Mostrando postagens com marcador os quatro evangelhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador os quatro evangelhos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de maio de 2020

[VÍDEO] - Do Livro dos Espíritos ao Roustainguismo

Canal do Observador Espírita no YouTube traz vídeo sobre o contexto do surgimento de O Livro dos Espíritos na França, e a metodologia implantada por Allan Kardec para aceitação ou não das verdades que comporiam a obra fundamental da Doutrina Espírita, fazendo um paralelo com a obra Os Quatro Evangelhos de Jean Baptiste Roustaing, considerada o primeiro cisma do Espiritismo.

Segue o link abaixo:


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Porque todos nos calamos!

Por Marcelo Henrique

Primeiro eles vieram com a exaltação à "santidade" e a "pureza", ou "perfeição" do homem de Nazaré. Deturparam textos de Kardec, com traduções bizarras. E você se calou!

Depois, resolveram editar "Os quatro evangelhos" e, massificadamente, utilizaram o expediente da publicidade em sua "revista oficial", a da Reforma - não por acaso - divulgando a obra com seu epíteto "a revelação da revelação", porque "precisavam" de "novidades". E você se calou!

Então, foram introduzindo livros, ditos psicografados ou escritos por literatos espíritas, editando-os em sequência, apresentando o Jesus-fluídico (sem sofrimentos físicos) e a virgindade de Maria, para celebrar os "mistérios". E você se calou!

Elegeram um "anjo" - materialização de uma fábula católica - como "guia espiritual" do planeta e você achou sublime, porque a ideia da angelitude é uma metáfora em relação ao ápice do percurso espiritual. Você se deixou convencer, e se calou!

Adiante, aproveitando-se de uma prodigiosa (mas ingênua) mediunidade, que produzia muito, deram-lhe o caráter de "continuador" doutrinário, sem criticar os textos que provinham de um velho sacerdote católico, impregnado de suas crendices e visões igrejistas. E você, novamente, se calou!

Dizem, até, que os originais das obras psicografadas foram todos destruídos. Porque não havia necessidade de mantê-los, pois tínhamos os livros editados, físicos. E o silêncio foi a sua resposta!

Foram desistindo da filosofia e da ciência, entendendo que o edifício estava pronto e que as manifestações de espíritos eleitos e médiuns escolhidos, do ontem e do hoje, foram todas, sempre, autorizadas pela "Espiritualidade", e você silenciou novamente!

Capciosamente, tocaram o teu coração com a simbologia da mensagem sublime, sobre amor e caridade, sobre perdão e não-discórdia, para tê-lo como cordeiro diante do Pastor, e você não esboçou qualquer reação!

Resgataram velhos conceitos de temor e culpa, tão comuns entre as igrejas, desde Constantino, instituindo "prêmios" para bons comportamentos, bonificadores, definindo lugares imaginários para o regalo das almas submissas à meia-verdade, com departamentos e ocupações similares às da Terra, e você deixou "barato", porque desejava uma esperança de que, na outra vida, as coisas se parecessem com a "atmosfera" da vida física. E você se aquietou!

Agora resgatam textos evangélicos diferentes dos escolhidos como relevantes por Kardec e pela Verdade, publicando oficialmente "O Novo Testamento" e projetando uma versão da Bíblia (Antigo Testamento), porque, afinal, um é a consequência do outro, e que voltar aos textos antigos é buscar a "sinergia" entre as mensagens. E você até está pensando, silente, em comprar as obras!

Disseram-te, também, que o tal controle das mensagens só era necessário na época de Kardec, porque a doutrina estava iniciando e era necessário filtrar as muitas comunicações, evitando a desfiguração da "árvore cristã". E você aplaudiu, inconsciente, entendendo que a diretriz vinha, mesmo, do Alto, e calar-se para aprender seria a única alternativa!

E os pastores prosseguem, tangendo as almas pacatas, desfigurando a mensagem e aproximando-a das vaidades e das honrarias do mundo. Todos se maravilham ante os "dotes" artísticos, literários e de oratória de um ou outro virtuose, enquanto os grupos de aprofundamento espírita, de discussão e de promoção de saudáveis debates em busca dos conhecimentos progressivos, mingua e se esvai, no tempo, contando com a tua aquiescência e timidez, silenciosas!

Dizemos, por vezes, que não temos tempo, nem energia para gastar com contendas, que precisamos cuidar de coisas mais importantes, que não estamos no "movimento" para "procurar confusão", e os dias vão passando... E a você só resta o silêncio de sua intimidade, a conversa com seus botões, e aquela indignação quase morta, que não ultrapassa os limites de sua boca, de sua letra, ou de sua própria casa...

Porque você, eu, todos nós... Nos calamos!

terça-feira, 28 de julho de 2015

domingo, 18 de agosto de 2013

Kardec e o catálogo racional de obras

Por Sergio Aleixo

Um argumento dos que advogam que quase tudo pode ser Espiritismo à revelia de Kardec, merecendo até lugar na doutrina espírita, é a lista de obras preparada pelo mestre para formação de bibliotecas espíritas, cuja primeira edição apareceu em fins de março de 1869, visando à inauguração de uma livraria no início do mês seguinte, evento adiado, infelizmente, por conta de seu repentino passamento aos 31 dias de março daquele ano fatídico. A segunda edição do Catálogo Racional de Obras que Podem Servir para Fundar uma Biblioteca Espírita apareceu em agosto do corrente, já depois da morte de Kardec e acrescido, imaginem, de mais um par de títulos, sob a responsabilidade de A. Desliens. Quatro anos mais tarde, em dezembro de 1873, veio a lume uma terceira edição, atualizada por P. G. Leymarie.[1] Desconheço as duas primeiras. Portanto, não sei que obras foram acrescidas após o decesso de Kardec. Como quer que tenha sido, basta uma leitura atenta da peça para constatar a falta de base para argumentos mais libertários.
Catálogo é composto de três partes e um Apêndice: I – Obras fundamentais da doutrina espírita; II – Obras diversas sobre o Espiritismo ou complementares da doutrina; III – Obras feitas fora do Espiritismo; e Apêndice: Obras contra o Espiritismo.
A primeira coisa a considerar é que as obras de Kardec não são por ele chamadas básicas, e sim fundamentaisO Que é o EspiritismoViagem Espírita em 1862 e toda a coleção da Revista Espírita, inclusive. A segunda, é que, no hall de obras diversas sobre o Espiritismo ou complementares da doutrina, encontram-se livros cujos dizeres mereceram de Kardec simples comentários, uns; e mesmo censuras, outros, ali diretamente expressas, bem como em remissões bibliográficas indicadas pelo mestre.
É o caso, por exemplo, de Os Quatro Evangelhos, de Roustaing. Kardec diz que se trata de obra que ensina a mesma doutrina dos docetistas e apolinaristas, a postular que o corpo de Jesus era fluídico, razão pela qual não teria ele sofrido senão em aparência. Recomenda, então, a leitura de seu livro A Gênese, cap. XV, n.ºs 64 a 68, onde, como se sabe, repele veementemente essa teoria, contra-argumentando que ela rebaixa moralmente a Jesus. Trata-se, portanto, de atitude preventiva, de clara censura por parte de Kardec.
Na mesma esteira está o livro A Chave da Vida, por V. de F. Michel, que o mestre informa coincidir com alguns pontos da doutrina espírita, estando, contudo, na sua maior parte, em contradição com a ciência e o ensino geral dos espíritos. Kardec remete o leitor novamente a seu livro A Gênese, cap. VIII, n.ºs 4 a 7.
Outro tanto sucede a Revelações do Mundo dos Espíritos, recebido pelo médium Sr. Roze, e cujo conteúdo Kardec afirma compor-se de teorias em franca contradição com a ciência e com o ensino geral dos espíritos, sublinhando, vejam, que a doutrina espírita não as pode admitir. E aqui, uma grave lição. Este médium foi membro titular da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Recebeu, dentre outras, mensagens de São Luís, Lamennais, São Vicente de Paulo, e do próprio Espírito da Verdade.[2] E a que ponto chegou? De publicar contradições com a ciência e até com a doutrina espírita, que não é senão o ensino geral dos espíritos a que se refere Kardec em sua crítica. De fato, há nos boletins da S.P.E.E. menção a um certo “sistema” ditado a esse médium pelo que chamou “escrita inconsciente”, e também à penosa impressão que causou a um dos membros da S.P.E.E. a simples exposição do tal “sistema”.[3]
Resta saber agora se obras em contradição com a doutrina espírita e abertamente censuradas pelo próprio Kardec poderiam ser suas complementares. Claro que há por aí um equívoco de compreensão da proposta do mestre no Catálogo. O título da segunda parte, aliado ao procedimento crítico de Kardec em alguns de seus dizeres, demonstra que, ali, todas são, sim, diversas obras sobre o Espiritismo, mas nem todas são complementares da doutrina. Há umas e outras. A partícula ou indica exclusão e não sinonímia. Existem duas categorias distintas. Faz sentido que, numa biblioteca espírita, obras equívocas sejam, ainda assim, sobre o Espiritismo, porque sobre História ou Geografia é que não seriam. Mas, absolutamente, não podem ser complementares da doutrina espírita, que sequer pode admitir-lhes os conteúdos em certos casos, como se viu.
Usar o Catálogo para justificar o erro de que seriam complementos da doutrina espírita mesmo livros em contradição com suas obras fundamentais é puro oportunismo de algumas raposas bem escoladas, estribado na inconstância de certos adeptos e na ignorância geral a respeito dos fundamentos históricos e conceituais do Espiritismo.
Por outro lado, nenhum espírita deve tramar, em seu centro ou associação, proibir a leitura de quaisquer obras que sejam. Index librorum prohibitorum é coisa execrável, contra a qual, repito: contra a qual se deve posicionar o kardecista, sempre amigo do livre-exame. Mas daí a incentivar inconsideradamente a leitura de obras que contradigam a doutrina espírita, em detrimento, por exemplo, das obras fundamentais de Kardec, sobretudo no que respeita a neófitos, vai longa e mal iluminada distância.
O estrago que determinadas publicações podem ensejar a adeptos inexperientes, ainda faltos de elementos necessários a um discernimento mais prevenido, deve ser escrupulosamente evitado. É preciso dar uma chance à verdade espírita. Estimulemos a todo custo o estudo perseverante e continuado das obras fundamentais: O Que é o EspiritismoO Livro dos EspíritosO Livro dos MédiunsO Evangelho Segundo o Espiritismo, etc., etc. Depois, sim, que venham todos os benditos catálogos com livros “de dentro”, “de fora”, “pró” e “contra” o Espiritismo, porque já não seremos presas tão fáceis.
Outro não foi o motivo pelo qual encabeçaram o Catálogo as próprias obras kardecianas. Fizeram-se presentes os elogios do mestre, mas também suas abstinências e censuras aos livros listados. E por quê? Justamente porque é pela Obra de Kardec que a crítica espírita se viabiliza.




[1] BARRERA, F. Resumo Analítico das Obras de Allan Kardec. USE/Madras, 2003, p. 144.
[2] Cf. Revista Espírita. Mar/1860. Perguntas sobre o Gênio das Flores (São Luís). Abr/1860. Ditados Espontâneos: “Conselhos” (O Espírito de Verdade); “Amor e Liberdade” (Abelardo); “Parábola” (São Vicente de Paulo). Nov/1860. Dissertações Espíritas: “Os Inimigos do Progresso” (Lamennais). Esta última comunicação é atribuída à recepção do “Sr. R...”. Trata-se, por certo, do Sr. Roze, mencionado no Boletim da S.P.E.E. de 10 de fevereiro de 1860 (cf. Revista de Mar/1860), no qual há expressa menção ao ditado espontâneo recebido pelo “Sr. Roze”, justamente de “Lamennais”. Há muitas referências a esse médium nas Revistas de 1859, nessa condição abreviada, talvez por ser antigo ministro-residente dos Estados Unidos junto ao rei de Nápoles, como informa Kardec na Revista de Maio/1859, no artigo “Ligação entre o Espírito e o Corpo”.
[3] Revista Espírita. Nov/1860. Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 5 de outubro de 1860, sessão particular; 12 de outubro de 1860, sessão geral.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um aviso da Espiritualidade

Por Nazareno Tourinho

Prossigamos o nosso passeio revelador pelas páginas da Coleção da Revista Espírita editada no tempo de Allan Kardec, tendo em mira o rastreamento dos passos de Jean-Baptiste Roustaing e sua única médium, Emilie Collignon.

Diante dos olhos temos agora o exemplar de dezembro de 1862. O codificador do Espiritismo o encerra com a seguinte nota:

“RESPOSTA A UM SENHOR DE BORDEAUX

“Um senhor de Bordeaux nos escreveu uma carta, aliás muito polida, contendo uma crítica do ponto de vista religioso ao artigo do número de novembro sobre a Origem da linguagem, o qual, diga-se de passagem, encontrou numerosos admiradores. Como a carta não traz assinatura nem endereço, fizemos o que se faz com toda carta sem nome: foi para a cesta.”

Não desejamos nós, e nem poderíamos em sã consciência, acusar Roustaing de ser o autor da carta muito polida que foi para a cesta por ser anônima. Entretanto, também não devemos nos furtar a uma judiciosa e oportuna observação: o artigo Origem da linguagem, que a missiva em tela procura desqualificar, é do Espírito Erasto, presente com os seus ensinos sábios nos diversos livros da Codificação; este Espírito, por seu médium habitual de Paris, transmitiu a Kardec, antes dele ir a Bordeaux em fins de 1861, uma Epístola para ser lida por ocasião da visita. O Codificador, no discurso proferido em Bordeaux, cidade onde viviam Roustaing e E. Collignon, fez a leitura de tal Epístola. Nela há trechos assim:

"Eis por que vos digo, com toda a efusão de minha ternura por vós, que ficaria desolado, ficaríamos desolados todos nós que, sob a direção do Espírito de Verdade, somos os iniciadores do Espiritismo na França, se viesse a desaparecer do vosso meio a concórdia de que até hoje destes provas brilhantes. Se não tivésseis dado o exemplo de uma sólida fraternidade; se, enfim, não fôsseis um centro sério e importante da grande comunhão espírita francesa, eu teria deixado esta questão na sombra do esquecimento. Mas se a levantei é que tenho razões plausíveis para convidar-vos à manutenção da união, da paz e da unidade de doutrina entre os vossos diversos grupos”.

“Tereis que lutar não só contra os orgulhosos, os egoístas, os materialistas e todos esses infelizes que estão imbuídos do espírito do século, mas ainda, e sobretudo, contra a turba de Espíritos enganadores que, encontrando em vosso meio uma rara reunião de médiuns, pois a tal respeito sois os mais aquinhoados, em breve virão assaltar-vos, uns com dissertações sabiamente combinadas, nas quais, graças a tiradas piedosas, insinuarão a heresia ou algum princípio dissolvente..."

"Ah! Crede-me, não temais desmascarar os embusteiros que, novos Tartufos, se introduziriam entre vós sob a máscara da religião..."

"Para isso necessitais de bons médiuns e aqui os vejo excelentes, em cujo meio só tendes que escolher. Certamente, bem o sei, a Sra. e a Srta. Cazemajoux e alguns outros possuem qualidades mediúnicas no mais alto grau, e nenhuma região, eu vo-lo repito, a este respeito é melhor dotada do que Bordeaux."

"Tive que vos falar assim, porque era necessário premunir-vos contra um perigo...". (Salvo a expressão Espírito de Verdade, todos os demais destaques em negrito são nossos. Revista Espírita de novembro de 1861).

Note o leitor que a essa altura a obra Os Quatro Evangelhos, de Roustaing, já estava sendo preparada por via da mediunidade de Emilie Collignon. O Espírito Erasto adverte contra o perigo de uma mistificação prejudicial à unidade da doutrina. Cita como médiuns confiáveis em Bordeaux, nominalmente, apenas a Sra. E Srta. Cazemajoux.

Algum tempo depois do fato um cidadão de Bordeaux escreve anonimamente para a Revista Espírita criticando determinada mensagem. De quem era a mensagem? Do Espírito Erasto!

Muito estranho...

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

Observação: A tradução da Revista Espírita aqui utilizada é do site IPEAK (Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec) e, por isso, possui pequenas diferenças da versão utilizada originalmente por Nazareno Tourinho.

Mediunidade suspeita e medíocre

Por Nazareno Tourinho

No mesmo número da Revista Espírita em que Allan Kardec discorda da opinião de Emilie Collignon (junho de 1862) ele publica, pela primeira vez, mensagem psicografada por essa médium, onde se lê estas palavras:

“Somos uma essência criada pura, mas decaída; pertencemos a uma pátria onde tudo é pureza; culpados, fomos exilados por algum tempo, mas só por algum tempo...” (todo o resto da mensagem é muito bem formulado filosoficamente, para esconder o embrião do cisma doutrinário que já estava sendo concebido).

O codificador do Espiritismo, que a essa altura ainda não havia recolhido do mundo espiritual o completo lineamento teórico da III Revelação, e por isso, a fim de apurar a universalidade dos ensinos, conservava-se aberto às novidades do Além provindas de várias fontes mediúnicas, após transcrever tal psicografia da Sra. Collignon faz uma observação dizendo que certas mensagens “para serem compreendidas e não darem lugar a falsas interpretações, necessitam de comentários e de desenvolvimentos”.

O próximo texto psicografado da Sra. E. Collignon, de Bordeaux, sai na Revista Espírita em novembro de 1862, preenchendo o espaço da seção intitulada POESIAS ESPÍRITAS. É tão ruim, tão medíocre, que não precisamos reproduzi-lo na íntegra, abusando da paciência do leitor, para demonstrar, em definitivo, a pobreza intelectual da madame Collignon e seus protetores invisíveis. Basta copiarmos os versos iniciais e os derradeiros. Ei-los:

“MEU TESTAMENTO
“Posto que rimado, creio que não será inferior,
“Compreendamo-nos. Nele o que exalto
“Não é a rima: que não é boa;
“É o espírito que...Ao diabo essa gíria!
“O espírito não é também o que me preocupa.
“Compreendam bem, por favor: só o espírito vivifica
“Assim, entendo este vocábulo.
“Eu, que não sou um deles, mas em breve serei – 
“Ao menos espero – queria comparecer,
“Não como um simples tolo,
“Mas como um pobre Espírito, humilde e arrependido,
“Pondo no meu Senhor toda a minha esperança
“E, contando, para chegar ao plano dos eleitos,
“Muito com sua bondade, pouco com minha virtude!
(.................)
“Antes de terminar, um salutar conselho
“Talvez aqui encontre o seu lugar:
“Que vos ilumine a voz da Caridade;
“Ligai pouco à opinião dos tolos.
“Do luxo enganador, que exibe o orgulhoso,
“Desconfiai sempre. Ao coração nada iguala
“A felicidade do dever cumprido.
“Ajudai a fraqueza do oprimido.
“Que vossa alma responda ao grito de aflição.
“Que haja um eco pronto a repeti-lo.
“Que a vossa mão, filhos, esteja pronta a aliviar.
“Com a ajuda do pouco ouro que entre vós eu partilho
“Acumulai tesouros para fazer a viagem,
“Da qual não regressa o Espírito virtuoso!
“Semeai benefícios e colhereis as virtudes
“Pedi ao Senhor suas luzes mais claras.
“Ide buscar irmãos por entre os infelizes
“E que Deus vos conceda, em sua grande bondade,
“Segui apenas a lei do Amor, da Caridade!...”

Eis aí o começo e o fim do poema mediúnico(?) da Sra. E.Collignon, de Bordeaux. Ele recorda esta deliciosa sentença de Allan Kardec, inserida em O LIVRO DOS MÉDIUNS, capítulo XVI, item 193:

“Médiuns versejadores: obtêm, mais facilmente do que outros, comunicações em versos. Muito comuns, para maus versos; muito raros, para versos bons.”

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Roustaing e a personalidade de Jesus


Por Josué de Freitas

Quando estudamos a história do Movimento Espírita, notamos que desde os primórdios de sua formação houve um preparo de terreno para que certas doutrinas estranhas pudessem se instalar no seu contexto existencial. Esse trabalho foi desenvolvido por Espíritos e homens que comungavam entre si um mesmo ideal.

A primeira medida tomada pelos Espíritos envolvidos no processo genésico do sistema espírita, foi criar um único ponto diretor: A Federação Espírita Brasileira - FEB. A segunda, foi dar origem a uma política capaz de sufocar as possibilidades de análise ou crítica, por parte de sociedades espíritas ou pessoas descontentes com procedimentos e práticas. A isto deram o nome de "unificação". Quem estivesse de fora deste contexto, seria considerado herege, obsediado, perigoso etc. A terceira providência foi a de encontrar apoio para essas idéias, junto a líderes e médiuns de destaque. A história mostra como a FEB, valendo-se das lendas que criou em torno de si, e usando o nome do Cristo, conseguiu esse apoio por toda parte. Criou-se assim um movimento filosófico/religioso, orientado por um só espírito (círculo de idéias), fechado a qualquer progresso exterior.

O Movimento Espírita transformou-se num sistema despido de racionalidade. Os simpatizantes que se tornaram trabalhadores e dirigentes de centros espíritas não foram instruídos para raciocinarem em termos kardequianos, pois sua formação se dá de maneira aleatória. Um ambiente psicológico com essas características seria favorável para absorver qualquer tese que viesse revestida de aparente lógica ou santidade.

No passado, alguns intelectuais ligados à FEB foram responsáveis pela introdução das teses irracionais de Jean Baptiste Roustaing no sistema espírita. Reflexos dessas idéias podem ser encontrados no trabalho de médiuns de expressão e mesmo nos discursos de oradores e líderes espíritas conhecidos.

Ao contrário do que muitos pensam, o problema "Roustaing" tem pouco a ver com a edição dos livros pela FEB. Este é o menor dos males. O que sempre escapou aos que se opuseram à Casa Máter do Espiritismo, foi o fato de que havia por trás dessas obras uma política doutrinária de estreita ligação com o Catolicismo e que essa mentalidade estava presente em quase todos os segmentos do Movimento Espírita.

Certamente não se deve assumir uma posição contra a Federação Espírita Brasileira por causa da edição dos livros de Roustaing. Não se deve proibir alguém de editar essa ou aquela obra. Mas é preciso cobrar da FEB que na condição de Comitê Central, ela não deveria publicar obras contraditórias ao pensamento kardequiano.

A política doutrinária no Movimento Espírita precisa ser modificada com urgência. Qualquer observador anônimo que fizer uma viagem espírita ficará assustado com o grau de fantasias e ilusões a que estão entregues médiuns, oradores e trabalhadores espíritas. O sistema está comprometido, afetado pela ação de Espíritos levianos e pseudo-sábios, e a FEB, por nos ter gerenciado todos esses anos, tem responsabilidade nisso.

Os livros de Roustaing são uma mistura de alguns conceitos autênticos com verdadeiras heresias. Os erros doutrinários mais graves dos Espíritos ligados aos "Quatro Evangelhos" são originários da confusão feita em torno da personalidade de Jesus e a natureza do seu corpo. Falaremos aqui sobre a questão "personalidade".

Na interpretação que a Igreja Católica dá ao personagem do Mestre há um erro capital: o de que Ele seria a encarnação da própria Divindade. Idéia semelhante veio parar no Espiritismo com a ajuda dos adeptos de Roustaing. Para eles, Jesus seria um Espírito sem pecados, que teria evoluído em linha reta. A pureza do seu Espírito seria de tal magnitude, que sua encarnação na Terra teria sido fictícia. Colocações no mínimo estranhas, mas apoiadas no jogo das palavras e nas muitas interpretações que a elas se pode dar, quando não estão traduzidas devidamente.

Ao ler os Evangelhos, um observador atento percebe que Jesus falava freqüentemente como se fosse uma Divindade e mudava de personalidade, ora se comportando como um homem e ora como um deus. Os problemas em torno de sua individualidade nasceram deste fato.

Sabe-se que, em termos de revelação divina, sempre existiram a doutrina pública e a oculta. O conhecimento superficial é para o público. Já o profundo, para as escolas denominadas "iniciáticas". A interpretação que a Igreja Católica deu à personalidade de Jesus foi resultado da luta entre os pensadores dessas duas alas. Para atender aos interesses das massas, predominou o conhecimento superficial, o Jesus-deus.

O Espiritismo foi um esforço da Espiritualidade para popularizar o conhecimento oculto. Allan Kardec, como grande pensador, dedicou-se também ao estudo da personalidade de Jesus. Seu trabalho pode ser apreciado em "Obras Póstumas", no tópico "Estudo sobre a natureza do Cristo", item 5. Mas mesmo ele, não chegou a deduções satisfatórias. Sem saber o que aconteceria mais tarde com a doutrina que criara, o Codificador conclui que a questão não teria importância maior e deixou-a de lado.

Entre os especialistas que estudam os Evangelhos, alguns acham que por trás da vida pública do Cristo, havia todo um plano para que sua missão pudesse se desenvolver a contento. Os espíritas, de um modo geral e por comodismo, preferem acreditar que Jesus era apenas um homem simples do povo, que tornara-se mestre pela obra do Espírito Divino. Os indícios, porém, apontam na direção oposta: ele seria um Mestre da Espiritualidade, missionário que teria descido ao orbe para trazer o código moral do Evangelho e detonar a fase que conduziria a humanidade a um estado superior de vida: a regeneração.

Na vida do Mestre Jesus existem coisas que não foram bem explicadas. A presença dos Reis Magos logo após seu nascimento, por exemplo, seria uma delas. Quem seriam essas figuras? Os textos antigos diziam que eles teriam vindo do Oriente, onde as escolas iniciáticas eram comuns. Como teriam sabido do nascimento de Jesus? Será que teriam vindo fazer-lhe simples visita? Onde teria estado Jesus no período da mocidade? Suspeita-se que teriam vindo comunicar a Maria e José, que seu filho deveria mais tarde ser conduzido ao preparo, para o desenvolvimento de uma grave missão.

Nos discursos de Jesus, percebe-se que tinha um profundo conhecimento das Escrituras antigas. Onde as teria estudado? Com quem esteve durante esses anos de desaparecimento? E por que motivo entre os Apóstolos, havia a presença de João Evangelista, um suposto membro da escola filosófica de Alexandria? Seria esse o motivo do seu Evangelho apresentar características radicalmente diferentes das narrativas dos outros evangelistas? E mais tarde, qual seria a razão para vir parar no Cristianismo nascente a pessoa de Paulo, um membro de outra escola filosófica existente em Tarso? E a razão da simpatia de alguns fariseus por Jesus, tais como Nicodemos, José de Arimatéia e outros? De fato, Jesus era mesmo um Enviado, preparado espiritualmente para desempenhar a tarefa da redenção dos homens, mas como não veio derrogar a Lei, necessitou, para cumprir a missão, de instruções à semelhança dos seres humanos comuns.

As reflexões expostas neste documento têm como finalidade apresentar uma teoria lógica sobre a personalidade de Jesus e demonstrar que os enganos do Sr. Roustaing são provenientes justamente da interpretação superficial do conhecimento, dada a público por certos mestres da Igreja Católica.

Uma vez esclarecidas as questões da personalidade do Cristo e da natureza do seu corpo, o edifício das teorias roustainguistas ruirá. Só as aceitarão os Espíritos que, por condição evolutiva e limites de desenvolvimento, preferirem se alimentar das ilusões provocadas certamente por Espíritos pouco adiantados.

Para se entender as aparentes discrepâncias existentes quanto à personalidade de Jesus, o Cristo, temos que examinar, com o raciocínio, algumas questões sobre a origem das coisas. A questão nº 13 de O Livro dos Espíritos trata dos atributos da Divindade. Diz que Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom.

Diante dessas características do Criador, surge uma dúvida: como poderia Deus, um ser imutável, gerar e gerenciar o Universo mutável? Como algo que em si é absoluto pode tornar-se relativo, sem deixar de ser absoluto? Poderíamos dizer que ao Pai tudo é possível, ou que este assunto ainda é um mistério (conduta comum na Igreja). Seria a resposta mais cômoda. Mas, em Espiritismo, nos é lícito levantar hipóteses racionais.

O assunto "personalidade de Jesus" e a necessária "relatividade do Pai" foi motivo de estudos e debates na escola do Grupo Espírita Bezerra de Menezes no ano de 1996. A conclusão a que se chegou foi a de que a criação relativa só poderia existir como obra de Deus e sob Suas ordens, se houvesse entre o Criador e a Criação um intermediário. De um lado teria de ser absoluto e do outro, relativo. Seria mais ou menos o papel que o perispírito exerce entre o Espírito, que em si é abstrato, e o corpo material. Uma inteligência ou consciência cósmica, destinada à servir de elo entre o Pai e sua grandiosa obra.

No pensamento platônico (escola de Sócrates) encontramos a resposta a nossas dúvidas: o Logos. Platão afirmava que o Logos era o Verbo, a vontade de Deus manifesta na forma de relatividade. Os pensamentos de Sócrates e Platão exerceram poderosa influência na gênese do cristianismo. Pode-se mesmo afirmar, que o Evangelho de João é a expressão do pensamento platônico e, por esse motivo, seu texto é diferente dos demais.

O Verbo, a que o Evangelista se refere, é o Logos platônico, é o Cristo. Não há ''cristos'' planetários conforme afirmaram alguns autores. Há, sim, um só Cristo, para toda a Criação. Esta consciência cósmica é o Filho Único, a que o texto sagrado refere-se freqüentemente.

Cada orbe tem um governo espiritual. No caso da Terra, Jesus é responsável pela execução de seu plano existencial, até que ela se torne morada de Espíritos melhores. Jesus de Nazaré foi o divino médium, intermediário em potencial da manifestação dessa Consciência Cósmica na revelação do Evangelho libertador. É ela a fonte de todo o Bem e da Verdade, onde inspiraram-se mestres como Buda, Maomé, Confúcio, Gandhi e outros.

Jesus preparou-se durante muitas encarnações ocorridas em outros mundo para desempenhar sua missão na Terra, tornando-se o porta-voz da Revelação Divina. Ao aceitarmos a hipótese de que Jesus não era o Verbo encarnado, mas que recebia mediunicamente o Verbo em si, ficariam explicados todos os mistérios acerca de Sua personalidade, inclusive as dúvidas que o próprio Codificador do Espiritismo teve quando ocupou-se do assunto em Obras Póstumas.

Admitindo-se esta tese, teríamos em Jesus um Espírito como os outros, que necessitou naturalmente da matéria, utilizando o corpo físico como instrumento da evolução. Tal teoria diminuiria o valor de Jesus, o Cristo? De modo algum. Ao contrário, essa idéia aproxima o Mestre de todos nós. Coloca-o como um ser que chegou a uma posição superior com suas próprias conquistas. Teria Ele conhecido o mal? O roustainguismo afirma que não, pois que Sua evolução teria se dado em linha reta. Ora, se todos os Espíritos são criados simples e ignorantes, não há como se admitir que Jesus não tivesse passado pelos caminhos da ignorância. E pelos caminhos do mal? A Doutrina Espírita oferece segura resposta: nem todos os Espíritos passam obrigatoriamente pelo mal, mas sim pelo da ignorância.

Assim não tem sentido divinizar Jesus, para glorificá-lo como um Espírito diferente dos outros.

Fonte: Portal do Espírito - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/roustaing-e-jesus.html

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aparece a médium Emilie Collignon


Por Nazareno Tourinho

O escrito de Emilie Collignon que aparece pela primeira vez na Revista Espírita (maio de 1862), editada por Allan Kardec, é a resposta dada por ela a um sacerdote preocupado com a fidelidade de sua mãe doente “aos dogmas invariáveis da religião católica”.

Em tal resposta pretende Emilie Collignon assumir publicamente a condição de espírita, porém deixa transparecer ainda um forte apego à Igreja Romana, concluindo sua profissão de fé com este parágrafo:
“Agradeço, pois, ao Senhor, cuja bondade e poder incontestáveis permitem aos anjos e aos santos agora se tornarem visíveis, para salvarem os homens da dúvida e da negação, o que tinha sido permitido ao demônio fazer para os perder desde a criação do mundo. Tudo é possível a Deus – mesmo os milagres. Hoje eu reconheço com felicidade e confiança.”
Com uma crença espírita tão mal estruturada filosoficamente, a médium de Roustaing, para completar, possuía um temperamento “cristão” pouco recomendável à uma pessoa destinada a servir de intérprete das altas esferas espirituais, com vistas ao surgimento no mundo de uma nova Revelação. É o que documenta o segundo dos seus escritos, estampado na Revista Espírita em junho de 1862. Trata-se de uma carta de E. Collignon dirigida a Allan Kardec, na qual ela critica a comunicação do Espírito Gérard de Codemberg, inserida no penúltimo número da Revista.

Em determinado trecho E. Collignon revela o ânimo contestatório que viria a ter anos depois suas mensagens mediúnicas de Os Quatro Evangelhos, em relação ao pensamento kardequiano. Escreve ela:
“Esse Gérard de Codemberg será um bom espírito? Se é ele, eu o duvido.”
E arremata encaminhando ao codificador do Espiritismo a “comunicação de um espírito que se supõe ter tomado o lugar de Gérard de Codemberg”. Isto depois de ter consultado o seu guia.

Kardec responde discordando de tal opinião, e tendo como apócrifa a comunicação que ela lhe enviou.

Já se vê por aí que tipo de personalidade era Emilie Collignon, e que tipo de protetores do Além estavam orientando a sua produção mediúnica.

Note-se que, tendo começado a psicografar Os Quatro Evangelhos em dezembro de 1861, a essa altura, junho de 1862, já navegava a pleno vapor nas águas turvas da “Revelação da Revelação”, com a qual encantou Roustaing e outros peixes miúdos, capazes de morder minhocas doutrinárias no anzol do misticismo.

Fonte:

TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um absurdo a mais

Por Nazareno Tourinho

Está na hora de pormos um ponto final nesta dúzia de breves escritos analisando os dislates e disparates da obra de Roustaing, que após retumbante fracasso editorial na época de seu lançamento, em terras francesas, foi ressuscitada no Brasil por alguns companheiros místicos, em briga com outros chamados de “científicos”, nos primórdios de nosso movimento doutrinário, sendo ainda hoje lida graças aos esforços e manobras dos dirigentes da FEB.

Poderíamos ir adiante no presente ensaio crítico, útil e necessário, oportuno em face de acontecimentos lamentáveis, pois, em se tratando dos quatro volumes da 6ª edição febeana da obra rustenista, até nas derradeiras folhas do Volume 4 existem tolices e pieguices dignas de reprovação. Padecendo de explicacite aguda (doença que consiste em querer explicar tudo), o célebre advogado de Bordéus, na página 527 do referido Volume 4, resolve justificar um massacre ordenado por Moisés, e para tanto assegura que “Espíritos protetores, prepostos a vigiar as provas e expiações de cada um, para que elas se cumprissem, impelindo os culpados ou dirigindo as espadas dos que acutilavam,faziam que aqueles recebessem o golpe que os prostaria”. Uma obra que apresenta tais explicações de fatos bíblicos, situando os Espíritos Superiores como capazes de produzir assassinato em massa para cumprimento das leis de DEUS, mereceria talvez mais considerações sobre o seu caráter mistificatório. Não convém, todavia, estendermos estas linhas, porque os leitores terminam se fatigando com a insistência de um articulista no mesmo assunto, e, de resto, o tema em foco sempre foi pouco simpático a muitos espíritas brasileiros, pouco afeitos a cogitações de maior profundidade filosófica, à luz da Codificação kardequiana (infelizmente o que a maioria gosta é de ler romances e textos psicografados de conteúdo sentimental, às vezes líricos e até delirantes). Impõe-se-nos compreender e aceitar a realidade de nosso movimento ideológico, sem mágoas ou ressentimentos, nadando contra a maré da imaturidade desses companheiros de crença tão só até determinado ponto.

Necessitando encerrar aqui, avisamos, contudo, aos confrades estudiosos da matéria, que ampliaremos estes comentários sobre a deletéria obra de J.B. Roustaing com a abordagem das relações pessoais que ele, e sua única médium, Emilie Collignon, tiveram com Allan Kardec, a fim de que o leitor fique ciente de como foi tramado o primeiro cisma do Espiritismo.

A Revista Espírita, editada mensalmente pelo Codificador durante mais de dez anos, forneceu-nos interessantes subsídios a esse respeito, fazendo-nos entender inclusive porque até hoje as diversas Diretorias da FEB nunca se interessaram em traduzi-la e divulgá-la, o que, aliás, historicamente, representa um crime perante a cultura doutrinária do nosso povo.

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O vínculo de Roustaing com a Igreja

Por Nazareno Tourinho

Mais do que surpresos, os espíritas sinceros, e suficientemente esclarecidos, ainda alheios às consequências filosóficas da tese do corpo fluídico de Jesus, terão ficado perplexos durante a leitura do penúltimo escrito desta série, no qual mostramos o vínculo ideológico da obra de Jean-Baptiste Roustaing com a Igreja Romana, que desvirtuou a autêntica mensagem do Cristianismo e tantos males causou ao progresso da Humanidade.

Para que ninguém julgue ter havido de nossa parte a exploração de um mero e descuidoso tropeço do antigo bastonário da Corte Imperial de Bordeaux, isolado e perdido no Volume 2 de Os Quatro Evangelhos de sua autoria (6ª edição da FEB), vamos aqui transcrever mais alguns dislates do gênero, contidos no Volume 3 que dá sequência a “Revelação da Revelação”, por ele arquitetada com o objetivo de suplantar a obra de Allan Kardec, Ei-los:
“A mediunidade dos que, entre vós, servem de instrumentos aos Espíritos está apenas no começo. Mas, contrariamente ao que sucedeu na época dos discípulos, os vossos médiuns só entrarão no gozo completo de suas faculdades mediúnicas quando estiver entre os homens o Regenerador, Espírito que desempenhará a missão superior de conduzir a humanidade ao estado de inocência, isto é: ao grau de perfeição a que ela tem de chegar. Até lá, obterão somente fatos isolados, estranhos à ordem comum dos fatos.

“Não nos cabe fixar de antemão a época em que tal se verificará. O Senhor disse: vigiai e orai, porquanto desconheceis a hora em que soará retumbante a trombeta, fazendo que de seus túmulos saiam os mortos. Quer dizer: desconheceis a hora em que Deus fará que renasçam materialmente na terra os Espíritos elevados, incumbidos de dar impulso às virtudes que eles descerão a pregar, praticando-as em toda a sua extensão.

“O chefe da Igreja católica, nesta época em que este qualificativo terá a sua verdadeira significação, pois que ela estará em via de tornar-se universal, como sendo a Igreja do Cristo, o chefe da Igreja católica, dizemos, será um dos principais pilares do edifício.” (Página 65; os grifos são dos autores.)

“Debaixo da influência e da direção do Regenerador, caminhará o chefe da Igreja católica, a qual, repetimos, será então católica na legítima acepção deste termo, pois que estará em via de tornar-se universal, como sendo a Igreja do Cristo.” (Página 66)

“Homens, que praticais os ritos cristãos, não vos envergonheis de aproximar-vos da “mesa santa”, pois que sejam quais forem as profanações a que ela tenha sido exposta, sempre a podeis santificar pelo sentimento com que dela vos avizinhardes. Não coreis de vir, curvada a fronte, prostrar-vos aos pés do sacerdote que vos apresenta a hóstica “consagrada”.” (Página 403)

Aí está, não precisamos ir além. Os rustenistas da escola de Luciano dos Anjos poderão nos refutar através de longos e especiosos textos, garantindo que mutilamos as ideias centrais da obra de Roustaing, trazendo ao público apenas trechos esparsos de seus escritos, desconexos de outros imprescindíveis para completar o pensamento do autor. Quanto a isso, cumpre-nos denunciar a técnica mistificatória empregada nos volumes de Roustaing: os Espíritos que a ditaram, com refinada esperteza, própria dos padres jesuítas, acabam de dizer uma coisa e logo afirmam outra em contrário, a fim de obterem aceitação em nosso meio doutrinal. É por isso que os seus raros defensores sempre possuem argumentos para sustentar intermináveis polêmicas, reivindicando a condição de espíritas quando, no fundo, são católicos envergonhados, arrependidos mas ainda não inteiramente convertidos. Vejamos um exemplo da tática mistificatória exercida na obra de Roustaing, com base na última citação feita no presente artigo, a da página 403 do terceiro volume de Os Quatro Evangelhos. Ali somos concitados a não ter um constrangimento em nos prostrar aos pés de um sacerdote, de fronte curvada (a nossa, não a dele), e reverenciar a hóstia “consagrada”. Ora, qualquer pessoa sabe que isto é uma proposição católica, não espírita. Assim sendo, para dourar a pílula os ladinos autores do conselho no mesmo parágrafo o precedem com o reconhecimento da superioridade do ato espiritual sobre o ato material, e o complementam ressaltando a prevalência do fundo sobre a forma. Destarte, quando alguém, reproduzindo o mencionado trecho qual o fizemos, disser que a obra de Roustaing agasalha a apologia do ritual católico, do dogma da “Sagrada Eucaristia” etc., logo um de seus admiradores contestará, valendo-se da parte inicial ou final do parágrafo onde o referido trecho se encontra. E assim nunca falta munição verbalística para os renitentes defensores de Roustaing, que já sem coragem de atacar a obra de Kardec de frente (no pretérito atacaram, e a prova é a edição de 1920 de Os Quatro Evangelhos, que a FEB patrocinou e hoje esconde o fato, divulgando uma edição sem os ataques), já sem coragem de menosprezar frontalmente a obra de Kardec, repetimos, procuram minar as suas bases teóricas, contradizendo-lhes princípios filosóficos fundamentais como o que situa a encarnação e a reencarnação na categoria de lei da vida inteligente (na doutrina de Roustaing a experiência encarnatória não é uma necessidade para todos os Espíritos, é apenas castigo para alguns).

Na verdade, a única defesa possível da mistificação de Roustaing é a tese de que ela foi necessária quando surgiu, no século passado, a fim de atrair os católicos para o movimento espírita iniciante.

Este argumento, entretanto, é inaceitável, de um lado por ser aético e inconsistente (a nossa doutrina não endossa a teoria de que os fins justificam os meios, responsável, na Idade Média, pelas fogueiras da Santa Inquisição, e é contra o proselitismo, mesmo corretamente praticado do ponto de vista moral, pois seus postulados libertadores nunca serão absorvidos por quem ainda não estiver evolutivamente preparado para compreendê-los), e de outro lado porque a adulteração essencial de uma filosofia, através da mesclagem com quaisquer filosofias divergentes, é um modo solerte de arruiná-la perante o futuro, no campo das ideias (objetivo das entidades umbralinas fascinadoras do antigo bastonário da Corte Imperial de Bordeuax).

Na hipótese de querermos, por motivo de pura benevolência, aceitar a tese de que a mistificação de Roustaing, embora nociva, foi desculpável pela sua origem, atitude da qual já partilhamos no intuito de contribuir para a fraternidade dos espíritas brasileiros, sobre esta pergunta:

— Por que a FEB, atualmente, insiste em prestigiá-la, quando não mais ignora o seu caráter conflitante com a Codificação de Allan Kardec?

Fonte:

TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um Tropeço Desastroso


Por Nazareno Tourinho

A obra de Roustaing, Os Quatro Evangelhos, ultrapassa todas as fronteiras daquilo que é razoável, lógico, tornando-se cômica e ridícula ainda no seu Volume 2, quando espelha as seguintes afirmativas:
“Moisés e Elias prometeram o Messias, Jesus prometeu outro Consolador, O Espírito da Verdade, a revelação espírita, pela intervenção dos Espíritos do Senhor junto dos homens, intervenção que teve a consagrá-la, para todos, a presença de Moisés e de Elias no monte, em colóquio, diante dos discípulos, com o mesmo Jesus transfigurado.” (Página 471 na 6ª edição da FEB, grifos dos autores.)

Preste bem atenção o leitor para esta assertiva de Roustaing, situando Moisés e Elias em colóquio com Jesus no monte, como, aliás, consta dos registros evangélicos. Ele a justifica logo adiante, à página 480:
“A presença de Moisés e de Elias nada teve que aberrasse dos fatos ordinários. Ambos estavam sempre juntos de Jesus.”
Prossigamos com o que depois lê-se na página 497:
“O que, porém, Jesus naquela ocasião não podia nem devia dizer e que agora tem que ser dito é o seguinte: Moisés – Elias – João Batista – são uma mesma e única entidade. Estamos incumbidos de vos revelar isso, porque chegou o tempo...”
Não pense o leitor que leu errado, ou que houve erro de impressão. A propósito, na página 497 os “guias” de Roustaing repetem logo a seguir o absurdo:
“Sim, Moisés, Elias e João Batista são um só; são o mesmo Espírito encarnado três vezes em missão.”
Perguntará qualquer pessoa sensata, em plena posse de suas faculdades mentais:

- Como é que Moises e Elias “são o mesmo Espírito”, se ambos entraram em colóquio com Jesus no monte?

Os “guias” de Roustaing respondem sem a menor cerimônia, na página seguinte, 498, proclamando que “no Tabor, quando da transfiguração de Jesus, um Espírito superior, da mesma elevação que Elias e João, tomou a figura, a aparência de Moisés”. Esta explicação desnuda por completo o caráter mistificatório da revelação rustenista porque, conforme já vimos, os seus autores, antes, na página 480, referindo-se a Moisés e Elias, declararam que ambos estavam sempre junto de Jesus.

Ainda que desprezemos tal gafe suficiente para desmoralizar as mensagens transmitidas a Roustaing, por intermédio de uma só médium, sobra-nos a conclusão de que, ou o Cristo também foi enganado, conversando com outro Espírito como se ele fosse Moisés, ou se prestou para a encenação de um episódio mentiroso, com a única finalidade de iludir os poucos discípulos que estavam a seu lado na ocasião, em local ermo no alto do monte Tabor, unicamente três, Pedro, Tiago e João, segundo os relatos evangélicos de Mateus, Marcos e Lucas, reproduzidos na própria obra de Roustaing, página 468/469 do Volume 2.

Que disparate!

Como podem os atuais diretores da Federação Espírita Brasileira pretenderem que uma mistificação espiritual de tamanho porte, tão agressiva ao mais elementar bom senso, tenha livre curso no seio de nosso movimento doutrinário?

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

sábado, 24 de março de 2012

O Melancólico Plágio


Por Nazareno Tourinho

Na página 430 do Volume 1 de Os Quatro Evangelhos (6ª edição, feita pela FEB) os “guias” de J. B. Roustaing escreveram o seguinte, referindo-se a uma lição de Jesus:

“Essas palavras do Mestre são o seguimento do que explicamos no nº 78. Não basta ao homem abster-se do mal, cumpre-lhe praticar o bem.”

Temos aqui um escandaloso plágio.

Plágio, como certamente o leitor não ignora, é a apropriação indevida que um autor faz da ideia de outro, apresentando-a como se fosse sua.

Se tivessem honestidade, os “protetores” de Roustaing diriam:

Como foi revelado a Allan Kardec, não basta ao homem abster-se do mal, cumpre-lhe praticar o bem.”

Assim se expressariam porque já em 1857, quase dez anos antes do lançamento de seus Evangelhos apócrifos, em 1866, no primeiro tomo da Codificação, O Livro dos Espíritos, figura tal ensinamento.

Eis o inteiro teor da pergunta nº 642 do supracitado volume, e a respectiva resposta:

“Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?

“Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

A custa desse expediente desprezível, apossando-se de algumas ideias originais da codificação kardequiana sem confessar isso, Roustaing conseguiu tornar sua obra mais aceitável por uns poucos espíritas ainda presos aos condicionamentos católicos, herdados de outras encarnações. Estes companheiros místicos costumam, quando defendem o roustainguismo, dizer que o mesmo nos oferta muitas coisas boas. O que não falam é que as coisas boas a nós oferecidas foram retiradas espertamente dos livros de Kardec. E omitem o fato de que entre tais coisas boas existem teses lesivas aos superiores interesses do Espiritismo, porque em nível filosófico conflitam com os fundamentos da doutrina (como, por exemplo, a teoria de que a encarnação é um castigo e não uma necessidade).

Em razão disso a obra de Roustaing deve ser esquecida pela FEB, única Entidade em todo o mundo que a prestigia, estudando-a por força de um dispositivo estatutário, reeditando-a sempre e fazendo dela constante propaganda, de modo ostensivo ou subliminar, se é que a FEB deseja, nos tempos modernos, permanecer na liderança do nosso movimento ideológico, cuja unificação só é possível com absoluto respeito à insuperada mensagem espiritual claramente exposta por Allan Kardec. 

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Magazine "Bom Ânimo" analisa a obra "Breve História do Espiritismo"

O livro Breve História do Espiritismo, de autoria do jornalista e turismólogo Fabiano Vidal, é divulgado e analisado no magazine eletrônico "Bom Ânimo", produzido, editado e distribuído  pelo Grupo de Estudos Espíritas e Evangelho no Lar - Irmãos Hansenianos, cuja coordenação editorial é da jornalista Carmem Paiva de Barros.

Leia a análise feita pelo jornalista Carlos Barros:



Para baixar o magazine "Bom Ânimo", clique aqui.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Esperteza Abominável

Por Nazareno Tourinho

Terminamos o escrito anterior comentando uma peremptória sentença da obra de Roustaing que entra em choque frontal com  a obra de Kardec, no tocante a este ponto básico da nossa doutrina: a necessidade da encarnação, e a consequente lei da reencarnação, para o Espírito (princípio inteligente) evoluir até alcançar pelo próprio mérito, exercitando o livre arbítrio, todo conhecimento e toda virtude, o que significa o seu aperfeiçoamento máximo.

A sentença rustenista por nós comentada ao fim do texto precedente, contida na página 317 do Volume 1 de Os Quatro Evangelhos (6ª edição da FEB) é esta:

“Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos”.


Além da flagrante contradição teórica entre Roustaing e Kardec que acabamos de comprovar, demonstrando por onde o partidário da tese do corpo fluídico de Jesus tentou infiltrar a teologia católica na filosofia espírita (para a teologia católica DEUS castiga, daí o seu Inferno, penas eternas etc.), há ainda um fato gravíssimo a ser denunciado: na delicada questão em foco Roustaing assumiu a postura de contestador de Kardec, e o fez da maneira mais maquiavélica possível.

Como?

Copiando logo a seguir (PP. 317/318), entre aspas, a opinião do Codificador do Espiritismo sobre o assunto, sem identificá-lo, isto é, sem informar quem emitira tal opinião, a fim de ser a mesma refutada pelos seus “guias”, como foi em termos enfáticos. Adiante, à página 320, repetiu o golpe baixo, aético.

Esta atitude de Roustaing, fornecendo traiçoeiramente munição para os seus “guias” atirarem contra o pensamento kardequiano (e ainda vêm agora os dirigentes da FEB nos dizer que a mistificação rustenista complementa a codificação de Kardec como obra auxiliar...), é tão surpreendente, pelo caráter mesquinho, que talvez o leitor duvide da veracidade desse nosso registro. Felizmente estamos em condições de eliminar a sua dúvida, como verá um pouco à frente.

Teria Roustaing a coragem, ou melhor, a covardia, de se valer de palavras de Kardec, citando-as entre aspas sem mencionar o autor, para conduzir os inventores da chamada “Revelação da Revelação” ao combate de um postulado fundamental da Doutrina Espírita?

Pois nós declaramos que ele fez isto!

Declaramos porque lendo tais palavras, postas entre aspas nas páginas 317/318 e 320 do Volume 1 de Os Quatro Evangelhos, pensamos:

- Pelo estilo estas expressões saíram da caneta do codificador do Espiritismo. Quando e onde foram escritas? De que lugar o inimigo as pinçou para utilizá-las tão cavilosamente?

Decidimos averiguar. Fizemos uma releitura de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo, volumes que haviam sido publicados bem antes de Roustaing dar lume a sua obra (O Céu e o Inferno saiu pouco antes, em 1865). Encontramos até em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Capítulo IV, item 25), a afirmativa de que a encarnação é uma necessidade para todos os Espíritos e não um castigo, mas não defrontamos as frases postas entre aspas pelo antigo bastonário da Corte Imperial de Bordeaux. Resolvemos então, já quase sem esperança de lograr êxito na pesquisa, vasculhar a Coleção da Revista Espírita editada por Allan Kardec no período de 1858 a 1666, ano do lançamento de Os Quatro Evangelhos de J.B. Roustaing, e eis que, ante o número de junho de 1863, no artigo de abertura, do codificador, intitulado DO PRINCÍPIO DA NÃO-RETROGRADAÇÃO DO ESPÍRITO, localizamos exatamente as expressões aspeadas por Roustaing nas páginas referidades de sua ovra – elas constituem os parágrafos 5º e 6º do aludido texto kardequiano. Quem não acreditar nisso vá às fontes conferir.

Aí está, portanto, mais uma prova de que, em matéria de Espiritismo, ou de Doutrina Espírita, a obra de Roustaing representa apenas um cisma, aliás de triste memória pela forma moralmente condenável como foi articulado.

Fonte:
TOURINHO, Nazareno.  As Tolices e Pieguices da Obra de Roustaing – Nazareno Tourinho; ensaio crítico-doutrinário; 1ª edição, Edições Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, SP, 1999.