quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fenomenologia mediúnica

11:30 Posted by O Blog dos Espíritas No comments
Por Ricardo Malta

A mente, segundo o Dr. J.B Rhine (foto), não é física. As modernas pesquisas no campo dos fenômenos théta provaram essa realidade. Sustenta Wathely Caringthon que “a mente é uma estrutura psicônica, formada de átomos mentais, e depois da morte do corpo pode comunicar-se com as mentes encarnadas”. [1] Hermínio c. Miranda, em análise aos estudos de J. B. Rhine, esclarece-nos:

Nesta mesma linha de raciocínio, vamos encontrar até homens do calibre do Dr. J. B. Rhine que, num livro a ser analisado, nos assegura estas coisas muito sérias:

1) Que há no homem um princípio não-físico (a que nós chamaríamos logo de Espírito);

2) Que essa mesma criatura humana é dotada de certa percepção psíquica, a que ele chama extra-sensorial;

3) Que a aludida capacidade de percepção não está subordinada às limitações de espaço nem às de tempo, pois que já se demonstrou cientificamente a existência da telepatia – que transcende o espaço, e a de presciência – que extravasa os limites do tempo.


Qual a conclusão óbvia que daí decorre? Não é preciso ser nenhum gênio, habituado às lides filosóficas e aos imperativos da lógica, para descobri-la. Basta ter bom senso. Se há no homem um principio imaterial que escapa ao domínio do tempo e do espaço, não é filosoficamente perfeita a conclusão de que esse principio (Espírito) sobrevive à morte do corpo físico? [2]

Ao se despojar do corpo somático pelo fenômeno biológico da morte, o ser psíquico permanece revestido por outro envoltório mais sutil, o qual se denomina psicossoma ou perispírito.  É por esse corpo quintenssenciado, mas ainda material, que o desencarnado se manifesta no plano físico. A importância do perispírito é tamanha que é correto afirmar que ele constitui “a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem material.” Resta evidente que, para atuar na matéria grosseira, o Espírito também necessita da matéria. Portanto, sem o perispírito seria impossível para o desencarnado se manifestar no plano material e estabelecer comunicação com os encarnados.

No que tange ao mecanismo que rege a fenomenologia mediúnica, assevera com propriedade J. Herculano Pires:

Tudo se passa no plano das emissões energéticas, das conotações por afinidade psicológica, das relações naturais, entre dois dínamos-psíquicos (segundo a expressão de Gustave Geley) aptos a um processo indutivo no campo energético. [3]

Podemos dizer, de maneira mais objetiva, que o intercâmbio mediúnico dá-se mediante uma perfeita sintonia psíquica entre as mentes encarnadas e desencarnadas que, mediante uma forte indução, as vibrações psíquicas do Espírito atingem o corpo energético (perispírito ou psicossoma) do médium, provocando uma empatia entre ambos, estabelecendo-se a comunicação mental que aqui denominamos de fenômeno mediúnico.

Observemos que nada há de sobrenatural ou maravilhoso no âmbito da fenomenologia mediúnica. Não estamos diante de uma explicação mística ou apoiada em crendices populares, referimo-nos, pois, a estudos científicos levados a efeito por inúmeros sábios desde o século dezenove. Destacam-se os estudos de Allan Kardec, William Crookes, Russel Wallace, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Gustave Geley, Friedrich Zöellner, Hernani Guimarães, entre outros.

Embora os estudos científicos sejam relativamente recentes, iniciando-se oficialmente apenas em meados do século dezenove, o intercâmbio com o plano espiritual é tão antigo quanto a própria humanidade, a história está repleta de fatos espíritas. Corroborando com esse entendimento, nos diz Leon Denis:

Certas pessoas consideram, mas sem razão, a mediunidade um fenômeno peculiar aos nossos tempos. A mediunidade, realmente, é de todos os séculos e de todos os países. Desde as idades mais remotas existiram relações entre a Humanidade terrestre e o mundo dos Espíritos. Se interrogarmos os Vedas da índia, os templos do Egito, os mistérios da Grécia, os recintos de pedra da Gália, os livros sagrados de todos os povos, por toda parte, nos documentos escritos, nos monumentos e tradições, encontraremos a afirmação de um fato que tem permanecido através das vicissitudes dos tempos. [4]

Neste mesmo sentido, com maiores detalhes, encontramos na lavra psicográfica de Francisco Candido Xavier, numerosos antecedentes históricos dos fenômenos mediúnicos, in verbis:

Acena-nos a antigüidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da História. Discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito, ao amigo invisível que o acompanhava constantemente. Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desencarnados, a visitá-lo, em pleno campo. Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monoideizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo. Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo. Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos nos jardins de Lâmia, eram ali vistos, freqüentemente, até que se lhe exumaram os despojos para a incineração. [5]

Mais adiante, completa:
 
Apenas há alguns séculos, vimos Francisco de Assis exalçando-a em luminosos acontecimentos; Lutero transitando entre visões; Teresa d’Ávila em admiráveis desdobramentos; José de Copertino levitando ante a espantada observação do papa Urbano VIII, e Swedenborg recolhendo, afastado do corpo físico, anotações de vários planos espirituais que ele próprio filtra para o conhecimento humano, segundo as concepções de sua época. [6]


Poderíamos ainda levantar inúmeros antecedentes históricos, mas não se faz necessário. Existe uma variedade enorme de obras que nos informam sobre esses fatos, não cabendo aqui elencar todos eles.

Cumpre classificar os fenômenos mediúnicos, para efeito metodológico, em dois grandes grupos distintos:
 
a) Mediunidade de efeitos físicos -
Faculdade capaz de produzir efeitos materiais ostensivos, tais como movimento e levitação de corpos inertes,  tiptologia, curas fenomênicas, voz direta, transportes, materializações, pneumatografia etc.;

b) Mediunidade de efeitos inteligentes - Faculdade capaz de receber e transmitir comunicações inteligentes, como ocorre, por exemplo, nos fenômenos da psicofonia e psicografia.

A obra mais completa e segura que possuímos na atualidade descerrando os meandros da mediunidade é O Livro dos Médiuns, publicado em Paris, em 15 de janeiro de 1861, de autoria de Allan Kardec. De acordo com renomado pesquisador, a obra contém:

O ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento de O Livro dos Espíritos. [7]

O assunto realmente é imenso e requer o estudo sério e contínuo, todavia, embora o caminho seja árduo, a leitura (estudo) constitui o meio mais seguro contra os escolhos da mediunidade, além de ser conditio sine qua non  para todo candidato à pesquisador espírita.

Bons estudos!
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Referências:

[1] PIRES, José Herculano. O espírito e o tempo, 10 ed. São Paulo: Paidéia, 2009, p. 335.
[2] MIRANDA, Hermínio. Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos, 4. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2002, p. 142
[3] PIRES, José Herculano. O espírito e o tempo, 10 ed. São Paulo: Paidéia, 2009, p. 338
[4] DENIS, Leon. No invisível. 1 ed. Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2010, p.97
[5] XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mediunidade. Pelo Espírito Andre Luiz. 26 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, P. 15
[6] XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mediunidade. Pelo Espírito Andre Luiz. 26 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, P. 17-18
[7] KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Folha de rosto.

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