Mostrando postagens com marcador obsessores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador obsessores. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2016

[RE] - Curas de obsessões

Por Allan Kardec

Escreveram-nos de Cazères, a 7 de janeiro de 1866:

“Eis um segundo caso de obsessão que assumimos e levamos a bom termo no mês de julho último. A obsedada tinha vinte e dois anos; gozava de saúde perfeita; apesar disso, de repente foi acometida de um acesso de loucura. Seus pais a trataram com médicos, mas inutilmente, pois o mal, em vez de desaparecer, tornava-se cada vez mais intenso, a ponto de, durante as crises, ser impossível contê-la. Vendo isso, os pais, a conselho dos médicos, obtiveram sua internação num hospício, onde seu estado não apresentou qualquer melhora. Nem eles nem a doente jamais haviam cogitado do Espiritismo, que nem mesmo conheciam; mas, tendo ouvido falar na cura de Jeanne R..., de que vos falei, eles vieram procurar-nos e saber se poderíamos fazer alguma coisa por sua filha infeliz. Respondemos nada poder garantir antes de conhecer a verdadeira causa do mal. Consultados em nossa primeira sessão, os guias disseram que a jovem era subjugada por um Espírito muito rebelde, mas que acabaríamos trazendo-o ao bom caminho e que a cura consequente nos daria a prova dessa afirmação. Assim, escrevi aos pais, residentes a 35 quilômetros de nossa cidade, dizendo que a moça seria curada e que a cura não demoraria muito, sem, contudo, precisarmos a época.

Evocamos o Espírito obsessor durante oito dias seguidos e fomos bastante felizes para mudar suas más disposições e fazê-lo renunciar a seu propósito de atormentar a vítima. Com efeito, a doente ficou curada, como nossos guias haviam anunciado.

Os adversários do Espiritismo repetem incessantemente que a prática desta doutrina conduz ao hospício. Ora! Nós lhes podemos dizer, nesta circunstância, que o Espiritismo dele faz sair aqueles que lá haviam entrado.

Entre mil outros, este fato é uma nova prova da existência da loucura obsessional, cuja causa é totalmente diferente da causa da loucura patológica, e ante a qual a Ciência falhará enquanto se obstinar em negar o elemento espiritual e sua influência sobre a organização fisiológica. Aqui o caso é bem evidente: Eis uma jovem, de tal modo apresentando os caracteres da loucura, a ponto de se enganarem os médicos, que é curada a léguas de distância por pessoas que jamais a viram, sem nenhum medicamento ou tratamento médico, apenas pela moralização do Espírito obsessor.

Há, pois, Espíritos obsessores cuja ação pode ser perniciosa à razão e à saúde. Não é certo que se a loucura tivesse sido ocasionada por uma lesão orgânica qualquer, esse meio teria sido impotente? Se objetassem que essa cura espontânea pode ser devida a uma causa fortuita, responderíamos que se tivéssemos somente um fato para citar, sem dúvida seria temerário daí deduzir a afirmação de um princípio tão importante, mas os exemplos de curas semelhantes são muito numerosos. Eles não são privilégio de um indivíduo e se repetem todos os dias em diversos lugares, sinais indubitáveis de que repousam sobre uma lei da Natureza.

Citamos várias curas do mesmo gênero, notadamente em fevereiro de 1864 e janeiro de 1865, que contêm dois relatos completos eminentemente instrutivos.

Eis outro fato, não menos característico, obtido no grupo de Marmande:

Numa aldeia a algumas léguas desta cidade, havia um camponês atingido por uma loucura tão furiosa, que perseguia as pessoas a golpes de forcado para matá-las, e que, na falta de pessoas, atacava os animais no pátio. Corria incessantemente pelos campos e não voltava mais para casa. Sua presença era perigosa; assim, foi fácil obter autorização para interná-lo no hospício de Cadilac. Não foi sem vivo pesar que sua família se viu obrigada a tomar essa atitude. Antes de levá-lo, tendo um dos parentes ouvido falar das curas obtidas em Marmande, em casos semelhantes, foi procurar o Sr. Dombre e lhe disse:

- Senhor, disseram-me que curais os loucos, por isso vim vos procurar.

Depois contou-lhe de que se tratava, acrescentando:

- Como vedes, dá tanta pena separarmo-nos desse pobre J..., que antes eu quis ver se não havia um meio de evitar essa separação.

- Meu bravo homem, disse-lhe o Sr. Dombre, não sei quem me dá esta reputação; é verdade que algumas vezes consegui dar a razão a pobres insensatos, mas isto depende da causa da loucura. Embora não vos conheça, não obstante verei se vos posso ser útil.

Tendo ido imediatamente com o indivíduo à casa do seu médium habitual, obteve do guia a certeza de que se tratava de uma obsessão grave, mas que com perseverança ela chegaria a termo. Então disse ao camponês:

- Esperai ainda alguns dias, antes de levar o vosso parente a Cadilac; vamos ocupar-nos do caso; voltai de dois em dois dias para dizer-nos como ele se acha.

No mesmo dia puseram-se em ação. A princípio, como em casos semelhantes, o Espírito mostrou-se pouco tratável; pouco a pouco acabou por humanizar-se e finalmente renunciou ao propósito de atormentar aquele infeliz. Um fato muito particular é que declarou não ter qualquer motivo de ódio contra aquele homem; que, atormentado pela necessidade de fazer o mal, havia se agarrado a ele como a qualquer outro; que agora reconhecia estar errado, pelo que pedia perdão a Deus.

O camponês voltou depois de dois dias, e disse que o parente estava mais calmo, mas ainda não tinha voltado para casa e se ocultava nas sebes.

Na visita seguinte, ele tinha voltado para casa, mas estava sombrio e mantinha-se afastado; já não procurava bater em ninguém.

Alguns dias depois ia à feira e fazia seus negócios, como de hábito. Assim, oito dias haviam bastado para trazê-lo ao estado normal, e sem nenhum tratamento físico.

É mais que provável que se o tivessem encerrado com os loucos ele teria perdido a razão completamente.

Os casos de obsessão são tão frequentes que não é exagero dizer que nos hospícios de alienados mais da metade apenas têm a aparência de loucura e que, por isto mesmo, a medicação vulgar não faz efeito.

O Espiritismo nos mostra na obsessão uma das causas perturbadoras da saúde física, e, ao mesmo tempo, nos dá o meio de remediá-la; é um de seus benefícios. Mas, como foi reconhecida essa causa, senão pelas evocações? Assim, as evocações servem para alguma coisa, digam o que disserem os seus detratores.

É evidente que os que não admitem nem a alma individual nem a sua sobrevivência, ou que, admitindo-a, não se dão conta do estado do Espírito após a morte, devem olhar a intervenção de seres invisíveis em tais circunstâncias como uma quimera; mas o fato brutal dos males e das curas aí está.

Não poderiam ser levadas à conta da imaginação as curas operadas à distância, em pessoas que jamais foram vistas, sem o emprego de qualquer agente material. A doença não pode ser atribuída ao Espiritismo, porque ela atinge também os que nele não acreditam, bem como crianças que dele não têm qualquer ideia. Entretanto, aqui nada há de maravilhoso, mas efeitos naturais que existiram em todos os tempos, que então não eram compreendidos, e que se explicam do modo mais simples, agora que se conhecem as leis em virtude das quais se produzem.

Não se veem, entre os vivos, seres maus atormentando outros mais fracos, até deixá-los doentes e mesmo até matá-los, e isto sem outro motivo senão o desejo de fazer o mal?

Há dois meios de levar paz à vítima: subtraí-la à autoridade de sua brutalidade, ou neles desenvolver o sentimento do bem. O conhecimento que agora temos do mundo invisível no-lo mostra povoado dos mesmos seres que viveram na Terra, uns bons, outros maus. Entre estes últimos, uns há que se comprazem ainda no mal, em consequência de sua inferioridade moral e ainda não se despojaram de seus instintos perversos; eles estão em nosso meio, como quando vivos, com a única diferença que em vez de terem um corpo material visível, eles têm um corpo fluídico invisível; mas não deixam de ser os mesmos homens, com o senso moral pouco desenvolvido, buscando sempre ocasiões de fazer o mal, encarniçando-se sobre os que lhes são presa e que conseguem submeter à sua influência. Obsessores encarnados que eram, são obsessores desencarnados, tanto mais perigosos quanto agem sem ser vistos. Afastá-los pela força não é fácil, visto que não se pode apreender-lhes o corpo. O único meio de dominá-los é o ascendente moral, com cuja ajuda, pelo raciocínio e sábios conselhos, chega-se a torná-los melhores, ao que são mais acessíveis no estado de Espírito do que no estado corporal. A partir do instante em que são convencidos a voluntariamente deixar de atormentar, o mal desaparece, quando causado pela obsessão. Ora, compreende-se que não são as duchas nem os remédios administrados ao doente que podem agir sobre o Espírito obsessor. Eis todo o segredo dessas curas, para as quais não há palavras sacramentais nem fórmulas cabalísticas: conversamos com o Espírito desencarnado, moralizamo-lo, educamo-lo, como teríamos feito enquanto ele era vivo. A habilidade consiste em saber tomá-lo pelo seu caráter, em dirigir com tato as instruções que lhe são dadas, como o faria um instrutor experimentado. Toda a questão se reduz a isto: Há ou não Espíritos obsessores? A isto respondemos o que dissemos acima: Os fatos materiais aí estão.

Por vezes perguntam por que Deus permite que os maus Espíritos atormentem os vivos. Poderíamos igualmente perguntar por que ele permite que os vivos se atormentem entre si. Perdemos muito de vista a analogia, as relações e a conexão que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual, que se compõem dos mesmos seres em dois estados diferentes. Aí está a chave de todos esses fenômenos considerados sobrenaturais.

Não nos devemos admirar mais das obsessões do que das doenças e outros males que afligem a Humanidade. Eles fazem parte das provas e das misérias devidas à inferioridade do meio onde nossas imperfeições nos condenam a viver, até que estejamos suficientemente melhorados para merecer dele sair. Os homens sofrem aqui as consequências de suas imperfeições, porque se fossem mais perfeitos, aqui não estariam.
 
Revista Espírita, fevereiro de 1866

sábado, 22 de fevereiro de 2014

E se não houvesse Carnaval?

Por Riviane Damásio

Há vasta literatura difundida no meio espírita – e de literatura, classifico artigos, mini textos, opiniões e até livros – que estabelece um link transcendental entre Carnaval e Obsessão. A data fica estabelecida como a ocasião onde espíritos em variados graus de imperfeições e desajustes, vêm cair na folia terrestre, como se houvesse pouca chance de divertimento nos demais 361 dias do ano, no que tange à sintonia moral...

Diante de tanto estapafurdismo, Delinha Pinto, uma amiga espírita, constata: “Estou decidindo aqui com meus obsessores se vamos atrás do trio elétrico ou descansamos na praia, ou quem sabe as duas coisas ?”

Entre os risos que a alfinetada bem humorada da moça desperta, fica a reflexão: Se não forem para o trio, os “obsessores” irão dar um tempo no afã de aprontar? Isto remete a outro tema que ficará para outro momento, do paradigma da obsessão, e do quanto ela isenta o sujeito de seus próprios desejos, sua própria moral e seu arbítrio diante da vida... Mas isto fica para outra prosa.

A corrente dos “Obsessoistas” garante: Em nenhuma outra época do ano, ocorre tanto desvario. Isto supostamente provaria a ação implacável dos obsessores que vêm se divertir na folia.

E??? E se não houvesse Carnaval? E nos lugares onde não há Carnaval? E quanto chove canivete no carnaval? O que acontece com o enxame de obsessores que se prepararam com tanto afinco para a descida triunfal para o espaço de onde provavelmente nunca saíram: A orbe terrestre. E?

Penso que a forma como agimos (seja no Carnaval, na Páscoa, no Ano-novo, no Natal, no feriado da Independência, no baile Funk, no trote universitário, na balada, na Torcida Organizada daquele time...) reflete única e exclusivamente o que trazemos já, dentro de nós: nosso valores, nosso equilíbrio ou a falta dele. As ocasiões que vão acionar o gatilho do instinto/moralidade de cada um, são variadas e imprevisíveis.

Os lugares não formatam as pessoas, as pessoas que formatam os lugares e transformam os ambientes em salubres ou não. O que alguns querem é encalacrar no Espiritismo o conceito de pecado que vem de um atavismo religioso difícil de ser transposto. Mas música não é pecado, dança não é pecado, alegria não é pecado, aliás, não existe pecado não é, espíritas? 

É claro que se houver abuso a coisa desanda e vamos atrair má companhia espiritual, mas isto pode acontecer dentro de casa, bem longe das divinas baterias dos mestres carnavalescos. Acontece quando se espanca física ou moralmente um irmão, um pai, filho, mãe, mulher, marido, quando se comete pedofilia, quando se briga no trânsito, quando enfim, nos desviamos dos princípios mais nobres que deveriam nortear nossa evolução.

Enquanto acreditarmos que os lugares têm influência sobre nós e não que nós que criamos todas as nossas condições e assim podemos influenciar os lugares para o bem e para o mal, vamos continuar seguindo a cartilha do pecado e da salvação, do maniqueísmo cego e pouco reflexivo que nos faz eleger anjos e demônios como autores da nossa história terrena.

A cada tragédia que houver nesta data, haverá quem diga que foi o bloco do Umbral que veio sambar por aqui... E nos cabe refletir o seguinte: Os responsáveis sempre somos nós, inclusive por nossas influências espirituais, pois até por permiti-las, somos responsáveis.

E para não ser irredutível, o Carnaval pode sim, influenciar cada indivíduo de maneira particular. E não há generalizações. Assim como a ausência do sol pode ocasionar depressão em alguns e em outros não. Geralmente é o que o ser já trás por dentro que define o nível de influência. Sempre de dentro prá fora e não de fora para dentro.

E uma última consideração: Quem não se sente seguro das "tentações", melhor mesmo ficar em casa quietinho nesta época de folia, para não aumentar ainda mais a ficha crime dos pobres dos obsessores!

Bom carnaval, onde ele há e onde não há bom início de Março. E lembremos todos, foliões ou não, de cuidarmos de nós mesmos, de nossas tendências e nossas atitudes diárias, pois a pior fantasia que podemos vestir não é a do bloco carnavalesco, é a de vítima. 

* Texto originalmente publicado na página "Espiritismo Simples Expressão" do Facebook. Publicado com a devida autorização da autora.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais

Por Allan Kardec

Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em conseqüência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão que é um dos efeitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.

Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas. Na mediunidade audiente e psicográfica, traduz-se pela obstinação de um Espírito em querer manifestar-se, com exclusão de qualquer outro.

Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Necessário se torna este socorro, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio.

Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e cuja origem freqüentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência.

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.

Mas, ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que se faça que o arrependimento desponte nele, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.

O trabalho se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, para ele concorre com a vontade e a prece. Outro tanto não sucede quando, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda assistência. É o caso da fascinação, infinitamente mais rebelde sempre, do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII.)

Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o obsessor.

Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a proceder contra a sua vontade.

Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. (Cap. XI, nº 18.)

De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços, conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra; quem o haja conhecido em vida, reconhece-lhe a linguagem, a voz, os gestos e até a expressão da fisionomia.

Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.

Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam de outro modo. Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o, se este não possui bastante força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo, seja por estrangulação, seja atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata os que o cercam; entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da loucura furiosa.

São numerosos os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, e não derivam de outra causa muitos casos de loucura. Amiúde, há também desordens patológicas, que são meras consequências e contra as quais nada adiantam os tratamentos médicos, enquanto subsiste a causa originária. Dando a conhecer essa fonte donde provém uma parte das misérias humanas, o Espiritismo indica o remédio a ser aplicado: atuar sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado por meio da inteligência.[1]

São as mais das vezes individuais a obsessão e a possessão; mas, não raro são epidêmicas. Quando sobre uma localidade se lança uma revoada de maus Espíritos, é como se uma tropa de inimigos a invadisse. Pode então ser muito considerável o número dos indivíduos atacados.[2]

[1] Casos de cura de obsessões e de possessões: Revue Spirite, dezembro de 1863, pág. 373; — janeiro de 1864, pág. 11; — junho de 1864, pág. 168; — janeiro de 1865, pág. 5; — junho de 1865, pág. 172; — fevereiro de 1866, pág. 38; — junho de 1867, pág. 174.

[2] Foi exatamente desse gênero a epidemia que, faz alguns anos, atacou a aldeia de Morzine na Sabóia. Veja-se o relato completo dessa epidemia na Revue Spirite de dezembro de 1862, pág. 353; — janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863, págs. 1, 33, 101 e 133.

Fonte: A Gênese - Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Capítulo 14, parte 2.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Um antigo carreteiro


Revista Espírita, dezembro de 1859

O excelente médium Sr. V... é um moço que geralmente se distingue pela pureza de suas relações com o mundo espírita. Contudo, depois que se mudou para os aposentos que atualmente ocupa, um Espírito inferior se intromete em suas comunicações, interpondo-se até em seus trabalhos pessoais.

Encontrando-se, na noite de 6 de setembro de 1859, em casa do Sr. Allan Kardec, com quem devia trabalhar, foi entravado por aquele Espírito, que lhe fazia traçar coisas incoerentes ou impedia que escrevesse.

Então o Sr. Allan Kardec, dirigindo-se ao Espírito, manteve com ele a seguinte conversa:

1. Por que vens aqui sem ser chamado?

- Quero atormentá-lo.

2. Quem és tu? Dize o teu nome.

- Não o direi.

3. Qual o teu objetivo, intrometendo-te naquilo que não te diz respeito? Isto não te traz nenhum proveito.

- Não, mas eu o impeço de ter boas comunicações e sei que isto o magoa muito.

4. És um mau Espírito, pois que te alegras em fazer o mal. Em nome de Deus eu te ordeno que te retires e nos deixes trabalhar tranquilamente.

- Pensas que metes medo com essa voz grossa?

5. Se não é de mim que tens medo, tê-lo-ás sem dúvida de Deus, em nome de quem te falo e que poderá fazer que te arrependas de tua maldade.

- Não nos zanguemos, burguês.

6. Repito que és um mau Espírito, e mais uma vez te peço que não nos impeças de trabalhar.

- Eu sou o que sou, é a minha natureza.

Tendo sido chamado um Espírito superior, ao qual foi pedido que afastasse o intruso, a fim de não ser interrompido o trabalho, o mau Espírito provavelmente se foi, porque durante o resto da noite não houve mais nenhuma interrupção.

Interrogado sobre a natureza desse Espírito, respondeu o superior:

Esse Espírito, que é da mais baixa classe, é um antigo carreteiro, falecido perto da casa onde mora o médium. Escolheu para domicílio o próprio quarto deste, e há muito tempo é ele que o obsidia e o atormenta incessantemente. Agora que ele sabe que o médium deve, por ordem de Espíritos superiores, mudar de residência, atormenta-o mais do que nunca. É ainda uma prova de que o médium não escreve o seu próprio pensamento. Vês assim que há boas coisas, mesmo nas mais desagradáveis aventuras da vida. Deus revela o seu poder por todos os meios possíveis.

- Qual era em vida o caráter desse homem?

- Tudo o que mais se aproxima do animal. Creio que seus cavalos tinham mais inteligência e mais sentimento do que ele.

- Por que meio pode o Sr. V... desembaraçar-se dele?

- Há dois: o meio espiritual, pedindo a Deus; o meio material, deixando a casa onde está.

- Então há realmente lugares assombrados por certos Espíritos?

- Sim, Espíritos que ainda estão sob a influência da matéria ligam-se a certos locais.

- Os Espíritos que assombram certos lugares podem torná-los fatalmente funestos ou propícios às pessoas que os habitam?

- Quem poderia impedi-los? Mortos, exercem influência como Espíritos; vivos, exercem-na como homens.

- Alguém que não fosse médium, que jamais tivesse ouvido falar de Espíritos e que nem acreditasse neles poderia sofrer tal influência e ser vítima de vexames de tais Espíritos?

- Indubitavelmente. Isto acontece mais frequentemente do que pensais, e explica muitas coisas.

- Há fundamento na crença de que os Espíritos frequentam de preferência as ruínas e as casas abandonadas?

- Superstição.

- Então os Espíritos assombrarão uma casa nova da Rua de Rivoli, do mesmo modo que um velho pardieiro?

- Por certo. Eles podem ser atraídos antes para um lugar do que para outro, pela disposição de espírito dos seus moradores.

Tendo sido evocado, na Sociedade, o Espírito do carreteiro acima mencionado, por intermédio do Sr. R..., ele manifestou-se por sinais de violência, quebrando os lápis, enfiando-os com força no papel, e por uma escrita grosseira, trêmula, irregular e pouco legível. 

1. (Evocação).

- Aqui estou.

2. Reconheceis o poder de Deus sobre vós?

- Sim; e daí?

3. Por que escolhestes o quarto do Sr. V..., e não um outro?

- Porque isto me agrada.

4. Ficareis ali muito tempo?

- Tanto quanto me sentir bem.

5. Então não tendes a intenção de melhorar?

- Veremos. Eu tenho tempo.

6. Estais contrariado porque vos chamamos?

- Sim.

7. Que fazíeis quando vos chamamos?

- Estava na taberna.

8. Então bebíeis?

- Que tolice! Como posso beber?

9. Então o que quisestes dizer quando falastes da taberna?

- Quis dizer o que disse.

10. Quando vivo, maltratáveis os vossos cavalos?

- Sois da polícia municipal?

11. Quereis que oremos por vós?

- E faríeis isto?

12. Certamente. Nós oramos por todos aqueles que sofrem, porque temos compaixão dos infelizes e sabemos que a misericórdia de Deus é grande.

- Oh! Bem, sois boa gente mesmo. Eu gostaria de poder vos dar um aperto de mão. Procurarei merecê-lo. Obrigado. 

OBSERVAÇÃO: Esta conversa confirma o que a experiência já provou muitas vezes, relativamente à influência que podem os homens exercer sobre os Espíritos, e por meio da qual contribuem para a sua melhora. Mostra a influência da prece.

Assim, essa natureza bruta e quase indomável e selvagem encontra-se como que subjugada pela ideia das vantagens que se lhe pode oferecer. Temos numerosos exemplos de criminosos que vieram espontaneamente comunicar-se com médiuns que haviam orado por eles, testemunhando-nos assim o seu arrependimento.

Às observações acima juntaremos as considerações que seguem, relativas à evocação de Espíritos inferiores.

Temos visto médiuns, justamente ciosos de conservar suas boas relações de além-túmulo, recusarem-se a servir de intérpretes dos Espíritos inferiores que podem ser chamados. É de sua parte uma suscetibilidade mal entendida. Pelo fato de evocarmos um Espírito vulgar, e mesmo mau, não ficaremos sob a dependência dele. Longe disso, e ao contrário, nós é que o dominaremos. Não é ele que vem impor-se, contra a nossa vontade, como nas obsessões. Somos nós que nos impomos. Ele não ordena, obedece. Nós somos o seu juiz, e não a sua presa. Além disso, podemos ser-lhes úteis por nossos conselhos e por nossas preces e eles nos ficam reconhecidos pelo interesse que lhes demonstramos. Estender-lhe a mão em socorro é praticar uma boa ação. Recusá-la é falta de caridade; ainda mais, é orgulho e egoísmo. Esses seres inferiores, aliás, são para nós um grande ensinamento. Foi por seu intermédio que pudemos conhecer as camadas inferiores do mundo espírita e a sorte que aguarda aqueles que aqui fazem mau emprego de sua vida.

Notemos, além do mais, que é quase sempre tremendo que eles vêm às reuniões sérias, onde dominam os bons Espíritos. Ficam envergonhados e se mantêm à distância, ouvindo a fim de instruir-se. Muitas vezes vêm com esse objetivo, sem terem sido chamados.

Por que, pois, recusaríamos ouvi-los, quando muitas vezes seu arrependimento e seu sofrimento constituem motivo de edificação ou, pelo menos, de instrução?

Nada há que temer dessas comunicações, desde que visem o bem. Que seria dos pobres feridos se os médicos se recusassem a tocar em suas chagas?      

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Na conta dos Espíritos

Por Manoel Lourenço

Infelizmente existem pessoas que culpam os Espíritos por tudo quanto lhes aconteça na vida. Não se pode ignorar a influência dos Espíritos em nossas vidas. No entanto, pessoas há que vêem a influência dos Espíritos em tudo, até nas mínimas incidências do dia a dia.

Allan Kardec esclareceu, de forma simples, que "os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se" (Livro dos Médiuns, item 237). Percebe-se que os bons Espíritos estão empenhados na prática do bem, e não são capazes de provocar o menor constrangimento a quem quer que seja.

Através do Espiritismo sabemos que os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e ações muito mais do que supomos. Isto não significa que estejamos subordinados passivamente, de forma incontrolável, à vontade dos Espíritos. A obsessão é fato real e concreto, comprovado todos os dias. Sabemos os efeitos danosos que as obsessões provocam no ser obsidiado. Um deles é o de fazer com que o ser não admita estar obsidiado, dificultando o processo de tratamento desobsessivo. Afinal, qualquer tratamento, para que surta o efeito esperado, é necessário que conte com a colaboração do paciente.

É comum chegarem nos Centros Espíritos pessoas de várias religiões, em busca de explicações para seus problemas insolúveis pela ciência e a religião tradicionais. A Doutrina Espírita esclarece até onde vão os fenômenos puramente materiais, e faz a divisão lógica desses com os fenômenos espirituais. Apresenta os tratamentos adequados, sem misticismos, sem segredos, sem mistérios, e gratuitamente. E assim, inúmeros são os descrentes que se convertem ao Espiritismo, tornando-se defensores dessa Doutrina iluminadora e libertadora.

Se de um lado existem os que não acreditam nos fenômenos espíritas, de outro, há os que acreditam exageradamente neles, com um certo fanatismo.

O que mais choca a razão é perceber que essas pessoas são espíritas declaradas, que freqüentam as Casas Espíritas, e no mais das vezes são também trabalhadores dessas instituições. Esses espíritas consideram-se alvo constante dos habitantes do mundo invisível. Mostram-se acossados por todos os lados, num combate desigual, onde os inimigos invisíveis parecem levar certas vantagens.

Segundo eles, os Espíritos provocam sintomas os mais diversos, concentrando energias negativas nos órgãos e no organismo como um todo. Uma noite mal dormida, uma simples dor de cabeça, um pequeno mal estar, uma contrariedade qualquer é para eles um sinal que os Espíritos estão atuando, tentando atrapalhar-lhes a vida. Há, ainda, a crença de que os Espíritos procuram atingi-los utilizando-se dos outros. Dessa forma, basta que alguém lhes cause o menor constrangimento, ou até mesmo uma expressão de mau humor do chefe, do amigo, do parente ou de um desconhecido, atribuem imediatamente aos desencarnados a responsabilidade pelo ocorrido, na tentativa de atingi-los através do próximo.

Para esses espíritas não importa se durante a refeição ingeriram um alimento estragado, ou mesmos abusaram na quantidade. Também não se dão conta de que os outros têm seus problemas, suas enfermidades, seus momentos de tristeza e justamente por isso, às vezes, não conseguem esboçar um sorriso nos lábios. Vêem os outros como pessoas obsidiadas, e recomendam sempre a oração e a vigilância, como antídotos contra as investidas danosas da espiritualidade inferior. Apresentam suas técnicas de defesa espiritual, baseadas nas Obras Espíritas, pois são também estudiosos da Doutrina, e no mais das vezes deturpam as técnicas desobsessivas, criando técnicas próprias, às vezes esdrúxulas, e o que é pior: recomendam para os outros.

Para esses, os Espíritos são seres desocupados, que vivem unicamente para prejudicar ou atrapalhar as pessoas, principalmente a eles, que se acham melhores que os outros, e por isso mesmo se tornam alvos fáceis. Consideram-se vítimas da espiritualidade inferior, e responsabilizam os Espíritos por tudo quanto lhes aconteça na vida, por menores que sejam os incidentes. Até mesmo um simples tropeção "põem na conta dos Espíritos".

(Sergipe Espírita – julho/1998 – nº 62).

(Jornal Mundo Espírita de Outubro de 98)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A saúde pode ser afetada pela obsessão?

Por Orson Peter Carrara

Desafio está em conhecer origem dos casos

Uma interessante matéria publicada por Allan Kardec na Revista Espírita (1) utiliza a expressão loucura obsessional. O texto, que recomendamos aos leitores, é um estudo sobre os Possessos de Morzine, uma localidade em determinada região francesa, alvo de carta endereçada ao Codificador pelo capitão B. (membro da Sociedade Espírita de Paris e naquele momento radicado na cidade de Anecy). Allan Kardec publicou a carta na edição de abril (2), seguida de instruções dos espíritos Georges e Erasto e ainda acrescentou lúcido comentário sobre a questão. Depois na edição de dezembro (3) voltou ao assunto, desdobrando-o em bem argumentada análise.

Trata-se de uma obsessão coletiva que atingiu toda uma coletividade e Kardec usa nas duas edições referidas toda a lógica da Doutrina Espírita para explicar a questão da natureza dos espíritos e sua permanente influência junto à humanidade através do perispírito e da mediunidade. Porém, abre importante caminho no entendimento da enfermidade classificada como loucura e acrescenta que “(...) Ao lado de todas as variedades de loucura patológica, convém, pois, acrescentar a loucura obsessional (...)” E acrescenta: “Mas como poderá um médico materialista estabelecer essa diferença ou, mesmo admiti-la? (...)” (1).

A questão suscita observações interessantes sobre a saúde mental. Ocorre que é grande o número de pessoas consideradas como lesionadas no cérebro e portanto internadas em hospitais psiquiátricos ou em tratamento mental ou psicológico, quando na verdade estão apenas sob forte influência de espíritos que agem ainda com ódio premeditado ou mesmo atuam inconscientemente. Claro que há, e isto ninguém contesta, os que podem ser considerados vítimas de lesões cerebrais irreversíveis com indicações claras de tratamentos ou internações inadiáveis. Mas, a influência perniciosa de um espírito desequilibrado e “que não passou de acidental, por vezes toma um caráter de permanência quando o Espírito é mau, porque para ele o indivíduo se torna verdadeira vítima, à qual ele pode dar a aparência de verdadeira loucura. Dizemos aparência, porque a loucura propriamente dita sempre resulta de uma alteração dos órgãos cerebrais (...) Não há, pois, loucura real, mas aparente, contra a qual os remédios da terapêutica são inoperantes, como o prova a experiência (...)” (1), conforme acentua o Codificador.

Como sabem os estudiosos da Doutrina Espírita, a obsessão é capítulo importante no relacionamento entre encarnados e desencarnados, tendo inclusive merecido capítulo específico em O Livro dos Médiuns (4) e como destacado pelo próprio Codificador o desafio está em enfrentar esta loucura aparente – pois não há lesões cerebrais –, causada pela presença e influência de espíritos maus e perversos, que constrange e/ou paralisa a vontade e a razão de sua vítima, fazendo-a pensar, falar e agir por ele, levando-a a atos e posturas extravagantes ou ridículas. Considere-se que estamos num planeta ainda dominado pelo egoísmo, onde a maioria das criaturas que o habitam – estejam encarnados ou desencarnados – estão envolvidas com interesses mesquinhos e sem finalidades educativas ou de aperfeiçoamento. E fica fácil, então, imaginar o mundo invisível formando inumerável população que forma a atmosfera moral do planeta, caracterizado pela inferioridade das lutas mundanas e dos interesses que o egoísmo, a vaidade, o orgulho ou a inveja podem criar. Para resistir a tudo isso, usando palavras do próprio Kardec, “são necessários temperamentos morais dotados de grande vigor”.(5)

E é interessante notar que, conforme ponderações do próprio Kardec (6), “(...) a ignorância, a fraqueza das faculdades, a falta de cultura intelectual” oferecem mais condições de assédio aos espíritos imperfeitos que tentam e muitas vezes conseguem dominar as criaturas humanas através do real fenômeno da obsessão, tantas vezes confundido como loucura ou lesões no cérebro.Diante desse quadro todo, percebe-se claramente a importância do estudo e da divulgação espírita perante todas as classes de indivíduos do planeta. Nesta área da saúde, o Espiritismo vem esclarecer a obscura questão das doenças mentais, apresentando uma causa que não era considerada e constitui perigo real evidente, provado pela experiência e pela observação: o da obsessão ou influência dos espíritos sobre os seres humanos.

(1) Dezembro de 1862, páginas 360, edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho.

(2) Abril de 1862, páginas 107/108, edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho.

(3) Dezembro de 1862, páginas 360 a 365, edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho.

(4) Capítulo XXIII.

(5) página 356 da edição de Dezembro de 1862 da Revista Espírita, edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho.

(6) Abril de 1862 da Revista Espírita, página 111, edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho.

Matéria publicada originariamente no jornal O CLARIM, edição de dezembro de 2004.

domingo, 27 de setembro de 2009

Nem tudo é obsessão

Por Jânio Alves Cordeiro

É comum algumas pessoas acharem que tudo que acontece de errado em suas vidas é conseqüência de uma força sobrenatural que atrapalha a sua prosperidade.

Se não conseguem a promoção cobiçada no emprego foi enganado por seu superior, nunca por falta de experiência ou até competência. Se o carro quebrou, foi inveja do vizinho, e não por falta de manutenção. Se não acertou na loteria para comprar a sua casa é porque foi falta de sorte ou olho grande dos inimigos, e nunca por ser apenas um jogo.

Mas, a maior incompreensão, é acharem que quando adoecem, é porque estão com um obsessor ou "encosto". Colocam culpa no demônio, solicitam uma consulta em um Centro Espírita, pedem um padre exorcista para Igreja Católica ou a um Pastor Evangélico para expulsar o inimigo. Ou seja, recorrem a todos os segmentos religiosos, para resolverem um problema que alegam não serem deles. Porém, o que eles não conseguem perceber, é que na maioria das vezes a culpa de certas enfermidades físicas ou psíquicas, é produto da sua própria mente. Mente esta que guarda todas as culpas pretéritas ou presentes, que causa o desequilíbrio devido às perturbações do consciente. Desequilíbrio tanto espiritual, devido à estagnação evolutiva, evitando o esclarecimento, como o físico, porque a mente perturbada, saturada de remorsos por conduta incorreta, emana energias deletérias distribuídas pelo organismo e principalmente impregnadas no cérebro.

O desequilíbrio da mente, faz com que o comportamento da pessoa se altere aos poucos e de forma contínua. Começa com pequenos conflitos emocionais e alterações fisiológicas imperceptíveis, e à medida que se prolonga, pode alcançar a loucura e debilidade orgânica lastimável.

A mente humana pode ser comparada a uma usina de forças, e estando desequilibrada, emite energias destrutivas que podem atingir primeiramente o próprio organismo do emissor, e posteriormente a outros organismos em seu campo de ação. Essa energia deletéria pode causar danos irreversíveis ao organismo físico, levando o homem ao desencarne.

Portanto, antes de colocar a culpa em terceiros, principalmente nos desencarnados e prejudicar a sua saúde física e mental, observe a sua conduta moral e procure a resposta dentro de si.

Observe se você está de acordo com a Lei de Amor, Justiça e de Responsabilidade que o Pai estabeleceu para todos os seus filhos, para que a sua própria consciência não seja o seu juiz.

Concilia-te com teu inimigo enquanto estás a caminho, disse o Mestre. Esse inimigo pode ser a sua própria consciência a te cobrar uma conduta correta e a sua reforma íntima. Aproveite a oportunidade da reencarnação e comece o mais rápido possível a progredir, estudando e evoluindo espiritualmente.

Então, podemos concluir que nem tudo é obsessão, mas tudo é espiritual, porque todos nós somos Espíritos, com a oportunidade Divina de estarmos encarnados neste Planeta.