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domingo, 2 de junho de 2013

O espaço e os mundos; não, colônias espirituais.

Por Sérgio F. Aleixo

Nada material pode ser obstáculo aos espíritos. A matéria não pode interditá-los de nenhum modo. Assim, teoricamente, em estrelas, planetas, no espaço sideral, possível é que os invisíveis lá estejam em perfeitas condições. Sabe-se que nem sempre podem os espíritos, entretanto, ir a todos os mundos, ou mesmo estar em qualquer lugar num mesmo mundo, que tudo isso é conforme.[1] Por quê?
O conceito de mundos transitórios (Kardec assim o batizou) diz que, apesar da ausência de vida na superfície estéril de certos planetas, esses orbes destinados seriam aos espíritos errantes, que os habitariam para repouso, instrução e progresso. Tendo sido esse o caso da Terra durante sua formação, o conceito se vincularia obrigatoriamente à expectativa de que a vida se instale na superfície de tais planetas, ainda inapropriados a ela; apenas em transição para tanto.[2] Desse modo, nada tem ele a ver com as estruturas conhecidas por colônias espirituais; edificações no além, algumas de séculos, protegidas por muralhas, armas e até animais, onde os habitantes teriam uma fruição de gozos e costumes tipicamente físicos, como nutrição, eventos pagos, empregos remunerados, casamentos, etc.; moradias de todos os tipos, com banheiro e cozinha, inclusive; assim como parques, plantações e fábricas, seja de suco, de roupas, de artefatos, etc., etc. À luz da codificação espírita, não passam de abusos ficcionais ditados nos interlúdios invigilantes de médiuns sem discernimento, que acreditam lhes baste a boa intenção e a cega confiança em seus guias para o exercício de suas faculdades.
O princípio espírita das criações fluídicas, bom também é que se o diga logo, em nada ampara tais edificações no além; nunca se viu que essas criações exorbitassem o entorno mais imediato do próprio espírito, sua aparência, vestuário, certos objetos, pseudocompanhias, etc.; tudo, porém, subordinado exclusivamente ao pensamento: 1) quando cria ilusões ao espírito, ainda que eventualmente objetivadas nos fluidos; 2) quando cria aparências que visem um fim qualquer, a encarnados ou desencarnados.[3]Um princípio do Espiritismo, além disso, não pode ser aplicado em contradição com os demais. Por que moradias e costumes de fruição carnal existiriam no mundo espírita, se o perispírito não tem funções que demandem nutrição, reprodução, etc., nem o além-túmulo, menos ainda, rigores climáticos que o instabilizem? Grupos, famílias de espíritos, sociedades inteiras deles, em regiões compatíveis com sua constituição fluídica, e unidos por propósitos comuns, com ações planejadas e tarefas várias: isso é Espiritismo! Todavia, nada existe aí que se aproxime das travessuras coloniais.
Demonstrado, pois, que os mundos transitórios nada têm a ver com as colôniasespirituais; sim, a princípio, com planetas de superfície temporariamente estéril, avanço: e quanto aos mundos que surgem e desaparecem na imensidão sem que a vida se manifeste ali? Certo que não podem chamar-se transitórios, mas nem por isso estariam, necessariamente, sem presenças invisíveis. O conceito de mundos transitórios prevê que os espíritos que neles habitam podem deixá-los livremente, não estando, assim, obrigados a aguardar o surgimento da vida na superfície. Desse modo, por que os espíritos não se reuniriam, para repouso, instrução e progresso, igualmente nos mundos não transitórios?
Razoável admitir, pois, que existam: 1) mundos que são habitados apenas espiritualmente de início e, depois, também corporalmente; 2) mundos eventualmente habitados tão só por seres errantes, embora não em especial destinados a estes, por não serem transitórios. Mas não estaria faltando nada a esse panorama, por mais vasto? Eis aí nossa questão. Sim! Sim! Tais considerações somente ambientam os espíritos, a bem dizer, no universo físico, a modo de contingentes invisíveis e, nele, teoricamente, inobstáveis. Dizem alguns, por isso, até que há certo segredo acerca do mundo espírita em Kardec. Um tanto deslumbrados com a literatura ficcional mediúnica e suas colônias, findam por conferir uma proporção absurda àquele silêncio que o espírito Galileu diz estar sendo guardado, até ali, sobre o mundo espiritual. E disso concluem haver mistério em Kardec a respeito da vida espírita. Ora! “Até ali” só quer dizer até aquele ponto do próprio comunicado de Galileu, que apenas falara do modo da criação do universo e silenciara acerca do modo de criação dos espíritos que, nesse sentido, constituem o mundo espiritual, de que Galileu passa então a falar.[4]
Antes de tudo, são os espíritos que integram o mundo espírita. E já não é coisa pouca. O que mais se quer conhecer? A vida dos seres errantes por lá! Claro! Bem... Sabe-se que estão isentos de nossas necessidades; mas que possuem ainda um corpo, embora etéreo, sem órgãos, por mais denso.[5] Onde se encontram com esse envoltório fluídico? Somente nos meios físicos do universo, exceção feita à invisibilidade própria dos espíritos? Se a matéria não lhes representa mais obstáculo, porque não podem ir a todos os planetas nessa condição errante? Por que percorrer o mundo espírita não pode ser, afinal, só uma viagem interplanetária, intergaláctica, sem aparatos tecnológicos? Tudo reside na compreensão da palavra espaço, ou melhor: espaços, nas letras kardecianas. Foi dito ao mestre que o espaço é infinito e que aquilo que se julga vazio está ocupado por matéria imponderável, em estado de fluido. Nessa medida, sim, os espíritos estão por toda parte e são povoados todos os globos. Não disseram, aliás, que povoam propriamente o espaço infinito, mas que “povoam ao infinito os espaços infinitos”. Quando se lê, pois, que os espíritos estão no espaço, que transpõem os mundos, a tais domínios tipicamente físicos do universo estão integrados os domínios fluídicos, espirituais. Nestes é que existe o que pode ser obstáculo aos espíritos, de acordo com sua situação perispirítica.[6] Este é o adendo que faltava à ideia inicial de mundos transitórios ou intermediários, razão pela qual se limitou aparentemente a um panorama interplanetário, astronômico.
Para Kardec, nosso belo planeta é como um vaso do qual escapa densa fumaça, que vai aclarando à medida que se eleva e cujas partes rarefeitas se perdem no espaço infinito. Esse é o âmbito em que se define seu conceito de atmosfera espiritual terrestre, meio formado por fluidos em vários graus de pureza, um tanto grosseiros se comparados aos que compõem as regiões superiores, razão pela qual são estas, de ordinário, inacessíveis aos espíritos atrasados, que nelas não podem viver, a despeito de visitá-las como estrangeiros e, ainda assim, apenas entrevendo-as.[7] Portanto, segundo suas elevações, os espíritos povoam não apenas a superfície da Terra, entre os encarnados, de onde muitos não conseguem se afastar, mas também o espaço que a circunda, segundo o alvo do foco possível de suas percepções entre as várias camadas de fluidos espirituais do planeta.[8] Como as coisas se passam nesses meios? Naqueles cujos fluidos são bem desmaterializados, sequer o imaginamos. Nas ambiências, todavia, em que a constituição fluídica se apresenta mais identificada à vida corporal, parece razoável admitir, seria menos difícil supô-lo, ainda que, mesmo nessas regiões mais densas, as coisas não possam transcorrer como se aqui se verificassem. Do contrário, afinal, não haveria a menor necessidade do estado de encarnação que, nesse caso, mais pareceria um acidente de percurso, à moda rustenista e, avanço em dizê-lo, era mesmo até esse ponto de distorção conceitual que nos queriam conduzir as almas jesuíticas da inglória causa federativa.
A doutrina espírita ensina que os espíritos conservam as faculdades que tinham na Terra; que eles têm visão, audição, sensação, percepção, mas diversamente de quando possuíam um corpo físico, ainda que muitos deles, em erro, julguem que tais coisas se passem, por lá, da mesma forma que no corpo; o modo pelo qual atuam, inclusive.[9] O pensamento dos espíritos atrasados não está esclarecido por vezes, e é então que muitos até julgam viver ainda entre os homens e mulheres, partilhando de suas aspirações, paixões e desejos. Nos meios compatíveis com essa sua natureza, os fluidos chegam a ter, para eles, aspecto tão material quanto, para nós, nossos objetos tangíveis; os combinam e elaboram, consciente ou inconscientemente, para produzir certos efeitos, mas o fazem por outros processos: pensamento e vontade. Podem formar, então, conjuntos com aparência, forma e cor determinadas. Kardec inclui essas possibilidades dos fenômenos peculiares ao mundo espiritual no que chamoulaboratório do mundo invisível.[10] Nem de longe lhe confere, todavia, o condão de produzir obras arquitetônicas majestáticas, estruturas complexas ao extremo, sobretudo quando voltadas para atender necessidades que não podem ser satisfeitas no além, ou para um funcionamento quase burocrático de inchadas estruturas organizacionais; ao menos não no mundo espírita kardeciano, mais fidedigno em detalhes reais e, por isso, certamente mais sóbrio. Tedioso, claro, só para o comum dos leitores de romances mediúnicos, estimulados por curiosidades tão ociosas quanto propícias a espíritos menos sérios, que compensam com artifícios ficcionais e vagas de raciocínio a falta de conteúdo realmente espiritual de seus comunicados.
Verdade que o mestre publicou, nas suas primeiras revistas espíritas, ditados contendo desenhos mediúnicos da suposta casa de Mozart em Júpiter; todavia o fez a título de inventário aos leitores, para que julgassem o caso como quisessem; além disso, o referido espírito lá estaria em estado de encarnação, não no de erraticidade, o que determina relevantes diferenças de consideração.[11] Espíritos errantes não necessitam de casa ou comida; não padecem doenças e não têm sofrimentos senão de natureza moral; mais pungentes, aliás, que os físicos.[12] Contudo, transitam numa locação que, às vezes, não é a superfície do planeta, e sim o espaço mais ou menos imediatamente acima dela, algumas camadas da atmosfera espiritual terrestre, de fluidos um tanto grosseiros e cuja aparência, em função disso, pode lembrar o meio terreno em básicas referências, mesmo que fugidias; superfície e firmamento, por exemplo. Vejam-se as instruções do Sr. Cardon. Evocado por Kardec, reportou-lhe que vira o esplendor de “um céu” só possível aos sonhos, quando, em rápida excursão pelo “infinito”, percorreu “lugares etéreos”.[13] Quem sabe, algo similar também aos tais campos, espécies de bivaques, de que Mozart falou a Kardec em primeira mão.

[...] já vos dissemos que há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso.[14]

Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras [‘há muitas moradas na casa do Pai’] podem também ser interpretadas pelo estado feliz ou infeliz do espírito na erraticidade. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito.[15]

Poder-se-ia perguntar como é que os espíritos se podem evitar no mundo espiritual, uma vez que aí não existem obstáculos materiais nem refúgios impenetráveis à vista. Tudo é, porém, relativo nesse mundo e conforme a natureza fluídica dos seres que o habitam. Só os espíritos superiores têm percepções indefinidas, que nos inferiores são limitadas. Para estes, os obstáculos fluídicos equivalem a obstáculos materiais. Os espíritos furtam-se às vistas dos semelhantes por efeito [da vontade], que atua sobre o envoltório perispiritual e fluidos ambientes.[16]

Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual da Terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados deste planeta, haurem os elementos necessários à economia de suas existências. Por muito sutis e impalpáveis que nos sejam esses fluidos, não deixam por isso de ser de natureza grosseira, em comparação com os fluidos etéreos das regiões superiores. O mesmo se dá na superfície de todos os mundos, salvo as diferenças de constituição e as condições de vitalidade próprias de cada um. Quanto menos material é a vida neles, tanto menos afinidades têm os fluidos espirituais com a matéria propriamente dita. [...] Existem alguns [Espíritos] cujo envoltório fluídico, mesmo sendo etéreo e imponderável em relação à matéria tangível, ainda é muito pesado, se assim podemos dizer, em relação ao mundo espiritual, para permitir que eles saiam do meio onde se encontram. É preciso incluir nessa categoria aqueles cujo perispírito é bastante grosseiro para que o confundam com o corpo carnal, razão pela qual continuam achando que estão vivos. Esses espíritos, cujo número é grande, permanecem na superfície da Terra, como os encarnados, julgando-se sempre entregues às suas ocupações; outros, um pouco mais desmaterializados, ainda não o são o suficiente para se elevarem acima das regiões terrestres [...] A camada de fluidos espirituais que cerca a Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras, do que as camadas superiores. [...] a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. [...] O fluido etéreo está para as necessidades do Espírito, como a atmosfera para as dos encarnados. Ora, do mesmo modo que os peixes não podem viver no ar; que os animais terrestres não podem viver numa atmosfera muito rarefeita para seus pulmões os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos [das regiões superiores]. Não morreriam no meio desses fluidos, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os mantêm afastados dali, como a criatura terrena se afasta de um fogo muito ardente ou de uma luz muito deslumbrante. Eis aí por que não podem sair do meio que lhes é apropriado à natureza.[17]

Resta saber se neste espaço que circunda a Terra, isto é, se nas camadas de fluidos espirituais do seu entorno, seria impossível que, por uma razão ou por outra, houvesse meios cujas composições fluídicas assumissem só um certo aspecto das ambiências terrenas, já que podem, afinal, variar ao infinito, como vimos Kardec dizê-lo. Os espíritos Bizet e Mesmer prestaram, respectivamente, curiosas informações ao mestre:

[...] tive sob os olhos o atroz espetáculo da fome entre os espíritos. Encontrei lá em cima muitos desses infelizes, mortos nas torturas da fome, ainda procurando em vão satisfazer a uma necessidade imaginária, lutando uns contra os outros para arrancar um pedaço de comida que se escondia em suas mãos, dilacerando-se mutuamente e, se posso dizer, se entredevorando; [...] enquanto na Terra se pensa que aqueles que partiram ao menos estão livres da tortura cruel que sofriam, percebe-se do outro lado que não é nada disso, e que o quadro não é menos sombrio, embora os autores tenham mudado de aparência.[18]

O mundo dos invisíveis é como o vosso. Em vez de ser material e grosseiro, é fluídico, etéreo, da natureza do perispírito, que é o verdadeiro corpo do espírito, haurido nesses meios moleculares, como o vosso se forma de coisas mais palpáveis, tangíveis, materiais. O mundo dos espíritos não é o reflexo do vosso; o vosso é que é uma imagem grosseira e muito imperfeita do reino de além-túmulo.[19]

Pode haver até alguma dúvida sobre a locação da cena descrita por Bizet: trata-se da superfície da Terra, entre os encarnados, ou do espaço que a circunda, com seus vários meios fluídicos? Todavia, Bizet informa que tudo aconteceria, sim, do outro lado, mas lá em cima. Em que pese aos espíritos conservarem a capacidade de perceber o que na Terra se passa conosco e entre nós,[20] as percepções dos envolvidos na cena vista por Bizet não estão voltadas em nenhuma medida para o que se verifica na vida física; talvez exatamente porque não estariam nas regiões terrestres de fato, entre os vivos. De qualquer forma, veem-se num drama cujo cenário é construído por seu desequilíbrio, com direito a criação fluídica até de um pedaço de comida, tão objetiva no além, que é identificada por um terceiro; este goza, contudo, de melhores condições morais e, a despeito de avistar esse tétrico conjunto de aparência, forma e cor determinadas,[21]logo julga vã a motivação que o gera: satisfazer necessidade que, afinal, ali, não poderá ser atendida, por não haver função do perispírito que a demande. A cena transcorre pungente e horrenda. E Kardec não lhe faz reparo algum. Esmera-se até em defender a idoneidade do espírito comunicante e a precisão de seus informes, classificando a situação de modo quase inédito em seus escritos: prolongação mista da vida terrena,vida intermediária que, se bem não seja física nem propriamente espiritual, é inerente ao estado de inferioridade de certos espíritos e necessária ao seu adiantamento. Claro está, porém, que quase tudo não passa da criação de ilusões desses espíritos a si mesmos, ainda que se objetivem, até certo ponto, nalguns conjuntos fluídicos postos em ação pelo seu pensamento. Colônias? Onde?
O Livro dos Espíritos havia lecionado ser o nosso mundo reflexo obscuro desse outro; e Kardec, ser a vida humana decalque dessa outra; entretanto, nesses casos, nada quanto ao aspecto propriamente do meio espiritual, e sim à sua organização societária e respectiva meritocracia.[22] Já a fala de Mesmer bem distingue: 1) mundo espírita; 2) perispírito de seus habitantes. Afiança que o mundo dos invisíveis seria como o nosso, na medida em que o nosso constituiria uma imagem grosseira e muito imperfeita doreino de além-túmulo. Grosseira e imperfeita no que remete, por certo, a nossa forma mortal: comemos, bebemos, nos reproduzimos, para manutenção da vida que, aqui, extingue-se; assim mesmo, porém, nosso mundo não passaria de uma imagem, algo que, em aparência, aspecto, similar se apresentaria, portanto, a certas regiões etéreas, à exceção de fruições corporais, inviáveis nesses ambientes, em nada ecológicos, por não haver mais a morte ali; talvez holográficos, por assim dizer. Insisto: Quem sabe, algo como os tais campos, espécies de bivaques, que originalmente Mozart revelou a Kardec.[23]
Para espaços infinitos que são povoados ao infinito seria tão inviável esse aspecto, só o aspecto um tanto terreno de certas regiões fluídicas mais densas? Quer-se evitar o fomento da imaginação criativa de muitos, que os coloca nos domínios da pseudorrevelação luizina e suas desastrosas congêneres. Fato. Entretanto, abandonada a compreensão que, desse assunto, só Kardec pode proporcionar em mais diligentes medidas, é que se lançam os menos avisados exatamente ao fluxo do que lhes parecerá mais detalhado: os romances mediúnicos; em geral, um cortejo absurdo de subversões aos princípios do Espiritismo: espíritos a comer, a beber, a casar, a morar; e, hoje, mesmo a copular, a se reproduzir, com fecundação, gestação, nascimento dos “bebês” e, pasmem, até a morrer, sobrevindo o sepultamento dos perispíritos em cemitérios d’além-túmulo...
Já diz muito o fato de que os espíritos inferiores podem, sim, e com frequência, consciente ou inconscientemente, criar ilusões a si mesmos e, em certos limites, até objetivá-las nos fluidos.[24] Nada comparável, no entanto, aos evidentes abusos da subliteratura mediúnica e suas fantasias coloniais. Avanço mais uma vez em dizê-lo: era mesmo até esse ponto nefasto de distorção conceitual que nos queriam conduzir as almas jesuíticas da inglória causa federativa. Ante uma vida espiritual que, na prática, só replica a fruição da vida física, esvazia-se de sentido o princípio espírita da absoluta necessidade da encarnação, abrindo caminho para a ideia de que seria mera exceção punitiva aos que sofrem a queda. Portanto, rustenismo sutil do além, mediante agora a subliteratura de ficção, bem ao gosto popular, em quase tudo ingênuo e, de ordinário, desavisado. Kardec seria bem melhor, mas para este, nada.

[...] o espanto cessa quando se sabe que esses mesmos espíritos são seres como nós; que têm um corpo, fluídico é verdade, mas que não deixa de ser matéria; que, deixando seu invólucro carnal, certos espíritos continuam a vida terrestre com as mesmas vicissitudes, durante um tempo mais ou menos longo. Isto parece singular, mas é, e a observação nos ensina que tal é a situação dos espíritos que viveram mais a vida material do que a vida espiritual, situação por vezes terrível, porque a ilusão das necessidades da carne se faz sentir, e se tem todas as angústias de uma necessidade impossível de satisfazer. O suplício mitológico de Tântalo, nos Antigos, acusa um conhecimento mais exato do que se supõe, do estado do mundo de além-túmulo, sobretudo mais exato que entre os modernos. [...] O quadro que apresenta o cura Bizet nada tem, pois, de estranho; vem, ao contrário, confirmar, por mais um grande exemplo, o que já se sabia; e, o que afasta toda ideia de reflexão de pensamentos, é que o fez espontaneamente, sem que ninguém pensasse em chamar sua atenção sobre aquele ponto. Por que, então, teria vindo dizer, sem que se lhe perguntasse, se aquilo era assim ou não? Sem dúvida a isto foi levado para a nossa instrução. Aliás, toda a comunicação traz um cunho de gravidade, de sinceridade e de modéstia, que é bem o seu caráter e que não é próprio dos espíritos mistificadores.[25]

Afora o que destaquei de Mozart, Kardec, Bizet e Mesmer, entendo que também São Luís, Erasto e Santo Agostinho rasgaram esse véu, ao se referirem a: 1) mundosintermediários como viveiros da vida eterna, onde os espíritos se agrupam conforme seus graus de adiantamento;[26] 2) regiões similares à Terra, das quais espíritos muito aprisionados à matéria não se podem afastar, bem como não o podem das próprias regiões terrenas;[27] 3) mundos inferiores em que os encarnados, mesmo durante o sono, buscam antigas afeições que os chamam, prazeres mais baixos do que têm aqui, doutrinas mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professam no corpo, em vigília.[28] Seriam todas essas, no entanto, simples menções a outros planetas, e não a meios etéreos do nosso próprio orbe? Em caso afirmativo:
1) Urgiria supor que São Luís se refere ao conceito inicial de mundos transitórios e, com efeito, que busca em meios interplanetários os espíritos afins que, na Terra encarnados, explicam a identidade de caráter tantas vezes observada entre pais e filhos. Não os existiriam por aqui mesmo? 2) Seria preciso crer possível, no pensamento de Erasto, que espíritos materialistas, antes na Terra encarnados e, por cegueira moral, aprisionados violentamente aos laços da matéria depois de mortos, deslocam-se, por vezes, para outros planetas, similares ao nosso, não permanecendo, assim, de preferência, na superfície da Terra, ou no espaço que a circunda. 3) Ter-se-ia que admitir Santo Agostinho a revelar, de espíritos inferiores, verdadeiras viagens interplanetárias durante os períodos de sono e, portanto, em estado de encarnação, o que não é exatamente um facilitador; anote-se que é referida a busca de prazeres ainda mais baixos do que eles têm durante a vigília; em espírito, ainda que presos a um corpo, não podem supor que satisfazem tais paixões senão alucinando, criando ilusões a si mesmos, entre pares igualmente inconsequentes. Tratar-se-ia, pois, de semelhantes interplanetários, localizados em mundos transitórios? Em todos os casos, restaria exorbitado o princípio de economicidade tão caro à razão. Por que imaginarmos alhures os seres que mais provavelmente estão vinculados ao nosso próprio planeta? Por que não estariam nos seus meios correspondentes aos estados sutis da matéria, integrantes da atmosfera espiritual terrestre?
Antes de selar como mistério indevassável toda a vida espiritual, melhor admitir-lhe, ainda que fugidias, algo das referências terrenas, sempre tendo em vista, claro, para a análise das comunicações em que apareçam, as vigilantes restrições dos princípios kardecianos: 1) eventuais ilusões que os espíritos podem criar a si mesmos, ainda que objetivadas nos fluidos; 2) aparências que podem criar visando um fim qualquer, a encarnados ou desencarnados; 3) meras ficções psicográfico-obsessivas, cujo fim é a distorção dos ensinos do Espiritismo, sua substituição por outra matriz doutrinária.
Fato é que esse prolongamento misto da vida terrena é situação por vezesterrível, sim; isto significa, contudo, que, doutras, nem tanto; fica a depender dos espíritos. Sobretudo na superfície do planeta, mas também no espaço que a circunda, está a massa da população ambiente do mundo invisível. Ela é composta, segundo Kardec: 1) pelos que, não mais podendo satisfazer suas paixões, se agradam da companhia dos encarnados que a estas se entregam, incitando nestes o cultivo daquelas; 2) pelos que se julgam ainda vivos; 3) pelos que, menos atrasados um pouco, embora não menos vulgares, já buscam algum aperfeiçoamento e instrução vendo e observando nossos costumes, mas impacientando-se por faltar-lhes a realidade dos nossos prazeres.[29] Se distanciados, porém, da superfície da Terra e, assim, no espaço que a circunda, só quanto ao aspecto das coisas é possível aos espíritos menos depurados se moverem entre holográficas referências terrenais, próprias ainda dessas regiões etéreas mais densas.
Como quer que seja, em nenhuma hipótese atende-se a necessidades que, dooutro lado, não é possível satisfazer; não há, lá em cima, como fruir gozos carnais, por falta do instrumento dos mesmos: o corpo físico. Por isso Kardec recorre ao suplício mitológico de Tântalo como oportuna ilustração; a metáfora de tudo que está tão perto e, ao mesmo tempo, é inalcançável. Havia entre os antigos um conhecimento mais exato do estado do mundo espiritual do que entre os modernos, segundo Kardec; pela razão de que estes materializam os gozos de além-túmulo, bem como suas penas. O Espiritismo discorda terminantemente disso, seja no cristianismo,[30] seja mesmo no islamismo. Diz Kardec sobre certa nuança da vida depois da morte no Alcorão, Surata XXXVII, v.39 a 47:

Sem dúvida se notará que os rios, as fontes, os frutos abundantes e as sombras aí representam grande papel, por faltarem sobretudo aos habitantes do deserto. Os leitos macios e as roupas de seda, para gente habituada a dormir no chão e vestida com grosseiras peles de camelo, também deviam ter grande atrativo. Por mais ridículo que tudo isto nos pareça, pensemos no meio em que vivia Maomé e não o censuremos muito, pois, com o auxílio deste atrativo, ele soube tirar um povo da barbárie e dele fazer uma grande nação.[31]

Que diria Kardec então sobre a literatura de Chico Xavier e cia.? Que diria da comida, da bebida, das moradias, dos perispíritos com “calor orgânico” e “pulsação regular” de André Luiz?[32] RIDÍCULO! Alguns querem situá-la numa transição do Catolicismo para o Espiritismo. Mas não vejo que a maioria evolua de Chico Xavier a Kardec; o contrário é que é considerado evolução, sem que praticamente ninguém se dê conta de um tão colossal anacronismo. Ora! Da refinada e cuidadosa concepção do mundo espírita, sem mescla em Kardec, até as bizarras grosserias da literatura de Chico Xavier e quejandos não há senão uma involução lamentável e grotesca.
De fato, o conceito de mundos transitórios é coisa crua, até insólita inicialmente. Espíritos a viver em meio ao caos dos elementos, até que a vida surja e se organize em planetas temporariamente inférteis, soa um tanto estranho sem o adendo que Kardec adiciona posteriormente: atmosfera espiritual, não mais a simples ação dos pensamentos nos fluidos ambientes, mas regiões etéreas, meios de maior ou menor pureza, que lhes servem de habitat post-mortem. As circunstâncias em que a ideia de mundos transitórios ou intermediários é transmitida ao mestre são, no mínimo, curiosas.
Ele desconfia de uma informação de Chopin e lhe diz não compreender ser possível a espíritos errantes a execução de peças musicais no além-túmulo. Mozart, instado por Kardec a dar explicações sobre esse suposto fato, assegura compreender a hesitação do mestre; todavia confirma o dito de Chopin e o justifica com a existência, para os seres errantes, dessas espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, embora, com isso, em absoluto, não responda ao que Kardec lhe pergunta. O mestre submete a questão a outro centro espírita, no qual Santo Agostinho junta a essas as informações que definem como mundos transitórios os planetas de superfície temporariamente estéril, mas habitados por espíritos errantes; avança e diz que, em nosso sistema, nenhum orbe existe nessa condição e que, só a Terra, durante sua formação, foi um deles, também conhecidos àquela altura pormundos intermediários.
Esta sinonímia permanece na Revista e não passa explicitamente ao Livro dos Espíritos, no qual Kardec, na verdade, promove uma espécie de harmonização dos ensinos de Mozart sobre campos de descanso e os de Santo Agostinho a respeito demundos transitórios.[33] Isto se verifica sob o império da matemática, da física, da química, da biologia e, neste caso, sobretudo, da astronomia. O contexto cultural positivista é determinante para o julgamento de Kardec. Ante o paralelismo vocabular entre Espiritismo e astronomia, ele assimila os campos de descanso de Mozart aos mundos transitórios de Santo Agostinho, em cujo ínterim, mais tarde, instala-se a temeridade das colônias espirituais. Não há demérito de Kardec. Houve uma fatalidade. Essas ciências são matrizes metafóricas fortíssimas; a tal ponto que o próprio Espiritismo teria abortado se surgisse antes delas.[34] Nenhuma surpresa, portanto.
As coisas findam por se definir melhor no capítulo décimo quarto de A Gênese, no qual Kardec traça um recorte epistêmico brilhante, em que deixa os espaços físicos, materiais, ponderáveis, às ciências, e reivindica os domínios fluídicos, imponderáveis, espirituais, para o Espiritismo. Com isso, os espíritos são postos, enfim, em suas mais precisas fronteiras universais, que se estendem das superfícies planetárias até as inumeráveis camadas fluídicas que as circundam. Tanto os mundos transitórios de Santo Agostinho, quanto os campos de descanso de Mozart, permanecem viabilizados, desde que não padeçam o embaraço reducionista inicialmente provocado pelo paralelismo vocabular entre Espiritismo e astronomia. Diz-se, aliás, que os espíritos estão no mundoespírita, todavia, a ninguém acode o pensamento de que estejam propriamente noutroplaneta, ao menos não encarnados nalgum. Assim, depois de erraticidades algo penosas, tantas vezes acontecidas nas superfícies planetárias, ou nas regiões fluídicas próprias de seus entornos mais imediatos, pode-se admitir sejam os espíritos encaminhados a essesmundos, isto é, na verdade, a essas espécies de bivaques, de campos de repouso também localizados na atmosfera espiritual dos orbes, donde seguem, após períodos mais ou menos longos, em geral, para a reencarnação. Nada, porém, que autorize o mundo espírita a replicar a vida física em peripécias coloniais.
O Espiritismo espraia a vida espiritual pelos “espaços infinitos povoados ao infinito”; o espaço que se supõe vazio está cheio de uma matéria em estados que, de ordinário, escapam aos nossos sentidos e instrumentos: esse é o mundo dos espíritos propriamente dito, que interpenetra o universo físico e em tudo o transcende. Estima-se, aliás, que a matéria conhecida represente apenas quatro por cento do universo, cabendo vinte e seis por cento à matéria escura e, assustadores setenta por cento, à energia escura. Pouquíssimo se compreende a respeito do que efetivamente seriam.
Para além das nossas conjecturas, no entanto, é bom que se saiba haver estas certezas inflexíveis, o grande legado espírita a nossa modernidade atormentada pela doença de uma suspeita sistemática ao extremo: 1) a alma do justo é recebida como um irmão bem-amado e longamente esperado; a do mau, como um ser que se despreza; 2) segundo a afeição que tenhamos mantido, quase sempre aqueles que conhecemos na Terra vêm receber-nos, ajudar-nos em nossa libertação das faixas da matéria, depois do que reencontraremos a muitos que havíamos perdido de vista, assim como veremos outros espíritos que ali estarão, e os que se encontrarão ainda encarnados, que poderemos, sim, visitar; 3) raro será que haja solidão, porque viveremos em grupos, em famílias, unidos na similitude de tendências e propósitos, segundo nossa elevação; 4) conforme nossas disposições evolucionais e até que não nos haja mais proveito nisto, voltaremos a viver aqui, ou noutros mundos, rumo à vida exclusivamente espiritual.[35]


[1] O Livro dos Espíritos, 87 e 232.
[2] Revista Espírita. Mai/1859. “Música de Além-Túmulo” e “Mundos Intermediários ou Transitórios”, n. 3. O Livro dos Espíritos, 234 a 236.
[3] Revista Espírita. Ago/1859. Mobiliário de Além-Túmulo, ns. 20 e 22.
[4] A Gênese, VI, 19.
[5] Revista Espírita. Abr/1859. Quadro da Vida Espírita.
[6] O Livro dos Espíritos, 22, 36, 55, 87 e 278.
[7] O Livro dos Espíritos, 232.
[8] A Gênese, cap. XIV, ns. 3 a 5, 9 a 11.
[9] O Livro dos Espíritos, 257. O Livro dos Médiuns, Parte II, Cap. IV, n. 74, XXIV.
[10] O Livro dos Médiuns, 2.ª Parte, VIII. A Gênese, XIV, ns. 9 e 14.
[11] Revista Espírita. Mai/1858. Palestras familiares de além-túmulo.
[12] O Livro dos Espíritos, 255.
[13] Revista Espírita. Ago/1863. Conversas familiares de além-túmulo.
[14] Revista Espírita. Mai/1859. Música de Além-Túmulo.
[15] O Evangelho Segundo o Espiritismo, III, 2.
[16] O Céu e o Inferno. 2.ª parte, cap. V, Um Ateu, n. 19.
[17] A Gênese, XIV, 5, 9, 10 e 11. Negritos e colchetes meus. Itálico do original.
[18] Revista Espírita. Jun/1868. A fome entre os espíritos.
[19] Revista Espírita. Mai/1865. Dissertações Espíritas. Sobre as Criações Fluídicas. Grifo do original.
[20] O Livro dos Espíritos, 237.
[21] KARDEC. A Gênese, XIV, 14.
[22] Cf. Op. cit., n. 278 e comentário ao n. 266.
[23] Revista Espírita. Mai/1859. Música de Além-Túmulo.
[24] Revista Espírita. Ago/1859. Mobiliário de Além-Túmulo, ns. 20 e 22.
[25] Revista Espírita. Jun/1868. A fome entre os espíritos. Negrito meu.
[26] Revista Espírita. Jul/1862. Hereditariedade Moral.
[27] Revista Espírita. Mai/1863. Questões e Problemas. Espíritos incrédulos e materialistas.
[28] O Livro dos Espíritos, 402.
[29] O Livro dos Espíritos, comentário ao n. 317. Revista Espírita. Maio/1859. Cenas da Vida Privada Espírita, ns. 20 a 22.
[30] O Céu e o Inferno. Parte I, cap. IV, n. 14.
[31] Revista Espírita. Nov/1866. Maomé e o Islamismo. Negrito meu.
[32] Os Mensageiros. Cap. 22.
[33] Revista Espírita. Mai/1859. Música de Além-Túmulo. Mundos Intermediários ou Transitórios.
[34] Cf. A Gênese, I, 16.
[35] O Livro dos Espíritos, 160, 215, 287. A Gênese, XI, 27 (ou 28).

Fonte: Blog Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2013/05/o-espaco-e-os-mundos-nao-colonias.html

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Estude a Doutrina Espírita com Sérgio Aleixo no Paltalk


Por O Blog dos Espíritas

A Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro, através de seu vice-presidente, escritor e orador espírita Sérgio Aleixo, realiza semanalmente, às terças e quintas às 22 horas e aos domingos, às 19 horas, estudos online acerca do Espiritismo através do programa Paltalk. (Clique aqui para saber mais sobre o programa e fazer o download).

Os estudos da ADE-RJ são focados nas obras de Allan Kardec (Codificação e Revista Espírita) e buscam aferir temas como a identidade espírita atual, esclarecimentos de postulados doutrinários, consolação para as aflições da vida, o que disso decorre etc.

Após criar um apelido (nickname) no Paltalk, entre na pasta South America, e depois na pasta Brazil. Na relação de salas que aparecerá, dê um duplo clique na sala ADE RJ - Associação de Divulgadores do Espiritismo, nos dias e horários anteriormente mencionados.

Mais salas de estudos

Outra sala de estudos espíritas é a da Sociedade Espírita de Estudos no Paltalk - SEEP. Suas reuniões acontecem todas as segundas, às 21 horas.

A sala "Espiritismo com Kardec" visa estudar as obras de Allan Kardec e outros autores espíritas, a exemplo de Herculano Pires, Nazareno Tourinho, Gélio Lacerda e Léon Denis. Os encontros são realizados semanalmente, às sextas-feiras, às 22 horas.

Bons estudos!


quinta-feira, 14 de março de 2013

[VÍDEO] - Palestra de Sérgio Aleixo sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos

O orador, escritor e palestrante espírita Sérgio Aleixo, vice-presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro (ADE-RJ), realiza palestra sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Não estamos às baratas!


Por Sérgio Aleixo

O respeito devido a vítimas de fatos inesperados e chocantes não autoriza os espíritas a negarem a Providência e aclamarem o acaso. A hora, o momento, o instante da morte há suscitado muita incompreensão. Os que entendem não haver momento prefixado para a desencarnação até se louvam em textos de O Livro dos Espíritos; esquecidos, porém, de que estes sempre estão subordinados a um todo, cuja lógica granítica não pode ser apanhada no calor de preconcepções que querem confirmar a qualquer custo.

Está dito que “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é” (853). O que se proclama é que o instante da morte fora predeterminado, e não a banalidade de que morrer é inevitável aos mortais. Ao núcleo do sujeito (instante) é que se dirige o seu predicativo (fatal). O Livro dos Espíritos revela ainda que qualquer que seja o perigo que nos ameace (à revelia da prudência devida, evidentemente), se a hora de nossa morte ainda não chegou, não morreremos; e acresce que Deus sabe de antemão de que gênero será essa morte e, muitas vezes, nosso próprio espírito também o sabe, por lhe ter sido isso revelado, quando escolheu tal ou qual existência (853-a).

Tanto existe um tempo predeterminado, que o n. 199 chega a estabelecer que a morte de uma criança “pode representar, para o espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar.” É que um suicídio direto, ou indireto (952), pode ter sido deflagrado por esse espírito em vida passada; isso lhe abreviou a existência corporal, findando-a antes do tempo prefixado; donde a necessidade de sua vida futura interromper-se na infância, na idade correspondente aos anos não completados na vida anterior. A quem acode que esse espírito deve retornar em nova e mais curta existência porque um terceiro lhe ceifou a vida pregressa antes do momento em que devia terminar? Padeceu inocentemente a falta cometida contra si por outrem? Fora zombar da Providência! O que houve? Anjos da guarda faltosos?

Oras! O que O Livro dos Espíritos ensina é que se for destino de alguém não perecer, ou perecer desta ou daquela maneira, assim será; e mesmo a interferência dos espíritos ocorrerá para tanto. É o que se lê nos números 526, 527 e 528. No Resumo teórico do móvel das ações humanas, 872, Kardec é muito claro:
“No que concerne à morte é que o homem se acha submetido, em absoluto, à inexorável lei da fatalidade, por isso que não pode escapar à sentença que lhe marca o termo da existência, nem ao gênero de morte que haja de cortar a esta o fio”.
Exceto nos casos de práticas suicidas, todos morrem no momento certo, individual ou coletivamente. Para uns, o instante e o gênero de morte são expiação; para outros, mera provação. Como quer que seja, não se desencarna vítima de faltas ou omissões alheias de modo imprevisto; o que não supõe a predeterminação dessas faltas ou omissões (cf. 470), e sim a infalibilidade da divina lei, cujo alcance total nos escapa. Também não se deixa por isso de responsabilizar os negligentes e criminosos, culpando só as vítimas; trata-se de saber, conforme a Filosofia Espírita, por que a uns “a sorte” sorri, enquanto de outros ela “esquece” nessas ocorrências. O que não se deve dizer com certeza, menos ainda com dureza, é se há expiação, ou se existe simples provação no gênero e no instante dos óbitos. Em partidas coletivas, aliás, poderá haver: 1) simples prova escolhida por todos; 2) expiação necessária a todos; ou 3) mera provação para uns, e expiação para os outros. O certo é que a hora de todos terá chegado. Não estamos às baratas!

Fonte: Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2013/02/nao-estamos-as-baratas.html

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A alma existe. Importância dos Fenômenos Espíritas.


Por Sérgio Aleixo

Disse um físico brasileiro radicado no exterior: “Eu adoraria ter alma e, quando meu corpo pifasse, poder renascer em outro corpo. Histórias de espiritismo, de vida após a morte e as várias versões das religiões para isso são mecanismos que criamos para lidar com nosso problema mais fundamental, que é a mortalidade. Vários amigos espíritas dizem que a maneira científica de pensar o mundo é apenas uma. Existem outras. Usar a ciência para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo”. E concluiu: “Hoje, a gente sabe que não tem alma e que o cérebro é um organismo extremamente complexo”.

Mas com fundamento em que se poderia dizer que hoje a gente “sabe” não ter alma? Com base nesta ciência que sequer provou seu materialismo? O físico declarou, porém, que usá-la para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo. Então, as coisas não são exatamente deste modo para ele, porque está, sim, usando a ciência, ou o que aprendeu com ela, ou, pelo menos, a posição de que desfruta perante a mesma, para negar a existência da alma. Tudo não iria além da complexidade cerebral, de mecanismos que criamos para lidar com a mortalidade.

Todos têm direito à opinião. Entretanto, não é propriamente a ciência que nega a alma, mas a ciência oficializada por certa classe de cientistas. Outros, ao contrário, lhe afirmam a existência. Não se podem ignorar as pesquisas de Rhine, desde 1930, na Universidade de Duke. Evidenciaram definitivamente que o cérebro não explica a mente e que esta não é física, embora possa agir no mundo físico por vias não físicas (psigama e psikapa). Mesmo a supervivência da mente após a morte (psiteta) foi sustentada em Cambridge, Oxford e Londres, por Carington, Price e Soal e, na própria Duke, pelo casal Rhine e por Pratt. Idade de ouro da Parapsicologia!

Antes disso, contudo, baseando-se nas pesquisas etnológicas e antropológicas de Lang e Long, Bozzano, em seu livro Povos Primitivos e Manifestações Supranormais, estabeleceu a interessante tese de que a crença na sobrevivência à morte não teria surgido de esforços do pensamento abstrato, de pura indução, mas da mescla de fatos da experiência vital com fenômenos supranormais. À medida que ordenava estes fatos: imagens refletidas em espelhos d’água, sombras, ecos, a razão preenchia suas categorias prévias com os resultados de concomitantes experiências com aqueles fenômenos, muitos deles objetivos, sensoriais.

Na International Psychic Gazette de maio de 1930, Bozzano declarou: “[...] os fenômenos supranormais constituem um complexo admirável de provas anímicas e espiríticas, todas convergentes para um centro a favor da demonstração rigorosamente científica da existência e sobrevivência do espírito humano”.

Cerca de sessenta anos antes, o descobridor do tálio, do radiômetro e do tubo de raios catódicos, Sir Crookes, inferiu a existência da matéria radiante durante suas investigações da mediunidade da Srta. Florence Cook. Isto se deu, sim, graças às suas pesquisas com as materializações (fotografadas) do espírito Katie King ao longo de mais de três anos. Como disse oportunamente Denis, em O Além e a Sobrevivência do Ser: “Foi, pois, de um fato espírita que se originou uma série completa de descobertas, uma revolução no domínio da física e da química”. Sobre suas pesquisas, Crookes assegurou, já em 1917, na International Psychic Gazette: “É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.

Demais homens de ciência atingiram essa mesma convicção após a realização de minuciosos experimentos. Assim aconteceu ao naturalista Wallace, êmulo de Darwin, que publicou O Aspecto Científico do Sobrenatural; ao criminalista Lombroso, que escreveu Hipnotismo e Mediunidade; e ao astrônomo Zöllner, que editou Provas Científicas da Sobrevivência.

Também o descobridor do agente da raiva e do pênfigo agudo, discípulo de Pasteur e diretor do Instituto Bacteriológico de Nova Iorque, Dr. Gibier, no seu Análise das Coisas, foi categórico: “Podemos ter provas materiais da existência da alma”. E informou com desassombro: “Somente depois que observei o fenômeno de escrita direta pelo menos quinhentas vezes, foi que me decidi a publicar as minhas pesquisas”. Ao IV Congresso Internacional de Psicologia (Paris, 1900), Gibier dirigiu um precioso memorial contendo o relato de anos de suas pesquisas experimentais, de título As Materializações de Fantasmas, a penetrabilidade da matéria e outros fenômenos psíquicos.

No final do séc. 20, o Dr. Sabom, prof. de Cardiologia, relacionou 116 casos de estranhas experiências vividas por pacientes entre 1976 e 1981, no livro de rigorosa metodologia científica Recollection of death. Os insólitos fenômenos transcorreram, segundo ele, numa clara dissociação entre cérebro e espírito, sugerindo indubitavelmente a existência e sobrevivência da alma. São da mesma conclusão as casuísticas de Moody Jr., Kenneth Ring, George Ritchia, Elizabeth Kübler-Ross, Melvin Morse, etc.

Trata-se das “near death experiences”, ou experiências de morte aproximada, ou de quase morte. Após anestesia geral, coma e até morte clínica, muitos afirmam ter visto a si mesmos fora do corpo físico, dão conta dos procedimentos adotados na sala em que estavam e mesmo de fatos acontecidos longe dessas dependências. Não poucos conversaram com defuntos acerca de fatos do presente, do passado e do futuro. Os espíritos superiores, no entanto, já haviam instruído Allan Kardec neste assunto, dizendo-lhe no item 422-a do livro que lhes traz o nome: “(...) esse estado especial dos órgãos prova que no homem há alguma coisa mais do que o corpo, pois que, então, o corpo já não funciona e, no entanto, o espírito se mostra ativo”.

O mestre da psicologia analítica, Jung, afirmou certa feita numa entrevista à BBC de Londres: “Eu não acredito que a mente humana morra, porque está provado que a mente humana não conhece passado, nem presente nem futuro; contudo, se ela pode prever acontecimentos futuros, está acima do tempo, se está acima do tempo, não pode ficar trancafiada num corpo”. E disse também: “A plenitude da vida exige algo mais que um ser; necessita de um espírito, isto é, de um complexo independente e superior, único capaz de chamar à vida todas as possibilidades psíquicas que a consciência — ego — não poderá alcançar por si”.

Isto é o que resulta demonstrado pelas regressões de memória a vidas anteriores. Casuísticas minuciosamente documentadas como as de Banerjee, Stevenson, Drouot, Weiss, e outros, não podem ser ignoradas. Weiss foi contundente em A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas, de 1996: “Não se trata de mera sugestão. De um modo geral não são pessoas crédulas ou sugestionáveis. Elas recordam — nomes, datas, geografia, detalhes. E depois que recordam ficam curadas. Talvez até mais importante que a cura de sintomas físicos e emocionais específicos seja o conhecimento de que não morremos junto com nossos corpos. Somos imortais. Sobrevivemos à morte física”. Drouot afirmou em Reencarnação e Imortalidade, de 1989: “Para mim, a exploração de vidas anteriores não é somente psicológica; ela é também, e sobretudo, espiritual”.

Contudo, nos Congressos Espíritas de 1889 e 1900 é que primeiramente se falou em regressões de memória a vidas anteriores ocorridas a espíritos reencarnados. Isto se deu mediante os trabalhos apresentados por Colavida, do Grupo de Estudos Psíquicos de Barcelona, e Marata, da União Espírita de Catalunha, como relatam Denis e Delanne, em O Problema do Ser, cap. XIV, e A Reencarnação, cap. VII.

Falei em regressões ocorridas a espíritos reencarnados porque, sobre tais regressões verificadas em um espírito desencarnado, Dr. Cailleux, existem dois artigos no Jornal de Estudos Psicológicos de Allan Kardec, a famosa Revista Espírita. (Cf. junho e julho de 1866.)

Os espíritos superiores, ao demais, afirmaram àquele que lhes codificou a sublime doutrina que viria o tempo em que disporíamos de meios “mais diretos e mais acessíveis” aos nossos “sentidos” nas comunicações com o além-túmulo, como se lê no n. 934 de O Livro dos Espíritos. E eis aí a Transcomunicação Instrumental. Contatos estabelecidos de maneira desafiadora se traduzem em numerosos acervos de som e imagem que não podem ser facilmente refutados, sobretudo pelas teses subliminares, pois eletrônicos não têm inconsciente.

Tudo isso só nos dá uma pequena medida do pioneirismo de Allan Kardec ao estabelecer em A Gênese, XIII, n. 9, de 1868: “Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou espírito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela a sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. São esses efeitos que constituem objeto especial das pesquisas e do estudo do Espiritismo, a fim de chegar-se a um conhecimento tão completo quanto possível, assim da natureza e dos atributos da alma, como das leis que regem o princípio espiritual”.

Portanto, qualquer adepto de cultura doutrinária espírita mediana identifica desde logo que declarações como a inicialmente ressaltada vêm de pessoas que quase tudo ignoram acerca dos fatos espíritas, sejam estes anímicos (do espírito durante a encarnação), sejam mediúnicos (do espírito no estado de erraticidade). Ante uma tão vasta documentação existente dentro e fora das universidades, os mais sensatos hesitam, mas nunca, nunca resolvem pela negação.

De mais a mais, os amigos espíritas do físico não o informaram bem do próprio Espiritismo. A doutrina não poderia propor jamais uma maneira de pensar o mundo alheia à ciência, porque o Espiritismo se estabeleceu a partir do avanço engendrado pelo progresso da própria ciência, a despeito de ser apenas a ciência de um dado estado de consciência.

Segundo Kardec em A Gênese, I, n. 16: “Assim como a ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do principio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da natureza, a reagir incessantemente sobre o principio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a ciência se completam reciprocamente; a ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a ciência, faltariam apoio e comprovação”.

Eu mesmo disse em O Que É Espiritismo, 1.2: “Uma avaliação correta do posicionamento de Allan Kardec indica seu rompimento com o reducionismo de um modelo materialista mecanicista de ciência, jamais com a finalidade da ciência em si, que é o conhecimento exato da realidade. O codificador, aliás, nunca deixou de insistir na cientificidade do Espiritismo. Kardec fixou a base científica da doutrina espírita como dimensão primeira da aliança da ciência e da religião, pulverizando a dicotomia entre razão e fé”.

Deste modo, a doutrina dos espíritos incorpora a si tudo quanto resulte demonstrado pela ciência e é também nos termos da ciência que a doutrina pensa o mundo; todavia, por uma necessidade lógica e também empírica, lhes adiciona o princípio espiritual, cuja existência, no dizer preciso de Kardec, o Espiritismo foi o primeiro a demonstrar por provas inconcussas, estudando-o, analisando-o e tornando-lhe evidente a ação.

Kardec constatou pessoalmente vários fenômenos, tais como: a tiptologia, ou linguagem de batidas das mesas girantes; a psicografia indireta, na qual o lápis era, por indicação dos espíritos, adaptado a uma cesta ou a outro objeto; a psicografia direta ou manual, em que o médium já retinha em suas próprias mãos o lápis, etc. Em casa da família Baudin, o codificador do Espiritismo chegou a formular perguntas às inteligências desencarnadas em vários idiomas desconhecidos das jovens médiuns; algumas vezes, ele até o fazia sem palavras, mentalmente, e ainda assim as respostas nasciam poliglotas, profundas e lógicas por debaixo da cesta, sobre os bordos da qual as meninas impunham suas mãozinhas adolescentes. Assim foi colhida boa parte dos ensinos de O Livro dos Espíritos, obra-base da doutrina espírita.

Quanto à psicografia direta ou manual, Kardec se reporta muito instigantemente à mudança radical das caligrafias de acordo com os espíritos comunicantes, que conservavam a mesma escrita quando voltavam a se manifestar. E mais! Assegurou o mestre com requinte de detalhe (O Livro dos Espíritos, Introdução, XII): “Tem-se verificado inúmeras vezes, sobretudo se se trata de pessoas mortas recentemente, que a escrita denota flagrante semelhança com a dessa pessoa em vida. Assinaturas se hão obtido de exatidão perfeita”.

Este tipo de fenômeno, aliás, pôde ser constatado aqui no Brasil. Francisco Cândido Xavier, em 22/07/1978, psicografou carta ditada pela Senhora Ilda Mascaro Saullo, italiana falecida em Roma a 20/12/1977. Como ressaltou o codificador, tratava-se de pessoa morta recentemente. Neste caso, porém, havia um complicador: a mensagem veio no idioma da defunta, o italiano, ignorado pelo médium. Pois bem! Titular de Identificação Datiloscópica e Grafotécnica do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, o Prof. Carlos Augusto Perandréa lançou A Psicografia à Luz da Grafoscopia, no qual atesta: “A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém, conforme demonstração fotográfica, em número e em qualidade, consideráveis e irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada”.

Também no livro A Vida Triunfa, de Paulo Rossi Severino e Equipe da Associação Médico-Espírita de São Paulo, os interessados poderão encontrar vasto material de pesquisa acerca de 45 cartas-mensagem recebidas por Chico Xavier, as quais em tudo se mostram da autoria dos mortos comunicantes, seja pela forma, seja pelo conteúdo, inegavelmente mediúnicos.

Como disse Denis, em No Invisível: “Quando se possui alguma experiência dos fenômenos psíquicos fica-se pasmado ante a penúria de raciocínio dos críticos científicos do Espiritismo. Escolhem eles sempre, na multidão dos fatos, alguns casos que se aproximem de suas teorias e silenciam cuidadosamente de todos os inúmeros que as contradizem. Será esse procedimento realmente digno de verdadeiros sábios?”.

E físico por físico, termino citando novamente Drouot, Ph.D. em Física Teórica pela Universidade de Columbia, que afirmou no seu livro Nós Somos Todos Imortais, de 1986: “A física de hoje coloca o problema das relações entre nossa matéria e nosso espírito. E a única verdadeira física será a que conseguir um dia integrar o homem total em sua representação coerente do mundo”.

Fonte: Blog Ensaios da Hora Extrema - http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2012/11/a-alma-existe-importancia-dos-fenomenos.html?spref=fb