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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os adversários

Por Ricardo Malta

Não é novidade que o Espiritismo possui os seus adversários. Embora desafetos declarados, o materialismo e a religião sempre estiveram unidos contra essa Doutrina. Para tanto, não medem esforços. Todo argumento é válido, mesmo que seja falso. É comum a ressurreição de temas já debatidos, esclarecidos e ultrapassados, porém, às vezes, com uma roupagem nova.

Em verdade, os críticos nos deixam confusos, pois não sabemos onde termina a má-fé e em que momento começa a ignorância quanto ao assunto.

É óbvio que o Espiritismo pode ser criticado, por pessoas de boa-fé, mas é de “lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem nenhum valor” (Kardec, Allan. O que é o Espiritismo, 1987).

Não raro, confundem a opinião pessoal de um Espírito, seja qual for, com os nobres princípios doutrinários. É nítido que desconhecem o método do controle universal do ensino dos Espíritos, que encontra suas bases delineadas na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

É conhecido e notório, entre os verdadeiros estudantes da matéria, que a “única garantia séria do Ensino dos Espíritos está na concordância que exista entre as revelações que eles façam espontaneamente, por meio de grande número de médiuns estranhos uns aos outros, e em diversos lugares” (Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 2010).

Por consequência lógica, fácil perceber que “todo princípio que não recebeu a consagração do controle da generalidade, não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina, mas uma simples opinião isolada, da qual o Espiritismo não pode assumir a responsabilidade” (Kardec, Allan. A Gênese, 2007).

Nesse ínterim, podemos observar, por exemplo, que, se há teorias errôneas escritas na obra A Gênese, contraditas pela ciência atual, os críticos esqueceram-se de ler a introdução do volume, onde Allan Kardec afirma que algumas informações ali contidas eram a título hipotético e que deveriam ser consideradas meras opiniões pessoais, a fim de não pesar a sua responsabilidade sobre a Doutrina.

Os mais simples pesquisadores e estudantes sabem que os Espíritos são apenas as almas dos homens desenfaixados do envoltório carnal. Eles não sabem tudo a respeito de qualquer assunto. É possível obter os mais significativos ensinamentos filosóficos e científicos, bem como dissertações triviais e tolas. Tudo depende do grau evolutivo do Espírito comunicante.

Eis, portanto, a importância de passar todas as comunicações mediúnicas pelo crivo da razão e do método do controle da universalidade do ensino dos Espíritos.

É assim, por exemplo, que não há o desmentido do princípio da reencarnação, pelo contrário, inúmeras pesquisas científicas ratificam essa lei natural. O mesmo ocorre com a fenomenologia mediúnica, pesquisada, inclusive, por respeitados cientistas e institutos internacionais. Será que os críticos estão atualizados nesse sentido? Por via das dúvidas, sugiro a leitura do seguinte artigo: Evidências científicas atuais sobre a existência da vida após a morte. [1]

Comumente afirmam que Kardec pode ter sido vítima de embustes ou mesmo errado em suas observações. De fato, se as pesquisas ficassem adstritas à apenas uma única pessoa, no caso, Kardec, nada nos levaria a admitir a veracidade da fenomenologia mediúnica, por exemplo. Todavia, os contraditores deveriam saber que, após o Codificador do Espiritismo, inúmeros estudos vierem à baila. Afinal, será que ignoram as laboriosas e judiciosas experiências levadas a efeito por homens como Gustave Geley, William Crookes, R. Wallace, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Frederic Zöllner, De Rochas, Hermínio C. Miranda, etc. Enfim, compulsaram os anais científicos do Espiritismo,  in totum? Difícil acreditar que exista um crítico que chegou nesse nível de profundidade.

Pedem provas, estas não faltam. Não querem estudar, desejam que o espírita resuma mais de um século e meio de pesquisas num diálogo informal. Para tal desiderato, seria necessário um curso preliminar da matéria, no mínimo. Não é exagero de nossa parte. Como falar de comunicação mediúnica com alguém que desconhece a existência, características e funções do perispírito?

Por outro lado, a convicção não surge apenas com a exibição de um punhado de fenômenos. É imperioso o estudo contínuo, assíduo e sério. Após laboriosas pesquisas, teóricas e práticas, que devem durar alguns anos, o pesquisador terá condições de confrontar dados, experiências, opiniões, e, por fim, tirar suas próprias conclusões. É lamentável que esse caminho não seja percorrido pelos pseudo-críticos. 

O que é possível constatar, na realidade, é que a esmagadora maioria dos adversários do Espiritismo o desconhece. Também não há o sincero desejo de compreendê-lo em sua essência. Nenhuma prova, por mais robusta que seja, irá fazer um incrédulo obstinado aceitar a veracidade dos fenômenos. Aliás, “muitas vezes, a insistência em querer convencê-lo o leva a crer em sua importância pessoal, o que constitui razão para que ele se obstine ainda mais” (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, 2009).

E o que dizer dos fanáticos religiosos? Impossível dialogar com um fundamentalista. Os maiores absurdos são aceitos cegamente, isto é, sem exame racional. Para eles, basta estar escrito no “livro sagrado” de sua religião. Têm medo de estudar o Espiritismo. São repetitivos em seus argumentos ultrapassados. Comumente recitam trechos bíblicos fora de contexto, adulterados ou mal interpretados. Ignoram os estudos espíritas e são mal orientados por lideres religiosos. São cegos guiando outros cegos (Mateus 15:14).

Por fim, conclui-se, por lógica elementar, que “o espiritualismo simplório e o materialismo atrevido são os dois polos da estupidez humana” (Pires, J. Herculano. Agonia das Religiões, 2009).
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Fonte: http://estudofilosoficoespirita.blogspot.com.br/

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A alma existe. Importância dos Fenômenos Espíritas.


Por Sérgio Aleixo

Disse um físico brasileiro radicado no exterior: “Eu adoraria ter alma e, quando meu corpo pifasse, poder renascer em outro corpo. Histórias de espiritismo, de vida após a morte e as várias versões das religiões para isso são mecanismos que criamos para lidar com nosso problema mais fundamental, que é a mortalidade. Vários amigos espíritas dizem que a maneira científica de pensar o mundo é apenas uma. Existem outras. Usar a ciência para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo”. E concluiu: “Hoje, a gente sabe que não tem alma e que o cérebro é um organismo extremamente complexo”.

Mas com fundamento em que se poderia dizer que hoje a gente “sabe” não ter alma? Com base nesta ciência que sequer provou seu materialismo? O físico declarou, porém, que usá-la para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo. Então, as coisas não são exatamente deste modo para ele, porque está, sim, usando a ciência, ou o que aprendeu com ela, ou, pelo menos, a posição de que desfruta perante a mesma, para negar a existência da alma. Tudo não iria além da complexidade cerebral, de mecanismos que criamos para lidar com a mortalidade.

Todos têm direito à opinião. Entretanto, não é propriamente a ciência que nega a alma, mas a ciência oficializada por certa classe de cientistas. Outros, ao contrário, lhe afirmam a existência. Não se podem ignorar as pesquisas de Rhine, desde 1930, na Universidade de Duke. Evidenciaram definitivamente que o cérebro não explica a mente e que esta não é física, embora possa agir no mundo físico por vias não físicas (psigama e psikapa). Mesmo a supervivência da mente após a morte (psiteta) foi sustentada em Cambridge, Oxford e Londres, por Carington, Price e Soal e, na própria Duke, pelo casal Rhine e por Pratt. Idade de ouro da Parapsicologia!

Antes disso, contudo, baseando-se nas pesquisas etnológicas e antropológicas de Lang e Long, Bozzano, em seu livro Povos Primitivos e Manifestações Supranormais, estabeleceu a interessante tese de que a crença na sobrevivência à morte não teria surgido de esforços do pensamento abstrato, de pura indução, mas da mescla de fatos da experiência vital com fenômenos supranormais. À medida que ordenava estes fatos: imagens refletidas em espelhos d’água, sombras, ecos, a razão preenchia suas categorias prévias com os resultados de concomitantes experiências com aqueles fenômenos, muitos deles objetivos, sensoriais.

Na International Psychic Gazette de maio de 1930, Bozzano declarou: “[...] os fenômenos supranormais constituem um complexo admirável de provas anímicas e espiríticas, todas convergentes para um centro a favor da demonstração rigorosamente científica da existência e sobrevivência do espírito humano”.

Cerca de sessenta anos antes, o descobridor do tálio, do radiômetro e do tubo de raios catódicos, Sir Crookes, inferiu a existência da matéria radiante durante suas investigações da mediunidade da Srta. Florence Cook. Isto se deu, sim, graças às suas pesquisas com as materializações (fotografadas) do espírito Katie King ao longo de mais de três anos. Como disse oportunamente Denis, em O Além e a Sobrevivência do Ser: “Foi, pois, de um fato espírita que se originou uma série completa de descobertas, uma revolução no domínio da física e da química”. Sobre suas pesquisas, Crookes assegurou, já em 1917, na International Psychic Gazette: “É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.

Demais homens de ciência atingiram essa mesma convicção após a realização de minuciosos experimentos. Assim aconteceu ao naturalista Wallace, êmulo de Darwin, que publicou O Aspecto Científico do Sobrenatural; ao criminalista Lombroso, que escreveu Hipnotismo e Mediunidade; e ao astrônomo Zöllner, que editou Provas Científicas da Sobrevivência.

Também o descobridor do agente da raiva e do pênfigo agudo, discípulo de Pasteur e diretor do Instituto Bacteriológico de Nova Iorque, Dr. Gibier, no seu Análise das Coisas, foi categórico: “Podemos ter provas materiais da existência da alma”. E informou com desassombro: “Somente depois que observei o fenômeno de escrita direta pelo menos quinhentas vezes, foi que me decidi a publicar as minhas pesquisas”. Ao IV Congresso Internacional de Psicologia (Paris, 1900), Gibier dirigiu um precioso memorial contendo o relato de anos de suas pesquisas experimentais, de título As Materializações de Fantasmas, a penetrabilidade da matéria e outros fenômenos psíquicos.

No final do séc. 20, o Dr. Sabom, prof. de Cardiologia, relacionou 116 casos de estranhas experiências vividas por pacientes entre 1976 e 1981, no livro de rigorosa metodologia científica Recollection of death. Os insólitos fenômenos transcorreram, segundo ele, numa clara dissociação entre cérebro e espírito, sugerindo indubitavelmente a existência e sobrevivência da alma. São da mesma conclusão as casuísticas de Moody Jr., Kenneth Ring, George Ritchia, Elizabeth Kübler-Ross, Melvin Morse, etc.

Trata-se das “near death experiences”, ou experiências de morte aproximada, ou de quase morte. Após anestesia geral, coma e até morte clínica, muitos afirmam ter visto a si mesmos fora do corpo físico, dão conta dos procedimentos adotados na sala em que estavam e mesmo de fatos acontecidos longe dessas dependências. Não poucos conversaram com defuntos acerca de fatos do presente, do passado e do futuro. Os espíritos superiores, no entanto, já haviam instruído Allan Kardec neste assunto, dizendo-lhe no item 422-a do livro que lhes traz o nome: “(...) esse estado especial dos órgãos prova que no homem há alguma coisa mais do que o corpo, pois que, então, o corpo já não funciona e, no entanto, o espírito se mostra ativo”.

O mestre da psicologia analítica, Jung, afirmou certa feita numa entrevista à BBC de Londres: “Eu não acredito que a mente humana morra, porque está provado que a mente humana não conhece passado, nem presente nem futuro; contudo, se ela pode prever acontecimentos futuros, está acima do tempo, se está acima do tempo, não pode ficar trancafiada num corpo”. E disse também: “A plenitude da vida exige algo mais que um ser; necessita de um espírito, isto é, de um complexo independente e superior, único capaz de chamar à vida todas as possibilidades psíquicas que a consciência — ego — não poderá alcançar por si”.

Isto é o que resulta demonstrado pelas regressões de memória a vidas anteriores. Casuísticas minuciosamente documentadas como as de Banerjee, Stevenson, Drouot, Weiss, e outros, não podem ser ignoradas. Weiss foi contundente em A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas, de 1996: “Não se trata de mera sugestão. De um modo geral não são pessoas crédulas ou sugestionáveis. Elas recordam — nomes, datas, geografia, detalhes. E depois que recordam ficam curadas. Talvez até mais importante que a cura de sintomas físicos e emocionais específicos seja o conhecimento de que não morremos junto com nossos corpos. Somos imortais. Sobrevivemos à morte física”. Drouot afirmou em Reencarnação e Imortalidade, de 1989: “Para mim, a exploração de vidas anteriores não é somente psicológica; ela é também, e sobretudo, espiritual”.

Contudo, nos Congressos Espíritas de 1889 e 1900 é que primeiramente se falou em regressões de memória a vidas anteriores ocorridas a espíritos reencarnados. Isto se deu mediante os trabalhos apresentados por Colavida, do Grupo de Estudos Psíquicos de Barcelona, e Marata, da União Espírita de Catalunha, como relatam Denis e Delanne, em O Problema do Ser, cap. XIV, e A Reencarnação, cap. VII.

Falei em regressões ocorridas a espíritos reencarnados porque, sobre tais regressões verificadas em um espírito desencarnado, Dr. Cailleux, existem dois artigos no Jornal de Estudos Psicológicos de Allan Kardec, a famosa Revista Espírita. (Cf. junho e julho de 1866.)

Os espíritos superiores, ao demais, afirmaram àquele que lhes codificou a sublime doutrina que viria o tempo em que disporíamos de meios “mais diretos e mais acessíveis” aos nossos “sentidos” nas comunicações com o além-túmulo, como se lê no n. 934 de O Livro dos Espíritos. E eis aí a Transcomunicação Instrumental. Contatos estabelecidos de maneira desafiadora se traduzem em numerosos acervos de som e imagem que não podem ser facilmente refutados, sobretudo pelas teses subliminares, pois eletrônicos não têm inconsciente.

Tudo isso só nos dá uma pequena medida do pioneirismo de Allan Kardec ao estabelecer em A Gênese, XIII, n. 9, de 1868: “Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou espírito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela a sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. São esses efeitos que constituem objeto especial das pesquisas e do estudo do Espiritismo, a fim de chegar-se a um conhecimento tão completo quanto possível, assim da natureza e dos atributos da alma, como das leis que regem o princípio espiritual”.

Portanto, qualquer adepto de cultura doutrinária espírita mediana identifica desde logo que declarações como a inicialmente ressaltada vêm de pessoas que quase tudo ignoram acerca dos fatos espíritas, sejam estes anímicos (do espírito durante a encarnação), sejam mediúnicos (do espírito no estado de erraticidade). Ante uma tão vasta documentação existente dentro e fora das universidades, os mais sensatos hesitam, mas nunca, nunca resolvem pela negação.

De mais a mais, os amigos espíritas do físico não o informaram bem do próprio Espiritismo. A doutrina não poderia propor jamais uma maneira de pensar o mundo alheia à ciência, porque o Espiritismo se estabeleceu a partir do avanço engendrado pelo progresso da própria ciência, a despeito de ser apenas a ciência de um dado estado de consciência.

Segundo Kardec em A Gênese, I, n. 16: “Assim como a ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do principio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da natureza, a reagir incessantemente sobre o principio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a ciência se completam reciprocamente; a ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a ciência, faltariam apoio e comprovação”.

Eu mesmo disse em O Que É Espiritismo, 1.2: “Uma avaliação correta do posicionamento de Allan Kardec indica seu rompimento com o reducionismo de um modelo materialista mecanicista de ciência, jamais com a finalidade da ciência em si, que é o conhecimento exato da realidade. O codificador, aliás, nunca deixou de insistir na cientificidade do Espiritismo. Kardec fixou a base científica da doutrina espírita como dimensão primeira da aliança da ciência e da religião, pulverizando a dicotomia entre razão e fé”.

Deste modo, a doutrina dos espíritos incorpora a si tudo quanto resulte demonstrado pela ciência e é também nos termos da ciência que a doutrina pensa o mundo; todavia, por uma necessidade lógica e também empírica, lhes adiciona o princípio espiritual, cuja existência, no dizer preciso de Kardec, o Espiritismo foi o primeiro a demonstrar por provas inconcussas, estudando-o, analisando-o e tornando-lhe evidente a ação.

Kardec constatou pessoalmente vários fenômenos, tais como: a tiptologia, ou linguagem de batidas das mesas girantes; a psicografia indireta, na qual o lápis era, por indicação dos espíritos, adaptado a uma cesta ou a outro objeto; a psicografia direta ou manual, em que o médium já retinha em suas próprias mãos o lápis, etc. Em casa da família Baudin, o codificador do Espiritismo chegou a formular perguntas às inteligências desencarnadas em vários idiomas desconhecidos das jovens médiuns; algumas vezes, ele até o fazia sem palavras, mentalmente, e ainda assim as respostas nasciam poliglotas, profundas e lógicas por debaixo da cesta, sobre os bordos da qual as meninas impunham suas mãozinhas adolescentes. Assim foi colhida boa parte dos ensinos de O Livro dos Espíritos, obra-base da doutrina espírita.

Quanto à psicografia direta ou manual, Kardec se reporta muito instigantemente à mudança radical das caligrafias de acordo com os espíritos comunicantes, que conservavam a mesma escrita quando voltavam a se manifestar. E mais! Assegurou o mestre com requinte de detalhe (O Livro dos Espíritos, Introdução, XII): “Tem-se verificado inúmeras vezes, sobretudo se se trata de pessoas mortas recentemente, que a escrita denota flagrante semelhança com a dessa pessoa em vida. Assinaturas se hão obtido de exatidão perfeita”.

Este tipo de fenômeno, aliás, pôde ser constatado aqui no Brasil. Francisco Cândido Xavier, em 22/07/1978, psicografou carta ditada pela Senhora Ilda Mascaro Saullo, italiana falecida em Roma a 20/12/1977. Como ressaltou o codificador, tratava-se de pessoa morta recentemente. Neste caso, porém, havia um complicador: a mensagem veio no idioma da defunta, o italiano, ignorado pelo médium. Pois bem! Titular de Identificação Datiloscópica e Grafotécnica do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, o Prof. Carlos Augusto Perandréa lançou A Psicografia à Luz da Grafoscopia, no qual atesta: “A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém, conforme demonstração fotográfica, em número e em qualidade, consideráveis e irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada”.

Também no livro A Vida Triunfa, de Paulo Rossi Severino e Equipe da Associação Médico-Espírita de São Paulo, os interessados poderão encontrar vasto material de pesquisa acerca de 45 cartas-mensagem recebidas por Chico Xavier, as quais em tudo se mostram da autoria dos mortos comunicantes, seja pela forma, seja pelo conteúdo, inegavelmente mediúnicos.

Como disse Denis, em No Invisível: “Quando se possui alguma experiência dos fenômenos psíquicos fica-se pasmado ante a penúria de raciocínio dos críticos científicos do Espiritismo. Escolhem eles sempre, na multidão dos fatos, alguns casos que se aproximem de suas teorias e silenciam cuidadosamente de todos os inúmeros que as contradizem. Será esse procedimento realmente digno de verdadeiros sábios?”.

E físico por físico, termino citando novamente Drouot, Ph.D. em Física Teórica pela Universidade de Columbia, que afirmou no seu livro Nós Somos Todos Imortais, de 1986: “A física de hoje coloca o problema das relações entre nossa matéria e nosso espírito. E a única verdadeira física será a que conseguir um dia integrar o homem total em sua representação coerente do mundo”.

Fonte: Blog Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2012/11/a-alma-existe-importancia-dos-fenomenos.html?spref=fb

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Materialização de Katie King – Fatos e Relatos


William Crookes
Por Ricardo Malta

A materialização é um fenômeno extraordinário pelo qual os Espíritos se apresentam, por assim dizer, corporificados.  “Podemos vê-los, tocá-los, fotografá-los, ouvi-los falar; em uma palavra, nos certificarmos por todos os meios possíveis de que, temporariamente, eles são tão vivos como os observadores.” (DELANNE, Gabriel. O fenômeno espírita: testemunho dos sábios.) Nada há de sobrenatural, tudo é regido pelas vias naturais.

“Na materialização mediúnica, apoiados nos recursos ectoplásmicos oriundos dos médiuns, dos assistentes, dos planos superiores, corporificam-se os Espíritos.” (Zalmino Zimmermann. Perispírito) Hernanni Guimarães Andrade critica o termo materialização, pois informa que o que ocorre de fato é uma ação modeladora do espírito sobre a matéria ectoplásmica.

Em certas sessões, na presença de médiuns dotados de considerável força psíquica, vêem-se formar mãos, rostos, bustos e mesmo corpos inteiros, que têm todas as aparências de vida: calor, tangibilidade, movimento. Essas mãos nos tocam, nos acariciam ou batem; mudam de lugar os objetos e fazem vibrar os instrumentos de música; esses rostos se animam e falam; esses corpos se movem e passeiam por entre os assistentes. Pode-se agarrá-los, palpá-los; depois, eles se desvanecem num repente , passando do estado sólido ao fluídico, após efêmera duração. (Leon Denis. No invisível)

Fenômeno incomum, mas rigorosamente demonstrado pelas pesquisas espiritistas.  Inúmeros foram os sábios (Gustave Geley, Charles Richet, Alexander Aksakof, Oliver Lodge, Russel Wallace, Ernesto Bozzano, etc.) que presenciaram esse fato mediúnico, contudo, foram as experiências e conclusões de Crookes que tiveram imensa repercussão na Inglaterra e na Europa, marcando um dos momentos mais importantes na história do Espiritismo. (Zalmino Zimmermann. Teoria da mediunidade.)

William Crooks relatou em sua obra “Fatos espíritas”, após três anos de profundas observações, a autenticidade das materializações do Espírito Katie King, operadas com o auxilio da jovem médium Florence Cook.

As pesquisas de Crooks não deixaram dúvidas com relação à existência de duas personalidades distintas, isto é, ficou demonstrado que não havia fraude, sendo que Florence Cook (médium) e Katie King (Espírito) eram individualidades totalmente independentes.

Florence Marryate, que acompanhava Crookes nas investigações, relata: 
Miss Cook é uma mocinha morena, de olhos e cabelos negros. Às vezes, Katie parecia-se muitíssimo com ela, mas em outras sessões a dissemelhança era palpável. [...] Vi muitas vezes miss Cook e Katie, uma ao lado da outra. Não tenho, pois, dúvida de que eram duas criaturas diferentes. W. Crookes também constatou o mesmo fato. (Florence Marryate. A Morte Não Existe) 

Katin King convidou o renomado pesquisador a entrar na cabine onde se encontrava a médium e, então, com o auxílio de uma lâmpada fosfórica, pôde ver, perfeitamente, o Espírito materializado ao lado da médium em transe, provando-se, assim, a existência de duas personalidades diferentes. (Zalmino Zimmermann. Teoria da Mediunidade)

Zalmino Zimmermann, em sua obra Teoria da Mediunidade, cita as importantes informações de Gabriel Delanne, que reproduzimos abaixo, in verbis:

Nela (Miss Cook) não há lugar para dúvidas. A médium é uma jovenzinha de 15 anos, incapaz de organizar e levar a bom termo tão colossal embuste, sob a meticulosa observação de jornalistas, escritores, e cientistas de primeira ordem. Tomaram-se todas as medidas, sempre com sua aquiescência, para impedir qualquer fraude. Procedeu-se em relação a ela como se teria feito com o mais hábil dos prestidigitadores. Imobilizam-se suas mãos por meio de cordas, cujos nós e laçadas são costurados e selados; com uma correia cinge-se sua cintura e fica sujeita às maiores precauções; as extremidades se fixam no solo mediante uma argola de ferro. Outras vezes passavam-lhe uma corrente elétrica pelo corpo de modo que um galvanômetro indicasse os seus menores movimentos. Entretanto, a aparição se mostrava completamente liberta, vestida com véus dispostos com arte e que desapareciam ao mesmo tempo em que o fantasma. Katie King difere tanto da médium Florence Cook que mesmo os incrédulos mais sistemáticos, como o Dr. Sexton, pôde vê-las juntas, enquanto Miss Cook jazia em transe, amarrada em sua cadeira. Seu testemunho confirma o da escritora Florence Marryat e o de Sir. William Crookes, que tinham podido ver a cena. (...) Mas o que demonstra peremptoriamente a independência absoluta de Katie King, é que ela fala com a médium estando completamente desperta. Pela leitura dos relatórios de Sir William Crooks vemos que, em sua última aparição, o Espírito se despediu de Miss Cook, quando esta foi despertada e posta em seu estado normal. 

Leon Denis, em sua obra “No Invisível”, traz-nos outro relato de Florence Marryat, in verbis:

Assisti diversas vezes às investigações feitas pelo Senhor Crookes, para se convencer da existência da aparição. Vi madeixas escuras de Florence Cook esparsas no chão, diante da cortina, à vista de todos os assistentes, enquanto Katie passeava e conversava conosco. Vi, em várias ocasiões, Florence e Katie, ao pé uma. da outra, de sorte que não posso ter a mínima dúvida de que eram duas individualidades distintas... No correr de uma sessão, pediu-se a Katie que se desmaterializasse em plena luz.

Consentiu em submeter-se à prova, embora nos dissesse em seguida que lhe havíamos feito muito mal. Foi encostar -se à parede do salão, com os braços estendidos em cruz. Acenderam -se três bicos de gás. O efeito produzido em Katie foi terrífico. Vimo-la ainda durante um segundo apenas; depois, ela desvaneceu-se lentamente. Não posso melhor comparar a sua extinção que a uma boneca de cera derretendo -se ao calor de um braseiro. Primeiramente, os dois lados do rosto, vaporizados e confusos, parecia entrarem um no outro; os olhos se afundavam nas órbitas; o nariz desapareceu e a fronte se desmanchou. Os membros e o vestido tiveram a mesma sorte; ia tudo caindo no tapete, como uma coisa que desmorona. A luz dos três bicos de gás olhávamos fixamente para o lugar que Katie King havia ocupado.

Zimermmann ainda lembra que Charles Darwin, depois de ler a obra de Crooks, aceitou um convite para participar de uma reunião:

Segundo o médico italiano Dr. Giulo Caratelli, Darwin, em carta à sua amiga Lady Derby, relata o ocorrido, declarando-se perplexo diante do que presenciou e que, embora sua formação “fortemente racional”, era levado a aceitar totalmente o “trabalho honesto e atento” de Crooks, amigo muito estimado e admirado.

Leon Denis lembra que os contraditores passaram a implantar a falsa informação de que Crooks houvera se retratado. W. Crookes, todavia, após 30 anos de publicação da sua obra, em congresso realizado em Briston, no ano de 1898, do qual ele era presidente, disse categoricamente:

Trinta anos se passaram, depois que publiquei as narrativas de experiências tendentes a demonstrar que, fora de nossos conhecimentos científicos, existe uma força posta em ação por uma inteligência que difere da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar; mantenho minhas observações já publicadas. Posso mesmo acrescentar -lhes outras muitas.

Note-se como agem os antagonistas! Já pensou se Crooks não tivesse a oportunidade de desmentir os boatos?

Nada obstante, os antagonistas continuam levantando objeções ridículas, primárias e risíveis. Mesmo após os testemunhos que atestam a distinção entre Miss Cook e Katie King, dizem que esta última nunca existiu e que era a médium disfarçada. Tal conclusão origina-se da semelhança que muitas vezes existia entre as duas. Bem se vê que falta conhecimento do Espiritismo para muitos críticos!

A semelhança que existia decorre do fenômeno conhecido como materialização conjugada: “Por apoiar-se o manifestante no perispírito do próprio médium, ou ser por ele estreitamente influenciado, (...) a aparência do Espírito materializado parece, muitas vezes, apresentar semelhanças com a do médium. Esse tipo de manifestação surge em determinadas circunstâncias ou condições, sabendo-se, entretanto, que o médium pode servir-se aos dois tipos de materialização.” (Zalmino Zimmermann. Perispírito) Todavia, cumpre registrar que, conforme informam os relatos, nem sempre havia semelhança entre a médium e o Espírito.

Devemos destacar um fato notável envolvendo a sociedade dialética de Londres:

Em 1869, a Sociedade Dialética de Londres, uma das mais autorizadas agremiações científicas, nomeou uma Comissão de trinta e três membros, sábios, literatos, prelados, magistrados, entre os quais Sir John Lubbock, da Royal Society, Henry Lewes, hábil fisiologista, Huxler, Wallace, Crookes, etc., para examinar e “aniquilar para sempre” esses fenômenos espíritas, que, dizia a moção, “são somente produto da imaginação”. Depois de dezoito meses de experiências e de estudos, a Comissão, em seu relatório, reconheceu a realidade dos fenômenos e concluiu em favor do Espiritismo.(Leon Denis. Depois da morte)

Pelo exposto, não foi sem motivos que Charles Richet disse:

As experiências de Crookes são de granito e nenhuma crítica prevalece contra elas. Aconselho a lerem com cuidado os relatos de Crookes e hão de se convencer da realidade dos fatos, a menos que se resignem a tratar Crookes de imbecil, o que seria uma imbecilidade.

Eis mais um dos fatos espíritas. William Crookes, assim como Tomé, tocou o fenômeno com os dedos.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Espiritismo está cientificamente demonstrado

Por Egydio Régis

De vez em quando voltamos a ler os velhos compêndios que registram os notáveis trabalhos realizados por homens de valor histórico, a respeito dos fenômenos espíritas.

É uma pena que nós, os espíritas, não valorizamos como deveríamos, um verdadeiro arsenal de provas irrefutáveis sobre a realidade desses fenômenos. Ao invés de divulgá-los maciçamente, de modo a chamar a atenção dos pesquisadores modernos, escondemos esse tesouro sob uma pretensa e arrogante posição de que esses trabalhos não têm valor científico, porque não foram aplicados métodos e recursos tecnológicos que hoje são exigidos pelos cartesianos de plantão. Quem teve a coragem de afirmar que o espiritismo está cientificamente provado? Algum fanático, maluco ou talvez analfabeto?

William Crookes, célebre químico e físico inglês, foi uma das mais vigorosas e fecundas mentalidades contemporâneas. Nascido em Londres, em 1832, faleceu na mesma cidade em 4 de abril de 1919, tendo sido nomeado em primeiro escrutínio, em 1863, membro da “Real Sociedade de Londres”. Aos 20 anos, escreveu trabalhos de grande mérito sobre a luz polarizada; pouco tempo depois descreveu detalhadamente o espectroscópio, publicando seus estudos sobre os espectros solar e terrestre. Publicou outros sobre as propriedades ópticas das opalas e deu a conhecer um microscópio espectral; ocupou-se da densidade da luz e a física lhe é devedora de um fotômetro de polarização. Astrônomo do “Observatório de Radcliffe”, em Oxford, seus trabalhos sobre meteorologia são notáveis e não o são menos os de fotografias celestes.

Em 1855, quando apenas tinha 23 anos, fez trabalhos fotográficos sobre a luz, então reputados os melhores, honrando-o a “Real Sociedade de Londres” com um prêmio em dinheiro, como estímulo para prosseguir os estudos. Em 1879, expôs no “Bakerian Lecture”, o trabalho sobre a “Iluminação de linhas de pressão molecular e trajetória das moléculas”, dando-nos a conhecer um estado da matéria de tenuidade excessiva e do qual apenas se podia formar ideia.

Escreveu, além disso, sobre medicina, higiene e o tratamento da peste bovina, popularizando o uso do ácido fênico; e várias outras obras, entre as quais “Experiments or Repulsion from Radiation”, “Vacuum Molecular Physics” e “Select Methods of Chemical Analisys”. Publicou um tratado de análise química, que é hoje clássico; descobriu o processo de amalgamação com o sódio. Descobriu o “thalium”, novo corpo simples (elemento químico) levando cerca de oito anos a investigar seu peso atômico. Seus estudos sobre o quarto estado da matéria ou estado radiante e o radiômetro, bastariam para dar-lhe a reputação de sábio, que com tanta justiça lhe pertence. Foi presidente da “Royal Society” durante o peíodo de 1913-1915.” (Afinal Quem Somos? de Pedro Granja - 9ª edição - Edicel).

Reproduzindo acima uma breve biografia de William Crookes, quisemos registrar que o homem que teve a dignidade de afirmar em pleno Congresso da Associação Britânica, em 1898: “Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que, fora dos nossos conhecimentos científicos, existe uma força posta em atividade por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho de que me retratar em relação a essas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo a elas acrescentar muita coisa.” E sentencia, do alto de sua sabedoria e respeitável importância na história da ciência: “O espiritismo está cientificamente demonstrado” (Trechos citados por Pedro Granja, extraídos da Revue Spirite de fevereiro de 1899 e de “No Invisível” de Léon Denis). Ele não era nenhum zé ninguém, nenhum pseudocientista ou algum ficcionista maluco. Quem, no mundo científico de ontem ou de hoje, tem maior gabarito para desmenti-lo? Quem estudou, pesquisou, procurou reproduzir os mesmos fenômenos e comprovou que os fenômenos não existiam?

Todos aqueles que tentaram reduzir os fenômenos a embustes, ilusões etc. nunca fizeram trabalhos sérios de pesquisa. Porque os registros históricos demonstram isso. Grandes sábios dos séculos 19 e 20, que se puseram a pesquisar os chamados fenômenos espíritas, mesmo com o intuito de “desmascará-los”, acabaram por se convencer da sua realidade. E, o que é mais importante, não se furtaram em dar publicamente seu testemunho. São exemplos notáveis: Charles Richet, Cesare Lombroso, Sir Oliver Lodge, Frank Podmore, Benjamin Franklin, Thomas Alva Edison, Karl du Prel, Frederich Zölner, Alfred Russel Wallace e tantos outros. Somam-se a mais de uma centena a quantidade de autores que pesquisaram e escreveram sobre os fenômenos espíritas.

Partindo de uma missão de que foi incumbido pela Royal Society de Londres, por ser ele o mais ilustre dos componentes dessa entidade científica, William Crookes deveria pulverizar definitivamente os chamados fenômenos de origem extrafísico, em nome de todo o mundo científico.

Três anos depois das pesquisas com o espírito de Katie King, contrariando todas as expectativas de seus pares, da imprensa, dos religiosos e dos materialistas, entrega seu relatório à Society, afirmando categoricamente que os fenômenos investigados são verdadeiros. A repercussão foi, evidentemente, a mais infame possível. Tentaram ridicularizar e até inventaram uma paixão platônica do sábio pela médium/espírito. O curioso é que nada conseguiu abalar o prestígio de Crookes, apesar de a Society ter arquivado o relatório e sobre ele ter deitado um silêncio absoluto. Não houve, ao que consta, nenhum desmentido ou pronunciamento desautorizando o trabalho do pesquisador. William Crookes continuou respeitado como cientista e realizou seus notáveis trabalhos após esse episódio.

Charles Richet, fisiologista francês, prêmio Nobel de 1913, estudou e pesquisou os chamados fenômenos espíritas, com o objetivo de reduzi-los a fenômenos meramente anímicos, isto é, produzidos pelo próprio indivíduo sem interferência de agentes externos ocultos. Fundador da Metapsíquica, em sua obra “Tratado de Metapsíquica”, comentando as pesquisas de Crookes afirmou: “Não se pode distinguir o Crookes do thalium e dos raios catódicos, do Crookes de Katie King”.

Mas, será que as pesquisas de Crookes foram realmente conduzidas com todo o rigor científico? O que ele era? Um poeta, um filósofo? Era cientista, logo, como procederia um cientista nessas investigações? Vejamos alguns detalhes do seu trabalho com a médium Florence Cook e com o espírito de Katie King, extraídos de seu livro “Fatos Espíritas”:

“A médium era a jovem Florence Cook, de 16 anos, baixa, franzina, trigueira, de cabelos quase pretos e de saúde muito delicada. A aparição tomava o nome de Katie King e revela-se, em plena luz, sob formas de uma mulher formosa, alta, de tez branca e cabelos loiros, em parte cobertos com uma espécie de turbante de cor branca que lhe servia de complemento às roupagens habituais. A médium trajava-se quase sempre de veludo preto.”

Enquanto a aparição passeia livremente pela reluzente sala de jantar, apoiada ao braço de Crookes, conversando com este, com os filhos, esposa e demais assistentes e convidados, o médium rigorosamente controlado, jaz no quarto contíguo às escuras, em estado letárgico, deitado sobre um sofá e separado da sala de jantar por uma cortina ou reposteiro. Em algumas experiências, por exemplo, o médium estava isolado, fechado num círculo elétrico cujas variações de resistência eram indicadas pelo galvanômetro que se encontrava junto dos experimentadores. Outras vezes se empregavam delicados aparelhos, balanças sensivelmente equilibradas, ligadas a alavancas com mecanismo de relojoaria, controladores elétricos idealizados por Cromwell Varley e outros. Certo dia, quando a materialização de Katie King surgiu, Crookes pediu-lhe inesperadamente, que metesse as mãos numa tina preparada com mercúrio onde havia enérgico corante. O galvanômetro, que indicava uma diminuição na resistência do circuito, à medida que o espírito se formava, não sofreu qualquer desvio pela imersão das mãos deste na tina com mercúrio, nem as mãos do médium apresentaram os mais leves vestígios do corante. Observou-se, contudo, que em várias partes do corpo do médium havia manchas do corante, o que comprova que a materialização é efetuada também à custa do seu corpo, hipótese esta perfeitamente admitida pela diminuição de peso que ele experimenta durante a produção de tais fenômenos e pela diminuição da resistência do circuito.” (Afinal Quem Somos? de Pedro Granja - 9ª edição – Edicel - Grifos nossos.).

“Na semana que precedeu à desaparição definitiva de Katie King, o que se realizou a 21 de março de 1874, Katie deu sessões em casa de Crookes, quase todas as noites, a fim de permitir fotografá-la à luz artificial. Cinco máquinas, colocadas em diversos ângulos da sala, foram simultaneamente empregadas para fotografar Katie King no momento em que fazia a aparição. O preparo e revelação das chapas eram cuidadas pelo próprio Crookes, auxiliado por um assistente. Desta forma pôde obter quinze chapas, por noite, perfazendo ao todo quarenta e quatro negativos, alguns excelentes e outros regulares ou medíocres. (Grifos nossos) De todos os presentes, o único que podia estar de pé e andar por onde lhe aprouvesse era Crookes; os demais deviam permanecer sentados. Seguia-a, diz Crookes, muitas vezes para o gabinete e vi por várias vezes Katie e o seu médium simultaneamente; o mais das vezes, porém, só encontrava o médium em estado letárgico; Katie e o seu fato branco haviam desaparecido. Frequentemente vezes levantei um canto da cortina, quando Katie estava de pé junto dela. As sete ou oito pessoas que assistiam às experiências viram, então, nitidamente e ao mesmo tempo, Katie e o médium sob o jato brilhante da luz elétrica. Tenho, afirmou Crookes, uma prova fotográfica de Katie King e Florence Cook (o médium) em grupo.”

Finalizando este rápido repasse sobre as experiências de Crookes, descrevemos o episódio da despedida de Katie, fato capital para provar que médium e espírito eram realmente duas personalidades distintas: “Terminadas as instruções, Katie convidou-me a entrar no gabinete com ela, permitindo-me ficar até o fim. Cerrada a cortina, conversou comigo algum tempo; depois atravessou a sala para ir ter com o médium, que jazia inanimado. Inclinando-se sobre ele, Katie tocou-o e disse-lhe: — Desperta, Florence! desperta! É mister que eu te deixe agora! Miss Cook acordou e, lacrimosa, suplicou a Katie King que ficasse mais algum tempo. — Não posso, querida, a minha missão está cumprida. Durante alguns minutos conversaram juntas , até que as lágrimas de Miss Cook lhe embargaram a voz. Seguindo as instruções de Katie, corri a segurar Miss Cook, prestes a cair, que soluçava convulsivamente. Olhei a seguir em torno, mas a linda Katie King e o seu vestido branco haviam desaparecido “ (William Crookes – Fatos Espíritas - editora FEB).

Eloquente e arrasador, como prova inconteste da materialização de Katie, é o depoimento de Florence Marryat, autora inglesa que escreveu “ There is no Death! e que com Crookes assistiu a última sessão em que Katie se despediu: “Nessa noite, Katie saiu do gabinete e veio sentar-se nos meus joelhos, proporcionado-me o ensejo de verificar o quanto era mais graciosa e mais pesada que seu médium. Mas como em certas ocasiões ela se assemelhava a este último, eu lho observava, e ela, encolhendo os ombros, respondeu:

— Sei disso, mas não posso impedi-lo. De qualquer modo, fui bem mais formosa na minha última existência terrena. Logo mais provar-te-ei. Reentrou no gabinete: depois espreitou, às furtadelas, pela fenda das cortinas, pedindo que me aproximasse. Assim fiz e ela me conduziu para o seu interior. Observei que os reposteiros eram muito transparentes, de modo que permitiam, à luz a gás, iluminar suficientemente o interior. O médium jazia sobre um acolchoado, imerso em profundo sono e Katie desejava ansiosamente que me assegurasse de sua identidade, insistindo para que a tocasse, apalpasse, apertasse as mãos e lhe puxasse os cabelos. Em seguida, perguntou:

— Estás bem certo de encontrar-te em presença de meu médium? Respondi-lhe que disso estava absolutamente convicto e ela assim continuou: — Agora, observa-me. Observa o meu rosto, tal qual fui em vida. Dirigi o olhar para a forma que, momentos antes estivera sentada nos meus joelhos e, extremamente extasiado, distingui o corpo de uma jovem formosíssima, de grandes olhos azuis ou cinzentos, pele alvíssima, abundante cabeleira dourada. Katie parecia enlevada com minha surpresa e sorria, dizendo: — Porventura não sou mais bonita do que minha Florence (o médium)? Levantou-se a seguir, apanhou uma tesoura sobre a mesa, cortou uma madeixa de seus cabelos e outra dos do médium e entregou-mas. Ainda as possuo. Os cabelos de Florence são quase negros e parecem macios como seda; porém, os de Katie são de um vermelho dourado e áspero ao tato.” (Afinal Quem Somos? de Pedro Granja - 9ª edição – Edicel - Grifos nossos.).

Como podemos ver, não é um bando de malucos, iludidos, que deram seu testemunho baseado em pesquisas longas, sérias e incontestáveis. Como ainda afirma o próprio Crookes: “Supor que uma espécie de loucura ou de ilusão domina subitamente um grupo de pessoas inteligentes e sensatas, que estão de acordo sobre as menores particularidades e detalhes dos fatos, parece-me mais incrível do que os próprios fatos que atestam.”

Por tudo isso, não temos a menor dúvida em admitir tranquilamente que está mais do que provado científicamente a existência do espírito independente da matéria , bem como da sua sobrevivência à morte do corpo. Por que os espíritas, que não devem ter nenhuma dúvida a respeito, porque então não seriam espíritas, estão preocupados com os outros? Por que preocuparmo-nos com o reconhecimento dos meios científicos atuais? Ora eles ignoram o trabalho de seus colegas dos séculos passados porque querem. Após os grandes conflitos mundiais, a primeira e a segunda guerra, praticamente silenciaram as vozes do além. A comunidade científica dirigiu seus interesses para outras prioridades, quem sabe muito mais importante para a Humanidade no momento, do que a comprovação do espírito.Necessário se fez, desenvolver a tecnologia, conhecer mais profundamente o corpo humano de modo a descobrir meios de cura e melhora de vida. Importante avançar os meios de comunicação, integrar a Humanidade de todo o globo. O que resolveria proclamar agora a descoberta do espírito? Só para satisfazer o ego dos espíritas?

Hoje, sem dúvida, temos meios tecnológicos infinitamente mais avançados para a realização de um grande trabalho de pesquisa sobre o espírito. E isso virá a seu tempo, talvez mais rápido do que se possa imaginar.Mas é preciso pensar qual a utilidade disso, nos dias atuais. Para a economia mundial, não há maior interesse em investir nessa pesquisa, porque não há retorno , não há lucro. O que dá lucro, é investir na indústria farmacêutica, na indústria da informática,das telecomunicações, nos transportes, etc.Como convencer os grandes capitalistas a investir em alguma coisa que não lhes dará retorno material? Os cientistas de hoje estão engajados e financiados para o desenvolvimento tecnológico e para os lucros industriais. Alguns físicos, químicos e de outras áreas de projeção, não se arriscam em trabalhos que não lhe garantam publicação e prêmio Nobel e, infelizmente, esse negócio de espírito é coisa para religiosos ou místicos.

Leio alguns artigos e escutam alguns jovens espíritas formados em áreas de ciências exatas, choramingando suas mágoas porque os Centros Espíritas não abrem espaço para pesquisas sobre o espírito.Desejam descobrir técnicas e métodos científicos atuais, desprezando o que já foi realizado, por dois motivos, segundo minha opinião: nunca se aprofundaram nos trabalhos já efetuados e citados aqui; dão mais ouvido aos Quevedos da vida, aos cientístas materialistas, professores cínicos, acomodados ou submissos ao ranço religioso. É preciso, pois, ter opinião própria, ter coragem de enfrentar os “donos da verdade”, retomando o trabalho dos antigos, publicando-os, estendendo-os. Procurem médiuns de efeitos físicos e de materialização, independentemente de centro espírita e façam suas experiências utilizando os meios tecnológicos modernos. De nada adianta acusar e ficar de braços cruzados. Quer queiram ou não, a única forma de provar a existência do espírito é através da materialização, já exaustivamente realizada por sábios do mais alto gabarito.

Termino este modesto trabalho para que sirva de exemplo aos que temem assumir suas convicções, reproduzindo a magistral resposta de Sir William Crookes aos repórteres que o entrevistaram, perguntando se ele ainda admitia a possibilidade dos fenômenos, muitos anos depois das pesquisas e no auge de seu prestígio: “Mas eu não disse que esses fenômenos eram possíveis; o que eu disse e afirmo é que são verdadeiros”.

Egydio Regis é orador espírita e estudioso do espiritismo. Foi presidente da União Municipal Espírita de Santos, fundador da Associação dos Centros Espíritas da Baixada Santista e presidente do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos. Atualmente mantém uma coluna sobre a Revista Espírita no jornal de cultura espírita Abertura, de Santos-SP.

E-mail: egyregis@uol.com.br

Retirado do site PENSE - http://viasantos.com/pense/arquivo/1243.html