Na mais das vezes, são vítimas de espíritos mistificadores ou pseudossábios, que se ornam com nomes pomposos para melhor enganar. O mal que tais entidades intentam causar é enorme, porque visam à desfiguração da mensagem espírita, expondo-a ao ridículo e ao vexame perante a opinião pública, enfraquecendo, assim, os magnos objetivos de esclarecimento e libertação da ignorância propostos pela Doutrina. A fim de atenuar a má impressão que causam, podem essas entidades espirituais até estimular seus medianeiros a erguerem alguma obra de caridade ou a desenvolverem alguma atividade de assistência social, intentando, assim, formar uma nuvem de fumaça em torno do médium e angariar a admiração dos incautos que lhes seguem os esdrúxulos ideários. Tais ideários, atualmente, estão geralmente ligados aos conceitos de salvação planetária, coletiva e/ou individual, onde se inserem “revelações” e previsões sobre futuras hecatombes apocalípticas, incutindo que seus seguidores serão salvos em função de suas crenças, preces ou ações determinadas pelo(s) líder(es) seitista(s). Tudo, obviamente, sugerindo muito amor, fraternidade e caridade em frases de efeito, que, na verdade, encobrem boas doses de presunção, e estímulo ao medo e ao misticismo. 

O Espiritismo bem estudado e compreendido é seguramente o melhor antídoto contra tais ilusões e artimanhas, mas como cada vez mais se tem priorizado a leitura de obras romanceadas e as de abordagem superficial e simplista de pretenso caráter espírita, deixando-se de lado o estudo sério e metódico das obras kardecianas, tem crescido o número de adeptos que pouco ou nada sabem sobre a Doutrina, tornando-se, assim, presas fáceis dos espertalhões encarnados e desencarnados. 

Já declarava Kardec em 1858, em “O Livro dos Médiuns”:

Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir.

Herculano Pires, em vista desses preciosos esclarecimentos, teceu comentários, tendo em mente o que vem ocorrendo no movimento espírita brasileiro:

“A malandragem dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo que se possa imaginar. A arte com que assestam as suas baterias e tramam os meios de persuadir seria digna de atenção, caso se limitassem a brincadeiras inocentes. Mas as mistificações podem ter consequências desagradáveis para os que não se previnam. Somos muito felizes por termos podido abrir os olhos a tempo a muitas pessoas que nos pediram conselhos, livrando-as de situações ridículas e comprometedoras.

(...) Devem também considerar desde logo suspeitas as predições com épocas marcadas e todas as indicações precisas referentes a interesses materiais.

Toda cautela com as providências prescritas ou aconselhadas pelos Espíritos, quando os fins não forem claramente razoáveis.

Jamais se deixar ofuscar pelos nomes usados pelos Espíritos para darem validade as suas palavras.

Desconfiar das teorias e sistemas científicos ousados. Enfim, desconfiar de tudo o que se afaste do objetivo moral das manifestações. Poderíamos escrever um volume dos mais curiosos com as estórias de todas as mistificações que têm chegado ao nosso conhecimento.

A falta de observação dessas instruções tem permitido a divulgação e aceitação de numerosas teorias pseudo-cientificas em nosso país e em todo o mundo, que contribuem para o descrédito do Espiritismo. A vaidade pessoal de médiuns, de estudiosos da doutrina e até mesmo de intelectuais de valor inegável, estes sempre dispostos a criticar e a superar Kardec, tem levado essas pessoas ao ridículo, inutilizando-as para o verdadeiro trabalho de divulgação e orientação. Essas instruções devem ser lidas e meditadas pelos que desejam realmente servir à causa espírita.”

Assim sendo, prezado leitor, se desejamos estar aptos a seguir a causa espírita, levemos em consideração tais instruções, precavendo-nos, assim, dos engodos que dão o ar da graça em nosso meio. Somente o estudo atento das obras kardecianas, somados ao desenvolvimento do senso crítico alicerçado na mais severa lógica, pode imunizar-nos desses vírus inoculados pelos inimigos secretos do Espiritismo e do bem geral. Amar ao próximo não é somente aliviar suas dores, mas preveni-las, e isso começa por libertá-lo de tudo que conduza ao erro e à ilusão, que, consequentemente, levará ao sofrimento. Na ignorância repousa a origem de todo o mal.

Fonte: Blog Ramatis, sábio ou pseudossábio? - http://espiritismoxramatisismo.blogspot.com.br/2013/01/o-destino-dos-animais-e-questao-do-cao.html