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domingo, 26 de março de 2017

[VÍDEO] - O Que é o Espiritismo - Viagem Espírita em 1862

Fabiano Nunes apresenta O Que é o Espiritismo: seus princípios, suas obras fundamentais, a metodologia utilizada por Allan Kardec, dentre outros esclarecimentos sobre os conceitos e a prática da Doutrina dos Espíritos. Esse quadro faz parte do programa de TV Despertar Espírita exibido no dia 27 de outubro de 2012.

domingo, 11 de maio de 2014

Sobre o uso de práticas exteriores de cultos nos grupos

Por Allan Kardec

Frequentes vezes me tem sido indagado se é útil começar as sessões com preces e atos exte­riores de culto religioso. A resposta não é apenas minha, mas também dos Espíritos que trataram des­se assunto.

É, sem dúvida, não apenas útil, porém neces­sário rogar, através de uma invocação especial, por uma espécie de prece, o concurso dos bons Espíritos. Essa prática predispõe ao recolhimento, condição especial a toda reunião séria. O mesmo não se dá quanto às práticas exteriores de culto, através das quais certos grupos creem dever abrir suas sessões e que têm mais de um inconveniente, apesar da boa intenção com que são sugeridas.

Tudo nas reuniões espíritas deve se passar re­ligiosamente, isto é, com gravidade, respeito e re­colhimento. Mas é preciso não esquecer que o Espiritismo se dirige a todos os cultos. Por conseguinte ele não deve adotar as formalidades de nenhum em particular. Seus inimigos já foram muito longe, tentando apresentá-lo como uma seita nova, buscando um pretexto para combatê-lo. É preciso, pois, não fortalecer essa opinião pelo emprego de rituais dos quais não deixariam de tirar partido, para dizer que as assembleias espíritas são reuniões de protestantes, de cismáticos, etc. Seria uma leviandade supor que essas fórmulas são de natureza a acomodar certos antagonistas. O Espiritismo, chamando a si os homens de todas as crenças, para uni-Ios sob a bandeira da caridade e da fraternidade, habituando-os a se olharem como irmãos, qualquer que seja sua maneira de adorar a Deus, não deve melindrar as convicções de ninguém pe­lo emprego de sinais exteriores de qualquer culto.

São poucas as reuniões espíritas, por menores que sejam os grupos, que, sobretudo na França, não tenham membros ou assistentes pertencentes a diferentes religiões. Se o Espiritismo se colocasse abertamente na área de uma delas, afastaria as outras. Ora, como há espíritas em todas, assistiríamos à formação de grupos católicos, judeus, ou protestantes, assim perpetuando o antagonismo religioso que o Espiritismo tende a abolir.

Esta é, também, a razão pela qual deve-se abster, nas reuniões, de discutir dogmas particulares, o que, necessariamente, melindraria certas consciências. As questões morais, entretanto, são de todas as religiões e de todos os países. O Espiritismo é um terreno neutro sobre o qual todas as opiniões religiosas se podem encontrar e dar-se as mãos. Ora, a desunião poderia nascer da controvérsia. Não esqueçais de que a desunião é um dos meios através dos quais os inimigos do Espiritismo buscam atacá-lo. É com esse fim que eles induzem certos grupos a se ocuparem de questões irritantes ou comprometedoras, sob o pretexto astucioso de que não se deve colocar a luz sob o al­queire. Não vos deixeis prender nessa armadilha! Sejam os dirigentes de grupos firmes na recusa de todas as sugestões deste gênero, se não quiserem passar por cúmplices dessas maquinações.

O emprego dos aparatos exteriores do culto teria idêntico resultado: uma cisão entre os adep­tos. Uns terminariam por achar que não são devidamente empregados, outros, pelo contrário, que o são em excesso. Para evitar esse inconveniente, tão grave, aconselhamos a abstenção de qualquer prece litúrgica, sem exceção mesmo da Oração Dominical por mais bela que seja. Como, para fazer parte de um grupo espírita, não se exige que ninguém abjure sua religião, permita-se que cada um faça a seu bel prazer e mentalmente, a prece que julgar a propósito. O importante é que não haja nada de ostensivo e, sobretudo, nada de oficial. O mesmo se pode dizer com relação ao sinal da cruz, ao hábito de se colocar de joelhos, etc... Sem esta linha de conduta neutra, não se pode impedir, por exemplo, que um muçulmano, integrante de um grupo espírita, se prosterne e coloque a face contra a terra, recitando em voz alta sua fórmula sacramental: "Só há um Deus e Máomé é o seu profeta!"

O inconveniente não existe quando as preces feitas em intenção de qualquer pessoa, são independentes de todo e qualquer culto particular. Di­to tudo isso, creio supérfluo salientar o quanto haveria de ridículo em fazer-se toda uma assistência repetir em coro uma prece ou fórmula qualquer, como alguém me afirmou já ter visto ser praticado.

Deve ficar bem entendido que o que acaba de ser dito não se aplica senão aos grupos e sociedades, constituídos de pessoas estranhas umas às outras, porém nunca às reuniões íntimas de família, nas quais, naturalmente, cada pessoa é livre de agir como bem entender, uma vez que, em tal ambiente, não se corre o risco de melindrar a ninguém.

Fonte: Viagem Espírita em 1862 » Instruções particulares dadas aos grupos em resposta a algumas das questões propostas » XI

Retirado do site IPEAK - http://www.ipeak.com.br/site/estudo_janela_conteudo.php?origem=6367&idioma=1

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Viagem Espírita

Por Orson Peter Carrara

Agora que já iniciamos o parágrafo, podemos acrescentar a continuidade do título: em 1862. Sim o nome correto é Viagem Espírita em 1862. Trata-se de excepcional obra, esquecida dos espíritas, que relata as viagens que Kardec fez com dupla finalidade: oferecer e colher experiências e orientações. Além disso, havia o desejo de confraternizar com os irmãos espíritas de outras localidades, vivendo a fraternidade que o ideal espírita por si só proporciona, conforme suas próprias palavras na introdução da obra, que ele intitulou Impressões Gerais, especificando localidades, manifestando gratidão e, sobretudo, destacando os benefícios do conhecimento espírita nas instituições que pôde visitar. Aliás, o texto, apesar de ser apenas um intróito com menos de 20 páginas, é de uma riqueza impressionante.

A obra está editada pela Federação Espírita Brasileira, com tradução de Evandro Noleto Bezerra, e pela Casa Editora O Clarim, com tradução de Wallace L. Rodrigues. Na obra traduzida por Wallace, o Prefácio do tradutor igualmente é de grandeza histórica e doutrinária. Destaca Wallace, referindo-se à experiência pessoal do Codificador em suas falas aos espíritas de sua época: “(...) Entre o homem e sua felicidade, ergue-se a sombra, a terrível paixão: o egoísmo. (...)” e cita o percurso de 1862 em mais de 20 cidades, onde presidiu mais perto de cinqüenta reuniões, num período de mais de seis semanas num percurso de 193 léguas.

Wallace também ressalta que os conceitos expressos no livro são tão atuais, tão fundamentais à boa conduta das entidades espíritas que ter sido escritos em 1962 (época da tradução), sendo que podemos perfeitamente atualizar essa data para 2009, face à atualidade do texto integral. Por isso vale repetir o que disse Wallace: “(...) O leitor arguto e atento fará aqui mil descobertas de transcendental valor. (...)” E discorre que após cem anos (à época da tradução, repetimos, e que atualizamos sem receio) transcorridos, tais instruções de Kardec são ainda perfeitamente aplicáveis e uma garantia para a pureza doutrinária, caracterizando-se pela firmeza, lucidez e responsabilidade.

E do editorial da Revista Espírita, de novembro de 1862, o tradutor transcreve dois parágrafos que ele considera magníficos e que recomendamos aos leitores.

O livro está, pois, composto de pronunciamentos de Kardec em reuniões que participou. Há ainda os preciosos documentos Instruções particulares aos grupos em resposta a algumas das questões propostas e Projeto de Regulamento para o uso de grupos e pequenas sociedades espíritas. Esses últimos documentos deveriam ser impressos em separata e distribuídos, divulgados, estudados por diretorias e trabalhadores de nossas instituições, tamanho seu conteúdo doutrinário e valor de orientação, capaz de vencer – se aplicados – os imensos desafios vividos pelo movimento espírita.

Parece-nos que quanto mais o tempo passa mais necessidade há de divulgarmos, estudarmos e divulgarmos o pensamento de Kardec. Seja pelo aumento dos adeptos, seja porque esquecemos tais instruções e nos deixamos perder pela própria vaidade ou porque não temos vigilantes o suficiente para vencer a nós mesmos...

O fato patente, todavia, é que a obra é um tesouro para todos nós. De riquíssimo valor doutrinário para nossas instituições, é obra que todo dirigente e tarefeiro espírita não pode deixar de ler, sob pena de encontrar-se desatualizado com o lúcido e claro pensamento de Allan Kardec.